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	<title>Comentários sobre: Semifinais</title>
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		<title>Por: Dr Plausível</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2008/jogo-14/#comment-2178</link>
		<dc:creator>Dr Plausível</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 00:32:42 +0000</pubDate>
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		<description>Mauro Judice
Como vc sabe, &quot;vanguarda&quot; é só um termo inflado pra falar de pessoas q fazem diferente do q já foi feito. Na verdade, jamais houve nem jamais haverá um &quot;tudo pode, nada é proibido&quot;. Sempre q alguém vem com o papo de &quot;ir contra as convenções&quot;, eu sugiro q passe a dirigir apenas na contramão e a 100 por hora, pra ver o q acontece. Ou no caso de um escritor, lançar um livro inteiro com uma única palavra repetida 50 mil vezes. Quem apregoava q nada era proibido tava na verdade dizendo &quot;não proíbam a obra extremamente formulaica q inventei de fazer.&quot;

E olha q eu *gosto* de inconvecionices, hem. Tenho uns CDs aqui q só posso tocar qdo tou sozinho...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Mauro Judice<br />
Como vc sabe, &#8220;vanguarda&#8221; é só um termo inflado pra falar de pessoas q fazem diferente do q já foi feito. Na verdade, jamais houve nem jamais haverá um &#8220;tudo pode, nada é proibido&#8221;. Sempre q alguém vem com o papo de &#8220;ir contra as convenções&#8221;, eu sugiro q passe a dirigir apenas na contramão e a 100 por hora, pra ver o q acontece. Ou no caso de um escritor, lançar um livro inteiro com uma única palavra repetida 50 mil vezes. Quem apregoava q nada era proibido tava na verdade dizendo &#8220;não proíbam a obra extremamente formulaica q inventei de fazer.&#8221;</p>
<p>E olha q eu *gosto* de inconvecionices, hem. Tenho uns CDs aqui q só posso tocar qdo tou sozinho&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: André</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2008/jogo-14/#comment-2190</link>
		<dc:creator>André</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2008 11:32:56 +0000</pubDate>
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		<description>Alguns comentaram aqui que o Filho Eterno é um exemplo de livro de sucesso entre crítica e público. Mas, até onde eu sei, ele não é ainda um livro popular, infelizmente. Até agora só se mostrou que uma obra quase consensualmente elogiada no meio da crítica e literatos, não consegue transformar isso em muitos leitores no Brasil. Quem sabe, aconteça para frente. Mas, acho isso desanimador que não tenha ocorrido até o momento.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns comentaram aqui que o Filho Eterno é um exemplo de livro de sucesso entre crítica e público. Mas, até onde eu sei, ele não é ainda um livro popular, infelizmente. Até agora só se mostrou que uma obra quase consensualmente elogiada no meio da crítica e literatos, não consegue transformar isso em muitos leitores no Brasil. Quem sabe, aconteça para frente. Mas, acho isso desanimador que não tenha ocorrido até o momento.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: mauro judice</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2008/jogo-14/#comment-2176</link>
		<dc:creator>mauro judice</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 20:33:47 +0000</pubDate>
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		<description>Mas, convenhamos, meus caros filósofos da modernidade, tá difícil achar uma vanguarda depois do “tudo pode” e do “nada é proibido”, hein? Qual vai ser a linha contestatória, qual vai ser a reivindicação se tudo pode, pois ninguém reivindica algo que esteja acessível. Qual vai ser a dialética, se não há mais antítese? Talvez, a única contestação seja reivindicar limites, delimitações, restrições para a arte e para o pensamento. Se for o caso, vai acontecer algo sem precedentes, uma vanguarda que não venha quebrar parâmetros estabelecidos, mas pedir para se reconstruir os antigos. Os vovôs vão sair às ruas, gritando, manifestando, provocando os jovens inanimados, a quem roubaram toda a possibilidade de rebeldia. Sim, porque a juventude vive um marasmo de dar dó. Que sacanagem! Tudo o que eles querem destruir, já foi destruído, tudo o que querem contestar já foi contestado. A moçada fica sem saber o que fazer, nada para criticar, nenhuma idéia demolidora que já não foi criada, ou todas coexistem ao mesmo tempo. Quando eles pensam que formam uma tribo inovadora, sui generis, deparam-se com outras dezenas de grupos com idéias igualmente revolucionárias. Por isso, as drogas estão na ordem do dia. Fumam ou cheiram, para saírem deste mundo sem graça. Talvez, um delírio mais criativo os leve para algum lugar onde reste um grupo reacionário, limitado e, ainda por cima, satisfeito com suas idéias.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Mas, convenhamos, meus caros filósofos da modernidade, tá difícil achar uma vanguarda depois do “tudo pode” e do “nada é proibido”, hein? Qual vai ser a linha contestatória, qual vai ser a reivindicação se tudo pode, pois ninguém reivindica algo que esteja acessível. Qual vai ser a dialética, se não há mais antítese? Talvez, a única contestação seja reivindicar limites, delimitações, restrições para a arte e para o pensamento. Se for o caso, vai acontecer algo sem precedentes, uma vanguarda que não venha quebrar parâmetros estabelecidos, mas pedir para se reconstruir os antigos. Os vovôs vão sair às ruas, gritando, manifestando, provocando os jovens inanimados, a quem roubaram toda a possibilidade de rebeldia. Sim, porque a juventude vive um marasmo de dar dó. Que sacanagem! Tudo o que eles querem destruir, já foi destruído, tudo o que querem contestar já foi contestado. A moçada fica sem saber o que fazer, nada para criticar, nenhuma idéia demolidora que já não foi criada, ou todas coexistem ao mesmo tempo. Quando eles pensam que formam uma tribo inovadora, sui generis, deparam-se com outras dezenas de grupos com idéias igualmente revolucionárias. Por isso, as drogas estão na ordem do dia. Fumam ou cheiram, para saírem deste mundo sem graça. Talvez, um delírio mais criativo os leve para algum lugar onde reste um grupo reacionário, limitado e, ainda por cima, satisfeito com suas idéias.</p>
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	<item>
		<title>Por: Drex</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2008/jogo-14/#comment-2175</link>
		<dc:creator>Drex</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 18:14:00 +0000</pubDate>
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		<description>Inelegíveis não, ilegíveis.

Resquícios das eleições... :-)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Inelegíveis não, ilegíveis.</p>
<p>Resquícios das eleições&#8230; <img src='http://copadeliteratura.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>Por: Drex</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2008/jogo-14/#comment-2174</link>
		<dc:creator>Drex</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 18:11:24 +0000</pubDate>
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		<description>Eita, mas a discussão por aqui melhorou muito desde o último post...

Na questão das vanguardas, fico confortavelmente em cima do muro e proponho uma visão mais conciliadora - nem tanto ao Marcos, nem tanto ao Lucas, talvez próximo ao AM.

Não vejo amesquinhamento, descrédito ou morte das vanguardas, como parece propor o Marco. Para mim, é simplesmente natural que elas sejam sectárias. Mas também nem mesmo creio que a boa vanguarda de hoje deverá receber o reconhecimento do establishment do amanhã, como entendi ser a visão do Lucas.

Acho que o papel da vanguarda é forçar uma espécie de dialética. Não é a vanguarda atual que vai se  perenizar como a linguagem distintiva da nossa época. Mas, no seu confronto com o &quot;tradicional&quot; de hoje, talvez se crie uma síntese intermediária que pode se tornar um novo patamar, um novo estágio para o considerado &quot;normal&quot;.

Diz a etiqueta atual que metáforas são bregas, mas insisto - talvez as vanguardas sirvam para alargar os caminhos, por onde passarão depois, com mais tranquilidade e com o terreno já preparado, as obras que realmente ficarão para a posteridade.

Vamos concordar que Reparação, do McEwan, seja mesmo uma obra-prima do nosso tempo. No mínimo, é um expoente do que podemos considerar a boa literatura de hoje. Mas Reparação, com todo seu tradicionalismo temático, se vale também de um jogo de perspectivas e de ferramentas narrativas que enriquecem o romance e que não seriam possíveis sem que antes alguns vanguardistas do século passado experimentassem com a linguagem e deixassem algumas obras quase inelegíveis.

São muito poucos os que escrevem a la Joyce hoje em dia, mas isso não quer dizer que não devemos nada a ele.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Eita, mas a discussão por aqui melhorou muito desde o último post&#8230;</p>
<p>Na questão das vanguardas, fico confortavelmente em cima do muro e proponho uma visão mais conciliadora &#8211; nem tanto ao Marcos, nem tanto ao Lucas, talvez próximo ao AM.</p>
<p>Não vejo amesquinhamento, descrédito ou morte das vanguardas, como parece propor o Marco. Para mim, é simplesmente natural que elas sejam sectárias. Mas também nem mesmo creio que a boa vanguarda de hoje deverá receber o reconhecimento do establishment do amanhã, como entendi ser a visão do Lucas.</p>
<p>Acho que o papel da vanguarda é forçar uma espécie de dialética. Não é a vanguarda atual que vai se  perenizar como a linguagem distintiva da nossa época. Mas, no seu confronto com o &#8220;tradicional&#8221; de hoje, talvez se crie uma síntese intermediária que pode se tornar um novo patamar, um novo estágio para o considerado &#8220;normal&#8221;.</p>
<p>Diz a etiqueta atual que metáforas são bregas, mas insisto &#8211; talvez as vanguardas sirvam para alargar os caminhos, por onde passarão depois, com mais tranquilidade e com o terreno já preparado, as obras que realmente ficarão para a posteridade.</p>
<p>Vamos concordar que Reparação, do McEwan, seja mesmo uma obra-prima do nosso tempo. No mínimo, é um expoente do que podemos considerar a boa literatura de hoje. Mas Reparação, com todo seu tradicionalismo temático, se vale também de um jogo de perspectivas e de ferramentas narrativas que enriquecem o romance e que não seriam possíveis sem que antes alguns vanguardistas do século passado experimentassem com a linguagem e deixassem algumas obras quase inelegíveis.</p>
<p>São muito poucos os que escrevem a la Joyce hoje em dia, mas isso não quer dizer que não devemos nada a ele.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Marco</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2008/jogo-14/#comment-2182</link>
		<dc:creator>Marco</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 12:54:46 +0000</pubDate>
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		<description>Lucas,

Concordamos em quase tudo e talvez tenha exagerado quando disse que os autores que citei eram profundamente conservadores. Mas são autores acessíveis, mais acessíveis, por exemplo, que Joyce ou mesmo Pynchon ou DFW. E são autores conservadores no sentido em que não fizeram nenhuma grande revolução de linguagem. Aliás, simplesmente não se preocuparam muito com isto, não se preocuparam em entrar para a história da literatura tentando inventar um novo jeito de contar uma história, mas simplesmente em saber contar bem uma boa história e se preocupar com esta história. É este fascínio que sempre sobreviverá da literatura: queremos ouvir boas histórias. É assim desde Homero. O que há de novo, no modo de contar uma história, em Reparação, de McEwan? Absolutamente nada. Poderia ser um romance do século XIX. E, ainda sim, é uma obra-prima.

E, discordando de você, a morte de DFW passou praticamente desapercebida. Rendeu uma notinha na Folha de São Paulo, nada na TV. Ele é um autor que, no Brasil, se cita em círculos mínimos (como o deste site) e, mesmos nestes círculos, quase ninguém leu. Seria infinitamente diferente da morte de um Roth ou um McEwan. Aliás, é um autor simplesmente não lido no Brasil - mesmo entre os críticos. E para mim, isto não é um defeito dos críticos brasileiros, nem mesmo um problema de falta de tradução, mas de um tipo de literatura que está datada, que tem uma cara de algo de não impressiona nem comove mais o público. E quando digo público, não estou pensando em massas, mas em nós, em você, no Sérgio Rodrigues, que tentamos acompanhar a literatura contemporânea.

Por fim, sem dúvida, o importante é ser bom e não a vanguarda pela vanguarda. E é a idéia da vangarda pela vanguarda que de fato morreu. Exceto, talvez, nas artes plásticas - mas alguém consegue realmente se sentir à vontade com as artes plásticas do nosso tempo? Sinceramente, não tenho mais o menor saco para ir à Bienal.

Duvido que a literatura que sobreviverá do nosso tempo seja a de Pynchon. Boa parte do interesse da imprensa sobre ele é sobre suas esquisitices e não sobre seus livros. Não sei que livros levaria para uma ilha deserta, mas certamente sei os que não levaria. Pynchon é um deles.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas,</p>
<p>Concordamos em quase tudo e talvez tenha exagerado quando disse que os autores que citei eram profundamente conservadores. Mas são autores acessíveis, mais acessíveis, por exemplo, que Joyce ou mesmo Pynchon ou DFW. E são autores conservadores no sentido em que não fizeram nenhuma grande revolução de linguagem. Aliás, simplesmente não se preocuparam muito com isto, não se preocuparam em entrar para a história da literatura tentando inventar um novo jeito de contar uma história, mas simplesmente em saber contar bem uma boa história e se preocupar com esta história. É este fascínio que sempre sobreviverá da literatura: queremos ouvir boas histórias. É assim desde Homero. O que há de novo, no modo de contar uma história, em Reparação, de McEwan? Absolutamente nada. Poderia ser um romance do século XIX. E, ainda sim, é uma obra-prima.</p>
<p>E, discordando de você, a morte de DFW passou praticamente desapercebida. Rendeu uma notinha na Folha de São Paulo, nada na TV. Ele é um autor que, no Brasil, se cita em círculos mínimos (como o deste site) e, mesmos nestes círculos, quase ninguém leu. Seria infinitamente diferente da morte de um Roth ou um McEwan. Aliás, é um autor simplesmente não lido no Brasil &#8211; mesmo entre os críticos. E para mim, isto não é um defeito dos críticos brasileiros, nem mesmo um problema de falta de tradução, mas de um tipo de literatura que está datada, que tem uma cara de algo de não impressiona nem comove mais o público. E quando digo público, não estou pensando em massas, mas em nós, em você, no Sérgio Rodrigues, que tentamos acompanhar a literatura contemporânea.</p>
<p>Por fim, sem dúvida, o importante é ser bom e não a vanguarda pela vanguarda. E é a idéia da vangarda pela vanguarda que de fato morreu. Exceto, talvez, nas artes plásticas &#8211; mas alguém consegue realmente se sentir à vontade com as artes plásticas do nosso tempo? Sinceramente, não tenho mais o menor saco para ir à Bienal.</p>
<p>Duvido que a literatura que sobreviverá do nosso tempo seja a de Pynchon. Boa parte do interesse da imprensa sobre ele é sobre suas esquisitices e não sobre seus livros. Não sei que livros levaria para uma ilha deserta, mas certamente sei os que não levaria. Pynchon é um deles.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: isaac</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2008/jogo-14/#comment-2185</link>
		<dc:creator>isaac</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 11:46:28 +0000</pubDate>
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		<description>lucas disse tudo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>lucas disse tudo.</p>
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	<item>
		<title>Por: lucas</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2008/jogo-14/#comment-2184</link>
		<dc:creator>lucas</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 11:42:20 +0000</pubDate>
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		<description>Marco, apesar de ser um dos esquizóides que gostam de Pynchon compartilho de algo do desconforto que você parece sentir diante da idéia de que a vanguarda é intrinsecamente melhor que o &lt;i&gt;mainstream&lt;/i&gt;. Mas não concordo com tudo o que você escreveu.

A discordância picuinha primeiro: entre os autores que você citou como profundamente conservadores pelo menos dois têm preocupações mais ou menos claras com um trabalho sobre novas linguagens. Vargas Llosa é o exemplo mais evidente (penso principalmente em &lt;i&gt;Pantaleão e as visitadoras&lt;/i&gt;, mas em &lt;i&gt;A cidade e os cachorros&lt;/i&gt; também existe essa preocupação), mas o meu segundo exemplo é justamente Philip Roth, que em alguns livros constrói uma narrativa sutil mas claramente distinta do &quot;padrão&quot; (penso na confusão entre relato e ficção de &lt;i&gt;Pastoral americana&lt;/i&gt; e no desfecho abrupto do mesmo livro). Por outro lado, escritores como Pynchon continuam recebendo muita atenção da crítica e vendendo muitos livros, e o impacto da morte recente de David Foster Wallace mostrou que a vanguarda ainda atrai muitos holofotes.

A discordância mais profunda é: será que a vanguarda &quot;não tem mais a mesma força&quot; ou nós simplesmente atribuímos a vanguardas passadas, que hoje viraram clássicos, uma força que seus contemporâneos não viam? Aqui penso em Proust tendo que pagar os custos da primeira edição de &lt;i&gt;No caminho de Swann&lt;/i&gt;, ou em Joyce penando para conseguir editar &lt;i&gt;Dublinenses&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Ulisses&lt;/i&gt;. É verdade que eles foram reconhecidos rapidamente, mas isso não tira do trabalho deles um caráter marcadamente vanguardista.

A vanguarda (ou pelo menos a parte da vanguarda que parece prestar para alguma coisa) de hoje está destinada a virar o padrão de amanhã: gastar páginas e mais páginas descrevendo a rotina de uma criança que se prepara para dormir, como Proust fez quase um século atrás, hoje não é motivo de troça nem de elogio. O perigo está em achar que a vanguarda se justifica simplesmente por ser vanguarda: não é por fazer algo novo que se está isento da obrigação de fazer algo bom.

Abraços,

Lucas</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Marco, apesar de ser um dos esquizóides que gostam de Pynchon compartilho de algo do desconforto que você parece sentir diante da idéia de que a vanguarda é intrinsecamente melhor que o <i>mainstream</i>. Mas não concordo com tudo o que você escreveu.</p>
<p>A discordância picuinha primeiro: entre os autores que você citou como profundamente conservadores pelo menos dois têm preocupações mais ou menos claras com um trabalho sobre novas linguagens. Vargas Llosa é o exemplo mais evidente (penso principalmente em <i>Pantaleão e as visitadoras</i>, mas em <i>A cidade e os cachorros</i> também existe essa preocupação), mas o meu segundo exemplo é justamente Philip Roth, que em alguns livros constrói uma narrativa sutil mas claramente distinta do &#8220;padrão&#8221; (penso na confusão entre relato e ficção de <i>Pastoral americana</i> e no desfecho abrupto do mesmo livro). Por outro lado, escritores como Pynchon continuam recebendo muita atenção da crítica e vendendo muitos livros, e o impacto da morte recente de David Foster Wallace mostrou que a vanguarda ainda atrai muitos holofotes.</p>
<p>A discordância mais profunda é: será que a vanguarda &#8220;não tem mais a mesma força&#8221; ou nós simplesmente atribuímos a vanguardas passadas, que hoje viraram clássicos, uma força que seus contemporâneos não viam? Aqui penso em Proust tendo que pagar os custos da primeira edição de <i>No caminho de Swann</i>, ou em Joyce penando para conseguir editar <i>Dublinenses</i> e <i>Ulisses</i>. É verdade que eles foram reconhecidos rapidamente, mas isso não tira do trabalho deles um caráter marcadamente vanguardista.</p>
<p>A vanguarda (ou pelo menos a parte da vanguarda que parece prestar para alguma coisa) de hoje está destinada a virar o padrão de amanhã: gastar páginas e mais páginas descrevendo a rotina de uma criança que se prepara para dormir, como Proust fez quase um século atrás, hoje não é motivo de troça nem de elogio. O perigo está em achar que a vanguarda se justifica simplesmente por ser vanguarda: não é por fazer algo novo que se está isento da obrigação de fazer algo bom.</p>
<p>Abraços,</p>
<p>Lucas</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Marco</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2008/jogo-14/#comment-2183</link>
		<dc:creator>Marco</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 10:50:18 +0000</pubDate>
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		<description>A.M,

Veja, a vanguarda, se não morreu, não tem mais a mesma força, pelo menos. Quem são os escritores idolatrados hoje? Roth, McEwan, Vargas Llosa, Coetzee, Godimer, Naipaul, para citar alguns favoritos da crítica (e alguns que ganharam o Nobel), não escrevem como Joyce, não estão interessados em romper linguagem, não são obscuros e não são herméticos. Aliás, é muito pelo contrário: do ponto de vista de linguagem, são profundamente conservadores. Os caras que ainda rompem, vamos lá, um Pynchon, são idolatrados por meia dúzia de esquizóides e a repercussão crítica de seus livros é infinitamente menor que a de um Roth. Ainda bem...

O mesmo aconteceu no cinema: o filme cabeça praticamente desapareceu. Inclusive da crítica. Inclusive da França. Ainda bem...

O mesmo na música erudita: nem mesmo os caras que eram radicais, como um Lutoslawski, voltaram a fazer as pazes com o público. Ainda bem... Quem ainda aguenta um Boulez do início ao fim?

Naturalmente, isto não é uma defesa de Paulo Coelho ou da cultura de massas mais tosca. Mas um certo mito, que a vanguarda acreditava, ruiu: durante a história, os visionários foram incompreendidos em seu tempo e compreendidos depois. Isto é uma falácia: a maior parte dos artistas que sobreviveram foram reconhecidos em seu tempo ou pouco tempo depois. Inclusive o maior de todos (e aqui sou partidário de Bloom): Shakespeare, que enriqueceu, ficou famoso, tinha grande apelo popular, com peças que também tinham preocupações pra lá de comerciais...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A.M,</p>
<p>Veja, a vanguarda, se não morreu, não tem mais a mesma força, pelo menos. Quem são os escritores idolatrados hoje? Roth, McEwan, Vargas Llosa, Coetzee, Godimer, Naipaul, para citar alguns favoritos da crítica (e alguns que ganharam o Nobel), não escrevem como Joyce, não estão interessados em romper linguagem, não são obscuros e não são herméticos. Aliás, é muito pelo contrário: do ponto de vista de linguagem, são profundamente conservadores. Os caras que ainda rompem, vamos lá, um Pynchon, são idolatrados por meia dúzia de esquizóides e a repercussão crítica de seus livros é infinitamente menor que a de um Roth. Ainda bem&#8230;</p>
<p>O mesmo aconteceu no cinema: o filme cabeça praticamente desapareceu. Inclusive da crítica. Inclusive da França. Ainda bem&#8230;</p>
<p>O mesmo na música erudita: nem mesmo os caras que eram radicais, como um Lutoslawski, voltaram a fazer as pazes com o público. Ainda bem&#8230; Quem ainda aguenta um Boulez do início ao fim?</p>
<p>Naturalmente, isto não é uma defesa de Paulo Coelho ou da cultura de massas mais tosca. Mas um certo mito, que a vanguarda acreditava, ruiu: durante a história, os visionários foram incompreendidos em seu tempo e compreendidos depois. Isto é uma falácia: a maior parte dos artistas que sobreviveram foram reconhecidos em seu tempo ou pouco tempo depois. Inclusive o maior de todos (e aqui sou partidário de Bloom): Shakespeare, que enriqueceu, ficou famoso, tinha grande apelo popular, com peças que também tinham preocupações pra lá de comerciais&#8230;</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: AM</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2008/jogo-14/#comment-2132</link>
		<dc:creator>AM</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 01:28:12 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://copadeliteratura.com/?p=342#comment-2132</guid>
		<description>Marco, queria comentar algumas coisas em seu comentário: vc diz:

&quot;existe um certo sentido meio mesquinho de apreciar arte que vejo aos montes por aqui: entender aquilo que agrada o público, que ganha prêmios não pode ser bom. Em parte, é um resquício meio moribundo da idéia da vanguarda - só o que rompe seria bom, só aquilo que não agrada o grande público tem valor estético.&quot;

Eu me reconheço um pouco aí, há algo de elogio vanguardista em meus gostos, de paixão pelo que é obscuro. Não acho que isso é critério de definição do interesse, mas reconheço que isso polariza meu interesse com freqüência.

Mas eu não acho que isso me amesquinhe. Eu curto lixo tb: curti O Nome da Rosa, p ex, e muito. Dá pra ter as duas coisas, the more the merrier etc. Mas o dia em que eu encontrar, sei lá, as meninas no metrô que sempre estão lendo Paulo Coelho lendo Bulgakov, ou Danilo Kis, pô, vou arrepiar.

&quot;Felizmente, esta idéia praticamente morreu. E endosso as palavras de Sérgio Rodrigues, quando postou sobre a vitória de O Filho Eterno no Portugal Telecom - agradar a público e crítica é possível sim. É raro e normalmente acontece com os grandes mestres.&quot;

Será que morreu mesmo? Eu acho que eu sou de uma vertente moderada, mas imagino que tem gente pacas, principalmente quem passa por escolas de humanidades, que vai por aí, que incorpora esse critério de high-brow. Qdo meus amigos demonizam Santiago Nazarian sem tê-lo lido, estão fazendo isso. Qdo alunos me perguntam se André Sant&#039;Anna (ou Paulo Coelho, pra esse argumento dá na mesma) &quot;é literatura mesmo&quot; estão indo, creio, numa direção semelhante. Ou não?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Marco, queria comentar algumas coisas em seu comentário: vc diz:</p>
<p>&#8220;existe um certo sentido meio mesquinho de apreciar arte que vejo aos montes por aqui: entender aquilo que agrada o público, que ganha prêmios não pode ser bom. Em parte, é um resquício meio moribundo da idéia da vanguarda &#8211; só o que rompe seria bom, só aquilo que não agrada o grande público tem valor estético.&#8221;</p>
<p>Eu me reconheço um pouco aí, há algo de elogio vanguardista em meus gostos, de paixão pelo que é obscuro. Não acho que isso é critério de definição do interesse, mas reconheço que isso polariza meu interesse com freqüência.</p>
<p>Mas eu não acho que isso me amesquinhe. Eu curto lixo tb: curti O Nome da Rosa, p ex, e muito. Dá pra ter as duas coisas, the more the merrier etc. Mas o dia em que eu encontrar, sei lá, as meninas no metrô que sempre estão lendo Paulo Coelho lendo Bulgakov, ou Danilo Kis, pô, vou arrepiar.</p>
<p>&#8220;Felizmente, esta idéia praticamente morreu. E endosso as palavras de Sérgio Rodrigues, quando postou sobre a vitória de O Filho Eterno no Portugal Telecom &#8211; agradar a público e crítica é possível sim. É raro e normalmente acontece com os grandes mestres.&#8221;</p>
<p>Será que morreu mesmo? Eu acho que eu sou de uma vertente moderada, mas imagino que tem gente pacas, principalmente quem passa por escolas de humanidades, que vai por aí, que incorpora esse critério de high-brow. Qdo meus amigos demonizam Santiago Nazarian sem tê-lo lido, estão fazendo isso. Qdo alunos me perguntam se André Sant&#8217;Anna (ou Paulo Coelho, pra esse argumento dá na mesma) &#8220;é literatura mesmo&#8221; estão indo, creio, numa direção semelhante. Ou não?</p>
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