Artigo: Neimedrópin
Para passar o tempo enquanto os jogos da CLB 2009 vão sendo decididos e preparados para publicação, apresentamos o texto abaixo, do inconfundível Doutor Plausível.
Algumas semanas atrás fiquei doentinho de cama. Sem saco pra muita coisa, resolvi sucumbir a um de meus passatempos prediletos: analisar listas. Nas primeiras duas Copas, tinha notado q os oito livros a mim designados tinham algo em comum: todos eles citavam nomes de pessoas reais e famosas. Não só isso, mas q a grande maioria dessas pessoas eram estrangeiras e do 1° mundo. Fiquei meio intrigado com isso — pra não dizer traumatizado com o volume de name-dropping no livro do Tezza —, mas deixei passar. Foi só nesses dias de cama q o pensamento voltou.
Pra temperar o q vou dizer aqui, devo adiantar q, antes de ser convidado prà Copa, eu não lia literatura brasileira havia uns 25 anos. Em minha biblioteca havia um total de 3 livros de autores brasileiros: Vaca de nariz sutil, O coronel e o lobisomem, e uma antologia de Augusto dos Anjos. Já havia lido muito, mas fui perdendo os livros com o tempo. De ficção, leio muita literatura européia de mais de 50 anos; descontando alguns hispano-americanos, não leio muita coisa mais recente. De modo q não tava acostumado ao q vi nesses oito livros, embora citar nomes reais em livros de ficção não seja coisa nova ou desprestigiada na lit. bras. — vide Machado. Pelo q vejo da literatura européia q leio, a citação dum nome real raramente carece dum motivo temático: o nome, aquele nome em particular, tem um motivo pra estar ali, um motivo tramático q o autor explicita de alguma forma. Sabendo q um nome real denota muitas complexidades — estas às vezes antitéticas —, o autor não espera q o leitor tenha um conhecimento prévio do aspecto específico do nome q o fez inclui-lo no texto, em detrimento de qqer um dentre as dezenas de outros nomes possíveis. A menos q escreva um texto impressionista e/ou verborrágico, o autor consciente inclui um nome numa trama pq NESSA trama ele não tem outra escolha além de inclui-lo.
Por isso me assustei ao ler tantos nomes reais naqueles oito livros. Ok: desses oito, vou tirar os dois romances baseados em fatos históricos, Música perdida e Um defeito de cor. Segue neste link uma lista dos nomes reais citados nos outros seis.
O q salta à vista imediatamente é a proporção de nomes estrangeiros (quase todos do 1° mundo) contra nomes brasileiros. Contando apenas os nomes de pessoas reais, eis o placar Estrangeiros x Brasileiros:
As sementes de Flowerville: 10 x 0
Corpo estranho: 30 x 3
Lugares que não conheço…: 7 x 3
Toda terça: 18 x 2
O dia Mastroianni: 18 x 2
O filho eterno: 68 x 13
Incluindo as produções culturais, as proporções ficam ainda mais gritantes:
As sementes de Flowerville: 26 x 1
Corpo estranho: 42 x 3
Lugares que não conheço…: 9 x 5
Toda terça: 27 x 2
O dia Mastroianni: 23 x 2
O filho eterno: 107 x 21
No caso de muitas citações, a preferência por nomes estrangeiros pode não significar nada. Em As sementes, essa preferência pode ser irônica; em Lugares, percebo até um certo sarcasmo nas poucas citações. As em Toda terça são as q tão mais próximas da intenção tramática; a grande maioria não são só nomes jogados ou citados: há uma teia de referências. Em Mastronianni, não são apenas os nomes q foram jogados: o livro todo é jogado — com algum charme petulante, mas jogado. Em Corpo estranho e O filho eterno, os nomes são citados com deferência e sem qqer ironia. Nestes dois, muitos nomes aparecem até mesmo em listas de quatro ou cinco nomes — presentes ali só pra estar ali e mais nada, embora em partes O filho eterno teja consciente da, digamos, subserviência: “Os escritores brasileiros somos pequenos ladrões de sardinha” (p. 104).
Claro q tou consciente das múltiplas variáveis. O autor escreve sobre o mundo q o cerca, e esse mundo contém esses nomes; o Brasil é apenas um país entre muitos e há trocentos mais nomes conhecidos estrangeiros do q brasileiros; ao se tornar citável, todo nome torna-se patrimônio da humanidade; e o autor escreve o q lhe dá na telha, ¿dá licença?
Sim, óbvio. Só q tou falando disso não como crítica literária, mas como descrição dum fenômeno – e acho q tou justificado em chamar isso de “fenômeno”. Ano passado, fui a uma livraria, onde folheei vários livros brasileiros de ficção recentes e confirmei a impressão: extrapolando a relativamente pequena amostragem, concluo q não é um livro brasileiro aqui e outro ali; são livros às centenas; poucas exceções. É como se grande parte da ficção brasileira não se visse como literatura autônoma, q criasse seus próprios significados; é como se ela se arriscasse a existir apenas enquanto ancorada nos grandes influentes; como se seus autores vissem no Brasil pouco q valesse ser narrado sem o aval, sem o visto assinado dos “grandes” estrangeiros.
O déficit de autonomia na xeno-referência leva às vezes a desajeitos ou a potenciais mal aproveitados. Às vezes, soa como o proverbial japonês tocando samba. Por exemplo, em O filho eterno, o autor fala incontadas vezes de seus ideais adolescentes inspirados por Nietzsche e Rousseau, mas jamais atenta à ironia no paralelo entre, de um lado, o super-homem do primeiro e o bom-selvagem do segundo e, do outro, o pai e seu filho deficiente mental. Nietzsche é o Nietzsche de O nascimento da tragédia e só; Rousseau é o Rousseau da comunhão com a natureza e só. Me deu irque, a repetição exaustiva dos dois nomes sem jamais mencionar, sugerir ou sinalizar o paralelo com o pai e o filho — algo q jamais escaparia a alguém realmente embrenhado em Nietzsche e Rousseau.
É óbvio tbm q várias dessas citações têm sua razão de ser em cada livro. Por exemplo, Fermat tem um papel central em As sementes. Mas certos nomes parecem estar ali só por escapismo. Por exemplo, em As sementes, um personagem “parece o Danny Glover” (p. 52); em Mastroianni, alguém é descrita como “uma lulu brooks” (p. 183); numa cena de Corpo estranho, a aparência de alguém lembra “uma aldeã de El Greco” (p. 254). ¿Não é um fenômeno peculiar q ninguém se pareça com um brasileiro conhecido?
Num concorrente desta Copa, Galiléia (placar geral 32 x 0), três personagens param num boteco de beira-estrada, sentam em cadeiras “fornecidas por uma cervejaria” e um deles “deseja apenas uma coca-cola” (p. 33). O autor se sente à vontade pra mencionar o nome duma multinacional mas não o da cervejaria (q deve ser brasileira). ¿Não é intrigante, no mínimo?
Pois então, ¿de onde vem isso? Muitas citações são francamente gratuitas. Mas apesar do título deste texto, na verdade não acho q seja realmente pra impressionar q esses autores mencionem nomes estrangeiros e ignorem quase completamente os produtores e os produtos culturais do Brasil. Mas ¿será? Ou ¿será um pudor, uma cautela — tipo tal como em festa só se fala de quem tá ausente? ¿Será um cacoete? ¿Será a natureza adulatória do brasileiro se manifestando? ¿Será um desejo de se internacionalizar — demonstrando cosmopolitismo e expurgando referências incompreensíveis ao resto do mundo pra facilitar a tradução? ¿Será apenas pq se trata de ficção, com uma dose de escapismo até mesmo pro autor?
O escapismo seria o mais irônico. Nomes do 1° mundo enxurram a tv, a internet, as livrarias, as escolas: são inescapáveis. Seria de se esperar q a maior parte da literatura deste país fosse imune, q fosse um reduto pra onde escapar da xenorragia.
Seja como for, a xeno-referência não deixa de ser o modo como esses autores brasileiros se relacionam com… o Brasil. E se eu mesmo leio primordialmente literatura européia, uso interrogações de cabeça pra baixo e escrevo rotineiramente sobre o Brasil como um fim-de-mundo, ¿por que me espanta q outros expressem essa insatisfação cada um a sua maneira? Mmm, sei não. Pra mim, uma coisa é achar defeito em meu jardim; outra é virar pra minha mulher e elogiar o do vizinho esperando q ele me escute. Ainda outra é observar como o vizinho cuida do próprio jardim, fala do q só nele vê, e nem dá bola pro meu. Se há uma coisa a aprender com Gaiman, Proust, Heidegger, Wilde, Ibsen e a patota toda, é q esses vizinhos jamais falam do Brasil. E talvez teja aí o q se deve emular do 1° mundo: não fale do vizinho; faça como ele.



Excelentes observações. Gosto de listas, pois organizam as “gavetas”. A pergunta que fazes, faço-a também. E quando olho a história da nossa literatura, vejo que é um aspecto recorrente esse pousar o olhar no “lá fora”. No entanto, na literatura brasileira de hoje, talvez haja uma diferença em relação ao passado: vivemos em um mundo que, de certa forma, perdeu suas fronteiras. Uma casa desaba no meio da África e vira notícia, como se a tal casa ficasse no Ceará ou em São Paulo, ou no bairro em que moramos. Essa promiscuidade não pode passar ao longe dos textos literários atuais. É um reflexo do nosso hoje. Ma tem coisa muito boa e, principalmente, tem coisa sendo gestada, talentos imaturos esperando a hora de nascer com pulmões prontos para gritar alto e garantir a vida.
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Isso me incomoda também. Fiz um texto um tanto tosco que versa um pouco sobre isso (http://simonecampos.blogspot.com/2009/07/como-nao-fazer-um-romance-pop.html)
O seu deu vontade de espiar no “A feia noite”. Droga, Hitchcock e Iracema logo na primeira página!! Fiquei chocada comigo mesma. Vai ver que é vício. Defendo: é a caracterização da Amanda, personagem (pra mim odiável) que logo vai virar uma espécie de Rebeca-mulher-inesquecível. Mais pra frente, Mondrian pra definir uma garagem (pg. 13). Um haicai (tá: violento). Droga.
Fui até a página 40. O livro vai abandonando com o tempo essas referências pra citar macumba, planos Sarney, “O pato”, Xuxa. (De fato está sendo uma pedreira traduzi-lo pro inglês). Reparei que abusei de marcas registradas e frasezinhas cool em inglês (“Get a life”, “turning point”. Defendo: pertencem ou se referem a uma filha de marqueteira).
Mas taí uma coisa a mais pra se preocupar. Não se policiar pra não usar, mas ver se cabe na sua intenção literária ou é só vício.
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[...] MAs enquanto não começa, o Dr. Plausível está esquentando as coisas. Leia aqui. [...]
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Caro Doutor,
Estas citações também me incomodam há tempos. Citação gratuita é um mal uso da técnica em qualquer língua. Penso, no entanto (corrija-me, por favor), que o senhor está comparando nossa literatura dos últimos três anos como o melhor da literatura européia de um século. O senhor chegou a comparar a nossa literatura com a literatura européia dos últimos três anos (por exemplo As Benevolentes de Jonathan Littell que ganhou o Goncourt – nem sei se literatura americana, francesa ou judáica – tem múltiplas citações gratuitas)? Será que isto é um fenômeno só nosso?
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O argumento todo cai com a patética sintaxe do rapaz, um amálgama de várias sintaxes estrangeiras… Esses são os nossos produtores de idéias? Que linguagem ridícula.
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Simone, gostei de tua listinha de regras pra não escrever um romance pop. Na verdade, não tou condenando nada. Tou mais é perguntando, e longe de esgotar as perguntas.
Lúcio, imagino q não seja só na lit.bras. q isso acontece. Me soa como característica genérica de literatura genérica – excetuando as exceções, claro – de qqer lugar do mundo. Só fiquei espantado com a quantidade de livros em q isso acontece na lit.bras. recente.
Fora de esquadro,
sintaxe?
rapaz?!?
produtor de idéias?
HAHAHAHAHA
Mas brincadeiras à parte, ¿vc poderia me dar um exemplo dessa sintaxe q viu? Acho q vc tá enganado. De qqer forma, obrigado pelo ‘rapaz’.
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Teve um tempo em que andei lendo blogs referenciados por vc (ou a partir do seu) e vi que o fio condutor da maioria era muita pretensão, aliada a muita subserviência aos EUA e – é claro – muito inglês usado nos posts (num dá pra ser bacana pensando e escrevendo em português) Vc foi o primeiro que vi fazer uma mea culpa. O meu palpite pelo seu desinteresse é que vc realmente não deve ter vínculo nenhum (ou muito poucos) com o Brasil (a menos de morar nele). Essa deve ser a razão de muitos outros. Outros tantos têm rejeição a si próprios – e pensam como se fossem WASPs (se esse pessoal tivesse dinheiro pra passar uma semana em NY, e provasse na pele o desprezo que os americanos têm pelos latinos, sera que não ficavam curados da sabujice?). Não vou citar nomes – vc deve saber a quem me refiro.
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Pensei mais: esse pensamento tributário do primeiro mundo é típico de intelectual de província, de periferia. Vc pode ver que lá em Juiz de Fora se sabe mais do que acontece no Rio do que os que lá estão.
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Muito bem diagnosticado.
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Gostei muito do texto e tenho uma outra teoria para somar às suas: os autores talvez não estejam usando referências internacionais, mas sim referências conhecidas globalmente, de maneira a manter seus livros “globalizáveis”, “traduzíveis”, ou algo assim.
O problema, nesse caso, seria que nossos nomes de destaque são conhecidos apenas localmente, e não poderiam ser citados em uma obra destinada à publicação em outros países. Talvez isso seja, portanto, parte de uma busca por uma produção cultural para exportação.
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Leio rarissimamente, lamentavelmente. Nunca encontro tempo para ler nestes tempos tão acelerados em que vivemos. Quanto mais a tecnologia nos poupa o tempo, menos do tempo temos.
Mas eu sempre encontro tempo para um cineminha, e no cinema brasileiro eu tenho visto muito amadurecimento. O tom é bem brasileiro mesmo, sem estrangeirismos, e eu acho maravilhoso. Eu fico às vezes pensando no quanto os “gringos” perdem por não conhecerem a cultura do Brasil, tão rica e tão inteligente. Talvez os autores brasileiros precisem ver um pouco mais de cinema e aprender com ele.
Eu fiquei espantado com o seu relatório. Tudo isso é menção de nomes famosos? Tudo isso? TUDO ISSO?!!! Acho estranho. Dos clássicos (brasileiros e mundiais) que me vêm à cabeça, nenhum deles faz menção de nome famoso nenhum. Só fazem referência a temas perenes e fundamentais da crônica humana. A mim, tanta referência “pop” parece um esforço fraudulento e ingênuo (sic) de causar identificação — só pelo barato da identificação em si. Do jeito que você descreve esses livros aí, tenho vontade de dizer que não li e não gostei.
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excelente texto do doutor plausível.
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Caro Plausível, os seus textos são deliciosos de ler. Das obras que você citou, eu conheço bem As Sementes… Há os estrangeirismos, mas acho na verdade que há um ótimo uso vocabular do português. Abro aqui o livro e estão lá “chapinhar”, “caramanchão”, o carro “Opala”. Juntando com o ritmo da linguagem, isso me fez admirar o romance, mas já falei sobre o assunto na primeira Copa.
Em relação ao uso de referências em geral, eu temo mais até a Síndrome Mário de Andrade – acho Macunaíma bem engraçado, mas essa vontade de ser brasileiro a todo custo, ao quadrado, ao cubo, não fica bem na maioria dos autores.
Escreva mais. Abraços.
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Essa coisa de usar nomes estrangeiros nao acontece so na literatura. Vejam as lojas no Brasil: Mr. Crazy, Mr. Cat e por ai vai. Um lamento, uma tristeza que chamamos futebol de areia de “beach soccer”. Eu moro em Boston ha 16 anos e me da uma tristeza profunda de ler e ouvir estas bobagens quando vou ao Brasil. Estou me desintoxicando dos estrangeirismos lendo so em portugues. A lavagem cerebral que em parte me trouxe aos EUA comecou na escola publica com as aulinhas de ingles. To no trabalho e o chefe chegou. Abraco.
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Caro Dr.Plausível, como seus textos fazem bem e me fazem refletir sobre a minha tacanha escrita. Bom, gostei principalmente do último parágrafo. Talvez tenhamos a síndrome de vira-lata como diria Nelson Rodrigues. Olha a citação aí!
Um abraço imperfeito.
Patrícia
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Pesquisa, ruminação e tese ancorada em dados concretos. Ah, se todo comentário sobre literatura fosse assim!
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Essa coisa de usar nomes estrangeiros nao acontece so na literatura. Vejam as lojas no Brasil: Mr. Crazy, Mr. Cat e por ai vai. Um lamento, uma tristeza que chamamos futebol de areia de “beach soccer”. Eu moro em Boston ha 16 anos e me da uma tristeza profunda de ler e ouvir estas bobagens quando vou ao Brasil. Estou me desintoxicando dos estrangeirismos lendo so em portugues. A lavagem cerebral que em parte me trouxe aos EUA comecou na escola publica com as aulinhas de ingles. To no trabalho e o chefe chegou. Abraco.
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Excelente texto.
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Mais um motivo para NÃO ler a literatura brasileira?
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[...] Essas arroubos de erudição até me saem muito naturalmente. Meus primeiros rascunhos são cheios deles. Quase sempre, apago todos – para minha dor, pois alguns ficam até bons, mas minha teoria da literatura não permite essas babaquices. (Outro dia, o Doutor Plausível fez um artigo sobre o chatíssimo name-dropping da nova literatura brasileira.) [...]
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