Jurado: Marco Polli
Nesta partida das quartas de final, temos oponentes com alguns elementos similares de jogo: o tom farsesco e o forte caráter intertextual. Já no título de Memorial de Buenos Aires, Antonio Fernando Borges se refere a uma obra de Machado de Assis e à capital onde Jorge Luis Borges passou boa parte da sua vida e que lhe serviu como tema literário. Leda, de Roberto Pompeu de Toledo, tem como subtítulo Relato romanesco em 13 capítulos e epílogo, contendo uma versão condensada de A Busca Vã da Imperfeição; além desse outro livro resumido dentro de si, Leda faz referências freqüentes a outras publicações imaginárias. O caráter referencial dos dois romances permitiria enquadrá-los na “literatura da exaustão”, expressão do autor John Barth relacionada ao desgaste de boa parte dos recursos estéticos literários e à idéia de que a intertextualidade é uma das estratégias usuais para lidar com essa situação. Se está mais difícil escrever um livro ficcional relevante — seja pelo trabalho aparentemente intransponível de autores como Machado ou Borges, seja pela desvalorização da narrativa literária no mundo contemporâneo — Memorial de Buenos Aires e Leda ao menos usam a consciência dessa dificuldade de forma inteligente e bem-humorada, com alguma vantagem para o último.
Memorial de Buenos Aires busca estabelecer o diálogo entre autores de estilos e mundos ficcionais bastante diversos. Depois do título, o ponto de amarração seguinte é o ano de 1939, quando se comemorou o centenário de nascimento de Machado enquanto Borges fazia 40 anos e publicava na revista Sur o conto “Pierre Menard, autor de Quixote”, ponto de virada na sua obra de ficcionista. Numa nota inicial, Antonio Fernando Borges explica que a seguir está o diário de seu avô homônimo sobre uma viagem a Buenos Aires em 1939, embora já advirta que essa viagem nunca chegou a acontecer, pois “Antonio Fernando” havia falecido em 1938. Esse tom de farsa e dúvida vai ressoar por toda a leitura, reforçado por folhas sem data e incoerências temporais e geográficas. Independente do seu grau ficcional, Antonio Fernando é um personagem bastante intenso. No diário, ele se mostra como um acadêmico obcecado por Machado de Assis; a sua ida à capital argentina teria sido motivada pela procura de um amigo desaparecido, mas também pela possibilidade de se afastar do vulto do escritor carioca. Segundo a visão do acadêmico/turista, Machado de Assis, que já era epiléptico, temia ficar louco, daí a recorrência em sua obra de personagens insanos como Quincas Borba. O medo em relação a Machado e seu universo ficcional é para Antonio Fernando também o medo da insanidade mental.
Em Buenos Aires, Antonio Fernando tem conversas casuais com um recém conhecido chamado Georgie, logo identificado como Jorge Luis Borges. O teor dessas conversas heterodoxas sobre o tempo, bifurcações da existência, sonhos e duplos não é levado em alta conta por Antonio Fernando, que deixa claro o seu respeito maior pela visão realista e incisiva de Machado e comenta: “A consciência do Tempo, matriz de qualquer lucidez, não pode sair de cena sem levar, junto, a consciência de si.” Porém, apesar dessa opinião, vão aparecendo com freqüência maior no diário incongruências temporais e geográficas, enquanto se desenvolvem subtramas sobre desaparecimentos, encontros amorosos, duplos e uma seita que pretende influenciar a ordem do tempo. Antonio Fernando duvida cada vez mais da própria sanidade e parece estar se tornando mais borgiano em relação ao tempo — ou mais machadiano no mergulho na loucura. No fim, ficamos sem saber se o diário de Antonio é um exercício de ficção, talvez inspirado por sua loucura, ou um produto da sua vitória sobre o tempo.
Sustentado por uma prosa ágil e bem cuidada, o eixo central sobre tempo e loucura é o ponto mais forte em Memorial de Buenos Aires e um bom exemplo de literatura imaginativa. Mas esse eixo e a estrutura do diário não são capazes de sustentar por completo os diversos fragmentos narrativos e digressões. Desse modo, a sucessão das referências a personagens de Machado, das frases lapidares que soam machadianas e das viradas rocambolescas do enredo gera para o leitor um efeito de acúmulo e embotamento. Um exemplo é quando Antonio desconfia do adultério de sua mulher, Marilu — algo já previsível na história e que se soma como mais uma referência, sem ganho de força narrativa. Seria injusto dizer que Memorial de Buenos Aires é baseado apenas no jogo de referências, mas o escopo delas acaba restringindo o poder ficcional da obra.
***
O tema central de Leda é a fragilidade da literatura de ficção num mundo preocupado demais com relatos, biografias e fofocas. O livro aproveita justamente para ressaltar como esses objetos de atenção não estão livres da criação ficcional: “toda biografia é uma fraude”. Segue-se no início da história Adolfo Lemoleme, um jovem professor de letras que tem como ídolo literário o seu contemporâneo Bernardo Dopolobo. Vencendo a timidez e questionamentos pessoais sobre a idéia de fazer a biografia de Bernardo, Adolfo consegue a aprovação do escritor e parte para um trabalho obcecado e invasivo. Uma das dúvidas iniciais de Adolfo é se por trás do seu projeto haveria um “instinto canibal”, uma vontade de incorporar e vencer o seu ídolo. De fato, é isso o que acontece parcialmente: o primeiro volume da biografia é muito bem-sucedido e a sua versão de Bernardo parece ofuscar o original. Adolfo chega a se relacionar com mulheres que fizeram parte da vida do seu biografado e, para todos os fins, parece estar livre dos questionamentos morais que tinha na concepção do projeto. Bernardo, por sua vez, mantém-se elusivo, aparentemente na defensiva, mas é capaz de surpresas como o lançamento de uma biografia do seu biógrafo, A catedral invertida.
Leda começa com um sonho em que aparece um elegante chapéu de feltro, logo revisto como um chapéu-coco gasto. Ainda no primeiro capítulo, sabemos que Bernardo conserva um fiacre em estado passível de uso, uma referência a Madame Bovary. Não se trata uma história de época — há referências a tênis e baterias — porém são utilizadas imagens e palavras de sabor arcaizante, reforçando a idéia da fragilidade da ficção hoje, que se assemelharia a um mecanismo antigo ou a um costume social ultrapassado. Quase sempre usando um tom de farsa, Toledo constrói a sua prosa com recursos simples, preferindo até “enfeiamentos” de estilo como nomes que soam mal (Marino Sephora, Felícia Faca), aliterações pronunciadas (monte Santo Antão) e expressões de mau gosto como “uma criatividade que agora explodia em borbotões”.
É do estilo que vem o problema principal em Leda, pois fora dos seus eventos mais interessantes e das boas tiradas o texto parece ficar burocrático e sem vida. A experiência da sua leitura está em constante risco de cair num artificialismo mecânico, porém há material suficiente para manter o interesse: Toledo não se limita a atacar a mania contemporânea por biografias e não-ficção e faz o conflito entre biógrafo e biografado percorrer caminhos imprevisíveis. A idéia de que toda biografia é uma fraude é reforçada de um lado — Bernardo vai se mostrar alguém incompreendido pelo seu biógrafo em ao menos um ponto fundamental — mas relativizada no sentido em que essa fraude pode ser literariamente interessante. Esse é o caso do paralelo que Adolfo desenha entre A busca vã da imperfeição, livro de Bernardo resumido nos capítulos 10 e 11, e um acontecimento na vida do autor. Assim, o seguinte trecho, que descreve a revelação de um frei:
Nuvens negras cobriam o céu. “Deus tudo pode e a tudo vigia”, começou dizendo, “está em toda parte e em lugar nenhum, ocupa a totalidade do tempo e estende-se pela totalidade do espaço, é perdão mas também é castigo, é amor e bondade mas também susto e temor, é tudo isso, e também seu contrário, por uma simples razão: Ele não existe.”
será relacionado com uma mudança de perspectiva de Bernardo sobre a literatura: menos platônica e sacralizada, mas por isso mesmo mais livre e profícua. Além de trabalhar criativamente o seu tema principal, Toledo é capaz de criar situações e imagens que, mesmo aparentemente secundárias, continuam na mente do leitor depois de fechar o livro, como o palhaço no enterro ou a existência de um só pecado.
Li Memorial de Buenos Aires e Leda paralelamente e as trajetórias das leituras foram determinantes na escolha do vitorioso. Memorial começou com dois fatores importantes a seu favor, o estilo ágil e a estrutura bem construída, mas aos poucos a leitura foi se tornando saturada pelas referências, digressões e viradas de trama, como se a base do livro não conseguisse mais sustentá-las. Já a experiência com Leda foi inversa: com uma premissa simples, a evolução do tema central seguiu um movimento positivamente inesperado, além de contar com interessantes elementos paralelos. Recuperando a referência futebolística, Leda ganhou pelo fator surpresa — uma tática antiga da ficção. Quanto ao placar, reservo as goleadas para autores como Machado, Borges ou o ficcional Bernardo Dopolobo e coloco essa vitória por 2 a 1. Sem dúvida, Antonio Fernando haveria de concordar: Ao vencedor, as batatas.

Leda
de Roberto Pompeu de Toledo

O resultado do jogo 10 foi justo?
Sim – 17 votos
Não – 15 votos

Comentários de Lucas Murtinho
Vai ver eu sou um pé-frio literário. Falei que Mãos de cavalo era um dos favoritos à Copa e ele foi eliminado logo no primeiro jogo; depois, no meu comentário ao jogo 2, disse que meu favorito pessoal era Memorial de Buenos Aires e pronto, o livro não passa das quartas de final. Melhor deixar os prognósticos pra lá.
Leda é um fenômeno curioso nessa Copa: nem o Marco Polli, neste jogo, nem o André Gazola, no jogo 7, pareceram muito entusiasmados com o romance de Roberto Pompeu de Toledo, mas nos dois casos sua vitória foi clara e dois favoritos tombaram. É pura sorte, uma questão de topar com adversários que não batem com o santo dos jurados? Ou as qualidades de Leda ainda não foram suficientemente louvadas?
Seja como for, o livro enfrenta mais um adversário de respeito na semifinal: Um defeito de cor, que, vocês devem se lembrar, eliminou Os vendilhões do templo no jogo 8 e Por que sou gorda, mamãe? no jogo 9. Mas antes vamos definir qual será a outra semifinal: semana que vem, a primeira vaga será decidida por Rafael Rodrigues, que escolhe entre Bóris e Dóris e Música perdida.



























29/10/07 - 9:23 am
FIRST!
brincadeirinha (:
Boa, Polli. E o método que você escolheu para comparar os dois livros também me pareceu muito bacana–ir lendo dois livros ao mesmo tempo deve ajudar muito a determinar qual dois dois empolga mais, né. Por que ninguém pensou nisso antes?
{ Comentar }29/10/07 - 10:54 am
Polli, parabéns: excelente trabalho na resenha.
Li e aprecio o AF Borges, e sua apropriação do livro me parece, em todos os aspectos, adequada: mesmo gostando do livro aparentemente mais que vc, tb acho que há uma perda da incisividade ao longo da trama, algo que no início é bem agudo vai se tornando mais e mais obtuso (lembro que, na época em que o li, comparei o livro ao excelente “Uma armadilha para Lamartine”, mas agora estou tentando me lembrar exatamente porque e não consigo – talvez pela matriz diário, talvez pelo flerte com o delírio).
Não li o Leda, mas desde a resenha do Gazola tenho vontade de ler (não há algum texto do Rubem Fonseca tratando de tema afim? minha leitura de RF é totalmente assistemática e caótica, mas tenho quase certeza de já ter lido exatamente essa trama pela pena do ex-delegado).
{ Comentar }29/10/07 - 11:07 am
Lucas, lembrei que vc observou que o livro do Sant’Anna saiu da condição de azarão para a de forte concorrente a finalista…
Mas esse tema, o do favoritismo e da torcida, tem sido pouco explorado aqui, acho. Imagino que os jurados não querem se comprometer com predileções apriorísticas e almejam manter um ideal de objetividade – o que é bem razoável, embora talvez impossível.
Eu, claro, continuo torcendo pelo Sant’Anna. E estava torcendo pelo Borges tb: uma final com os dois seria bacana, pois pra usar uma remissão do Polli, talvez fosse um caso de ver a literatura da exaustão em campo contra a literatura da abundância: operações de auto-referência e extração de recursos do campo literário no caso do Borges e um esforço stendhaliano de representação e recriação novelística de um mundo no caso de Sant’Anna.
Seria bacana esse jogo, difícil de apitar, cheio de drama e lances radicais – e seria aplaudido por mim, que gosto das duas coisas, que acho que há Grande Literatura dos dois lados. Afinal, em campo são onze contra onze, e o futebol e a literatura são caixinhas de surpresas, graças a deus.
{ Comentar }29/10/07 - 11:19 am
Tiago, esse método do Polli me levaria à loucura: isso é só pra quem tem Dual Core no cérebro, rapaz! Meu 286 não daria conta dessa estratégia.
Mas sua observação me levou a pensar em algo que foi pouco tematizado aqui e aparace na resenha do Polli – e que, creio, é valioso: qual o método do resenhista? Lê tudo e depois comenta? Faz notas no processo? Risca o livro? Quando bate o martelo? Acredito que, salvo oficinas de produção de textos (literários ou não), essa Copa é uma das poucas situações em que podemos valorizar e explorar isso, essa questão dos métodos de trabalho. E isso, acho, seria benéfico – porque é a partir desse tipo de conversa que nos damos conta de alternativas interessantes, de opções legais pro nosso próprio trabalho.
Eu tendo a incorporar meus métodos ordinários de trabalho acadêmico ao trabalho com literatura: leio tudo e, ao longo da leitura, faço notinhas em fichas e dobro as pontas das páginas onde acho que há trechos relevantes; eventualmente destaco trechos com marca-texto. Como mencionei na resenha, acho que tenho que ler tudo, mesmo que esteja achando ruim (é raro, foi raro em minha experiência de leitor o abandono de leituras, mesmo as ruins). Isso, ler tudo, é bem importante pra que eu possa sustentar meu juízo – eu me sentiria muito frágil em um debate se não tivesse lido tudo, ou então me sentiria agindo de má fé (já pensou se eu estivesse como jurado na Copa em que o Infinite Jest concorreu?). E só depois disso sai uma resenha – que, com sorte, será lida – e comentada, e debatida, e portanto quase inevitavelmente aprimorada – por alguns amigos antes de vir a público.
E vcs? Os que já escreveram resenahs aqui, gostariam de expor algo a respeito dos seus métodos?
{ Comentar }29/10/07 - 2:30 pm
Gosto de ler todo o livro para ter uma dimensão completa da obra. Faç isso mesmo nos o livros ruins, até para ter base e argumentos suficientes para acabar com ele. Afinal, falar mal sem conhecer uma pessoa, só pq a vi e não fui com a cara dela é fácil, mas nem sempre justo.
{ Comentar }29/10/07 - 4:12 pm
Interrompo sem remorso. Posso até tornar a pegá-lo um dia, caso ache que o problema tenha sido o “momento” daquela leitura em especial. Mas em relação a outros desisto mesmo e dificilmente venho a me arrepender depois.
{ Comentar }29/10/07 - 5:30 pm
Tiago, estou com o Antonio: prefiro ler um livro e depois o outro a fazer leituras paralelas, e quase sempre leio apenas um livro por vez. Mas, claro, cada um com o seu método, e é verdade que a leitura paralela deve ser uma boa forma de comparar dois livros.
Antonio, o que achei mais bacana nas duas últimas resenhas foi justamente a explicitação do método de escolha. O Leandro explicou passo a passo como chegou à sua decisão, e agora o Marco deixa claro como chegou à sua. Interessante, mas inviável, seria saber se métodos diferentes levariam a escolhas diferentes. Se o Leandro tivesse lido “Um defeito de cor” e “Por que sou gorda, mamãe?” paralelamente (ou seja, quarenta páginas de um para cada dez páginas do outro), o resultado seria o mesmo? Se o Marco tivesse feito uma comparação direta dos defeitos dos livros, “Leda” sairia vencedor? Acho que sim, porque o gosto literário é um instinto e não uma razão: primeiro a gente sente que gosta, depois acha, ou pensa achar, as razões. Mas não dá pra saber com certeza.
Faz pouco tempo passei de Jefferson a Claudio: antes eu lia até o fim tudo o que eu começava a ler, agora largo leituras no meio sem a menor cerimônia. Para escrever uma resenha, pode mesmo ser complicado não ler tudo – mas, por outro lado, não conseguir ir até o fim de um livro é um argumento forte contra a sua leitura e não deve ser desprezado.
Abraços,
Lucas
{ Comentar }29/10/07 - 6:25 pm
Oi, Tiago. Geralmente, faço diversas leituras ao mesmo tempo, por isso eu nem diria que foi um método pensado de antemão. Mesmo assim, eu achei interessante explicitar essas trajetórias de leitura. Os dois livros têm suas qualidades e defeitos, porém apenas nomeá-los poderia criar uma resenha “estática”; a maneira com que eles apareceram foi vital.
Antônio, eu não conheço um texto parecido do RF. O Toledo declarou ter se inspirado em um caso real. Vou tentar colocar os links a seguir.
Eu não anotei nada durante ao ler os dois livros. O complicado é que no momento da leitura, você pode até não saber que está diante de um momento ou informação importante. Terminadas as narrativas, eu voltei a ler a alguns trechos, especialmente os inícios. Um critério impressionista que mencionei na resenha é justamente sobre o que acontece quando se fecha os livros. No meu caso, eu pensava freqüentemente em algumas idéias e passagens de Leda.
{ Comentar }29/10/07 - 6:27 pm
Links sobre o caso que inspirou Leda:
coluna de Toledo na Veja,
http://veja.abril.com.br/131004/pompeu.html
Artigo no NYT:
{ Comentar }http://www.nytimes.com/2004/11/04/books/04gree.html?...
29/10/07 - 6:38 pm
Apenas para esclarecer, eu não penso que o simples relato de impressões seja suficente. É preciso fazer um esforço — mesmo que isso possa aparecer uma racionalização a posteriori como bem comentou Lucas — para justificar essas escolhas com parâmetros que sejam passíveis de debate. Mas, por outro lado, achei importante não omitir a impressões que foram importantes na decisão.
{ Comentar }30/10/07 - 8:56 am
[...] O mais recente confronto aconteceu entre Memorial de Buenos Aires, de Antonio Fernando Borges, e Led…. Deu o segundo. [...]
{ Comentar }31/10/07 - 9:14 am
Gostei do resultado, vou ler o Leda. Primeiro livro que conseguiram me convencer aqui a comprar, hehe.
{ Comentar }02/11/07 - 12:05 pm
Uma coisa para mim é certa, Lucas. Com todo este cartel de gente boa resenhando, seria um desperdício enorme deixar a final ser decidida apenas pelo juiz. Seria até arbitrária, me parece, ainda que arbitrariedade seja própria do árbitro. Se me permite uma sugestão, coloque bandeirinhas para auxiliar o juiz. Tenho certeza que o juiz da final irá concordar de bom grado em dividir a enorme responsa. Imagino algo do tipo: cada um dos resenhistas escolhe o vencedor, tendo peso um para sua decisão. A escolha de quem apita tem peso bem maior, tipo o equivalente à metade do número dos bandeirinhas. Entendeu? Se forem dez bandeirinhas, cada um tem um ponto. O resultado do juiz, multiplica-se por cinco. Ou algo do gênero, sei lá, o problema é seu. Eu apenas faço meu papel de comentarista intrometido, metido e me tido. Qualquer coisa que considerasse a opinião dessa crème de la crème que tem em mãos, oras. Olhe bem, meu jovem e competente Havellange. Vai que aparece aí um Pelé, e critica a organização do torneio, já imaginou? Comigo, que não saio do banco, não precisa se preocupar. Mas o que não falta aqui no torneio é comentarista esportivo de primeira, hã? Comentaristas que bem poderiam ser técnicos como Cláudio Coutinho ou Zagalo. Te cuida, hein. Vai acabar aí, abraçado na mureta às margens do Sena, dizendo: non, je ne regrette rien…
{ Comentar }02/11/07 - 2:47 pm
Li As sementes de Flowerville e Corpo estranho paralelamente. Pra cada n páginas de ASDF, lia ~2n de CE. Não vejo problema em fazer assim, em livros mais ou menos isogróssicos. No caso de Um defeito de cor, no entanto, o paralelismo já não funcionaria.
A leitura paralela me rendeu umas risadas. Por exemplo, o diário de Nora transcrito num capítulo de ASDF soa tanto, mas tanto, como uma paródia do estilo de CE, q quase, só por isso, dei a vitória ao primeiro. Depois me toquei de q seria leviano fazer isso, mas admirei o trabalho do Sérgio Rodrigues.
{ Comentar }02/11/07 - 6:00 pm
Rodrigo, não se preocupe: na final, todos os nossos Pelés terão um voto. E o meu serve só para desempatar caso o resultado seja sete a sete.
Abraços,
Lucas
{ Comentar }02/11/07 - 6:40 pm
Já em tudo pensantes, Deus!
{ Comentar }Abraço
20/11/07 - 2:08 pm
[...] 10 Memorial de Buenos Aires x Leda Jurado: Marco [...]
{ Comentar }