Jurado: Eduardo Carvalho
Existe uma coincidência — talvez uma única — entre Bóris e Dóris e Pelo fundo da agulha: os seus autores, Luiz Vilela e Antônio Torres, respectivamente, têm quase a mesma idade. Ambos têm sessenta e poucos anos e, portanto, estão cronologicamente na mesma geração da literatura brasileira. Mas pode ter sido um erro de datas: porque os seus livros lançados em 2006 não poderiam ser mais diferentes. Eles não se parecem, como veremos, em nenhum aspecto — o que não significa que a produção literária brasileira seja hoje muito variada. Não: é uma diferença menos de assuntos, de estilos, de estrutura da narrativa, do que de qualidade mesmo. Um livro é muito bom e outro é assustadoramente ruim. Não é a diversidade da literatura brasileira que a diferença entre esses dois livros juntos representam; mas a sua irregularidade.
Bóris e Dóris, de Luiz Vilela, é curto e simples. São aproximadamente oitenta páginas de diálogo de um casal durante o café da manhã num hotel de uma cidade anônima — espécie de Águas de Lindóia — onde a empresa do Bóris está em convenção. O livro não tem praticamente nenhuma frase que não seja do Bóris ou da Dóris, e as frases deles dificilmente têm mais de três linhas. Bóris e Dóris é curto e rápido: rápido como uma conversa natural, agradável. Os diálogos de Luiz Vilela são impecáveis; seus personagens falam e não precisamos de mais de uma linha para descrevê-los: “Não é o povo que é folgado, Bóris. É você que é apressado”. E a resposta do Bóris resume a sua espiritualidade, o seu senso de humor e o seu jeito de conversar com a mulher: “Eu sou um chefe, Dóris”.
O que não significa que Bóris não seja um cara espirituoso, que ele não tenha senso de humor e que não saiba conversar com a sua mulher. É verdade que ele tem um estilo às vezes um pouco autoritário, mas ele é também inesperadamente cômico, e seus sonhos – a sua megalomania corporativa — são muito sinceros: “Dóris… -— ele recuou o corpo e abriu os braços: — Eu te digo que estou prestes a realizar o sonho de minha vida, e você vem me falar da minha gravata?”. E mesmo a autoridade do Bóris é essa autoridade um pouco forçada, inocente, do brasileiro classe-média, que é legitimada pelas suas mulheres, hoje em dia, menos por medo do que por piedade. Bóris é um gerente, um homem corporativo normal, mas não é por isso que as suas idéias são todas erradas, que as suas emoções são artificiais: “ao longo da minha vida eu aprendi muitas coisas. Uma delas é: as grandes alegrias, assim como as grandes tristezas, são solitárias”.
Bóris é um homem fácil de encontrar mas um personagem difícil de compor. Seria fácil para Luiz Vilela escrever um livro — ou criar um mesmo diálogo — ridicularizando ou menosprezando a vida e os sentimentos de um burocrata comum. Mas não: a mediocridade do Bóris é comovente. Bóris é medíocre como todos nós. Seu consolo, quando descobre que não é promovido, é convincente: “Então escolheram o Junior, que você conhece. O Junior é um moço de muito valor. (…) — Isso é traição, Bóris. — Não, não é: isso é a vida”. Dóris serve, quase no livro inteiro, para isso: para abrir espaço para o Bóris mostrar o que acha da vida — ou, melhor, o que é a vida. Dóris tem alguns sonhos, mas o senso de realidade do seu marido — ou o que ele acha que é a realidade — atropela a sua imaginação. O livro de Luiz Vilela é fácil de ler e deve ter sido difícil de escrever.
Ao contrário de Pelo fundo da agulha, de Antônio Torres, que aparentemente é um livro fácil de escrever mas muito difícil de ler. Pelo fundo da agulha é o último volume de uma trilogia sobre o suicídio, que começou há trinta anos. Escrever uma “trilogia sobre o suicídio” — e em trinta anos — é de uma pretensão estratosférica. Supõe-se o básico: que o escritor saiba escrever. Mas a sucessão de defeitos de Pelo fundo da agulha é constrangedora. É quase impossível apresentar o livro e os seus personagens sem falar dos seus problemas: Pelo fundo da agulha, antes de ser um livro, é uma coleção de problemas.
O protagonista do livro de Antônio Torres, Totonhim, é um imigrante que se aposentou como bancário em São Paulo. As primeiras frases de Pelo fundo da agulha já introduzem alguns pontos que acompanham a narrativa até o final: o clichê que é o enredo, a superficialidade do personagem principal e a incapacidade do escritor de escrever uma frase decente. O final da primeira frase — “um homem que já não sabia se ainda tinha sonhos próprios” — tem dois defeitos elementares: um personagem que esgotou seu sonho junto com a sua carreira não sustenta três quadrinhos e “sonhos próprios” não é expressão que se use nem em coluna sentimental de jornal de bairro.E já no terceiro parágrafo: “Esta é a história de um mortal comum, sobrevivente de seus próprios embates, aqui e ali bafejado por lufadas de sorte”.
O texto inteiro de Pelo fundo da agulha é isto: uma variação despreocupada entre as expressões mais desgastadas — “mortal comum” — e as invenções mais forçadas, rocambolescas — “bafejado por lufadas de sorte”. O livro é escrito de uma forma particularmente ruim. E nenhum argumento é mais ilustrativo do que exemplos do seu estilo. De um lado, coisas batidas como “jaula urbana”, “cheia de amor para dar”, “amor rima com flor”, “ente querido”, “vínculo empregatício”, “ironia do destino”, “retirada do campo de batalha”, “maldizer a si mesmo”, “fofo apoio para a memória” (travesseiro), “agora ele se sentia um homem, e não um menino”, “uma dor imensa no coração”, “reação digna de uma fera, ferida”, “destituídos de glamour”, etc. E, de outro, piruetas estilísticas como “conexões estorvantes”, “quanto mais massudos fossem, mais benfazejo seria o seu quinhão”, “todos os capadócios”, “cheios de picardia”, “sinuosas insídias”, “cintilações etílicas”, “denodo exemplar”, “alvoroço exagerado”, “singelezas do mundo rural”, etc. É nítida a incapacidade de Antônio Torres de escrever com naturalidade. Seu estilo é dominado pelo lugar-comum, e, quando ele arrisca e consulta o dicionário, escapam essas pérolas que involuntariamente nos fazem rir.
Porque Pelo fundo da agulha tem um clima grave, sentimental, que não convence. Imagino o escritor citando Faulkner e Proust como as influências mais importantes. Mas Pelo fundo da agulha não é denso, grave e obscuro como Faulkner; é confuso, bagunçado mesmo. E não é complexo como Proust; é sobretudo mal estruturado. Não adianta embaralhar a sequência dos fatos para provocar aquela memória sentimental involuntária; é preciso descrever sensações e emoções de uma forma inesperada. Um escritor precisa fazer com que um sentimento — antes vago e solto para o seu leitor — fique praticamente palpável. Mas eu simplesmente não consigo descobrir o estado de espírito de um personagem que se expressa com frases como “Que porra, que porra, que porra”.
A principal diferença entre Pelo fundo da agulha e Bóris e Dóris — e eles estão cheios de diferenças — é esta: é que Bóris e Dóris é um livro bom e Pelo fundo da agulha é um livro ruim. Bóris e Dóris é um livro escrito com cuidado por um escritor com muito talento. Pelo fundo da agulha é produto de um escritor mixuruca com ambição intergaláctica. Se fosse um time de futebol, Pelo fundo da agulha seria aquele time dos amigos do bairro: com aquelas barriguinhas, aquelas chuteiras velhas, apertadas, e aquela gritaria, aquela arrogância de quem pensa que vai dominar o mundo. Eles podem jogar com toda vontade e com alguma disposição, mas é futebol de várzea. E Bóris e Dóris seria aquela equipe de jogadores articulados, que treinam juntos — e que sabem bater escanteio, falta, cabecear —, e entram em campo em silêncio e jogam com eficiência; é futebol profissional. Adivinhe quem vai dar as caneladas e quem vai marcar os gols.
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O resultado do jogo 6 foi justo?
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Comentários de Lucas Murtinho
Jabuti é o cacete! Pelo fundo da agulha foi laureado pelo mais tradicional prêmio literário do país, mas aqui na Copa não deu nem para a saída. E a lista de expressões que o Eduardo tirou do livro é um argumento forte para justificar sua eliminação. Costumo duvidar da parcialidade dessas citações pequenas: lembro de uma resenha de Cloud atlas, um dos melhores livros que li nos últimos anos, em que o resenhista criticava um trecho exagerado do romance sem se dar ao trabalho de explicar que a intenção do autor era obviamente nos fazer rir daquele exagero. Mas a acumulação de trechos que o Eduardo nos apresenta parece mesmo indefensável.
Além disso, o oponente de Pelo fundo da agulha era de peso, apesar de modesto no número de páginas (e de também ter um protagonista que pode ser definido como “um personagem que esgotou seu sonho junto com a própria carreira”). Aliás, Bóris e Dóris é apresentado pela editora como uma novela e lido tão rápido que poderia ser considerado um conto longo. Vale como romance ou deveria ser desclassificado da Copa?
Fiquem tranqüilos, a pergunta é retórica: nada de tapetão por aqui. Bóris e Dóris avança lépido e fagueiro — uma expressão que talvez esteja no livro de Antônio Torres — às quartas de final, onde enfrentará Música perdida. Jogo que promete: o segundo livro também foi muito elogiado por Olivia Maia no terceiro jogo da Copa e os dois Luiz, o Vilela e o Antonio de Assis Brasil, são nomes que impõem respeito. Para saber qual vai ser eliminado e qual continua na Copa, aguardem a resenha do polivalente Rafael Rodrigues.
***
Quem não acompanhou os comentários dos jogos 4 e 5 deveria dar uma olhada: Sérgio Rodrigues e André Sant’Anna, os autores dos livros vencedores, entraram na conversa/debate/discussão, e os tópicos são muitos: até que ponto uma resenha pode ou deve conter spoilers do livro resenhado? Que importância dar às intenções que um autor atribui à sua obra? Que prêmio merece receber o autor do centésimo comentário de uma resenha da Copa? Para discutir essas e outras questões palpitantes, a caixa de comentários é serventia da casa.




























01/10/07 - 12:38 pm
Fiquei terrivelmente constrangido pelo Antônio Torres depois de ler aquela enxurrada de lugares-comuns. “Amor rima com flor”? Desculpem-me a má palavra, mas PUTA QUE PARIU! Se Eduardo Carvalho não está inventando isso, e acho que não está, só esse único exemplo já justificaria tranqüilamente a derrota e fica quase matematicamente provado o acerto do julgamento de Carvalho.
{ Comentar }01/10/07 - 12:54 pm
O resenhista tem todo o direito de não gostar do livro do Antônio Torres, claro. Mas é absurdo chamar o autor de “Essa terra”, “Um táxi para Viena d´Áustria” e “Um cão uivando para a lua” – entre outros grandes livros – de “escritor mixuruca com ambição intergaláctica”.
{ Comentar }01/10/07 - 1:09 pm
Não li nenhum livro do Antonio Torres – ainda. Mas conheço e já li muita gente que admira muito a sua obra. Por isso, concordo com a opinião do Fernando Molica, no post acima. Ridículo, o cara ofender o autor por não ter gostado da obra.
Ah, esqueci… é “muderno” pixar “medalhões”… é “pop” ser grosseiro.. é “legal” ser bem ofensivo, desrespeitoso e deselegante…
E pensar que um outro jurado não gostou do livro do Cony e afirmou isso com elegância e equilíbrio.
Repito, não li o livro. Quando vier a ler poderei até odiá-lo. Talvez tanto quanto o comentário acima, certamente o pior de todos até aqui.
{ Comentar }01/10/07 - 1:28 pm
Li apenas “Um cão uivando para lua” e até hoje não entendo o alarde em torno de livro tão insosso. Depois, participei de uma oficina fraquíssima com o Antônio Torres e só confirmei minha opinião: ele é superestimado.
{ Comentar }01/10/07 - 1:30 pm
Desconfio de resenhas que se baseiam demais em criticar trechos específicos, expressões pinçadas, etc. Já vi grandes obras serem destruidas por meio desse procedimento… tem um blogueiro que por um tempo escreveu na Bravo! que se segura só nesse método para dizer as maiores besteiras. Nem Shakespeare escapa de soltar – ou de um personagem dele soltar – uma ou outra aparente obviedade. Por sinal, em algumas obras expressões idiotas e clichês são essenciais para caracterizar o personagem ou o tema… Outras são somente aparentemente idiotas, depende do contexto. Por exemplo: “sonhos próprios”. Hoje não é raro as pessoas viverem “sonhos coletivos” e não estou falando do ideal socialista ou algo do tipo. Sonhos vendidos em grande escala nos comerciais de televisão e tal… “Você pensa que pensa, mas está redondamente engano”. Pensa que o sonho é seu, mas não é. Mas lógico que não tenho a menor idéia de que era tal a intenção do autor com essa expressão, provavelmente só foi um lapso mesmo… e lapsos, deslizes em literatura não é legal nem na escrita automática surrealista. Então nem entro no mérito do julgamento do romance do Torres.
{ Comentar }De qualquer forma, isso sei, Luiz Vilela é foda! Quem leu A Cabeça sabe do que estou falando… aparentemente é o simples do simples, mas… como deve ser complicado fazer esse simples!!!
01/10/07 - 1:32 pm
engano = enganado (Hino de Duran, música do Chico)
{ Comentar }01/10/07 - 4:34 pm
Tenho remotas ligações com as duas equipes. Luiz Vilela, pelo sobrenome e pela cidade onde nasceu (Ituiutaba) deve pertencer a uma família que acabou se juntando à de minha mãe, através do casamento de uma prima. Antônio Torres, antes de conseguir pagar as contas exclusivamente com o ofício de escritor, foi redator publicitário. A mesma profissão que tenho e da qual muito me orgulho, por ter permitido que eu criasse com dignidade meus filhos, entre eles o emérito (como diria o Torres) articulador da Copa de Literatura Brasileira. Corujice à parte, estou achando a CLB empolgante, e a entrada nas discussões do Sérgio Rodrigues e do André Sant’Anna deixa claro que a coisa é à vera. Acompanhei todas as resenhas e li todos os comentários postados. Entrei só agora porque “Bóris e Dóris” e “Pelo fundo da agulha” foram os dois únicos livros participantes que li. Concordo com a decisão do Eduardo, mas quero fazer uma observação de caráter futebolístico. Quando, na Copa do Mundo, qualquer equipe africana enfrenta a seleção suíça, não dá outra: todos torcemos fervorosamente por Gana ou Camarões ou Senegal ou Costa do Marfim. Os africanos têm jogo de cintura, habilidade e um descompromisso com a defesa que costuma nos encantar, enquanto os suíços são duros, objetivos, colocam oito jogadores à frente de sua área e, quanto aos dois que sobram, um fica cruzando para o outro tentar cabecear. É feio. Só que, no futebol, não ganha necessariamente o que joga mais bonito ou mais aberto: ganha quem faz mais gols, e fim de papo. As jogadas não valem nada; o que vale é o gol. Na final da Copa de 70, Jairzinho fez um de canela, todo esquisito, que valeu exatamente a mesma coisa que o de Carlos Alberto, um dos mais bonitos da história do esporte, pela jogada coletiva, o passe blasé de Pelé e a conclusão seca, precisa, indefensável. Nessa partida da CLB, Luiz Vilela jogou como os africanos e Antônio Torres preferiu o estilo suíço. OK. Só que é importante a gente não se iludir com quem joga bonito mas não enfia a bola na rede, e eu acho que, assim como acontece com os africanos nas copas do mundo, é muito difícil Luiz Vilela ter fôlego para chegar à final. E pra encerrar: o árbitro seguiu as regras e foi justo, mas daí a classificar o futebol de Torres como mixuruca vai uma distância considerável.
{ Comentar }01/10/07 - 4:57 pm
Concordo com o que escreveu o Molica. O jurado tem todo direito de não gostar de “Pelo fundo da agulha”, mas atacar as outras obras do escritor com uma expressão vazia como “escritor mixuruca com ambição intergalática” prova o despreparo do sujeito para analisar um livro.
{ Comentar }01/10/07 - 5:25 pm
Não há ofensa pessoal na crítica quando se chama o autor de “mixuruca”. É do autor enquanto tal que se critica, não da pessoa. Ver nisso ofensa ou agressão pessoal é sintoma bem expressivo da “cordialidade” do homo brasiliensis, que não sabe separar juízos de fato e de valor e leva tudo nas emoções. Sem dúvida alguma pinçar expressões do texto excluindo-as do contexto pode ser injusto, mas dificilmente se justificam lugares-comuns como “cheio de amor pra dar” e “amor rima com flor”. São manifestamente imperdoáveis. Imperdoáveis absolutamente. Quanto a piruetas estilísticas, não vejo crime algum ali.
{ Comentar }01/10/07 - 8:36 pm
Uma cara pode ser um escritor de quinta categoria e ao mesmo tempo uma pessoa muito boa. Sinceramente, acho que é o caso de Antonio Torres. Não quis ofendê-lo pessoalmente, e não acho que fiz isso.
Mas um escritor ruim é um escritor ruim. Existem mil maneiras de dizer isso mais cordialmente, claro; mas preferi a mais precisa. Confesso que nunca tinha lido um livro assim tão mal escrito.
{ Comentar }01/10/07 - 9:29 pm
Diz o Código Penal no art. 142:
“Não constituem injúria ou difamação punível:
[...]
II – a opinião desfavoràvel da crítica litrária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar.”
Nada a ver com o assunto, hehe, mas não deixa de ser interessante se pensarmos que “o que a lei não proíbe pode e deve ser feito à vontade.”
{ Comentar }01/10/07 - 9:30 pm
litrária = literária (erro de digistração)
{ Comentar }01/10/07 - 10:46 pm
Também achei ruim de doer o livro do Antonio Torres. Só queria acrescentar que o resenhista ainda foi generoso por não ter atirado contra o erotismo canhestro do livro.
{ Comentar }02/10/07 - 6:55 am
Eduardo, tudo bem você achar que o Torres é um escritor ruim, normal, tua opinião. Mas uma coisa que eu não entendi foi isso da pretensão e ambição. Não li o livro, então não posso falar muito, mas não vejo problema em ele escrever uma trilogia sobre suicídio em trinta anos. Não me soa como pretensão nem ambição, é apenas uma idéia que ele teve. Acho que se ele quisesse escrever uma trilogia sobre o peixinho dourado que teve quando criança, com um intervalo de 15 anos entre cada livro, seria até divertido e, de novo, apenas mais uma idéia que ele quis levar em frente. Se o resultado é bom pra uns e péssimo pra outros, bom, aí já é outra história.
{ Comentar }02/10/07 - 9:11 am
Lendo alguns comentários aí em cima dá muito bem pra entender o porquê de críticas literárias não darem muito certo neste país. Não dá. Brasileiro é bicho burro mesmo. Confunde crítica honesta com ofensa pessoal. É o país da brodagem e da camaradagem, da falsa cordialidade, do “pô, pega leve aí, cumpádi”.
Parabéns pela “arbitragem”, Edu, e, principalmente, pela honestidade da sua crítica.
{ Comentar }02/10/07 - 9:51 am
“Brasileiro é bicho burro mesmo”… ainda bem que temos esse sueco chamado Rafael Azevedo para nos presentear com o brilho intenso de sua sabedoria escandinava. Sabedoria essa que justifica grosserias em geral.
É isso aí, como o homo brasiliensis é em geral cordial, ser “muderno” , ser “outsider”, é ser grosseiro.
“Confunde crítica honesta com ofensa pessoal”… Não seria o contrário? Ou simplesmente não há mais essa distinção? “Porra, naõ estou ofendendo, estou apenas sendo sincero”. Uma coisa não contradiz a outra. Sinceridade e ofensa.
Não sou absolutamente contra críticas duras e contundentes. E quem seria eu a dizer como cada um deveria se expressar? Apenas, com a mesma liberdade com que alguns referem-se aos que tem opiniões como a minha como sendo “burros”, “ingênuos”, “simplórios”, acho tremedamente ridículo essa necessidade da grosseria e da ofensa como demonstração de modernidade.
Mas como explicitou o nosso companheiro nórdico, faço parte da plebe cordial apenas por considerar esse recurso como um atestado de falta de competência para expressar-se de outra maneira. Ou seja, é mais fácil baixar o nível para poder se expressar, não é mesmo?
Dizer o que se acha com – relutei em usar a palavra, mas lá vai – elegância, é para poucos. E antes que chovam pedras, reconheço publicamente que não me atrevo a afirmar-me como sendo um desses.
{ Comentar }02/10/07 - 10:02 am
Rafael, não queria entrar de novo aqui, mas acho que, de alguma forma, você fez uma referência ao que escrevi. Apenas para deixar ainda mais claro – e achei que tinha sido explícito no meu comentário. Acho que qualquer pessoa pode achar o que bem entender sobre livros, filmes e a substituição do Cuca no comando do Botafogo. O resenhista não gostou do livro do AT, OK, que o detone. O que me pareceu despropositado foi classificar o autor de “mixuruca” – assim, ele condenou toda a obra do sujeito. Claro que ele teria esse direito, mas, no caso, deveria ter dado exemplos de outros livros “mixurucas” do AT, o que não fez. Ficou parecendo que ele fez a generalização a partir da análise de apenas um dos muitos livros escritos pelo cara. Pode ser até que ele tenha lido outros, mas isto não ficou claro na resenha. É apenas isso. Não veja, por favor, no meu comentário qualquer tentativa de inibir o debate ou a crítica, nem qualquer tentativa de brodagem.
{ Comentar }02/10/07 - 10:23 am
Molica tem razão nesse ponto, seria mais apropriado que o Carvalho houvesse lido outros livros para que melhor se adequasse o qualificativo. No seu lugar eu teria qualificado apenas o livro de mixuruca, não o autor (exceto se houvesse lido outros livros dele). Aliás, uma crítica bem feita em regra se refere não só ao livro que se critica mas também aos anteriores. De qualquer maneira, insista-se na absoluta impertinência do “amor rima com flor” e outros lugares-comuns absolutamente imperdoáveis.
{ Comentar }02/10/07 - 12:30 pm
Paulo e Fernando Molica, concordo com vocês. Mas o que o pessoal tá reclamando – ao meu ver, com razão – é o fato de alguém aí ter dito que qualificar de mixuruca o escritor trata-se de ofensa pessoal. Reclamar isto é uma demonstração de que o reclamante coloca tudo no pessoal, se confunde com sua obra, isto é, basta dizer que sua obra é ruim e pronto, é uma ofensa pessoal. Ara, precisa parar com este super melindre de brasileiro.
{ Comentar }02/10/07 - 12:36 pm
Meu, nunca consegui escrever um texto pior que acabo de escrever! Vou tentar ser mais claro: alguém disse que escritor mixuruca é ofensa pessoal. Dizer isto, ao meu ver, é melindre, tipo do compadrio brasileiro. Mas dizer que o escritor é mixuruca lendo apenas um obra, já é fora de propósito.
{ Comentar }02/10/07 - 3:45 pm
Eduardo: depois que já morreu, não precisa ficar cuspindo e chutando o cadáver… Concordo plenamente com o resultado do teu jogo. O Torres é um típico exemplar do discurso vazio academicista, mui parecido com as gentes que rondam a Academia Brasileira de Letras… Porém, tua resenha não “se dá ao respeito”, entende? Descer o pau num livro “laureado” não é problema, mas tem que saber bater, pois, do contrário, teus adversários vão desqualificar a resenha de antemão sem nem debaterem o mérito em si da questão.
{ Comentar }02/10/07 - 3:47 pm
Ah, e, realmente, a técnica de pinçar trechos da obra já está pra lá de batida…
{ Comentar }02/10/07 - 5:00 pm
O Jabuti é um animal vagaroso. Ele ainda está no século XIX.
{ Comentar }02/10/07 - 6:25 pm
Epa, até meu pai resolveu dar as caras por aqui. Aliás, pai, não sei se eu diria que o futebol do Vilela (parente?) é africano. Ele joga com objetividade, sem muitas firulas, sempre buscando o caminho mais curto para o gol. Talvez uma boa seleção da Alemanha? Se fosse tênis, ele seria um Bjorn Borg, jamais um John McEnroe.
Na primeira leitura, a resenha do Eduardo não me pareceu particularmente violenta – ou, digamos, não mais violenta do que uma ou outra já publicada na Copa. Mas é verdade que a expressão da discórdia, “escritor mixuruca”, se aproxima perigosamente do ad hominem. E é mesmo um pouco leviano classificar um escritor de mixuruca a partir da leitura de um só livro. Mas haveria a mesma discussão se a expressão estivesse, por exemplo, na resenha passada, referindo-se ao Flávio Braga, cujo livro foi duramente criticado pelo Antonio Marcos? Ou seja: o problema é chamar um escritor de mixuruca, ou é chamar o reconhecido e experiente Antônio Torres de mixuruca? Ou ainda, para abrir a discussão: o escritor reconhecido merece mais respeito e cuidado do resenhista?
O comentário já está grande, mas queria chamar a atenção para outro ponto da resenha do Eduardo, um ponto que mencionei no primeiro comentário mas para o qual ninguém deu muita bola. É a crítica ao protagonista de “Pelo fundo da agulha” por ser um homem que “esgotou seu sonho junto com a sua carreira”. Acho que essa crítica do Eduardo ao livro do Torres é ironicamente desmentida pelo livro do Vilela: Bóris, que o próprio Eduardo considera um personagem muito bem construído e interessante, se define quase totalmente pelo seu trabalho. É um exemplo da dificuldade de classificar um tipo de personagem ou situação como inaproveitáveis: o bom escritor consegue descobrir interesse no que nos parece mais banal.
Abraços,
Lucas
{ Comentar }02/10/07 - 6:45 pm
eu demitiria o juiz, o mais fraco até agora, sem dúvida
{ Comentar }02/10/07 - 9:18 pm
Lucas:
{ Comentar }Futebol alemão com aquela leveza? Sei não. Mas é tão leve, tão leve, que – você mesmo levantou a questão na abertura da mesa redonda – seria de fato um romance? Seja o que for, segue o jogo. E já que ninguém gostou do livro do Torres, incluindo os que não leram, que tal falar um pouco do “Bóris e Dóris”, que ganhou com sobras e permanece na disputa? Saio da roda e deixo vocês discutindo, pra não ficar parecendo almoço de família.
02/10/07 - 10:25 pm
Se for para ser um almoço em família mineiro, Jorge, ninguém vai reclamar, eu garanto. Ô, saudades de Minas! Conheci uma doceria em Belô que foi o melhor nome que já conheci para um estabelecimento comercial; mais apropriado não se pode conceber: Docedocê. Quer mais colorido local que isto? E é tratando das palavras que gostaria de fazer um comentário bem a propósito. Acredito no resenhista. Esta estilização do Torres deve estar meio infirme, para usar um termo mais elegante. Mas, àqueles que se impressionam com as frases destacadas pelo Eduardo, faço uma observação. É muito difícil classificar as frases se estas não estiverem contextualizadas, no meio da página, aliás, nem da página, no meio do capítulo, pelo menos. É uma questão de ouvido, nada além de ouvido. É a música das palavras, seu ritmo, sua cadência, seu cantar, além da espécie de narrador que está falando. Por isto, é difícil dizer o que é certo ou correto em arte. Vem um sujeito, cria nova linguagem, um tanto barroca, e muda todo o panoramada do que se considerava correto. “Aqui e ali bafejado por lufadas de sorte”, frase utilizada por Torres, soa estranho. Mas o estranhamento é a própria essência da grande arte. Se este estranhamento se desdobrar em música, gol. Se não, morte súbita. Dentro de um livro, a harmonia tem que funcionar. De qualquer forma, fica muito difícil examinar por extratos, frases pinçadas a esmo, e bem entendo que o resenhista o fez apenas a título (uau, a título hein? isto é que é emular o texto do Torres) de exemplificar o que dizia e não para convencer por este meio. Ele analisa dentro do contexto e, ainda que possa estar enganado, para o ouvido dele, não funcionou.
{ Comentar }02/10/07 - 11:50 pm
hum, nem levei em consideração isso de escritor mixuruca – entendi mais como um escritor num momento mixuruca mesmo. não vejo problema algum.
{ Comentar }03/10/07 - 6:24 pm
Gostei da resenha, adorei a coragem do autor e, sobretudo, adorei que enfim o Antonio Torres escreveu um livro que revela seu lado terrivelmente chato e mixuruca. Acho que a questão é mesmo essa que o Lucas aventou: pode chamar a obra de quem de mixuruca? Aqui, pode a do Torres, claro, e ela é no geral, salvo talvez alguns livros do início de carreira, Essa terra incluído. E salve esse espaço democrático, onde até o filho discorda com humor e amor do pai, aliás, uma simpatia.
{ Comentar }Eduardo, considero que você cumpriu com louvor sua tarefa, não se amofine demais com as críticas pesadas que vai receber, você mexeu com medalhão.
Um abraço,
clara lopez
03/10/07 - 7:22 pm
Depois do elogio da Clara, não resisti: volto atrás e volto à mesa. A resenha do Eduardo me pareceu dura, mas não ofensiva, e jamais caiu pro lado pessoal. De forma alguma. O que se discute é o fato de, exclusivamente por esse livro, classificar o Antônio Torres de escritor mixuruca. Pode até ser, sei lá, mas é justo? Falando nisso, e já que isso foi tão criticado no texto do Torres, existe alguma palavra mais antiga do que “mixuruca”? Eduardo, parabéns por dar a cara pra bater. Clara, obrigado pela delicadeza. Rodrigo, apesar de carioca da gema morando em São Caetano do Sul, também fiquei com água na boca com o almoço mineiro. Abraços a todos.
{ Comentar }03/10/07 - 8:34 pm
Ô, Jorge, perdão, entendi mal. Pensei que fosse de Ituiutaba. De qualquer modo, todos vamos nos fartar com a comida mineira. O Eduardo acaba de servir um medalhão ao molho pardo, para ser apreciado após a partida, uai. Mas os mineiros não vão ficar tristes, porque parece que brota escritor naquela terra. Alguns resenhistas da Copa já fizeram churrasco de alguns livros, mas tem tanto escritor do sul no torneio que acho que o brasileirão aqui acaba em Grenal. Quem sabe não aparece um azarão azulão, hein?
{ Comentar }04/10/07 - 12:02 pm
Eduardo:
{ Comentar }Sobre “Boris e Dóris”, deixa eu te perguntar duas coisas. Primeira: como tudo que importa a Bóris, naquele dia, é a possibilidade da promoção ao principal cargo executivo da empresa, não te pareceu exagerado e inverossímil o fato do personagem acreditar que o conglomerado pudesse passar a ter o nome dele? Como, se o cara não era o dono, não pertencia à família dos donos, não era o principal acionista, nada disso? À primeira vista parece insignificante, o problema é que o livro gira em torno dessa expectativa. Segunda: não sei se você teve essa sensação – e se fui só eu, provavelmente Freud explique –, mas você percebeu um leve clima de traição, da parte de Bóris? Me deu a impressão de que, encoberto por aquela reunião de diretoria, o autor acabaria revelando algum relacionamento amoroso paralelo do personagem. Mas não. Com a tal história do lago da Dóris, o texto dá uma virada, pra no final re-virar de forma surpreendente. Luiz Vilela foi muito hábil, não?
04/10/07 - 6:05 pm
“Bóris e Dóris” é um livro fácil de ler, mas difícil de comentar. Gostei desde a primeira página, mas fiquei receoso que o livro ficasse restrito aos diálogos irônicos, espertos, com sabor de crônica. Nada contra, mas é justo esperar algo mais.
E como ressaltou nos comentários o Jorge M., há algo mais sim. (olha o spoiler). Bóris e Dóris se definem em boa parte do livro pelos jogos de linguagem que fazem com (ou contra) o outro, porém as limitações desses discursos ficam claras pelo choque com a realidade de uma lado (Bóris e a empresa) e pelo “princípio da ficção” de outro (o lago). E é por essa zona cega que os personagens vão se aproximar de outra forma.
{ Comentar }04/10/07 - 9:14 pm
Realmente, Jorge, esse ponto da expectativa dele é meio mal fundamentado. Nem tinha reparado nisso direito, mas é verdade. É que, também, escritor, qualquer que seja, sempre tem dificuldade para entender o que se passa numa empresa, como as coisas acontecem, etc., e acabam se apegando a estereótipos. (Não entendi a parte da traição.)
Sobre fato de eu ter chamado o Antonio Torres de mixuruca por causa de um livro. Pode ser leviano, mas não consigo admitir que alguém que tenha escritor aquilo saiba escrever. Acho que ele não tem nenhuma sensibilidade para estilo. E nenhum domínio sobre a língua em que escreve. Achei o livro patético, sinceramente. Não tem esse papo de arte, de que eu peguei expressões aleatórias, etc. Quem dividar, leia o livro, simplesmente, e depois me diga se gostou.
Abçs!
{ Comentar }05/10/07 - 9:41 am
Não, Eduardo, não foi você que não entendeu: fui eu que me expressei mal. Deixa eu tentar de novo. Talvez pelo fato do casal ter escohido um hotel distante do local da convenção, fiquei achando que aquilo fazia parte de uma “armação” do Bóris, para afastar Dóris do ambiente corporativo. Assim o caminho estaria aberto para o autor revelar um caso de amor entre o executivo e alguma companheira de trabalho. Por isso, achei até mais bacana quando Luiz Vilela veio com aquela história do lago, porque aí ele inverteu a expectativa. (Você chegou a ver “A Conversação”, do Coppola? Seria mais ou menos aquilo: a gente cria toda uma expectativa que, no final, se revela exatamente o contrário do que a gente esperava.)
{ Comentar }Viajei?
Abraços.
05/10/07 - 9:45 am
Aj, Jorge, entendi agora. É verdade: parece mesmo, no começo, que a Dóris é tipo uma amante do Bóris. E depois que ela traiu ele. Bem reparado. E não vi A conversação, mas já anotei na minha lista aqui, e vou atrás. Abçs!
{ Comentar }05/10/07 - 4:59 pm
Jorge, que frase linda: “Clara, obrigado pela delicadeza”, é raro nesses espaços de literatura encontrar alguém atento a esses detalhes, merci tb pelo gesto.
{ Comentar }um abraço,
clara lopez
07/10/07 - 1:47 pm
Lucas, meu caro, aproveitando esta súbita calmaria dos comentaristas, gostaria de lhe agradecer o conselho. Reparação é brilhante!! Ainda estou na metade, Briony acaba de comunicar a todos seu testemunho contra Robbie. Só espero que o autor, um mestre, não caia na velha técnica de perspectivação: Briony se torna escritora e está por trás da narrativa em terceira pessoa. Anos mais tarde, ao escrever a história, conclui que julgamentos são relativos, porque tudo depende de quem vê. O velho “Assim é se lhe parece”. Oh, não, não! Ou, no dizer de Protágoras, o homem é a medida de todas as coisas. Ou pior, La Vida És Sueño. Não, por favor, um livro como este, tão magistralmente escrito, com tanta penetração psicológica, não pode ceder à Era do Relatividade. Torço para que não ocorra, torço para que Briony não me apareça com a velha catarse artística, oh, não! Personagens desenvolvidos com maestria, que me lembraram do inigualável Tostói. Pedro, André, Vronsk, Karenina. Me lembraram de Natasha, a princesa encantadora! Aliás, e a Cecília, hein? Uau! Nós, homens, morremos de atração por refinadas com ela (pelo menos, aqui em São Paulo). Agora, detalhe. Esperto este McEwen, hã? Deu um jeito de os editores adiantarem na quarta página, ou na orelha, que Briony vai cometer um crime na infância. Pensou assim: Bom, depois de Flaubert, depois do nouveau roman, depois da crítica socialista, fica difícil segurar os leitores pelo enredo. Pega mal, vão dizer que estou querendo ganhar dinheiro. On, god, o que devo fazer? Resolve ligar para seu editor. Posso imaginar a conversa dele blasè com o outro. “Ora, Mr. Benson, o senhor é quem deve escrever o texto da quarta página”
{ Comentar }- Creio que o senhor podia adiantar algo que pense ser o âmago do romance, Mr. McEwen.
- Por favor, por favor, esta parte prosaica…! Oh, It’s so exasperating!
- Bom, então vou colocar o texto que estava mesmo…
- Bem, Mr. Benson, talvez pudesse falar um pouco sobre algo mais impactante, let me see… ó, yes, o crime.
- Aquele crime que só ocorre na página 200?
- Exatamente.
- Poxa, mas muitos leitores deixarão de ler até lá, se não tiverem um pequeno chamariz! Acho melhor nós colocarmos já na capa que houve um crime, cometido pela garotinha desde cara e, deste modo, não vai parecer intenção do escritor, que acha?
- Oh, Mr. Benson, eu nem tinha pensado nisto! What a cleverness, my dear! Clap, clap, clap.
- Oh, thank you, it’s my job, Mr. McEwen.
- Would you like to have a pot tee, Mr Benson?
07/10/07 - 3:10 pm
Oi, Rodrigo, eu que já ia intervir contra o silêncio da Copa, achando que a palavra ‘delicadeza’ tinha silenciado o site (rs), me deparo com seu post ótimo, entusiasmado e apaixonado pelo Reparação, que vou ler em breve, com certeza.
{ Comentar }um abraço,
clara lopez
07/10/07 - 5:34 pm
Clara, se a palavra delicadeza trouxe o silêncio foi porque incita, como é próprio dela, um recuo de surpresa e enlevo, que propicia a reflexão. Acho que foi isto que levou a moçada a parar um pouco. E o Lucas estava com a razão, vale a pena ler o Reparação. Tenho que sair e já estou sentindo a falta da leitura por hoje…
{ Comentar }Abraço
Rodrigo
09/10/07 - 12:27 am
Silêncio?!?
Vocês já viram alguém ficar no estádio após o término do jogo?
Foram todos assistir a próxima partida,
O povo vai aonde o artista está… seja da música, da bola ou das letras.
1 abraço.
{ Comentar }10/10/07 - 7:38 am
Muito boa esta competição!!!!!!!!!!!!
{ Comentar }20/10/07 - 11:33 am
[...] escreveu para a Copa de Literatura Brasileira, Eduardo Carvalho resumiu admiravelmente esta questão, ao [...]
{ Comentar }22/10/07 - 11:50 pm
A visão pessoal do crítico deve ser transformada em critério objetivo. A avaliação sobre o livro de Antônio Torres, que encerra a trilogia Brasil, foi um exercício de visão pessoal que não alcançou a objetividade na diatribe: saiu pinçando expressões para passar uma impressão de texto menor. Pelo fundo da agulha tem que ser avaliado abarcando um universo criado por Essa terra e seguido por O cachorro e o lobo, o que, de saída, requer maior conhecimento da parte de quem resenha. Interessante é justamente o seguinte: o resenhista aponta expressões usadas por Torres, depreciando e tirando todas do contexto e, no entanto, usa a expressão “escritor mixuruca” para definir Torres. No mínimo, falta coerência, ou elegância.
{ Comentar }12/11/07 - 3:19 pm
“Essa terra” é um dos melhores livros de autores brasileiros vivos. E “Boris e Doris” – que li por razões profissionais – é um dos piores. O cara escreve um livro de diálogos sem saber escrever diálogos. Não li o “Pelo fundo da agulha”, mas acho incrível alguém “analisá-lo” sem citar o “Essa terra”, que foi um livro tão importante pra época. Cada vez mais tenho certeza de que os leitores brasileiros (e os pretensos críticos) são idiotas.
{ Comentar }12/11/07 - 4:18 pm
Alfredo, quem não leu “Essa terra” e quer analisar “Pelo fundo da agulha” faz o quê? E na sua escala de idiotice analisar um livro sem ler outro é pior do que desprezar a análise de um livro sem ler o próprio?
Abraços,
Lucas
{ Comentar }20/11/07 - 2:08 pm
[...] 6 Bóris e Dóris x Pelo fundo da agulha Jurado: Eduardo [...]
{ Comentar }09/11/08 - 2:27 pm
[...] – Um texto no qual eu mostro meu despeito pela resenha do Eduardo Carvalho para a CLB de 2007, onde ele diz que Antônio Torres é “um escritor [...]
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