Oitavas de final
Jurada: Luciana Araujo
Desde que topei apitar um jogo, passei a prestar atenção nos árbitros de futebol. São altivos. O corpo todo se estica quando levantam o braço para apontar que este ou aquele errou num passe. Talvez seja o orgulho de ter o poder de selar uma verdade tendo como base uma regra clara. No jogo literário, onde, inclusive, não há um regulamento, seria derrota anunciada se sentir assim. Que orgulho besta pode existir em anunciar que um livro perdeu ou outro venceu? Se no estádio ou pela TV os torcedores têm de um lance polêmico visões mil para desconstruir uma decisão, que dizer dos ângulos possíveis da comparação entre narrativas? Não defendo que tudo pode ser bom de acordo com este ou aquele ponto de vista, e por isso mesmo, creio, se aceita tecer um julgamento, mas também diria que, se há alguma certeza, antes de começar esta partida, é a de que a competição entre duas obras é uma terceira ficção, sujeita ao gosto dos outros. Outra! Não importa o resultado, haverá sempre um grito de “juiz filho da puta!” no ar. Ainda bem!
Começa a partida! Ou deveria… De um lado, Contramão, de Henrique Schneider. Do outro, Rato, de Luís Capucho. E durante todo o jogo é assim que as obras permanecem, em lados diferentes do campo, sem se cruzarem. Se pegar a contramão é uma imagem clara de seguir contra o fluxo, a de um rato é de evitá-lo, sempre à espreita num canto escuro.
Dizer que são livros opostos seria aproximá-los de modo falso. São tão diferentes que, com uma única bola, o jogo não rola. Os jogadores de um time não se esforçarão para tomá-la do outro. Resta reinventar a forma da disputa. Cada time tem sua própria bola e me mostra o que faz com ela. Um de cada vez.
No aquecimento, Contramão apresenta a superfície do cotidiano do protagonista Otávio Augusto, sem se alongar. Uma vida toda planejada, orientada para o tipo de sucesso que promete como resultado uma boa colocação profissional, carros, roupas caras e uma família de comercial de margarina ao lado de uma mulher que lhe convém. Tudo é casca e verniz até o choque do imprevisto. O jovem promissor atropela um casal de adolescentes em Porto Alegre e, infringindo a primeira regra, não pára para socorrer. Foge.
A partir deste ponto, formalização e acontecimentos ganham o mesmo ritmo. A marca da narrativa é a velocidade, que acelera ainda mais a cada novo imprevisto, focada nas ações do personagem, que se sucedem sem deixar espaço para digressões ou experimentações. A escolha é coerente: seria discrepante se, após o acidente, a maneira como a vida besta daquele homem é descrita nas primeiras páginas passasse a ser explorada via fluxos de consciência ou outra técnica qualquer para revelar uma interioridade mais complexa.
Sem pausa para fôlego, Contramão prende e arrasta, como se o leitor embarcasse na fuga também. Estratégia que se mostra na forma, uma vez que temos um longo capítulo entre os primeiros e os últimos, curtíssimos. O que será que vai acontecer agora? É pergunta que não nos larga. E acontece sempre o mais absurdo. Otávio Augusto vai “atropelando” a vida de quem passa por sua frente e comete crime atrás de crime. Lembrou-me muito a sensação que tive quando assisti ao filme Durval Discos, no qual o dono de uma loja de vinis vai se metendo cada vez mais numa confusão sem volta. A diferença é que no filme as coisas aconteciam por acidente e em Contramão tudo é mais premeditado, mesmo que em questão de minutos. De qualquer jeito, a fuga em Contramão, que termina no Uruguai, também leva a um lugar de onde não se pode mais voltar.
É bem verdade que a discussão sobre gêneros é bastante acalorada, mas arrisco afirmar que Contramão não é um romance. Essa necessidade de manter o inesperado no texto e se ater nas ações de um único personagem sem a construção de um universo está mais para novela. Uma mudança aqui, outra ali, e diria até tratar-se de um roteiro bastante hollywoodiano, com Tom Cruise no papel principal. (Já notaram como ele sempre interpreta o cara bem sucedido que se dá mal para aprender uma lição ou transmiti-la ao público?)
No livro de Schneider paira a mensagem de que o que fez o personagem fugir o colocou frente a frente com o seu próprio destino, mas a reflexão parece isolada pela necessidade de pontuar uma conclusão fácil. Em certos filmes ou telenovelas é um pouco assim: mata-se o malfeitor e todos são felizes para sempre. Não há dúvida quanto ao mérito da narrativa, aliás, muito bem escrita, de carregar de maneira tão impetuosa o leitor, mas ao fechar o livro, como ao sair de certas sessões de cinema, fica a sensação fugaz do entretenimento e nada mais. Muita gente procura algo assim para se distrair, mas será que depois sente a necessidade da releitura da obra e de si mesmo? Não sei.
E já que falei sobre gêneros, Rato, de Luís Capucho, um livro fininho, com apenas 127 páginas, tem peso de romance, pois ganha a luta com o leitor por pontos e não por nocaute, parafraseando Cortázar ao falar sobre a diferença entre romance e conto. O protagonista, que é também o narrador, vive numa cabeça-de-porco, uma casa cujos quartos dona Creuza, sua mãe, subloca para homens solteiros. Cercado pelos moradores, gente de todo tipo e corpo, o jovem vai descobrindo a si mesmo ao vasculhar com os olhos, bundas, paus e pernas de cada um, desejando os jovens e rejeitando os velhos, numa busca obcecada do masculino que, para ele, os de certa idade já perderam.
O masculino, aliás, é uma das chaves de leitura deste romance: até quando o protagonista fala em se abrir como uma mulher, isso não deixa de ser uma visão de homem sobre o feminino. Não à toa, a pensão aluga vagas só para rapazes, o espaço ideal que o protagonista encontra para o gozo com seu novo amante é a casa do Alistamento Militar e a conclusão que chega sobre si diante de sua sexualidade é a de que deve ser um cara bélico para gostar tanto assim de: “Meter a mão na sua cara! Meter o pau no seu cu!” Além disso, a única mulher com um papel de destaque é a mãe.
O romance é por vezes de uma animalidade que nos coloca diante do que se é como corpo em estado bruto, sem o melindre das roupas fazendo ver o que está sob o calção ou por trás da fechadura de porta de banheiro. No entanto, as situações descritas em estado bruto e escancarado são apenas o chão factóide de uma narrativa que traz em seu tecido rasgos de lirismo.
Rato não é um livro que deslumbre ou encante de cara. Usando aqui uma imagem do próprio livro para pensá-lo: o lugar do prazer ao mesmo tempo tem cheiro de merda. O deleite estético se dá pela forma como o autor constrói a revelação cínica que o narrador tem de si mesmo, sempre tão atento aos outros. Um corpo jovem, mas cercado por espaços que estão se deteriorando. Um corpo que só não se sente deslocado quando ele próprio é o cômodo de um outro, e que por isso mesmo parece fadado ao desconforto, a ser rato.
Em sua corrida desenfreada pelo campo, Contramão mostrou vigor e domínio de bola, mas usando dribles manjados. Por isso mesmo talvez fique fácil para o goleiro adivinhar de que lado cair para fazer a defesa – sem contar os chutes para fora na hora da finalização. Já Rato, ao tomar a bola para si, propôs que esquecêssemos dela e prestássemos mais atenção nos movimentos dos jogadores. Com a bola invisível, fico sem saber se houve gol. Mas entre uma corrida com linha de chegada certa e uma coreografia de gestos que leva a algum espaço inexplorado, fico com a segunda. Rato vence por vantagens e desvantagens da busca de uma arte, via um certo Eu de quem não se ousou dizer o nome.





Excelente comentário! Redime os outros dois, com certeza. Aliás, em minha opinião foi um dos melhores comentários dessa e da Copa anterior – talvez o melhor. Mesmo não tendo lido qualquer um dos dois livros, dá para se fazer uma idéia de cada um. Excelente.
Mas confesso que não me animo com o Rato não…
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Fazia tempo que eu não lia uma resenha boa assim, concordo com o Claudio. A Luciana resgatou a Copa, apesar de o Rato também não me interessar. Agora sim alguém soube justificar o voto.
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A resenha está perfeita, mas votei não na enquete.
1 abraço.
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Entre Rato e Contramão, eu fico com Luciana Araújo. Eu li os dois livros e concordo plenamente com ela. O Rato é um livro complicado de ler. Eu tive que começar três vezes até superar meu preconceito, mas se observa que ele exigiu mais do autor. Em Contramão, o autor se deixou levar pela facilidade.
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Gostei enormemente dessa resenha. Em lugar de meramente listar as características, agradáveis ou não dos livros – se são bem ou mal humorados, se a prosa flui ou estanca, &c – aqui se evidenciou uma leitora q meditou sobre o conteúdo dos livros, sobre o q eles estão dizendo, e disse coisas significativas sobre esse conteúdo.
Além disso, gostei de o motivo da escolha ter tido a ver com a estruturação do conteúdo: enquanto em Contramão os fatos estão enfileirados depois de uma reviravolta (o atropelamento), em Rato eles estão constuídos em volta de um centro (o corpo). E fica óbvio o porquê de uma leitora desse calibre ter preferido o segundo.
Apesar de não ter lido nenhum dos dois, entendi perfeitamente porque Rato ganhou a partida, com essa juíza. E acho q esse é um dado importante pros futuros resenhistas. A resenha não é uma avaliação ou uma divulgação, mas uma declaração do resenhista sobre seu posicionamento perante o conteúdo. Melhor dizendo, estamos todos aqui interessados não tanto nos livros mas sim naquilo q eles estimulam no resenhista – qual é o conteúdo do resenhista.
Luciana, como se diz no YouTube, awesome, 5*.
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O “Rato” do Luis Capucho e’ exatamene o que a Literatura Brasileira precisa: um artista genial que escreva despretenciosamente.
Parabens, Luciana, por ter percebido que as vezes o importante nao e’ marcar o gol mas sim driblar a mente dos jogadores e juizes de maneira singela como so o Luis sabe fazer,mostrando a realidade sem moldura ou trave como objetivo.
“Rato” nos leva muito alem da viagem de expectador que Glauber Rocha em sua terra em transe nos mostrou; Na viagem do Luis,nos tornamos parceiros na sua alucinacao e ate sentimos o cheiro de merda numa terra em transe particular ou atraves da propria bicha a procura de um pau seguro para marcar o seu verdadeiro gol.
Gostaria de sugerir aos participantes da Copa de literatura a leitura do “Cinema Orly”,tambem de autoria do mestre Capucho.
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Excelente o texto de Luciana Araujo!
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Enfim uma resenha decente (aliás, bem mais que decente, ótima até).
Infelizmente não li nenhum dos dois livros, mas, graças à resenha, pretendo fazê-lo (especialmente o vencedor, ao contrário da resenha passada, que deixou água na boca pelo livro perdedor e dedicou 5 linhas para o vencedor).
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Ficamos envergonhados de nossa vidinha afrescalhada e saímos aí falando palavras de baixo calão, vestindo roupas para bater, e contando histórias com um medo danado de mostrar nosso bom português. E quem arrisca hoje em dia escrever uma história sobre as elites, sem desancá-las? Não queremos assumir que somos moços de família. Ah, não. Nada mais terrível hoje em dia que aparentar alguém ajuizado. O equilíbrio não é, de modo nenhum, um valor na obra de arte. No entanto, a biografia dos escritores mostra quase sempre meninos ajuizados. Para depois, virarem papais de família que dirão aos filhotes: tenham juízo. Aliás, existe profissão mais acanhada e retraída que a de um escritor ou roteirista? Fico me perguntando quando isto vai acabar. Quando o sexo, a homossexualidade, as aberrações íntimas, a violência e, finalmente, a escatologia, vão deixar de virar o verniz de rebeldia, escrita por pais de família? Será que o citado livro vencedor resiste, conforme ocorria nos romances antigos, à limpeza da narrativa sensacionalista? Tirando toda esta “rebeldia”, sobrará um menino recatado, posto que barbudo, atrás da máquina de escrever? Um teste interessante para reconhecermos a força de uma obra é extrair todo o apelo fisiológico nela inserida. A narrativa resiste à moderna exigência naturalista, como logravam os antigos ficcionistas que não tinham o recurso do baixo ventre?
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Adorei a resenha da Luciana Araújo. Achei sensata e nos mostra que ela leu os dois livros da forma que os livros deveriam ser lidos: com entrega e profundidade. Realmente gosto não se discute, em nenhuma área humana. Não podemos agradar a todos, de forma nenhuma. Creio que com a revolução que o computador trouxe para as artes, aproximando-as mais rapidamente das pessoas, ficou mais fácil nos “livrarmos” dos grandes “ícones”, que ditavam as “regras de estilos” na literatura, que é o caso desse comentário.
Eu li o Rato, de Luis Capucho e concordo plenamente com o texto da Luciana Araújo. Infelizmente ainda não li o Contramão, o que espero fazer em breve.
Acho que nós leitores é quem ganhamos com essa COPA, com os escritores e as discussões geradas. Nós precisamos cada vez mais de acesso a bons livros, ótimos escritores e “competições desse calibre, positivo e construtivo. Estou de saco cheio da mídia de massas, com seus produtos de formulas certeiras e vazios. Nada contra os “grandes” escritores, mas a vida e o tempo não param de produzir grandes artistas que precisam de espaço para sobreviverem! Abraços a todos!
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Eu concordo que se nós extrairmos violência e sexo poucos escritores se sustentam. Contramão, por exemplo, torna-se uma viagem de carro importado de Porto Alegre ao Uruguai. No Rato, vamos ter um jovem cerceado em sua própria casa por inquilinos que se negam a pagar aluguel (o que me parece interessante, mas já foi utilizado até por Hollywood). Eu acredito que o Rato também se diferencia na forma como é trabalhado. O Rato não é nenhuma obra prima, mas funciona bem. Os Detetives Selvagens é considerado uma obra prima da literatura mexicana e também enche o saco do leitor com numerosas cenas que gravitam em torno do pau do narrador(na primeira parte).
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Gostei muito da resenha da Luciana!
Li ”Rato” três vezes e escrevi sobre ele no meu blog.
Também entrevistei o Luís Capucho.
Não li ”Contramão”.
Acho que já está mais do que na hora de autores como Luís Capucho aparecerem por aí…
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Ah, AGORA sim, isto é uma resenha de respeito. Não deixa os motivos do voto no ar, como a primeira, nem o resenhista passa metade do tempo falando do próprio vício oral (o de fumar, gente), como a segunda.
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Rato está sendo superestimado desde o início aqui na Copa, até agora não entendi o motivo. Se Contramão consegue ser pior que o livro de Capucho, nem vou me dar ao trabalho de lê-lo, já que perder tempo com Rato foi o bastante.
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Parece que ‘visceralidade’ tem algo diretamente relacionado a boa literatura, segundo alguns comentários aqui neste espaço.
O que me faz concordar com o Mauro Judice em certos pontos. Principalmente no que diz respeito a toda essa “rebeldia”.
Nada contra, claro. Só me vejo fazendo parte de um segmento de leitores que quer boas histórias independente das vísceras utilizadas em sua concepção.
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Não li nenhum dos livros, mas me parece evidente que “Rato” é o romance de claque mais atuante nesta Copa. Desde a pré-seleção o livro recebe elogios desmesurados, como se fosse uma absoluta obra-prima da literatura brasileira – ou, o que é mais provável, como se os amigos do autor tivessem resolvido dar uma forcinha para “bombar” o livro na competição. Repito: não li, logo não posso avaliar. Mas desconfio um pouco desse tipo de exaltação forçada.
Sei que é impossível reunir todos os lançamentos, mas acho uma pena que bons romances (como “A chave de casa”, “Longe de Ramiro” e “Antonio”) não tenham tido espaço nessa Copa, talvez por não terem uma torcida tão barulhenta.
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Estou com um pé atrás com esse Rato, mas não tenho dúvida que a resenha da Luciana ficou ótima.
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“O romance é por vezes de uma animalidade que nos coloca diante do que se é como corpo em estado bruto, sem o melindre das roupas fazendo ver o que está sob o calção ou por trás da fechadura de porta de banheiro.”
Nossa… pelo jeito a idéia de boa resenha mudou nos últimos tempos e eu não fui avisado. Parece que basta construir comparações e metáforas ligadas por coisas como “diante do que se é como”???.
Um dos chavões da crítica universitária é escrever “o feminino”, “o marginalizado”, esta resenha vai pelo caminho do:
“O masculino, aliás, é uma das chaves de leitura deste romance:”
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Ao contrário do que me dei ao trabalho de ler nas linhas acima, não costumo favorecer amigos. Luís Capucho é o maior escritor vivo do Brasil. De sua estatura, antes, ainda, havia apenas Machado de Assis e Clarice Lispector.
A obra de Luís, entretanto, não podia ser mais contemporânea, porque seu narrador se confunde com ele mesmo, sem cair no recurso fácil da autobiografia. Este, contudo, não pode desprezada em se tratando de Luís Capucho. Sua vida é tão plena de encruzilhadas e interseções insólitas, que um de seus críticos aqui, Mauro Judice, ostenta o sobrenome de seu pai ilegítimo. Luís Capucho é filho de um Judice. Quem sabe não é o senhor acima?!
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O “Rato” é uma viagem, obviamente subterrânea, porém cheia de ar. Um ar quente e aprisionado, mas ar…azar de quem não gostou do resultado. Li o “Contramão”. Não fico falando/criticando sem conhecer o assunto. O “Contramão” é ótimo, mas não tem carne.
E literatura precisa de carne. Botar espírito e alma é fácil. Quero ver botar carne na parada.
Parabéns pela vitória Capucho!!!
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Lourenço disse:
“Parece que basta construir comparações e metáforas ligadas por coisas como “diante do que se é como” ”
Achei q os formalistas tinham debandado.
Lourenço, ela se expressou de um jeito peculiar, eu sei, mas tem todo um conteúdo ali – um conteúdo q talvez não pudesse ser expresso de outra forma sem modificar o q a resenhista quis dizer.
Live and let live.
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“Luís Capucho é o maior escritor vivo do Brasil. De sua estatura, antes, ainda, havia apenas Machado de Assis e Clarice Lispector. ”
Uau. Adoro o bom senso das pessoas…
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Luis Capucho é o maior escritor vivo do Brasil? Pelamordedeus. Não pode ser sério. Dá-lhe claque. Estou me sentindo em um episódio de Os Trapalhões. (Sou o Sargento Pincel. Acabei de receber uma torta na cara). Tã rã nã nã nã nãããã nããããã / Tã rã nã nã nã nãã nãã nããããã / Tã rã nãã nãã nãã.
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Não li “Rato”, mas, independentemente do resultado da votação, digo com segurança que “Contramão” é um excelente livro. Publiquei, inclusive, um texto sobre ele no Digestivo Cultural, no começo deste ano: http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2483. Recomendo fortemente a sua leitura. Empolga, prende a atenção e mostra um ficcionista talentoso, com domínio da técnica literária e do suspense, e que é muito bem sucedido nas suas intenções. Foi uma leitura excelente. Lamento que a obra tenha perdido a partida, mas respeito o veredito da jurada.
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excelente resenha, do início ao fim. discutir o resto ou os comentários é besteira. espero que os juízes continuem com essa boa crítica.
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O Capucho tem amigos dedicados, disso ninguém duvida. E claro que amigos sempre podem ser recíprocos. Imagino que em uma das próximas edições um livro de Mathilda Kóvak competirá e claro que Capucho virá à baila dizer que a sra. Kóvak é a melhor escritora brasileira como é a melhor desde Shakespeare (pois como todas as pessoas de bom senso sabem, Shakespeare foi mulher).
Aliás, desconfio que alguns escritores estão comentando sob pseudônimo…
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[O comentário #13221 será citado aqui]
edu lontra para a ABL, precisamos de pessoas com carne!
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ah, vocês viram o blog da Mathilda Kóvak?
Precisam publicar aquilo. Gênio.
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Basta entrar no blog dessa Mathilda Kóvak, dar crtl+f e localizar Capucho. Eles são amigos mesmo. Tá explicado tamanho exagero emitido por essa senhora.
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O bom é que não está tão difícil assim separar o joio do trigo: consegue-se distinguir claramente os “marqueteiros” amigos do autor dos leitores com opiniões sinceras do que acharam do livro.
Apesar de não concordar com o resultado da partida, a resenha da Luciana soa como a de um leitora com opinião sincera, enquanto vários comentários, desde antes da CLB começar, indicam puro marketing de guerrilha.
O que soa chato é saber da influência e pressão que tanto barulho, feito por tão poucos, pode exercer sobre as próximas partidas. Eu sinceramente ficaria decepcionado se isso acontecesse.
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“Ao contrário do que me dei ao trabalho de ler nas linhas acima, não costumo favorecer amigos. Luís Capucho é o maior escritor vivo do Brasil. De sua estatura, antes, ainda, havia apenas Machado de Assis e Clarice Lispector”
Luis Capucho pode ser um bom escritor. O Rato po de ser melhora que contramão. Rato pode até vencer a CLB. Mas este comentário é um desrespeito imenso com Literatura Brasileira e seus autores. Exceto eu porque sou mediocre mesmo.
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“Luís Capucho é o maior escritor vivo do Brasil. De sua estatura, antes, ainda, havia apenas Machado de Assis e Clarice Lispector.”
Qdo li isso, ri.
Qdo suspeitei q era sério, gargalhei.
Caso confirme q É sério, posso ter um piripaque de gargantalhar.
Não é nem pela hipérbole na comparação; é pelo próprio conceito de “maior escritor”. É como acreditar q exista “o melhor alimento” ou “o melhor abajur” ou “a melhor gaveta”.
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“Luís Capucho é o maior escritor vivo do Brasil. De sua estatura, antes, ainda, havia apenas Machado de Assis e Clarice Lispector.”
Isso é piada.
O cara pode até ser bom, embora esteja eu empacado tentando lê-lo, porque não flui.
Agora essa claque, é comédia.
Só resta rir como o ilustre Doutor Plausível.
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Em primeiro lugar meus cumprimentos pela crítica da Luciana Araujo. Com certeza leu os dois livros com atenção e dedicação.
Não li “Contramão”, mas li “Rato”, como já havia lido “Cinema Orly” do Luis Capucho. Gosto muito dos dois livros. É literatura de sutileza.
Não há problemas em se ‘comparar’ livros tão distintos. Creio que o julgamento na Copa de Literatura deveria ser ‘o quanto o Autor consegui realizar de seu propósito literário’, ou seja, se é uma texto com mais gols do que bola na trave.
Parabéns ao Capucho e a Luciana.
Ana Maria Santeiro
AMS Agenciamento
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