Copa de Literatura Brasileira

Quartas de final

Na multidão jogo 11 maisquememória

Jurada: Simone Campos

Na multidão não é um livro excepcional. É apenas agradável. Mas aqui e ali dá para perceber indícios do porquê de Luiz Alfredo Garcia-Roza ser cultuado. Os ingredientes são claros: um detetive carismático, um mistério, cenas de ação e de sexo, aqui e ali uma cena prosaica para manter o ritmo, ou uma reflexão nem profunda demais, nem adolescente demais, e que escapa da auto-ajuda por ser aplicável à situação muito particular de Espinosa, ou de outro personagem, naquele momento. Algumas dá vontade de guardar e reler. Isso ajuda na conexão entre leitor e personagem.

É um livro centrado em dois personagens, Espinosa e Hugo Breno, com trocas freqüentes de ponto de vista. Espinosa conta com a vantagem de uma apresentação a longo prazo, uma caracterização proveniente de livros anteriores, mas que não deixa (nem poderia deixar) de ser reforçada neste. Hugo Breno soa um tanto robótico em suas rotinas, já que é caracterizado de dentro para fora. O mundo visto por ele se parece com uma gigantesca engrenagem, o que pode ser cansativo para quem não compartilha de suas manias. É meio forçado o desenvolvimento de Vânia, amiga e possível amante de Irene, a namorada de Espinosa. Vânia não se resolve, parece estar ali só para apimentar a história e encher lingüiça. Poderia servir como uma espécie de contraponto a Hugo Breno, mas não passa de uma Mulher MacGuffin, distraindo o leitor enquanto o autor prepara novas surpresas nos bastidores.

De início, Garcia-Roza lança mão de um narrador onisciente não-confiável, uma espécie de deus mentiroso, para só depois passar a restringir esta consciência às de Espinosa, Hugo Breno e outros. É notável como o diálogo reproduzido logo no primeiro capítulo entre o caixa e a aposentada será reconstituído depois — por outro narrador não-confiável! —, “descobrindo-se” que as coisas realmente ditas foram bem diferentes das relatadas ao leitor no começo. A memória engana, e para reproduzir este fato, Garcia-Roza manipula a memória fraca de Espinosa, só permitindo que seu esforço mental alcance determinados detalhes de sua infância quando isso se encaixa no momento narrativo que pretende criar. Este recurso implica em sentimentos ambíguos: talvez por deformação profissional, identifiquei logo de primeira o que o autor pretendia e senti mecanicidade no personagem. Leitores menos imersos no ofício talvez não sintam este travo.

Há também um número considerável de tramas auxiliares e nuances mais profundas que não são completamente elucidadas — algumas para o mal, outras para o bem. Dou um exemplo de cada. O leitor fica sem saber qual era a de Vânia, vendo-a apenas pelas lentes de Espinosa; é uma ponta solta que poderia ter sido melhor costurada com a ajuda da personagem Irene. Talvez, por algum motivo, o autor tenha evitado entrar na pele das personagens femininas mais jovens. Já o fato de um personagem importante das lembranças de Espinosa não ter sua identidade revelada deixa uma porta aberta — o próprio detetive pode ser esse personagem — e enriquece a história.

O final me soou abrupto e, ao mesmo tempo, adequado, com seu gracejo metalingüístico. Mas há sempre uma necessidade de se respirar depois do pico de ação de uma narrativa policial, e em Na multidão esse respiro foi um tanto curto — embora seja, até onde sei, uma inovação, por puxar o tapete do leitor, trair suas expectativas. A ambigüidade permeia este livro, coalhado de mecanismos que tanto podem ser julgados excelentes como péssimos, às vezes ambos ao mesmo tempo. Metalingüisticamente me ocorre que, tal como as dúbias femmes fatales do romance policial clássico, este possa ser um livre fatal. Quizás, quizás, quizás… Na opinião desta juíza um romance razoavelmente legível e envolvente. O que não é o caso do seu concorrente.

Marcelo Backes escolheu um determinado recurso para narrar seu livro maisquememória, talvez procurando torná-lo mais palatável, talvez querendo acrescentar um ingrediente mais (afro-)brasileiro à tradição do diário de viagem. Há um cavalo, que seria o eu lírico do autor, e o seu cavaleiro, espécie de caboclo irreverente que narra a maior parte do romance. Esse recurso é subutilizado: os dois concordam demais. Digladiam-se pelo palco, mas têm as mesmas idéias de fundo (como um certo antiamericanismo). A própria entidade assume que já discordaram mais anteriormente, durante a adolescência missioneira do cavalo; no tempo da viagem pela Europa, a cumplicidade é quase total.

O cavaleiro gosta de se embebedar, de comer mulheres bonitas, de praticar pequenos atos de transgressão, de cavoucar semelhanças entre sua trajetória e as de personagens de vulto, além de esbravejar contra desafetos pessoais (sob apelidos facilmente reconhecíveis). O cavalo pratica intromissões mais acadêmicas. Acaba-se por conhecer melhor o cavaleiro, que, enquanto ente sobrenatural, não sofre muitos percalços ou dúvidas existenciais. Lembrou-me o “Poema em linha reta” de Álvaro de Campos: “Toda a gente que eu conheço e que fala comigo / Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, / Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…”. Em sua boca, até a menção às raízes interioranas do cavalo tem um tom triunfalista. Só no final há um revés dos grandes (para ambos os narradores), mas já é tarde para conquistar nossa empatia. Se o objetivo era forjar um anti-herói, falhou. Colocando em termos cinematográficos, o cavaleiro pretende ser Ferris Bueller, mas soa como Jabba the Hutt.

Os trechos mais aproveitáveis são aqueles em que se sai do umbigo do(s) eu(s) lírico(s). São interessantes as interações com japonês, egípcio, sueca e alemães, cada um com sua idiossincrasia no ambiente sanitizado europeu, até por serem dos poucos a nublar o céu de brigadeiro do narrador. Porém, isso é uma fatia finíssima do livro. A maioria esmagadora das páginas se dedica a elucubrações internas em primeira pessoa, colóquios entre cavaleiro e cavalo, e pequenas intromissões expositivas deste último — didáticas a dar com pau, algo que já me incomodou no Um defeito de cor, ano passado.

O diário de uma viagem como essa, sem objetivo, de exploração indolente, pedia uma mão muito mais firme — senão a do autor, pelo menos a do editor. Não é que falte personalização na seleção dos dados de cada cidade. Ela falta, isso sim, no estilo com que estes são narrados (especialmente considerando o narrador entidade dionisíaca). Um dos poucos acertos foi aportuguesar os nomes das cidades que não têm nomes em português corrente. Às vezes o texto lembra um livro de História; às vezes, uma enciclopédia; ou ainda, um guia turístico. Sinta:

E que tal a Ilha dos Museus, com seus cinco importantes museus? Absolutamente imperdível. Bem mais que o imperdível e emblemático Portão de Brandemburgo, construído por Carl Gotthard Langhans segundo o modelo dos propileus da Acrópolis em Atenas, entre 1788 e 1791. Mas a história do célebre portão não pára por aí. Gottfried Schadow coroou-o com a Quadriga — com o coche e Eirene, a deusa da Paz — em 1793. Napoleão surripiou a deusa, coche e cavalos em 1806, levando-os para Paris. O marechal Blücher devolveu na mesma moeda em 1814, ao invadir Paris, e Karl Friedrich Schinkel transformou a dama cobiçada, com uma cruz de ferro na coroa de carvalho, na deusa da Vitória pouco mais tarde. A Alemanha Oriental fez tirar a cruz de ferro acusando nela um símbolo do militarismo alemão e, na restauração de 1991 — como se para provar a anexação de vez —, a cruz de ferro voltou para onde estava desde a derrota de Napoleão. No portão, a história da Europa…

Quando o escritor procura despejar toda a sua erudição ou pesquisa no texto, não só entedia quem já conhece as histórias como não impressiona quem ainda não as conhece. O leitor fica alijado do grand tour Europe de Backes.

Era essa mesmo a intenção, a julgar pela página 226, em que o narrador lamenta “não ser único no mundo” quando seu cavalo descobre, numa roda de amigos, que um deles também conhecia a cidadezinha obscura que mencionara. Aí tive a confirmação do que se insinuava desde as primeiras páginas: maisquememória é uma egotrip assumida, na qual o único papel que nos caberia seria o de baixar a cabeça e acatá-la — daí os vocativos, como ignorante leitor e inculto leitor, com que o narrador nos adorna. Mas nem todos os leitores têm prazer nessa auto-anulação. Talvez a literatura brasileira atual tenha muito autor dominador para pouco leitor submisso.

Torcer contra o protagonista é uma coisa; não querer saber mais da vida dele é outra, bem diferente. Senti um desejo quase incontornável de largar o livro logo no prelúdio (do próprio autor) que, página a página, foi se convertendo num desejo de atirá-lo longe — o que fiz efetivamente umas duas vezes, viva o livro objeto físico. Só pelo compromisso com a Copa e com a ética é que venci as 400 páginas de maisquememória, tão contrariada quanto uma Leia acorrentada.

Pode parecer injusto que um livro de ação como Na multidão concorra com um livro de inação como maisquememória. Mas me ocorreu que livros de inação precisam provocar comprometimento emocional no leitor, conquistá-lo, e este não o faz. É mais fácil escrever um livro de inação do que um de ação, mas é incomparavelmente mais difícil escrever um bom livro de inação. É por isso que tantos tentam e tantos fracassam.

Concorreram aqui dois autores cultos, mas um deles se preocupa menos em deixar isto patente para o leitor. Talvez ambos conheçam as técnicas para prender a atenção do leitor, mas apenas um se preocupou em utilizá-las. Um deles enreda o leitor com seus ardis, mas nunca o entedia ou irrita, mantendo-o sempre por perto; o outro decepciona desde o primeiro momento e só depois de resmas de decepção é que entrega um pouco do ouro. Por tudo isso, a vitória é de Na multidão.

Na multidão
Na multidão
de Luiz Alfredo Garcia-Roza

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54 comentários

    melhor resenha da copa até agora. não conheço nenhum dos livros, e tb não conhecia a resenhista, mas saio da resenha me achando razoavelmente bem informado sobre os três: ela descreve bem os livros, comprova suas opiniões com citações certeiras e deixa entrever com clareza suas próprias premissas e pontos de vista. lindo.

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  • A resenha está muito boa.

    [O comentário #13652 será citado aqui]

    Eu estava prevendo isto. Um livro meia-boca já foi o suficiente para dar um jogo de corpo em maisquememória.
    Mas é só a opinião de um ignorante leitor.

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  • Também achei ótima a resenha.

    Há um comentário dela,

    “Mas me ocorreu que livros de inação precisam provocar comprometimento emocional no leitor, conquistá-lo, e este não o faz. É mais fácil escrever um livro de inação do que um de ação, mas é incomparavelmente mais difícil escrever um bom livro de inação. É por isso que tantos tentam e tantos fracassam”

    o qual eu achei certíssimo, e que “bate” com o comentário que fiz lááá no 4º jogo.

    A vitória e o avanço de um livro apenas medianos entre tantos outros medianos dá uma mostra de que como anda fraquinha aliteratura brasileira contemporânea – salvo algumas exceções.

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  • Olá
    Excelente resenha. O fato de ‘Na multidão’ chegar até aqui nesta Copa mostra que a ficção policial, gênero para o qual muitos torcem o nariz, também pode ser interessante e bem escrita. Simone Campos, desculpe minha ignorancia, mas o que é Mulher McGuffin ?

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  • Simone, parabéns pela resenha, está ótima. E sem apelar para ou encher linguiça com metáforas futebolísticas.

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  • [O comentário #14061 será citado aqui]

    Patricia, McGuffin ou MacGuffin é um elemento que só serve para avançar a trama, sem que seu significado intrínseco seja explicado ou importante.

    Abraços,

    Lucas

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  • parabens simone. disparada, a melhor resenha da copa até agora. sem piruetas, nem maneirismos, nem exibicionismos, mas com criterios certeiros. enfim, uma resenha plausivel.

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  • Eu realmente NÃO entrarei no coral laudatório a Simone Campos. Li maisquememória e estou pasmo com a baixa qualidade da leitura realizada pela irritadiça Simone.

    É absolutamente óbvio criticar maisquememória pelo lado que ela o criticou, elogiá-lo é bem mais difícil, exige subir um nível acima, exige ver o seguinte: TUDO O QUE HÁ DE UMBILICALISMO É A PRÓPRIA CRÍTICA AO UMBILICALISMO, e não só ao umbilicalismo do autor-narrador, como o da literatura e do mundo…

    Fico pasmo de Simone não ter a capacidade de ler o livro CONTRA O NARRADOR.

    No fundo, ela está dizendo que se tem de condenar Machado por desencaminhar os leitores, na medida em que Brás Cubas e Bentinho, narradores em primeira pessoa, são canalhas… O narrador de maisquememória é quase tão canalha quanto Hubert Hubert e talvez devesse ter um caso de pedofilia para que Simone Campos finalmente entendesse.

    Uma leitura “mão pesada” pacas. E, atenção, autores, narradores mauzinhos podem ser jogados longe! Duas vezes!

    maisquememória poderia perder, claro, porém nunca pelos motivos alinhados pela pudenta e — avançando um pouco — tardia feminista Simone, a qual não logrou sair de seu bom mundo.

    Para finalizar, é absolutamente notável que a resenha não tenha tocado nas figuras de Oskar Kokoschka e Alma Mahler, os quais acompanham e ligam-se a história do autor-narrador. Certamente Simone ficou cega de ódio quando reconheceu um canalha machista no narrador. Sua sorte é que, antes de ler Brás Cubas ou Lolita, alguém deve ter lhe avisado que a narrativa estaria a cargo de seres desprezíveis.

    Na minha opinião, houve um problema de má leitura.

    Abraços.

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  • E MacGuffin é um termo criado por Alfred Hitchcock. Ele serve basicamente aos thrillers.

    É aquilo que todos procuram, aquilo pelo qual todos lutam para conseguir. Não interessa muito o que é. Hitchcock dividia seus filmes entre MacGuffins e Whodunits.

    Janela Indiscreta seria um whodunit, Intriga Internacional e Notorious, macguffins. O macguffin ou mcguffin são “a coisa”, ou seja, nada ou qualquer coisa.

    Paro por aqui, pois se for muito enciclopédico ou explicadinho posso sofrer restrições da dona do post…

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  • Milton, é equivocado pensar que Simone está reprovando a canalhice do narrador. Como ela mesma escreveu: “Torcer contra o protagonista é uma coisa; não querer saber mais da vida dele é outra, bem diferente.” Foi um problema que eu também senti no livro de Backes: o narrador, antes de ser canalha, é chato, um personagem desinteressante. As descrições das cidades são superficiais, esquemáticas, como se Backes tivesse tirado as informações de um mesmo guia de viagem para historiófilos (ele sempre começa falando do ano de fundação da cidade etc.); as divagações sócio-político-culturais são simplistas, com destaque para o antiamericanismo de butique; e o muito pouco que o narrador revela de si mesmo não basta para construir um personagem sedutor – embora o próprio protagonista esteja muito seguro do seu poder de sedução.

    Enfim, fiquei com as sensação de que maisquememória é mais um livro que tenta se sustentar exclusivamente sobre o estilo do texto, ignorando quase completamente a necessidade de se contar uma boa história. Só no finalzinho, como a Simone também observou, tem-se uma crise que gera um interesse mais profundo no que está sendo contado. Mas aí já é tarde.

    Abraços,

    Lucas

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  • Falar em “contar uma história” no ano de 2008 é estar uns dois séculos atrasado em literatura, filho…

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  • [O comentário #14068 será citado aqui]

    James, falar que contar uma história é estar uns dois séculos atrasado é estar uns setenta anos atrasado. Esse, aliás (e partindo para as declarações grandiosas), é um dos problemas sérios da literatura brasileira contemporânea: ignorar Philip Roth, Ian McEwan, Martin Amis, Coetzee, Jonathan Coe, David Mitchell, Günter Grass, Jonathan Lethem, Jonathan Franzen, Jonathan Safran Foer, Michael Chabon, Emmanuel Carrère e outros e achar que essa história de contar história está fora de moda. Por isso, aliás, concordo com a Patrícia Souza: é muito bom ver um livro policial – e que portanto se preocupa muito com o enredo – sendo levado a sério.

    Abraços,

    Lucas

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  • [O comentário #14068 será citado aqui]

    HAHAHAHAHA

    Faissucumigonão, Jêimiz.

    Até um manual de hidrotécnica conta uma história.

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  • Bem, Lucas, assim fica difícil. O personagem é chato; as descrições, esquemáticas — não são, estou com o livro na minha frente –; o antiamericanismo, de butique; as divagações sócio-político-culturais, simplistas — também não são, são divagações inteligentes e habituais em uma pessoa de esquerda. Você está colocando sua ideologia na questão, penso. É erro grave.

    Assim a discussão fica muito rala.

    “Torcer contra o protagonista é uma coisa; não querer saber mais da vida dele é outra, bem diferente.” É óbvio que ninguém atira um livro longe por achar o personagem principal chato. Simone sentiu-se evidentemente agredida. Tanto que teve um chilique, penso, repito, de feminista. De butique, para usar também terminologia rala?

    Marcelo conseguiu o que queria. Um dos méritos do livro é o causar reação. Se Simone descontrolou-se, problema da avaliadora.

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  • Milton, se a resenha fosse de um homem, não querer saber mais do livro seria um chilique, ou seria uma boa razão para criticá-lo? Sim, eu sou feminista de botique. Comprei meu feminismo em 3 prestações no cartão de crédito que meu pai me deu.

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  • Concordo com o Lucas. Para se criar um narrador/personagem cabotino, denunciando a mediocridade humana em cada atitude, raciocínio ou descrição dele, é preciso que a narrativa se sustente no ridículo que, se bem feito, revela a vida, se mal feito, revela a vida demais.

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  • Vou me juntar ao coro dos aplausos e aplaudir a Simone – que mais uma vez produz uma resenha lapidar, na qual expõe sua leitura com clareza, argumenta para atribuir valor diferencial, e se arrisca ao juízo que exibe. Que vergonha para o Nelson de Oliveira, aliás, deve ser ler uma resenha como essa, que tem a decência de fazer o que ele não fez aqui.

    Agora, claro, claro que não vai agradar a todos. A graça é essa. E, dirigindo-me ao Milton, digo que, embora eu pensasse em Sterne, p ex, ao ler o livro do Backes – e tb em Sebald, pensando naquilo como uma versão bufa de um periplo a la Austerlitz -, achei o projeto do Backes mal-sucedido. Me entediou. Culpa de ninguém, nem fato da natureza: basta que vc venha aqui argumentar, expor sua leitura, conversar que é até possível que, na eventual possibilidade de um outro comentario sobre o livro eu diga algo como “É, esse livro não funcionou pra mim por isso e por aquilo. Mas conheço um cara que o valorizou, partindo do pressuposto x ou y, e concluindo daí que z”. Isso pode rolar. Mas esse papo de “má leitura”, francamente. Toda leitura diferente da sua será má leitura? Isso tá por fora. Como estão por fora as alusões sexistas, a distinção de gênero. Isso não é argumento.

    E, Dr Plausível e Lucas, eu morri de rir com o comentarista (cujo nome esqueci, pedão) que falou que contar uma história tava por fora. Prezado crítico do legado narrativo ocidental, quem sabe se vc contar um pouco de sua história possamos lhe entender melhor. Fale-me sobre sua mãe.

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  • [O comentário #14076 será citado aqui]

    Meu metacomentário a isso é simples: a voz do Backes não funcionou. Para mim não funcionou. Outras, mais inverossímeis, até mais bizarras — o narrador de De Maistre, Charles de Zembla, etc — funcionam. Nem o título funcionou pra mim – embora, à primeira vista, antes da leitura, o livro tivesse muito para me interessar (literatura de viagem, unreliable narrator – coisas que curto).

    Isso é algo que ocorre na zona mais próxima da experiência da leitura: se funciona ou não, se lhe captura ou não, se provoca suspensão da descrença ou não etc. A posteriori, nós, entusiastas e profissionais da literatura, vamos encontrar razões pra isso. Mas quando a gente lê algo como maisquememória como eu li, é apenas como quando o carro não quer pegar de manhã e pensamos algo que é mais ou menos como “Que merda…”.

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  • Só uma coisa: lembro que o mestre Ricardo Lisias elogiou muito o livro maisquememoria no jornal…

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  • [O comentário #14068 será citado aqui]

    Parafraseando meu amigo Dr Plausivel:

    HAHAHAHAHA

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  • [O comentário #14068 será citado aqui]

    Que merda! Como é que ninguém nunca me disse isto antes! É por isso que eu não escrevo um livro que preste.

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  • [O comentário #14079 será citado aqui]

    Por favor, Mestre,
    Aonde o senhor dá aula? Eu estou precisando,

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  • [O comentário #14079 será citado aqui]

    Ricardo Lísias é o mesmo que escreveu na Entrelivros especial de Literatura latino-americana uma diatribe grosseira e ideológica contra Vargas Llosa falando mais de seu pensamento reacionário do que sua literatura? Desculpe, mas isso não recomenda o livro, muito antes pelo contrário.

    De resto, li os dois livros e não concordei com o resultado. Para mim essa mistura indistinta de gêneros e a voz pedante do narrador funcionaram, e acho que García-Roza já escreveu outros livros muito melhores que Na Multidão.

    Mas – tem sempre um mas – elogio sim a resenhista. Apresentou um ponto de vista com o qual não concordo mas esmiuçou argumentos que emanavam dos livros, teve a coragem de assumir suas posições e explicitá-las, mesmo que eu não concorde com elas no tocante à leitura de Maisquememória. Mas foi uma jurada de verdade, e não um picareta tentando soar moderninho perdendo metade de seu texto falando de boxe e fumódromo para depois não dizer nada e tirar o vencedor da cartola com uma reboladinha de vareta mágica.

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  • No jogo 6, o juiz Fábio disse sobre o maisquememoria:

    “o elemento que funciona como esteio para que o livro seja plural, mas não caótico, é o humor. Marcelo Backes, não há dúvida disso, conquista a simpatia do leitor com doses preciosas de cortante e eficaz ironia, um deboche na medida certa”

    Enquanto o Fábio elogia o humor do livro como decisivo para a vitória dele, a Simone nem toca no assunto. É pq esse humor lhe pareceu fraco, não lhe apareceu ou outra coisa qq, Simone? Oq vc diz do papel do elemento humorísco no texto derrotado? Gostaria de saber a tua opinião, se não for abusar.

    E, até certo ponto, concordo com o Milton Resende, afinal, um livro q te leva a joga-lo 2x longe tem algum mérito: ele “provocou” uma sensação forte na leitora, mesmo q seja a da extrema chatice.

    1 abraço.

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  • Sei não, acho que os elogios ao texto da vez só aconteceu pela mediocridade dos anteriores. Qualquer resenha de blog medíocre bate essa “Copa”, cheia de tanta sapiência e vozes exaltadas.

    O mesmo pode ser dito da grande maior parte dos livros. O Tezza deve ganhar por que os poucos adversários já ficaram pelo caminho.

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  • [O comentário #14075 será citado aqui]

    Juliana, leste o maisquememória? OK, a alusão sexista é de péssimo gosto, mas faz muito sentido. Acredito REALMENTE que um homem não teria o chilique. O narrador de Backes passa grande parte do tempo indo de mulher a mulher, atento apenas às novas experiências enquanto sua esposa não vem. É um livro contra o narrador, tão antipático, confiante e bem sucedido que chega a ser caricato.

    Simone Campos, em seu ódio ao narrador, levou tudo a sério, acreditando piamente na cumplicidade autor-narrador. Uma leitura de melhor qualidade detectaria que há uma ruptura nesta relação. Mas Simone — como uma católica lendo a Bíblia — acreditou numa autobiografia quando lia um romance.

    Uma pena.

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  • Milton, tendo lido o livro, e sendo homem, e mantendo minha consciência alerta para o fato de que não lia autobiografia, me entediei com o personagem, com a voz, com a deriva da trama.

    Charles Kinbote, um escrotaço, grandessíssimo filhodaputa, me fascina; o narrador de Sterne em Viagem Sentimental tb. Mas a voz do maisquememória nem chegou perto da voltagem de qualquer um dos dois.

    Paciência, penso: cada livro escolhe seus leitores. Mas se o livro tivesse caído em minhas mãos para ser resenhado, teria recebido um tratamento semelhante ao dado pela Simone, creio.

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  • Completando, Juliana: o tal “feminismo de butique” foi utilizado em resposta a quem tinha escrito que Backes sofria de “antiamericanismo de butique”.

    Agora, não sei se dá para comprar antiamericanismo no American Express.

    Abraço.

    ————————————————-

    AM,

    é óbvio que há diferentes leituras sobre a mesma obra, porém há limites. Acho que SC — mesmo detestando e entediando-se com o livro — poderia ter se dado conta de algumas coisas. Ela não é obrigada a gostar de livros escritos contra o narrador, mas penso que ela é obrigada a reconhecer isto. É apenas questão de atenção, não de mérito. E com raiva não há atenção, certo?

    Mas o mundo não vai acabar porque a leitura de Simone Campos foi desatenta e nem a condeno como má autora, etc. Ontem, procurei e li alguns textos dela por aí. São bons. Seu erro, EM MINHA OPINIÃO, circunscreve-se aqui.

    Não espero que vá convencer alguém, não sou a Razão, mas lendo todos os comentários não vejo motivo para alterar minha opinião.

    Abraços.

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  • Milton, esse seu ponto é bom: “com raiva não há atenção, certo?”

    Talvez eu discorde, pra manter aceso o debate – modulando a coisa, diria que há um tipo peculiar de atenção na raiva. Mas o Dr Plausível ia rir com isso, o que seria bom, seria um elogio – mas que me diz que estou forçando a barra. :)

    Tb aplaudo a civilidade do comentário e a sua implicação na resposta: é pra isso que estamos aqui, conversar sobre esse negócio, e eventualmente mudar de opinião e trocar umas certezas por outras.

    Tomara que o Nelson de Oliveira aprenda alguma coisa sobre a VIda Literária no Brasil no Século XXI com isso.

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  • “OK, a alusão sexista é de péssimo gosto, mas faz muito sentido. Acredito REALMENTE que um homem não teria o chilique. O narrador de Backes passa grande parte do tempo indo de mulher a mulher, atento apenas às novas experiências enquanto sua esposa não vem.”

    É, realmente uma mulher não deve ler isso não, onde já se viu? Um homem vai gostar, porque homens gostam de pular de mulher para mulher enquanto a esposa não vem; mulheres vão detestar porque não suportam esse tipo de safadeza. Como a vida é simples.

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  • Caro Milton Ribeiro,

    Não há limites. E é bom que não haja. Nunca.

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  • Milton,

    O que voce parece não entender é que uma mulher pode sim ler um livro em que o personagem principal é um canalha sexista e ser capaz de dizer que o livro é bom. Ela própria escreveu “Torcer contra o protagonista é uma coisa; não querer saber mais da vida dele é outra, bem diferente.” E a Simone Campos deixou claro o tempo todo que ela não gostou do livro. Achou chato, entediante, mal escrito. Se você amou esse livro por favor não projete sua frustação de vê-lo perder no seu ódio ao suposto feminsmo da Simone, que não existe no texto em lugar algum. Sua fala é tão sexista que eu não sei nem por onde começar a ter um common ground com você, porque sinceramente a minha impressão é que você vive há 2 séculos atrás e seu próximo passo é mandar a dona maria passar sua camisa. Me desculpe, mas eu estou completamente horrorizada com seu raciocínio. Você atribui o fato de ela não ter gostado só ao gênero, ou seja, você exclui a capacidade dela de ter um gosto pessoal, conhecimento de litarauta, capacidade de intepretação e uma compreensão para além do superficial. Você usa feminismo como xingamento. Você associa o feminismo a uma série de clichês que historicamente foram usados para detratar o movimento. Você assume coisas que não estão escritas em lugar nenhum para provar sua afirmação, e se basea somente em suposições que você faz a partir do fato dela ser mulher. Você literalmente chama o desgosto dela de chilique, o que simplemente despreza seu direito de não gostar de algo. Novamente, ela afirma “Talvez ambos conheçam as técnicas para prender a atenção do leitor, mas apenas um se preocupou em utilizá-las.” deixando claro que para ela o livro não era interessante. Mas você assume isso como um chilique, ou como um ódio que sinceramente eu não consegui ver expresso na crítica. Ou seja, pra você uma mulher ou fala sim para o que você pensa ou está louca dando um piti, provavelmente hormonal, não é? Pelo amor de deus. Eu nem sei mais o que falar. E não, eu não li lo livro e sinceramente ele não me interessou nem na resenha em que ele ganhou. Se o autor é seu amigo, sinto muito.

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  • Por falar em mulher. Parabéns para a mulherada. 100% de aproveitamento. Todas as mulheres que participaram desta copa apresentaram resenhas no mínimo muito boas

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  • Não achei o humor do livro engraçado, nem as provocações me provocaram. O que supostamente não era provocação — páginas de descrições intermináveis sobre cidades — é que me fez atirar o livro longe. Prefiro ler um bom guia turístico (que aliás, hoje andam bem perto da ficção – aquele livro do ca-na-lha do Kohnstamm).

    “Lolita” eu li com 15 anos d’après uma matéria sobre a relação do Nabokov com as borboletas, uma mania que eu também já tivera, e além disso a capa era bonitinha. Como podem perceber eu era uma ninfeta na época, então, cruzes, eu devia ter me sentido super ofendida, mas virei fã. “Lolita” e “Ada ou Ardor” é um dos meus livros preferidos (não gostei tanto de “Fogo pálido”. Devo ser homofóbica, certo?).

    Mas passando ao largo disso, gostei muito da discussão sobre contar histórias, e concordo com o Lucas: esse é um grande problema da literatura brasileira. Me parece que fazemos (me incluo nesse número) mil piruetas com a estrutura e a superfície do texto para mostrar que escrevemos “bem”, quando alguns de nós poderiam comunicar suas boas idéias perfeitamente se não tivessem tanto medo de que elas fossem entendidas. Vai que nos acham “banais”… Além desses, tem gente que usa as tais cabriolas para disfarçar a superficialidade das idéias de fundo, e aí fica um texto difícil E raso, ou seja, chato. Estou terminando um livro agora com isso em mente: relaxar e contar história. Isso em parte é por causa da Copa, que me permitiu ver e pensar as coisas por outro ângulo. Valeu.

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  • “‘Lolita’ e ‘Ada’ SÃO DOIS de meus livros preferidos…”

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  • “Me parece que fazemos (me incluo nesse número) mil piruetas com a estrutura e a superfície do texto para mostrar que escrevemos “bem”, quando alguns de nós poderiam comunicar suas boas idéias perfeitamente se não tivessem tanto medo de que elas fossem entendidas. Vai que nos acham “banais”… Além desses, tem gente que usa as tais cabriolas para disfarçar a superficialidade das idéias de fundo, e aí fica um texto difícil E raso, ou seja, chato.”
    Simone, que frase lapidar!!! Esta, vou registrar no meu blog, a conta de epíteto.
    Ei, Milton, se achar uma Dona Maria que passe suas camisas, como disse a Juliana, por favor, me empreste, que estou precisando de roupa passada pra ver se faço boa figura para uma destas garotas inteligentes (que apreciam trato, além da essência, claro).

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  • Todos nós sabemos a importância da simplicidade na literatura, mas como é bom fazer piruetas. Creio que não só na literatura, como na vida (na relação interpessoal) o importante não o que dizemos, mas como dizemos. E no “como” que separamos os monstros dos mortais. Agora “encher lingüiça” como se diz lá no sul é um dos grandes males do gênero romance q espero que esteja com os séculos contados. Outr coisa que me incomoda profundamente é a citação excessiva, a erudição sufocante. Espero que esta tb seja uma prática em desuso.

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  • Ai, jisuis, agora sou machista, sexista e minhas camisas são passadas por D. Maria.

    D. Maria Luiza, minha mãe, foi a primeira dentista formada no RS, em 1948. Nunca aceitou “empregar-se de esposa”, palavras dela. Se conhecesses as mulheres de minha vida e as que admiro, não dirias isso, Juliana.

    Porém, coitada de D. Maria — que hoje sofre de Alzheimer e nem reconhece mais seu filho –, teve um rebento que usa feminismo como xingamento (xingamento onde?, se houve algum, retiro agora e peço desculpas), que usa a palavra chilique sem saber que tal palavra é exclusiva para mulheres (????) Coitada da D. Maria, ter um filho desses!

    Já estamos longe do livro e da crítica, discutindo uns com outros, fantasiando — e mal — as posturas dos outros. Então, gostaria de apontar um trecho da crítica. Alguém poderia me explicar o texto abaixo, transcrito da resenha, dizendo no que ele discorda de minhas restrições? Há nele incompreensão sobre a separação entre narrador e personagem, há ressentimento, há raiva por uma pseudo-anulação e há, por fim, um chiliq… uma afirmativa descontrolada.

    “maisquememória é uma egotrip assumida, na qual o único papel que nos caberia seria o de baixar a cabeça e acatá-la — daí os vocativos, como ignorante leitor e inculto leitor, com que o narrador nos adorna. Mas nem todos os leitores têm prazer nessa auto-anulação. Talvez a literatura brasileira atual tenha muito autor dominador para pouco leitor submisso.”

    Prometo ficar apenas lendo as justificativas, se houver.

    Acho que a Simone entendeu meu problema em relação a resenha: penso efetivamente que ela sentiu raiva do livro e que tal fato resultou numa má leitura. Porém, se ela detestou o livro, É ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL MUDAR SUA OPINIÃO. Cada um de nós manterá sua opinião, ela odiou o livro e eu não combato este ponto, combato suas justificativas, a meu ver inconsistentes. Isso NÃO A DESQUALIFICA COMO ESCRITORA, apenas a qualifica como suscetível a algum tipo de paroxismo que eu gostaria de chamar de chilique, se não tivesse sido censurado. Dito isso, torno-me apenas leitor desta caixa de comentários.

    Abraços a todos.

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  • Milton, você conhece o Backes? Pergunto porque pode estar aí uma chave para a explicação da divergência das leituras. A confusão entre narrador e autor é inegavelmente provocada pelo próprio Backes, que pôs em cena um sujeito com uma história muito parecida com a sua. Conhecendo o escritor, você pode ter se divertido com essa versão do Backes que protagoniza o livro – seja ela exagerada, fidedigna ou vinda direto do Mundo Bizarro do Super-Homem. Mas se você não conhece o escritor, essa relação simplesmente não interessa, e a suposta ironia do texto se perde. Eu não me perguntei se o Backes é mesmo daquele jeito ou não, estava apenas achando o personagem chato. E quando a Simone fala em “egotrip” ou em dominação e submissão, para a imensa maioria dos leitores a distinção entre narrador e autor é indiferente. Não importa se Backes se acha superior ou se apenas criou um personagem que se acha; no fim das contas a hipótese não se justifica, nem se sustenta, nem interessa.

    Abraços,

    Lucas

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  • Olha Milton, eu não sei nada da sua vida, nem você da minha. Aqui só se avalia pelo que diz. Eu te dei uma chance, perguntando primeiro o que você tava falando. Se era mesmo o que eu tinha entendido. E você confirmou. Foi isso. Por favor não use sua mãe num texto desses. Nem a doença dela. Ad misericordiam depois de ser tão agressivo. Isso não melhora em nada o que achei de você através dos outros textos.

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  • [O comentário #14108 será citado aqui]

    Pôxa, mas se é preciso conhecer o escritor para captar sua ironia… significa que ele escreveu um livro para poucos, não é?

    Pobre do escritor que precisa ser suficientemente conhecido para ter a ironia do seu texto reconhecida.

    Ou a ironia é captada ou ela não existe. Ou,pior – falhou.

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  • Tenho um amigo fundamentalista muçulmano jihadista. Dia desses, ele me convidou pra ver uma seção de três horas de slides sobre sua recente viagem sentimental pelo Marrocos. Recusei terminantemente, claro. Ele me acusou de anti-jihadismo.

    “Peralá, Ahmed,” disse eu, “três horas de slides é drink for horse, meu. Admita.”
    “Pô, Amônio, não precisa dar chilique. Tá na cara q vc não quer ver as oitocentas fotos de mesquitas q eu tirei.”
    “¿OITOCENTAS fotos? Tu tá é doido q vou entrar nessa fria.”
    “¡Seu preconceituoso! ¡Anti-islã! ¡Infiel! ¡Anti-jihad! ¡Cão racista!”

    Depois desse papelão, ele não fala mais comigo. Q coisa, não?

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  • Sim, conheço Backes. Vemo-nos uma vez ao ano. Ele mora a 1500 Km de mim. Mas saibam que não conversamos sobre maisquememória. Aliás, nem ganhei o livro… Comprei-o.

    Fábio Silvestre Cardoso, Gustavo Bernardo, Jonas Lopes e Ricardo Lísias, alguns entre os muitos que lembro terem elogiado o livro com palavras claras, também não necessitaram de nenhuma “chave de compreensão”. Não pensem que fiz uma leitura dirigida. Era só o que faltava.

    O que vale é a divergência de opiniões. Guardadas as proporções, o citado “Tristram Shandy” de Sterne foi criticado por Horace Walpole e Samuel Johnson — aliás grandes críticos — pelos mesmos motivos que “maisquememória” vem sendo criticado. E elogiado…

    Voltando à resenha. Ainda aguardo uma análise daquele trecho, Ok? (Ver comentário 38)

    Também não entendo porque dar tanta importância a minhas intervenções. Valem o mesmo as outras. Não é normal divergir? Ou é estranho discordar com cordialidade?

    Agora sim não comento mais, certo? Já disseram que usei (usei?, para quê?) a doença de minha mãe e, por este nível de 5ª série, alguém pode dizer que tenho um caso amoroso com o Backes e que discutimos todos os detalhes do romance intimamente.

    Abraços.

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  • Eu conheci alguém que achava que o sofrimento das gentes se devia as terminações nervosas de suas costas, e nada tinha a ver com a mão que balançava o chicote. Não é mesmo, dr.?

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  • [O comentário #14103 será citado aqui]

    Eu tenho uma história, eu tenho uma história!
    Tenho mesmo, e está contada no meu livro OLHOS BAIXOS, que saiu ano passado pela ed. Guarda-Chuva, mas, que, infelizmente (ou felizmente, sei lá, sou meio covarde pra apanhar) nao entrou na copa. Agradeço MUITO se alguém quiser ler…

    abraços,
    Maria Helena

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  • Prêmio Jabuti 2008:

    1 – O FILHO ETERNO
    CRISTOVÃO TEZZA
    EDITORA RECORD LTDA

    2 – O SOL SE PÕE EM SÃO PAULO
    BERNARDO CARVALHO
    COMPANHIA DAS LETRAS

    3 – ANTONIO
    BEATRIZ BRACHER
    EDITORA 34

    Prêmio Portugal Telecom 2008:

    1 – O FILHO ETERNO
    CRISTOVÃO TEZZA
    EDITORA RECORD LTDA

    2 – ANTONIO
    BEATRIZ BRACHER
    EDITORA 34

    3 – O SOL SE PÕE EM SÃO PAULO
    BERNARDO CARVALHO
    COMPANHIA DAS LETRAS

    Coincidência, não? Com tanto livro publicado, por que elegeram esses três?

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  • Maria Helena,
    Se você não gosta de apanhar, sai da literatura. Isto aqui é o inferno dos Egos.

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  • [O comentário #14123 será citado aqui]

    Eu nao disse que não gosto.

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  • [O comentário #14113 será citado aqui]

    Bem sensato, esse “alguém” :•).

    É óbvio q a dor só existe pq existem os nervos. Se vc chicoteia uma pedra, não há dor. Além disso, há quem sinta dor sem ser chicoteado (caso da fibromialgia) e até quem não sinta dor mesmo sendo chicoteado (caso da analgia). O mal do chicote não é causar dor – quem tem o aparato dolorível vai sentir dor de um jeito ou de outro –; é lacerar a pele, causar um dano irreparável.

    Veja o caso aqui.

    Milton R acusa Simone C de se ofender feministamente com o narrador do livro. Milton R acha q, se existe uma ofensa, então tem q haver um ofendido (se existe a chicotada, tem q haver dor em algum lugar). Dado o supetão com q escreveu aqui, suspeito q já tinha todo o argumento preparado desde q foi anunciada uma mulher como juiz da peleja.

    (Anos atrás, insultei indefensavelmente todos os habitantes de Saturno. Tou até agora esperando ser processado.)

    Milton R deu-se mal, como dão-se mal todos os q atribuem a sua condição específica o selo da universalidade; neste caso, “o homem enxerga todos os ângulos, a mulher só enxerga o seu. “

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  • [O comentário #14124 será citado aqui]

    Oi, Maria Helena, quer teclar?

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  • Antes, doutor, e até achava que a gente discordava num sentido mais amplo e talvez inconciliável. Aquela coisa de visões de mundo tão díspares que um está falando jupteriano e o outro saturiniano . Acho que depois dessa sua resposta eu vi que na verdade nossa discordância é bem menor, ela se dá só num ponto. Não acho que é o chicote. Não acho que sãos as costas. Mas o chicote sobre as costas. E que a chibata sobre as costas formas algo que não é nem chibata nem chicote. é outra coisa já. então não dá pra você falar de como as costas deveriam ser. elas já não existem mais. e se você só fala das costas nem tem discussão pra mim. enfim, adoraria, como você, que o mundo fosse repleto de seres fortes e auto confiantes, para quem qualquer agressão fosse insignificante. e é por isso que, a cada vez que vejo o modo de pensar mesmo que impossibilita essa condição ideal de existir eu fico alerta. eu não estou mais tão abalada pela discussão, então pelo menos fiquei de melhor humor hoje. abraços. (e que pena que não comentei aqui sobre literatura. sinto muito mesmo)

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  • Oi, Juliana, e você, quer teclar?

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  • Voltando ao livro: Este parágrafo pinçado pela Simone é muito ruim:
    “E que tal a Ilha dos Museus, com seus cinco importantes museus? Absolutamente imperdível. Bem mais que o imperdível e emblemático Portão de Brandemburgo, construído por Carl Gotthard Langhans segundo o modelo dos propileus da Acrópolis em Atenas, entre 1788 e 1791. Mas a história do célebre portão não pára por aí. Gottfried Schadow coroou-o com a Quadriga — com o coche e Eirene, a deusa da Paz — em 1793. Napoleão surripiou a deusa, coche e cavalos em 1806, levando-os para Paris. O marechal Blücher devolveu na mesma moeda em 1814, ao invadir Paris, e Karl Friedrich Schinkel transformou a dama cobiçada, com uma cruz de ferro na coroa de carvalho, na deusa da Vitória pouco mais tarde. A Alemanha Oriental fez tirar a cruz de ferro acusando nela um símbolo do militarismo alemão e, na restauração de 1991 — como se para provar a anexação de vez —, a cruz de ferro voltou para onde estava desde a derrota de Napoleão. No portão, a história da Europa…”

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  • eu gostei da crítica que a simone fez. foi sensata e correta.
    eu mesmo não vou ler nenhum dos dois, parecem comum ou maçante, o que dá no mesmo.
    ou seja: o time menos pior ganhou(4 divisão, que nem existe).

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