Copa de Literatura Brasileira

Repescagem

O filho eterno jogo 16 Rato

Jurado: Luiz Antonio de Assis Brasil

Prezados desportistas literários: em campo Rato, de Luís Capucho, e O filho eterno, de Cristovão Tezza. O tempo estará sujeito a chuvas e trovoadas. Soa o apito inicial.

***

Rato, de Luís Capucho, é uma narrativa que inicialmente privilegia o espaço, descrito sob o ponto de vista de um narrador-protagonista. Sem se nomear ao longo do relato, o rapaz começa por detalhar o entorno, para, em seguida, esmiuçar “Cabeça-de-porco”, apelido do casarão, e cada um dos sobreviventes que o habita. Nesse sentido, a ilustração da capa funciona como convite ao leitor (extra e intratextual) para subir as escadas e entrar no recinto, a fim de percorrer as peças constituintes de “Cabeça-de-porco”: um a um, os moradores lhe serão apresentados. Ademais, a capa denota outra especificidade: o foco apontado para o canto inferior da entrada. Precisamente na página vinte e nove, o leitor dá-se conta do motivo pelo qual a visão narrativa é direcionada de baixo para cima: “Eu sou um rato. Saio da toca sobressaltado, rápido, para conseguir um pouco de comida, mas meu mundo mesmo é a toca.” É, pois, desse viés, sob uma perspectiva homoerótica, que narra o anfitrião. Vou chamá-lo assim, haja vista a posição de “superioridade” que ocupa como filho da responsável administrativa do casarão.

Antes de entrar, ele chama atenção para a sensação de lilás, cor da atmosfera que envolve o ambiente, associada ao cheiro exalado pelos homens. A seguir, o narrador abre o portão de ferro, apontando Peri, que mais adiante ele ressaltará: dei ao cachorro o nome do índio de José de Alencar. Já dentro da casa, descreve os quartos dos hóspedes, a sala, e a pequena peça onde ele e a mãe repartem um beliche, recebem amigos e cozinham.

O anfitrião mostra o primeiro quarto, ocupado por Júlio, alcoólatra de finais de semana; Gaúcho, marinheiro bonito; Carlos, marinheiro nordestino; Oliveira, bonachão expansivo; seu Verúcio, conserta-tudo. Para ele, os hóspedes são, primeiro, avaliados de acordo com o desejo sexual que lhe despertam. Assim, Gaúcho e Carlos, por seus portes físicos e sensualidade, ganham destaque em relação a Oliveira e seu Verúcio. No outro quarto, ficam Guilherme, moreno, alto, com bigodes; Valdir, extrovertido; Arthur, com seqüelas da poliomielite; Antônio, “baixinho, barrigudinho, sofre de ataques de epilepsia”; Amaral, “cara descomplicado”; Jofre, alcoólatra e Plínio, namorado do narrador. Desses, apenas Guilherme e Plínio excitam sexualmente o narrador. Os outros dois — Valdir e Arthur — contrapõem-se a ele e sua mãe, pois encabeçam a resistência ao pagamento do aluguel. Há ainda um quarto onde “moram dois caras estranhos”, e dois últimos aposentos em que residem Ernesto, sobre quem o narrador nada informa, e Nogueira, “velho de barriga enorme e redonda”. A descrição do alpendre e do quintal ocorre a seguir. Na profusão descritiva, a mãe do rapaz é revelada como “de uma bondade burra, irritante, mas a bondade sempre tem razão”. Além das personagens que habitam “Cabeça-de-porco”, o narrador relaciona-se com Ari e sua esposa.

Apresentar os moradores se revela como pretexto para o anfitrião mostrar a si próprio e confessar suas preferências sexuais. Imerso no ato confessional, maneira encontrada para ele manifestar queixas, o anfitrião não desincumbe com eficiência a tarefa a que havia se proposto, já que esquece a existência do leitor, antes convidado a ouvir sua história. Dessa forma, contamina o leitor o tédio que o rapaz afirma sentir acerca de tudo e todos.

O rato, digo, o narrador, não efetua trabalhos domésticos, nem os “considerados masculinos”, não gosta de jogo de futebol, pois é “relacionado ao universo masculino”. Entre o tédio e a vadiagem, o rapaz conta com o amparo financeiro da mãe, que ganha seu sustento lavando as roupas dos hóspedes, já que o dinheiro pago pelos aluguéis, ela repassa à proprietária do imóvel. Justamente aí se instaura o conflito da narrativa. Dona Creuza viaja a fim de visitar um parente hospitalizado; Valdir e Arthur se aproveitam de sua ausência para convencer os outros hóspedes a decretarem a suspensão definitiva do pagamento da locação. O narrador abrigara-se na casa de Ari e aguarda o retorno da mãe.

No entanto, o imobilismo não é o principal traço do protagonista, pois, diariamente, o rato e Plínio percorrem a cidade em busca de um espaço afastado onde possam manter relações sexuais. O desejo, ou o sexo — sua concretização —, portanto, é a mola propulsora da ação. Por conseguinte, na inter-relação do rapaz com as outras personagens, evidencia-se o egocentrismo como sua característica fundamental. Eis o grande entrave da narrativa, visto que não há avanço, nem retrocesso: o narrador continua a esperar, “Cristo pode voltar com seu generoso pau sob fralda de nuvens: bondoso, belo, balsâmico”. Assim, o rato sobrevive do furto do tempo.

***

O rato também está presente em O filho eterno, de Cristovão Tezza. Talvez o pequeno mamífero metaforize uma das diferenças entre as duas narrativas, pois “na biblioteca que o mestre deixou na ilha [...] o pequeno rato foi avançando com a voracidade de um arqueólogo, lendo um livro atrás do outro…”

Anos depois, o nascimento de um filho portador de Síndrome de Down é responsável pelo desencadeamento de vários conflitos — internos e externos — na vida do rato, agora um pai desempregado, que acalenta o sonho de se tornar um escritor. Engana-se quem se deixa envolver pela aparente simplicidade do fio narrativo de O filho eterno. A existência de fios paralelos, que garantirão o lastro necessário à tessitura narrativa, constitui o método maiêutico por meio do qual o passado vai desvelando o presente. Nesse processo, os livros, aqueles devorados pelo rato, farão a diferença.

Tomado pelo pânico inicial, o desejo do pai é de se livrar do filho, cuja autonomia está para sempre comprometida. Ele ainda não sabe que a existência se faz por elos que ligam um rito de passagem a outro. Não me refiro ao eterno retorno de um destino inexorável, mas às inúmeras experiências materializadas ao longo da vida. Logo, sem perceber, o pai que “sempre teve alguma ponta de dificuldade para lidar com o afeto” dedica-se ao menino. Paralelamente, entrega-se à escrita de livros, com futuro tão incerto quanto o do filho e o dele mesmo.

Aos dois anos e dois meses após o nascimento, Felipe ensaia os primeiros passos. “A linguagem, no entanto, se atrasa penosamente.” Consideradas as devidas proporções, o pai também trava um embate com a linguagem. Pela palavra impressa no papel intenta organizar o seu mundo. Para o menino, “o tempo será sempre um presente absoluto”. Enquanto cuida do filho, remexe no baú mnemônico e dali puxa as histórias vividas na adolescência e na juventude. O passado se transforma em presente, como também os espaços longínquos: Alemanha e os trabalhos clandestinos; Lisboa e a Revolução dos Cravos; Brasil, ditadura, os amigos daquele período com quem compartilhou sonhos. O resgate do passado significa a procura de peças que precisam ser encaixadas no mapa dos afetos.

Felipe, o pai descobre com o tempo, organiza seu universo pela afetividade. Então, é o afeto que o une às pessoas que o rodeiam, ao time de futebol, aos desenhos na televisão, aos jogos no computador, à pintura. Por sua vez, o menino demonstra amabilidade, mimetizando tanto a realidade circundante quanto os programas exibidos pelos meios de comunicação. Impedidas de desaparecerem, as dificuldades se atenuam, pois “[...] a tentativa de acompanhar o menino exerceu também uma influência inversa, a do filho sobre ele, também um pai com permanente dificuldade para a vida adulta madura, seja isso o que for, ele pensa, sorrindo”.

Assim simplificada, a narrativa O filho eterno perde parte do vigor, caracterizado pela linguagem contundente, que corta tal qual bisturi operando a autópsia da vida. Daí emergem as tramas paralelas cujos fios se entrelaçam à narrativa principal, dando-lhe consistência.

Todavia, mesmo em resumo tão exíguo, torna-se perceptível a semelhança e a diferença entre o narrador de Rato e o pai de O filho eterno. Se de início, ambos são egocêntricos, a necessidade de transformação do pai, bem como o modo catártico de que ela ocorre, diferenciam as narrativa analisadas, já que no final da história de Tezza, para pai e filho “[...] o jogo começa mais uma vez. Nenhum dos dois tem a mínima idéia de como vai acabar, e isso é muito bom.”

***

Finda a breve análise das duas narrativas, vamos ao resultado do jogo, com candidatos manifestando grande disparidade entre si. A ausência de uma trama bem elaborada, de narrador e personagens que denotem complexidade psicológica, compromete, inevitavelmente, a performance de Rato, de Luís Capucho. Seu adversário, O filho eterno, é o vencedor, ao revelar uma história muito bem construída. Embora o título remeta ao filho, o pai é a personagem sobre quem recai o foco da história. A partir de sua visão, são expostas — sem subterfúgios — as contradições imanentes ao ser humano. A personagem não somente convence o leitor como o cativa. Assim, percorrer com o narrador (e com o pai) as sendas da narrativa, em um contínuo desvelamento das incoerências denotadas no exame da geografia dos afetos, é uma grande compensação estética e, principalmente, humana.

O filho eterno
O filho eterno
de Cristovão Tezza

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41 comentários

    Excelente!

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  • Excelente! (II)

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  • (III)

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  • Concordo com o Sérgio Rodrigues sobre os problemas com a repescagem. Capucho e amigos fizeram campanha para que o livro entrasse na Copa e já antecipando fizeram outra campanha por mail e Orkut para a votação da repescagem:

    (25 abril)
    “Pedro Paz
    Rato – Luís Capucho
    oi, amigos,
    O Rato foi o mais votado na primeira etapa da COPA DE LITERATURA.
    E, agora ele ta na competição. Seu primeiro jogo será com o Contramão, do Henrique Schineider.
    Se o juiz apitar mal e o Rato sair de campo, ele poderá voltar na repescagem, se for o mais votado. Vote outra vez? Repasse esse e-mail para os amigos?
    é aqui: http://copadeliteratura.com/
    um beijo,
    obrigado,
    luís Capucho. ”

    Ou seja, se o juíz preferir o outro livro, ele “apitou mal”.

    Conseguira 154 votos para a repescagem, o primeiro lugar disparado. Enfim, essas campanhas não são proibidas, mas são feias.

    Outra coisa que não gostei com os admiradores do Capucho, foi que alguns sugeriram em jogos anteriores que ele perdem por homofobia. Eu levo esse assunto a sério, racismo e homofobia são ou deveriam ser crimes. O que leva ao seguinte problema:

    não gostar de “O Rato” = homofobia
    homofobia = crime
    (ou seja)
    não gostar de “O Rato” = crime

    Então vamos mandar os juízes que desclassificaram “O Rato” para a cadeia?

    O André Santanna chegou a escrever em um comentário:

    “Por que o Rato incomodou tanto? ”

    Quem disse que incomodou? Por que esse pessoal sente que está chocando o mundo? A Copa serve para mostrar muitas das bobagens que cercam a literatura brasileira.

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  • Curti muito ter participado da Copa de Literatura. Tive uma torcida, ué, o que não é nada mal para um jogo.
    Fiquei bastante satisfeito com o que foi dito sobre o Rato nessa resenha e na resenha da Luciana Araujo. A outra, a que o juiz saiu de campo e veio um substituto apitar, achei uma bobagem o que se disse, mas tudo bem, jogo e jogo e juiz é juiz.
    Devo apenas acrescentar que no mundo mínimo e claustrofóbico de meu Rato, não desesperar, ao menos, foi uma solução que achei mais proveitosa.
    É isso aí!
    valeu!

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  • Taí um jogo q li os 2 concorrentes. Apesar de concordar com o resultado, se o duelo fosse entre O filho eterno e Música perdida, votaria (novamente) no último.

    Provavelmente O filho eterno ganhe essa edição da CLB, e eu, q o classico como mediano, comum, pois não chorei tomando café, não vi tanta criatividade nem originalidade qto críticos, resenhas e prêmios vem alardeando, só tenho a lamentar q a literatura brasileira seja isso daí.

    Só para me justificar, terminei de ler O filho eterno ao mesmo tempo q o espanhol Os girassóis cegos, de Alberto Méndez, tb publicado em 2007, e a comparação foi inevitável. O filho eterno já está em minha lista de vendas e trocas de usados, enquanto Os girassóis cegos vou reler esta semana e não dou não empresto nem deixo olharem para ele por mto tempo.

    Mas é só uma opinião, e minoritária, então, sucesso na disputa (mas ainda torço por uma finalíssima entre O filho eterno e Toda terça).

    Só um porém: “A personagem não somente convence o leitor como o cativa”. Não foi bem o q ocorreu comigo, a sensação foi a da antipatia pelo protagonista. Aí sim, posso dizer q o Tezza conseguiu me provocar, mas só no começo do livro, qdo o foco sai do pai e passa para o filho, parece q algo se perde aí.

    1 abraço

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  • Túlio

    Aposto q vc já tá sendo chamado de homofóbico por esse seu comentário ae. Pra vc aparecer no Jornal Nacional como mau exemplo do politicamente correto, só falta dizer q não gostou do Rato. :)

    Eu mesmo, li, não gostei, e fui chamado de homofóbico pelo Capucho e pelos seus fãs por isso, mas q mais tarde me chamaram de viaaaaaadiiiiinho!!!!!! (palavra reproduzida igualzinha a utilizada pelo próprio Capucho), embora ele nunca me explicou se estava me xingando ou me elogiando.

    Tempos estranhos estes em q vivemos…

    1 abraço

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  • [O comentário #15215 será citado aqui]

    Esse comentário acima cita um email particular, ou ao menos enviado para outra pessoa que não o autor do comentário? Se for, a reprodução dele é um deslize ético bem típico do nosso tempo e do que a internet causou nas pessoas.

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  • Esse trecho que citei vem de um comunidade do orkut aberta. E era uma corrente de propaganda, para quem pudesse ver, então não tem nenhum segredo nisso.

    Ter torcida é legal. Mas ter uma organizada pelo autor e desferindo paulada em desafetos, não sei se é bom.

    Fui atrás da história do JML. Ele criticou “O Rato” e foi atacado pessoalmente por isso, inclusive chamado de preconceituoso:

    http://renansanves.blogspot.com/2008/05/o-rato-vai-roer-homofobia-do-brasil.html

    Li o texto de JML, é impiedoso com texto, mas não preconceituoso ou sexista:
    http://www.jefferson.blog.br/2008/05/rato-de-lus-capucho.html

    Mas voltando á resposta do apoiado do Capucho, há trechos assim:
    “‘A também cantora, compositora, escritora e não menos talentosa Mathilda Kóvak já afirmou que Luís Capucho ainda será reconhecido como um dos maiores autores de todos os tempos.”

    No fim do post, Capucho aparece para chamar o JML de “viado” e dá o alô para torcida:
    “obrigado, Renan, pelo texto invocado!”

    Enfim, acho que a Copa está sujeita à influência dessas torcidas organizadas e intolerantes. Mas tudo tem um limite. E a leitura acaba prevalecendo.

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  • Quando um livro vira bandeira, é inevitável que, durante esse processo, ele perca algum valor como literatura. São duas grandezas inversamente proporcionais. Fiquei com a impressão de que a torcida defende a causa, e não o livro. Espero que a obra preste um bom serviço à causa, mas a competição aqui é de literatura.

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  • Eu li Rato até o fim, mesmo achando o livro uma m…

    Rato é um livro que não sei como chegou tão longe. Quer dizer, sei, com campanha fura-bunda, que dizer, furibunda e torcida organizada internética, mas isso não apaga o fato de que ele passou no primeiro jogo contra um livro que eu, particularmente, achei bem interessante, apesar de alguns deslizes de construção ocasionais.

    Ops. Chamei de m. e não gostei. Será que serei acusado, além de homofobia, de coprofagia?

    Mas falando da resenha. Uma análise bem técnica, muito mais minuciosa e até acadêmica do que já vimos nessa copa. Particularmente gostei. Interessante que no jogo anterior O Dia Mastroianni ganhou justamente porque era um exercício de linguagem, sem apresentar nenhuma espécie de “transformação” no interior da narrativa. E agora Tezza passa por um livro justamente pelo motivo contrário (claro, no caso do Tezza o livro era melhor mesmo).

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  • Eu vou pedir a equipe de produção do CLB que vetem o nome do professor Assis Brasil, e o Sérgio Rodrigues também, na próxima edição. Os comentaristas ficaram de línguas amarradas. Cadê as polêmicas? Cadê o cafezinho no Starbuck’s? Cadê o palavreado chulo? O Excelente que eu escrevi no primeiro comentário até fez eco na sala de comentários vazia.
    Agora eu gostaria de ver um comentário do Assis Brasil a respeito da lebre levantada pelo Dr Plausível (que eu discordo) sobre o Filho Eterno ser um livro de contos trançados e que não se trata de uma obra de Ficção.

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  • Marco

    Eu iria até um pouco mais longe: pediria para os digníssimos apontarem quais seriam as qualidades literárias de O filho eterno se ele não fosse visto como uma autobiografia, mas como apenas uma ficção, um romance?

    1 abraço

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  • [O comentário #15333 será citado aqui]

    Uma coisa não invalida a outra. Enquanto não inauguram o Starbucks aqui do Rio (sim, isso virou uma obsessão), vou sair agora mesmo e tomar um café no Armazém do Café em homenagem à mais que previsível final que se aproxima.

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  • Alguma coisa vai mal — muito mal — com a cultura de nosso país, quando alguém reclama que não leu palavreado chulo numa resenha.
    Por outro lado, é estarrecedor verificar como o autoritarismo ainda impera na Terra de Santa Cruz: no momento em que alguém exige que se vete o nome de alguém (em vez de discutir as idéias desse alguém), está evocando o hediondo tempo da ditadura militar, com seus famosos expurgos e eliminações sumárias.
    É… ainda temos muito a aprender com a civilização.

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  • [O comentário #15374 será citado aqui]

    Caro Assis, espelharia o Brasil? O senhor não entendeu a ironia! Incrível, o senhor não percebeu a evidente ironia!!
    Um abraço.

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  • É, Assis Brazil, vou ter q concordar com o Jovelino: vc não “captou” a mensagem do Marcos.

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  • Ops, sorry.

    É “Brasil” e “Marco”.

    Esse meu teclado me mata de vergonha!

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  • Desculpa, Assis Brasil,
    Eu não tenho me saido muito bem com as ironias muito embora eu venha treinando muito. Mas o que eu quis dizer é que sua resenha está excelente e que dá pouca margem para polêmicas como outras que aconteceram nesta copa.
    Eu li os dois livros e concordo inteiramente com o senhor.
    Um abraço

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  • Caraca, o cara escreve um monte de livro, dá aula para escritores e não consegue ler uma ironia básica?! Meu país!!

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  • Se isso realmente fosse uma ironia, ninguém ia implicar com o comentário do Assis Brasil. O povo quer mesmo uma polêmica, quer mesmo brigar. Não tem nada de ironia nisso, é só a realidade.

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  • [O comentário #15398 será citado aqui]

    Renata, pois é, era ironia sim, e muito evidente…
    O Tezza vai ganhar a Copa, mas o mico do ano fica para o professor Assis Brasil.

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  • A ironia foi minha agora. Como o Marco disse foi irônico, isso é óbvio. Mas o que ele disse é a realidade. Se não fosse, esta caixa de comentários estaria tão cheia quanto a do jogo do André Sant’Anna.

    O mico do ano vai pra outro escritor, eu acho.

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  • Este comentário é interessante

    [O comentário #15398 será citado aqui]

    A nossa sociedade vive de polêmicas. Aqui no CLB não é diferente. Esta é a linha editorial do jornal nacional.
    Este pensamento do Assis Brasil ” É… ainda temos muito a aprender com a civilização”, mesmo que tenha partido do pressuposto equivocado, é extremamente válido. Eu procuro escrever na internet do mesmo jeito que eu falaria pessoalmente a vocês, mas as pessoas tende a se liberar demais tornando-se agressivas sem perceber ou deliberadamente. Falo isso porque não estou gostando deste tom de deboche que as pessoas comentam o comentário do juiz. Eu já cometi um equívoco igual a este quer dizer- pior – ao vivo. A pessoa estava me elogiando e eu não percebi porque na verdade eu estava na defensiva e com medo.
    E parafraseando o juiz acho que alguma coisa vai mal — muito mal — com a cultura da internet, mas paciência nós estamos aprendendo a conviver com esta liberdade afiada.

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  • Ter Assis Brasil fazendo uma resenha é um privilégio. É uma aula de leitura.

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  • Por gentileza André, daria para você colocar no fim da frase se é ironia, para que eu e o Assis Brasil possamos agradecer ou descer o pau?

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  • Então, Paulo, essa é questão: o sujeito escreve um texto bem cuidado, profundo e vocês estão interessados apenas na escorregadela quanto àquele comentário.

    Todo mundo aqui já entendeu mal algum comentário na vida, mas quantos aqui teriam a capacidade de escrever o que ele escreveu, de ler como ele leu?

    Leiam os dois livros, concordem ou discordem da resenha dele com argumentos. De resto, vão baixando a bola.

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  • Tem razão, André, toda a razão. Não está aqui mais quem falou. Voltemos ao debate literário, que é o que interessa. Achei interessante a indagação do Marco, sobre a questão do doutor, a respeito do livro de Tezza ser contos, com o adendo do JLM, para ficar mais rica a discussão. Alguém se anima a responder?

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  • Perfeita a resenha. Muito pertinente o comentário do André.
    Com estes oponentes na final, acho que já temos o vencedor da CLB 2008.

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  • Um livro pode ser considerado uma reunião de contos se há identidade (mesmo narrador, protagonista, problema etc.) e sequência entre eles? Não é uma das funções do bom escritor deixar um capítulo com começo-meio-fim – assim como na construção de um parágrafo e até de uma frase – oq talvez torne o capítulo semelhante ao conto?

    É uma questão a se pensar. Por um lado, ninguém chama Dom Quixote de uma reunião de contos, mas se olharmos pela ótica do Dr., seria. Por outro lado, O Desastronauta não tem cara de romance, apesar de todos os capítulos serem “quase” uma sequência da mesma história.

    Acho q a melhor forma de classificar se o livro é uma reunião de contos ou um romance é pela sensação q ele deixa no leitor. Em mim, O filho eterno deixou a sensação de ser um romance. Vai ver q a sensação no Dr. foi outra.

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  • Por hora só li o Filho Eterno, porque duas resenhas aqui, a despeito de umas polêmicas inócuas, me deixaram interessada.
    Não li o Rato, portanto, não consigo afirmar se um ou outro é melhor, mas posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que O Filho Eterno é grande, intenso e nevrálgico. A franqueza dela chega a assustar, gostei demais.

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  • ” a franqueza DELE”, digo.

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  • Desculpe por ressucitar uma polêmica já morta na caixa de comentários, mas só li agora… na minha opnião, não é que o Assis Brasil não tenha entendido a ironia, muito pelo contrário, não só a entendeu, como respondeu ironicamente…

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  • Site fantasma. Ouço só o vento soprando.

    Ou fechado para balanço.

    Ou de férias coletivas por causa da crise econômica.

    Ou …

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  • É que nem faroeste, Jefferson: o silêncio na cidade antes do duelo final.

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  • Eu li O Filho Eterno. É um livro sincero e emocional, mas não encontrei originalidade nem impacto nem grandeza e confesso não compreender o motivo de tanta badalação, que já começa a tomar contornos de rasgação-de-seda. A torcida atrapalhou, pois Toda Terça é muito superior. Na próxima copa, os próprios juízes deveriam decidir a repescagem, baseando-se na leitura dos livros ou nas resenhas.

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  • Talvez seja bom os juízes decidirem a repescagem. O Cão de Cabelo é muito fraco, mas parece que tem muitos amigos. O roto para fraco não serve, mas também foi eleito pelos amigos.

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  • [O comentário #15503 será citado aqui]

    Concordo totalmente contigo, Carlene.

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  • [O comentário #15509 será citado aqui]

    Gostei bastante da idéia de uma repescagem produzida pelos juízes. E, para torná-la um pouco mais complicada e, com isso, esperar que se torne mais interessante, sugiro que a Copa 2009 tenha duas repescagens: uma de juízes, uma de voto popular.

    E quem sabe o Lucas deva instituir um troféu especial para o vencedor pelo voto popular?

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  • Eu me enganei em relação à contagem, obrigado pelo toque educado, Marina. Mas a minha crítica ao AS é a mesma. Ele fez papelão ao votar no pior livro da partida. Você acha isso bom, “muito louco”, transgressor?

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  • Caro André,

    Eu errei ali, alguém me falou do seu texto e fui ver direto. Pensei que fosse o placar que você estava dando ao jogo. Uma confusão, não tenho orgulho dela

    Eu penso que é um erro menor comparado ao que você fez nessa Copa, que é um tipo um de idiotice orgulhosa, que se defende em forma de manifesto. Mas não vou prossseguir discutindo com você, a Copa não merece. Pode xingar a gosto sozinho.

    Desculpas ao demais leitores por ter trazido a questão. O comportamento do AS me revoltou, mas o que importa é o debate literário, não pessoal. Nisso eu errei feio e assumo. Vou acompanhar no proximo ano com certeza.

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