Oitavas de final
Jurado: Fabio Silvestre Cardoso
maisquememória, de Marcelo Backes, e Sonho de uma noite de verão, de Adriana Falcão, se enfrentam na sexta partida desta segunda edição da Copa da Literatura Brasileira. Há quem diga, a propósito dos jogos de futebol, que nem sempre o melhor time sai vencedor, uma vez que existem sortilégios inexplicáveis quando o jogo ocorre dentro das quatro linhas. Este juiz-resenhista não se arrisca a teorizar a respeito, com receio de parecer por demais enfadonho ou, pior, misturar as estações. Contudo, cabe ressaltar que, diferentemente do que costuma acontecer nos gramados, nesta partida a melhor equipe — quer dizer, o melhor livro — venceu, e com folga, a disputa. Neste texto, mostrarei ao leitor, com direito aos “melhores momentos”, as razões desta vitória esmagadora e acachapante.
maisquememória é um romance cujo tema central são os relatos das viagens pela Europa de um intelectual que termina sua tese de doutoramento na Alemanha. Para além das descrições das cidades, o romance apresenta o olhar peculiar do narrador sobre o universo que o envolve. Cidades, monumentos, pessoas e personalidades históricas estão presentes em uma narrativa plena de significados e ironia, em primeira pessoa, mas com espaço para outras vozes que, com frequência, tomam a frente para contar suas versões ou — o que é também interessante — acrescentar interpretações a respeito do que observam. Nesta trajetória, ao longo de quase 400 páginas, a narrativa de Marcelo Backes não desmente um fragmento presente logo na introdução do livro:
Asseguro-te, portanto, o direito de escolher entre a viagem curta de um capítulo — que poderá ser retomada no final de semana seguinte — ou o périplo do livro inteiro em uma sentada (…). Decide, com o tiquinho de poder que te concedo… Mas garanto que fiz e que farei de tudo pra ser um cicerone agradável neste mundo velho sem porteiras nem fronteiras, e te divertir onde meu cavalo quis apenas te instruir, na ilusão ingênua de que ainda existe algo que dá sentido ao mundinho contemporâneo além do jogo.
O trecho acima é exemplar porque dita os elementos que serão fundamentais para o romance. De um lado, o leitor é chamado às falas ao longo da história como se a narrativa, antes de tudo, fosse uma conversa. Em verdade, trata-se de uma característica que permeia a obra já a partir do subtítulo do livro: caderno europeu de viagens. As intervenções em forma de conversa tiram certo peso que poderia se estabelecer com base nos temas da obra — identidade, multiculturalismo, globalização — e também no seu estilo — a certa altura, uma dessas falas ironiza a eventual falta de costume do leitor diante de longas digressões entre parêntesis. Por outro lado, o excerto acima citado chama a atenção graças aos recursos narrativos que dão coesão e coerência, mesmo de forma polifônica, ao romance. Nesse sentido, destaca-se a participação do cavalo, entrecortando o texto do narrador “oficial”. Em muitas ocasiões, há intervenções que ora acrescentam informações, ora adicionam análises ao romance. A esse discurso, certamente fora do método, acrescenta-se a história do pintor Kokoschka, em uma espécie de terceiro vértice da narrativa.
Com todos esses elementos, é lícito especular se maisquememória não é um texto excessivamente presunçoso e complexo para o leitor comum. Ou, por outra, de que forma Marcelo Backes conseguiu congregar tantas características em uma única história sem alienar o leitor? A resposta, talvez, seja a de que existem muitos livros dentro deste mesmo romance, pois, ao mesmo tempo em que fala das cidades que visitou, como numa trajetória de aventura, o narrador aborda os conflitos ideológicos do nosso tempo: globalização, cultura, identidade, política… Pode-se até enxergar um certo sarcasmo em algumas boutades, no entanto, é correto dizer que o autor — sim, o autor — não cai na armadilha do politicamente correto; assim, posto que o livro trata de identidade cultural, nem de longe a obra é um panfleto, mas traz um relato fundamental de sua experiência, do desenvolvimento intelectual e da reafirmação de sua identidade. Um bom exemplo disso ocorre quando o narrador questiona o establishment pró-globalização ou, páginas adiante, afirma que nem mesmo os jovens na Alemanha, hoje em dia, sabem falar a língua de Goethe e de Heine de maneira adequada. Culpa de quem? Ora, não é um tratado político, mas um romance — ainda que com verve essencialmente ensaística.
Portanto, o elemento que funciona como esteio para que o livro seja plural, mas não caótico, é o humor. Marcelo Backes, não há dúvida disso, conquista a simpatia do leitor com doses preciosas de cortante e eficaz ironia, um deboche na medida certa, que mescla traços centrais da cultura de seu tempo com referências inevitáveis aos autores que fizeram parte de sua formação intelectual, como Heine, Mark Twain e Goethe. Esses nomes aparecem lado a lado com os lugares em que o narrador esteve, e ele não se esquiva de lembrar isso ao leitor, sempre em tom de escárnio, como no trecho que segue:
Eu não posso deixar de dizer que a maior feira do livro do mundo é pouco mais que um balcão de negócios, um evento publicitáro, um acontecimento dirigido a autores e editores, que cada vez mais se restringe à compra e venda de obras e traduções. Se a fúria da saudade tem culpa no juízo? Tem, claro que tem, mas também não existe grande literatura sobre bons sentimentos! Por acaso o mundo das idéias não é construído sobre o ódio daqueles que vivem sozinhos? Só o jogo da insolência ameniza o calvário da solidão, e é abrindo o coração que o guasca se consola. Oh, a realidade, a realidade! E eu aqui me alimentando de letras…
***
O humor também é o elemento fundamental de Sonho de uma noite de verão, de Adriana Falcão, uma paródia da peça de Shakespeare. A autora, que é roteirista de cinema e de TV, adapta a história do dramaturgo inglês para o tempo presente, mais precisamente para o carnaval de Salvador, na Bahia. Como personagens, ela também utiliza as deidades e fadas do Olimpo. O mote inicial: segundo uma pesquisa, cerca de 52% dos espíritos que habitam no Olimpo não acreditam na existência de humanos, e uma expedição parte à Terra para comprovar o que é fato e o que é impressão. Enquanto isso, cá embaixo, os terráqueos — brasileiros, bem entendido — se refestelam em um autêntico carnaval baiano de nossos dias, com direito a celebridades, intrigas amorosas, política de alcova e outras quizilas que dão sabor (desagradável, é verdade) às coberturas da imprensa desta que é considerada uma “festa popular”.
Adriana Falcão tem o mérito, justiça seja feita, de ter elaborado uma narrativa na exata medida permitida por uma paródia. Ou seja, o que se lê está longe de ser Shakespeare, e tanto ela como seus leitores sabem disso. Trata-se, em verdade, de uma história curta, com personagens sem mistério, e sem grandes idéias em debate. A chave do livro está no riso fácil que a narrativa gera, sem qualquer pretensão. Comparado a uma equipe de futebol, Sonho de uma noite de verão seria um escrete sem brilho, mas consciente de suas limitações, sem a capacidade de realizar grandes jogadas. Muito pelo contrário: é um livro sem passagens memoráveis ou dignas de nota. Tão simples que, uma vez lido, não deixa marcas perenes na memória de quem atravessa, sem dificuldades, suas 150 páginas. É bom ressaltar que não é um problema com a quantidade de páginas, e, sim, com a qualidade do que está escrito: novamente, o livro cumpre o seu papel como peça de entretenimento, mas não se consolida como literatura de repertório.
É essa proposta kitsch, aliás, que mais se destaca nos principais trechos da obra de Adriana Falcão, como este:
Os três recém-casados estavam apressados para chegar ao aeroporto e pegar vôo para Miami, onde passariam a lua-de-mel. Egeu chegou com o jornal do dia seguinte nas mãos e um sorriso no rosto: — O caderno de cultura não fala em outra coisa. Escreveram até uma crítica: ‘Bloco alternativo prova que o pós-moderno é feito de incoerências.’
Com sacadas desse tipo aqui e acolá, o texto não provoca outros efeitos senão o riso fácil que logo desaparece porque reflete demais o estado de uma falsa cultura. A leveza do ser, nesta paródia de Shakespeare, não sustenta o romance.
***
Pelos motivos expostos acima, o vencedor deste jogo 6 é maisquememória, de Marcelo Backes. A partir de qualquer ângulo, o romance do escritor gaúcho é superior ao Sonho de uma noite de verão, de Adriana Falcão. Estilo, história, autenticidade literária, temas: todos os elementos garantem ao livro de Backes mais consistência. E haverá quem possa dizer que este texto se prende muito mais ao maisquememória do que ao Sonho de uma noite de verão. A justificativa para isso é simples: o placar. Nem nos melhores momentos da partida o caderno de viagens é superado pela paródia de Shakespeare. Vitória de goleada.

maisquememória
de Marcelo Backes




Esse livro do Backes é um dos que eu mais quero ler da copa (os outros são O Filho Eterno e O Sol Se Põe em São Paulo), principalmente por causa de uma resenha do Milton Ribeiro em que ele fala do maisquememória e do Istambul, de Orhan Pamuk.
A resenha da copa vem reforçar ainda mais meu desejo de ler o livro.
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“A partir de qualquer ângulo, o romance do escritor gaúcho é superior ao Sonho de uma noite de verão, de Adriana Falcão.”
Menos no quesito “riso fácil”, pelo que pude entender.
Para os zilhões de leitores de best-sellers existentes hj, só isso já bastaria para preferirem o Sonho de uma noite de verão. Será que a autora pesou isso na hora de escrever, e resolveu demarcar claramente o seu público-alvo?
1 abraço.
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Sem qualquer crítica ao resenhista, o qual justificou com clareza seu voto, não me sinto tentado a ler nenhum dos dois livros. Ou talvez até desse uma olhada no… “Sonho…” (!), pra ver se sua alegada leveza viria em boa hora, cmo passatempo talvez.
As alegadas virtudes de maisquememória me soam como uma chatice sem fim. É claro, estou opinando baseado apenas no que li aqui.
Enfim, resenhados 12 livros em um primeiro momento – pois ainda teremos semifinais, repescagens, etc – me vem à cabeça a constatação cada vez mais solidificada de como é pobre a literatura brasileira contemporânea. Nada que realmente empolgue, nada que sobressaia, nenhum livro sugerido que nos deixe inquieto por ainda não tê-lo lido.
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Acho que se deveria pensar um pouco mais a respeito deste dado sobre quase ninguém ter lido a maior parte dos livros que competem na Copa. Digo logo que não li nem sequer um dos concorrentes, apesar de ter curiosidade pelos livros do Backes, Tezza e o do Bernardo Carvalho, talvez até o da chilena/brasileira.
A verdade é que ninguém lê quase nada de literatura brasileira. Ok, quase ninguém tem o hábito de ler literatura e se formos esnobes para dizer que Paulo Coelho não é literatura (eu diria que apenas é má literatura), aí a conta vai para a raspa do tacho. Se tirarmos os vestibulandos, ihhh. Fora os medalhões, quase ninguém é lido. Acho que aqui na Copa talvez o Na multidão tenha potencial, mas apenas por ser jogado no sacolão do gênero policial (o que não diz nada sobre seus méritos). Imagina um livro como os dois horroros livros que disputaram a final ano passado, em especial aquele calhamaço que eu acredito que teve muita gente que escreveu sem LER!
P.S. – Por que quase todos os jurados usam a metáfora do futebol? Por acaso a única metáfora que a palavra Copa consegue despertar em vocês é o jargão futebolístico? Que pobreza. Ainda bem que a maior parte de vocês não são ficcionistas.
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Uma consultazinha ao Houaiss:
Datação
1058 cf. JM3
Acepções
? substantivo feminino
1 vaso fundo, de dimensões e formas variáveis, para bebidas; taça
2 Rubrica: heráldica.
taça semelhante a um cálice litúrgico
3 Rubrica: esportes.
peça artística com essa forma ou outra análoga, de metal nobre e com inscrições alusivas, que se dá como prêmio ao vencedor de uma competição; taça
4 Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: esportes.
campeonato ou torneio em que se disputa uma copa ou taça
5 vasilha grande para pisar uvas; dorna
6 a parte superior da árvore, constituída pelos ramos (com ou sem folhas) que se distribuem ger. em forma mais ou menos convexa, podendo tb. assumir diversas outras formas, como, p.ex., piramidal, alongada, globosa etc.; copagem
Obs.: cf. fronde (‘conjunto de folhas’)
7 Derivação: por analogia.
a parte do chapéu, do boné etc. que cobre diretamente a cabeça
8 (sXIX)
dependência de uma habitação, ger. próxima à cozinha, onde são guardados a louça, os talheres, a roupa de mesa e os gêneros alimentícios
8.1 Derivação: por extensão de sentido.
compartimento em hospitais, hotéis etc. que atende ao serviço dos quartos e ao preparo de alimentos leves
9 Estatística: pouco usado.
a louça, a baixela, os copos etc. us. à mesa
10 rama de linho que se põe de cada vez na roca, para ser fiada
11 Regionalismo: Rio Grande do Sul.
cada uma das peças de prata, circulares e côncavas, que rematam o freio do cavalo campeiro
12 Regionalismo: Brasil. Uso: linguagem de delinqüentes. Diacronismo: obsoleto.
nota de quinhentos mil réis
copas
? substantivo feminino plural
Rubrica: ludologia.
13 naipe de cartas de baralho em que cada ponto é representado por um coração vermelho
14 certo jogo de cartas
Locuções
de c. e cozinha
Uso: informal.
da intimidade da casa; muito íntimo
fechar-se em copas
1 tornar-se silencioso, calado
2 tornar-se aborrecido, zangado
fechar-se em copas
1 tornar-se silencioso, calado
2 tornar-se aborrecido, zangado
Etimologia
lat. cúppa,ae ‘vasilha grande, cuba’; f.hist. 1058 coppa, sXV copa
Sinônimos
ver sinonímia de galharada
Homônimos
copa(fl.copar)
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Gostei da resenha. O juiz fui muito elegante dizendo, em outras palavras, que o livro de Adriana Falcão nem deveria estar na copa porque o propósito da autora é visivelmente outra. Por outro lado, penso que o maisquememória não está com a bola toda e pode tombar ante a um adversário mais forte.
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Imagino que quem enfrenta quem deva ser decidido por sorteio, claro… Mas este jogo, até agora, me pareceu o mais alhos x bugalhos de todos. E se Sonho “nem deveria estar na copa”, como disse Marco, por que está? Não é uma vitória meio inútil, ganhar de alguém que nao deveria ter jogado?
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Olá
Concordo c/ a resenha sobre ‘Sonho de uma noite de verão’.
O livro é uma bobagem do início ao fim. O autor da crítica tem razão quando diz que o romance não deixa marcas na memória de quem leu. Dá impressão de estar lendo o roteiro de uma minissérie televisiva malfadada. Fiquei c/ uma ponta de curiosidade em relação a ‘Maisquememória’.
Ao contrário do arisco Zé Balde e de Claudio lá de cima, a Copa está provocando em mim uma curiosidade em relação a livros que eu não prretendia ler. E existe sim coisa boa na literatura brasileira contemporânea, é só procurar. A CBL 2008 é só um pequeno universo dela.
Um abraço.
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[O comentário #13657 será citado aqui]
apesar de gostar do arisco (mas que nada sou um docinho), acho que você não me entendeu, eu gosto da copa e acho o projeto relevante, ou não perderia meu precioso tempo para ler e comentar. Aliás, a coisa toda até serviu para aumentar minha vontade de ler alguns dos competidores e despertar interesse onde eu não suspeitava. Isso até devia servir de mostra para as editoras apoiarem o evento. O que não deixo de notar é a sub-utilização do espaço ou um ou outro caso de preguiça como a resenha do Nelson.
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Doce Zé Balde
Desculpe, não quis ofender.
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Concordo inteiramente:maisquememória é excelente!
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nao estou entendendo pq tantos comentadores estao dizendo que o “livro nem deveria estar na copa” ou “nem deveria concorrer.” Por quê??? Não é um romance?
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O juiz que saiu escreveu no blog dele:
“Caros,
Respondendo publicamente mensagens que recebi nessa última semana: abandonei a Copa de Literatura Brasileira de 2008 por não concordar com alguns dos resultados.
Abs,
Vinicius Jatobá.”
Que coisa ridícula. Ele só participa se ele concordar com os resultados dos outros juízes. Mané.
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[O comentário #13664 será citado aqui]
ESTE CARA É UM JUIZ EXCELENTE! Com esta atitude, provavelmente, ele esta nos poupando de sua opinião ridícula. Parabéns Vinícius Jatobá, o AMARELÃO da vez.
O Sonho é aquele livro que não dá vontade da gente bater. Eu preferia então ver a resenha maisquememória x Fugalaça. Provavelmente, Fugalaça perderia, mas o leitor percebe que aquela escritora adolescente não veio à literatura a passeio.
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[O comentário #13657 será citado aqui]
Oi Patrícia.
Creio que não me fiz entender. Na verdade eu estou gostando da Copa. Acompanho com entusiasmo desde a primeira edição. E, claro, a Copa não são só os livros, mas também esse monte de comentários e os debates que alguns deles propiciam.
Além disso, também fiquei curioso a respeito de alguns livros, como Contramão, O Dia Mastroianni e Toda Terça. Já li Rakushisha e vou começar o Filho Eterno nesse fim de semana.
Enfim, tenho muitos elogios a fazer em relação à Copa. A minha crítica referiu-se à qualidade dos concorrentes. Ou melhor, ao fato de não haver – ao menos até agora – um concorrente que tenha se destacado de forma quase ( e repito: quase) incontestável. Sei que clássicos não aparecem aos punhados, mas se essa Copa – como não poderia ser de outra forma – é apenas um pequeno reflexo da literatura brasileira contemporânea atual, esta, em minha opinião, anda muito rasteira. Só isso.
Você diz que basta procurar. Talvez. Mas será que o que vou encontrar seria muito diferente do que está rolando aqui? Acredito que possa haver uma ou outra pérola escondida por aí, mas o que tenho visto só confirma a minha opinião de que, infelizmente, nossa literatura atual – ao menos no que se refere ao romance – é fraca, muito fraca.
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[O comentário #13662 será citado aqui]
Pois é, eu questionei justamente isto. Se um livro está na copa, presume-se que é porque deveria estar, já que foi escolhido pelos jurados, né?
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Bela e justa análise de Fábio Silvestre Cardoso. Imaginem que na edição anterior da Copa, houve jogos em que um dos livros confessadamemente não foi lido por inteiro! E isto ocorreu na final!
Fábio fez uma leitura compreensiva e inteligente do livro de Marcelo Backes — e isto é fundamental porque maisquememória, apesar de divertidíssimo, não é um romance que se entrega assim facilmente. O leitor desatento se perderá. Acho que (espero que) irá (vá) longe na Copa.
Abraços e parabéns ao Fábio que não conheço.
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