Oitavas de final
Jurado: Nelson de Oliveira
Partida disputadíssima. O amor não tem bons sentimentos, do pernambucano Raimundo Carrero, e O sol se põe em São Paulo, do carioca (radicado em São Paulo) Bernardo Carvalho, são romances bastante provocativos e, é claro, muitíssimo diferentes na forma e no conteúdo. O estilo do primeiro é nervoso, atormentado e turbulento. O do segundo é calmo, minucioso e reflexivo. A impressão que deixam no leitor, terminada a leitura, é igualmente forte, mas de qualidade poética diferente. Difícil é ter de escolher entre essas duas qualidades tão intensas. Até mesmo nos defeitos parece haver empate: o palavrório e os lugares-comuns que em alguns momentos emperram as duas narrativas têm força e peso análogos.
O romance de Carrero, protagonizado por um músico desvairado que resolve matar a mãe e a irmã, é basicamente sobre a loucura e o delírio. Além de Matheus, o músico assassino, há outras figuras igualmente estranhas e excêntricas perambulando pela trama, muitas delas ligadas à religião. A dúvida sobre a realidade dessas figuras – elas parecem ter saído daquelas famílias belicosas do Antigo Testamento – espeta o leitor de tempos em tempos.
O romance de Carvalho, protagonizado por um sujeito desempregado e divorciado que não revela o nome, é basicamente sobre a solidão e a incomunicabilidade entre as pessoas. Esse sujeito melancólico costuma freqüentar um restaurante japonês no bairro da Liberdade, em São Paulo, cuja proprietária abrirá uma porta para o outro lado do mundo, para os detalhes de um triângulo amoroso no Japão.
Pôr no mesmo gramado dois adversários tão bem preparados foi uma decisão bastante maliciosa da parte dos organizadores desta Copa. Para essa partida eu não precisei ler os dois romances, porque já os conhecia. Só tive o trabalho de reler certos trechos e reencontrar as situações mais interessantes. Como eu disse, o jogo foi disputadíssimo do início ao fim. Só no final do segundo tempo foi que saiu o gol do Carrero, suado, de escanteio.
A razão desse gol? Os dois romances tratam dos cômodos sombrios do comportamento humano, mas o tratamento histriônico e carnavalesco de Carrero, bastante aparentado com o de meus próprios livros, me agrada um pouco mais do que o tratamento sóbrio e analítico de Carvalho.
Porém, finalizada a partida, as duas torcidas voltando pra casa, a sensação que acompanha esses torcedores é a de que o empate teria sido o resultado mais justo.

O amor não tem bons sentimentos
de Raimundo Carrero




Não sei.
Talvez não faltou falar um pouco mais sobre os livros para quem não os leu poder opinar também?
Tecer uns argumentos sobre o enredo ou algo assim?
Abraços,
e parabéns pela resenha e pela segunda edição da Copa.
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Também acho que ficou meio superficial.
Não me senti tentado a ler nenhum dos livros. =/
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ô, Nelson, podia ter se aprofundado mais nos seus motivos. quer dizer, podia ter explicado melhor por que você achou o “histriônico e carnavalesco de Carrero” melhor que o “sóbrio e analítico de Carvalho”. não vale uma prorrogação aqui nos comentários?
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[...] Copa de Literatura Brasileira » Oitavas de final – O primeiro jogo deste certame: O Amor Não Tem Bons Sentimentos, de Raimundo Carrero versus O Sol se Põe em São Paulo, de Bernardo Carvalho. O jurado foi nada mais nada menos que Nelson de Oliveira [...]
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Já eu fiquei com vontade de ler os dois, comparar por mim mesmo, e ver deles qual mais me agrada.
Bela iniciativa.
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Fazendo eco aos que já comentaram, também achei a resenha superficial.
Será que a polêmica, na edição passada, sobre os spoilers tem a ver com isso, ou é apenas falta de inspiração do jurado?
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Também eu fiquei meio anti-climatizado aí. Esse deve ter sido o jogo mais fácil de apitar até agora: o juiz q entrou em campo já tinha visto o jogo antes na tevê… E parece ser juiz dos bons, daqueles q vê pênalti até em olhar de goleiro. Esse é daqueles jogos em q tem q chamar o juiz prà mesa redonda. Pois ¿por q o músico resolve matar seu lado feminino? ¿O q é “espetar”? ¿Q tem a ver a incomunicabilidade com a comunicação direta com o Japão na Liberdade? Oh dúvidas dúvidas… Passa o replay em câmera lenta aí, pô.
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O texto de 391 palavras que o autor Nelson de Oliveira escreveu acima, a pretexto de falar dos livros de dois colegas seus, “oferece pouco assunto para a conversa”. “As explicações que acompanham a decisão [...] são platitudes” que devem ser “justificadamente ignoradas pelo público”.
“Ficamos sabendo quem ganhou, não como nem por quê”; “podemos discutir a escolha, não as razões”. “O jurado, sem ser anônimo, é protegido, suas preferências particulares dissimuladas pelo nome do prêmio, pela impessoalidade da decisão”.
Pergunto: se de acordo com este caveat empor, a Copa de Literatura Brasileira surgiu justamente para criticar prêmios literários com as características acima, por que é que o texto de Nelson de Oliveira inaugura a segunda edição da brincadeira? Devo entender que a CLB se transformou naquilo que ela surgiu para criticar? Ou devo entender que foi Nelson de Oliveira que não entendeu a CLB?
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Engrossando o coro: ô textinho fraco, sô. Na copa passada tive minhas discordâncias, minhas avaliações divergentes. Mas essa nem divergir dá, pq é superficial pacas.
Até concordo com a escolha, mas com esses argumentos… não mesmo.
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A única coisa digna de nota na resenha é que o sr. Nelson Oliveira confessa que “o tratamento histriônico e carnavalesco de Carrero, bastante aparentado com o de meus próprios livros, me agrada um pouco mais do que o tratamento sóbrio e analítico de Carvalho”. Assim, fica inicialmente a dúvida se foi tal autor de estilo “histriônico e carnavalesco” que escreveu resenha tão acanhada, preguiçosa e vazia. Outro coisa que percebemos é que enquanto resenhista o sr. Oliveira pretende encontrar sua (alegada) imagem refletida nos livros alheios e ainda assim não encontra argumentos para sustentar sua predileção. Oxalá os escritores continuem a desagradar o resenhista…
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O juiz não é o locutor esportivo. Ele não precisa narrar a partida tintim por tintim (isso seria muito chato). Se a torcida quiser assistir ao jogo, ela precisa ir ao estádio (ou ligar a tevê) e ler os livros. Palpitar no resultado sem ter lido os dois romances é o cúmulo do nonsense, não? O barato da Copa é esse mesmo: o juiz julga o jogo, a torcida julga o juiz, o juiz julga a torcida, a torcida julga o Lucas (por que você foi escolher esse juiz?!) Até aí, tudo é farra e festa. Mas tem que ler os livros.
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[O comentário #12782 será citado aqui]
Tiago, discordo apenas da citação sobre a proteção ao jurado: o Nelson assinou sua resenha e está sendo duramente criticado pelo conteúdo da mesma. De resto…
Suspeito que o Nelson não quis se comprometer diante da complicada tarefa de criticar os seus pares: os dois livros são muito elogiados, os defeitos de ambos considerados iguais e mencionados tão de passagem que quem lê rápido nem percebe a menção e o resultado do jogo é fruto de um acidente, do fato de o estilo de um dos autores se parecer mais com o do resenhista. É uma pena, porque dois times “tão bem preparados” mereciam um jogo mais emocionante.
Sugiro o lançamento da campanha “Desenvolve, Nelson!”, para ele dar o ar da sua graça por aqui e falar um pouco mais dos livros.
Abraços,
Lucas
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Opa, a campanha deu certo antes mesmo de ser lançada. Mas Nelson, o palpite da galera não é sobre o resultado do jogo em si, é sobre a forma como ele foi apresentado. Fala mais da sua impressão sobre os livros, vai.
Abraços,
Lucas
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é possível parar com as alusões a futebol nas resenhas? ô pobreza!
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“Suspeito que o Nelson não quis se comprometer diante da complicada tarefa de criticar os seus pares”.
Ora, Lucas, o que você esperava? Isso é Nelson de Oliveira: muito sabão, muita embaixadinha, mas jogo que é bom nada. O texto rivaliza em superficialidade com aquele do Rascunho em que ele defende – com ardor oswaldiano! – o “verso livre” em detrimento do “verso metrificado”… Tenha paciência. Se fosse aluno de primeiro ano na minha faculdade, levava nota 2.
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Ah, gente peraí! o que precisava ser dito foi dito muito bem: pro Nelson o livro que mais parece com seu estilo é o que ele mais gostou. Modo mais descritivo não é com ele.
Uma coisa mais importante tem que ser discutida: o livro do Carvalho que era um dos favoritos antes do início da Copa e caiu. E aí? Quem gostou do livro do Carvalho, vê defeitos nele? Pessoalmente, apesar de gostar da prosa do Bernardo, tenho comigo que há um grande defeito no livro: a irmã do protagonista sobra no enredo; não tem nenhuma função e também não ajuda a explicar nada. E o pior é que ela aparece num momento chave da leitura e a sensação é de que ela avacalha com a verossimilhança da história. Será que só eu vi isso?
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kaleb disse: “é possível parar com as alusões a futebol nas resenhas? ô pobreza!”
Ô riqueza, digo eu. O futebol é só uma metáfora, mas é riquíssima. Na próxima copa, as alusões serão à horticultura: abelhas, pólen, flores carnívoras, &c. Depois uma com doenças cardio-respiratórias, e assim por diante. Vai ser divertido.
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[O comentário #12814 será citado aqui]
“O livro de fulano, como uma bronquite, fica com você, incomodando durante semanas. O livro de sicrano, claramente inferior, é um ataque cardíaco: uma tensão no braço, um choque súbito e depois, mais nada.”
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[O comentário #12813 será citado aqui]
Leandro, li o livro do Carvalho já há algum tempo e não me lembro da irmã do protagonista, ou seja, você deve ter razão. Sobre os defeitos do livro, achei o começo meio decepcionante, com frases um pouco confusas e um estilo menos seguro do que o de “Mongólia” ou “Nove noites”. Mas depois que o protagonista viaja ao Japão a coisa engrena. Confesso que esse era um dos meus favoritos e que eu gostaria que ele tivesse avançado na Copa. Mas a palavra final é do Nelson, né?
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Nelson,
Vc tá certo ao dizer q “juiz não é locutor”. Mas aplicar essa verdade à CLB é um balde de água fria. Não li esses livros; pra lê-los, precisaria comprá-los e, se a CLB — além de ser divertida — presta algum serviço, é o de administrar a relação entre editoras e o público leitor, com base no mérito literário. Por isso as editoras dos livros escolhidos fornecem livremente os livros aos jurados; por isso freqüentam a CLB leitores potencialmente interessados em lê-los. Ninguém tem tempo e poucos têm dinheiro pra comprar e ler TODOS esses livros sem uma recomendação estruturada, sem um interesse desperto. Entendi bem q vc acha inútil falar de um livro se tê-lo lido, como os leigos q têm “opinião” sobre teorias científicas. Mas (como vc viu) aqui se discute tbm a resenha em si, e não só o livro. Há muita coisa a dizer. No entanto, ao se indisponibilizar a uma descrição mais detalhada, vc serve à estrutura da copa mas falha aos interesses dos próprios livros e, principalmente, de seus leitores potenciais.
Dá um gás aí. Coloca teu límpido estilo a serviço das gerais. Vc tem uma bola boa e bem inflada: põe no gramado e chuta.
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O Sol se põe em São Paulo não é ruim. No primeiro parágrafo o leitor já sente que o escritor é diferenciado. O livro vale cada centavo cobrado, mas o escritor é Bernardo de Carvalho. Eu esperava mais. Ou melhor, eu esperava menos clichês, menos personagens inúteis, menos trenzinhos de verbos, menos justificativas…
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Vocês têm razão. Minha resenha não é lá muito empolgante. Fiquei refletindo sobre isso… Eu podia ter sido um pouco mais enfático em alguns pontos (positivos e negativos). Drummond já reclamava: “Que tristes são as coisas consideradas sem ênfase”). Agora, perplexo, descubro que de fato os dois romances não me empolgaram muito, não. São “mais do mesmo”, na carreira do Carrero e na do Bernardo. Isso explica minha falta de tesão, mas não explica a falta de extensão. A resenha é curta porque, na internet, eu prefiro os textos curtos. São mais gostosos de ler neste meu monitorzão Geração 90, do final do século passado. É claro que eu preferia que fossem lidos e discutidos também os romances, não apenas o estilo do resenhista. Mas o furdunço não é de todo mau. Mantém o espírito alerta.
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Também não me empolguei com nenhum dos dois livros. E, sinceramente, nem consegui terminar “O amor não tem bons sentimentos”.
Gosto verdadeiramente de apenas um livro do BC, Nove Noites (acho que é uma unanimidade), mas considero O Sol se põe interessante (concordo com quem criticou o início do livro abaixo). Sinto o mesmo que senti na Copa passada com a eliminação de Mãos de Cavalo no primeiro jogo.
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“A resenha é curta porque, na internet, eu prefiro os textos curtos. São mais gostosos de ler neste meu monitorzão Geração 90, do final do século passado.”
Já que é assim,
Nelson de Oliveira,
por que não haikai?
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“por que não haikai?”
I
só vale o escrito
só vinga o autor que tem ginga
na copa em que apito
II
dos livros que li
nenhum diferiu do comum
por isso os vendi
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Nelson de Oliveira disse:
23/09/08 – 2:13 pm
“… eu prefiro os textos curtos. São mais gostosos de ler neste meu monitorzão Geração 90, do final do século passado.”
A referência à G. 90 foi engraçada.
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Polli
[O comentário #12830 será citado aqui]
Tb achei digno de nota, e me lembrei de uma coisa que, embora talvez trivial, quem sabe faça sentido aqui: ô Nelson, pq mesmo vc não antologizou o Bernardo em suas coletâneas geracionais? Ou me engano?
Outra coisa que me ocorreu foi que outro dia eu vi sua coletânea de contos favelados e notei que vc se antologizou. Fiquei pensando em como é esse negócio, de organizar a coletânea e se incluir nela. E cmo foi o lance de escolher tantos contos do Ferrez pra mesma coletânea.
Mas esses são apartes, só aproveitando que vc está aqui. Meu comentário mais dirigido à resenha mesmo vai agora, pq ela me deixou bem no ar. E aqui vão algumas questões pra ver se a conversa da gente prossegue:
a) Vc, já vi e já li, costuma dar conselhos sobre como escrever resenhas: vc praticou o que prega nessa?
b) Acho difícil conduzir qualquer comentário sobre literatura sem argumento: sem um esforço pra mostrar pro leitor como vc leu/ lê algo e como, enfim, distribui o valor nas suas leituras. Mas acho que vc prescindou desse esforço nessa resenha, e fiquei pensando aqui se isso não foi pq vc encarou a Copa como um evento miúdo, que não merecia muita atenção e cujas resenhas não mereciam muito cuidado. Acho que vc nunca publicaria algo tão apequenado como essa resenha no Rascunho, ou no Cronópios. E não é reclame por profundidade não: faltou foi generosidade com o leitor e com os livros lidos. Pô, broder, vc não diz quase nada nesse negócio aí. Assim, fica difícil conversar sobre os livros, como vc sugere em outro comentário: sua resenha deveria nos fornecer o suporte, o esteio pra essa conversa. Ou não?
Venho lendo seus textos há anos, Nelson, tanto os de crítica quanto os de ficção – uma orientanda minha está, nesse momento, trabalhando com sua produção como crítico. Fico pensando como eu, que valorizo sua produção, vou me referir a essa resenha sua, a essa sua participação na Copa: vai dar trabalho valorizar pq pra isso eu precisaria ter algo que, na sua resenha aqui, não há: argumento.
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[O comentário #12825 será citado aqui]
Que é isso, Nelson? E os textos de porte que vc veicula no Cronópios e no Rascunho, pra citar dois casos? A sua “Carta ao autor fora do baralho”, p ex, é uma mini-tese. Por isso supus que vc decidiu investir pouco aqui, nesta resenha aqui.
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Razão da escolha de Nelson de Oliveira: “tratamento histriônico e carnavalesco do livro de Carrero é bastante aparentado com o dos meus próprios livros”. Não merece sequer comentário. Que ego!
Outra dele: usa “são mais do mesmo” para ambos os livros. Nenhum escritor tem obrigação de mudar a cada livro; ao contrário, ele se afirma. Em quase todos os grandes escritores que têm uma série de obras, é notório o quanto estas são mais do mesmo. Basta mirar alguns, nem é preciso ir longe. A imaturidade literária é que clama por mudanças.
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Ninguém precisa dizer a Nelson de Oliveira o que é uma resenha, falar da necessidade do argumento etc. Quem tem um currículo desses sabe que isso aí em cima não é uma resenha. Vamos respeitar Nelson de Oliveira. Nelson de Oliveira sabe muito bem o que é uma resenha. Nelson de Oliveira já escreveu até um Decálogo do resenhista, aconselhando que se “evit[ass]e a concisão e a economia próprias das notas e dos aforismos”.
É pena (para nós outros) que notas e aforismos tenha sido precisamente tudo o que Nelson de Oliveira nos ofereceu aqui.
O que a gente precisa ficar sabendo, portanto, é o seguinte: Nelson de Oliveira não escreveu uma resenha sobre os livros de Raimundo Carrero e Bernardo Carvalho. O jeito mais fácil de constatar isso é notar que a resenha ideal, para Nelson de Oliveira, é prenhe de comentários sobre “o formato do livro, a capa, o projeto gráfico, o papel, a encadernação, as famílias tipográficas, as fotos e as ilustrações”–a maneira como tudo isso se relaciona com a matéria literária, reforçando-a ou prejudicando-a, também seria considerada, se essa fosse uma resenha de Nelson de Oliveira.
Q.E.D., essa não é uma resenha de Nelson de Oliveira.
Nelson de Oliveira disse que foi juiz. Eu não acho que Nelson de Oliveira tenha sido juiz, porque juiz carrega consigo o ônus de justificar suas decisões (justificar de verdade, não de mentirinha). Pra mim, Nelson de Oliveira foi árbitro, que arbitra. Nelso de Oliveira foi menos do que pode ser.
Mas pode ser que tudo isso seja apenas coerência. Afinal, a regra número 3 do decálogo de Nelson de Oliveira é: Não resenhe o livro dos desafetos.
(O comentário ficou mais longo do que devia. Foi mal. Me despeço recomendando este ensaio sobre crítica literária (VOCÊ ESTÁ DEMITIDA) que Nelson de Oliveira escreveu numa época em que ainda gostava de textos longos na internet.)
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Um dos romances de Bernardo Carvalho que mais me agradaram foram “As iniciais”. Mas esse livro passou meio despercebido, sabe-se lá por quê. Os que vieram depois foram romances intensos, mas meio maçantes. Neste exato momento, como leitor e como autor, estou em busca de outra coisa. Hoje o modernismo e o pós-modernismo me entediam. Chega de prosa solipsista (as mínimas emoções descritas em detalhes) ou niilista (a vida é estúpida e violenta, e só) ou formalista (a literatura falando apenas dela mesma). Alguns livros desta copa, de autores mais jovens, parecem querer superar tudo isso. Parecem anunciar a hora da prosa dialética (a superação da “arte pela arte”). Ainda não li todos, por falta de grana, mas estou motivado a fazer isso.
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O resultado foi mais do que justo,O amor não tem sentimentos é um livro forte e arrebatador,escrito para leitores de verdade e não para aqueles que se dizem leitores e que na verdade gostam de livros superficiais.Não concordo com o Nelson no comentário que ele fez aqui dizendo que os dois livros são mais do mesmo,realmente existem pessoas em todas as esferas que não conseguem distinguir uma verdadeira obra de arte com porcarias impressas que aparecem todos os dias.Já vários livros que estão disputando essa copa e o livro de Carrero é de LONGE o melhor de todos,prêmio não eleva a obra de arte literária,mas só faz confirmar aquilo que os leitores não comuns já sabiam.Para aqueles que não se sentem atraídos pela leitura de O amor não tem bons sentimentos só posso dizer uma coisa:Não percam tempo,esse livro é com toda a certeza um dos grandes livros da literatura UNIVERSAL.
Abs
Ney Anderson
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Nelson,na verdade acho que você estava com algum problema pessoal para dizer que o livro de Carrero não lhe deu “tesão”.Não sei o que acontece com pessoas que julgam obras literárias,acho que leêm tanta porcaria que acabam misturando os bons com os maus.Lembre-se sempre: Raimundo Carrero é um dos grandes escritores da literatura não só Brasileira mas universal.
Abs
Ney Anderson
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Lucas,
Acho que a proximidade com o Jabuti pode ter prejudicado um pouco a Copa. Tezza, que já era favorito, agora dispara de vez. Se ele ganhar, deu o óbvio; se perder, pode parecer apenas capricho do jurado.
Adoro a idéia da Copa, mas talvez seja interessante pensar em fazê-la começar mais cedo nas próximas edições, não?
Um grande abraço!
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[O comentário #12850 será citado aqui]
Ô Nelsinho: Você ensina concordância verbal nas tuas ocifinas?
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Fellini, não entendi… Dá pra ser menos enigmático?
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Nós vemos cada comentário…
A resenha não foi lá essas coisas, mas os comentários estão hilários… embora eu ache que alguns dos comentaristas não tivessem essa intenção cômica.
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Que burro que eu sou, escrevi “tivessem” em vez de “tiveram”. ^^
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Eu estou amplamente empolgado.
Vou ler ambos, o mais rápido possível. Que parem a comitiva, que a fila espere. Vou deixar grandes autores (a maioria defuntos) esperando sentados madrugadas afora para entender essa disputa de Titãs.
Por aí, diria que a Copa vai bem. Talvez mais pelo frisson dos comentários do que pela apitada do Nelson. Que eu, na minha augusta ignorância, nem sabia ser tão grande coisa. Agora vou querer saber mais dele também. Vejam bem, eu nem conhecia o tal Rascunho. Minha impressão: ele subiu no próprio ego pra ficar mais alto em poucos momentos.
Digo logo que o frenesi de ler de trás pra frente os comentários já aqueceu o lado nipônico do cérebro. Assim, percebi que falávamos com imortais, vivos ainda, encarnados em escritores magnânimos que não precisam de muitas palavras, nem explicações profundas…
E se o Nelson fala com o rei na barriga – talvez o tenha, vou descobrir lendo –, talvez seja mesmo por isso que não nos satisfez. Só ele está grávido, parindo literatura e cansado de tantas caras de joelho.
Mas antes das pedras, um revertério: artistas detestam a crítica. Eu, pessoalmente, larguei a academia pra não perder a mão. Se o Nelson tem mesmo a veia literária, vai se encher de falar do livro dos outros. Eu ficaria. Ele aprecia e recomenda. Ponto.
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[O comentário #12867 será citado aqui]
Mas esse, Raul, não é um dos benefícios da vida – o de poder rir das coisas independente da intenção de quem as fez? A graça é essa.
E a essa altura, já vi que o Nelson não vai encarar a conversa aqui. Correu da raia, o malandro. Tsc, tsc…
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[O comentário #12836 será citado aqui]
Pois é, não podia ter dito melhor. Mandou bem, gerana – assim como o tiago a tb.
Fala, nelson!
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Dimas Gomez, que história é essa de “artistas detestam a crítica”? Esse tema, o do detestar amplo, geral, irrestrito e não qualificado, está me perseguindo: essa semana, um jornalista que julgo até pessoa inteligente e razoável me veio dizer que “detesta acadêmicos” e que “quanto mais longe dessa corja melhor”. Como uma pessoa razoável consome inescrupulosamente uma categoria inteira de gente num juízo de valor não qualificado me escapa – e, talvez, pensando melhor, ele não seja tão razoável assim e, pela mesma via, nem vc. Crítica pode servir ao artista tb, crítica pode elucidar e provocar o pensamento. Ou só por ser artista o sujeito é instituído como neo-deus, portanto incriticável, onisciente e outros atributos omniásticos afins?
Vc tb diz “Eu, pessoalmente, larguei a academia pra não perder a mão. Se o Nelson tem mesmo a veia literária, vai se encher de falar do livro dos outros”. Pra alguém que está fazendo doutorado na USP (na USP!), então o Nelson está meio fadado a falar do livro dos outros, pois está construindo uma cerrira como acadêmico, como produtor de saber universitário em literatura. E, afinal, qual o demérito disso? Só falar do seu próprio livro é legal? Isso me parece uma versão literária de onanismo.
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Salve, salve, galera.
Que saudades eu tava dessa brincadeira gostosa de ler, resenhar, discordar, xingar escritor, xingar resenhista e ser xingado como comentarista. Posso dizer com prazer que todos aqui, desde os ponderados até os mais exaltados, tem em comum o amor pela literatura. E eu sou fã de todos vocês, absolutamente!
Antes de tudo, q demora pra 2ª CLB começar hein, Lucas? Acho que de tanto esperar os ânimos foram se atiçando e sobrou para o Nelson o papel de tomar as linhas de frente no dia D. E com um o alvo vermelho e banco bem grande na cabeça!
Eu, como bom ex-jurado que sou, vou fazer as vezes de advogado do diabo e defender o Nelson. Gentem, se ele foi superficial nas suas justificativas, não creio que foi por desmerecer a Copa nem os seus leitores. Ele simplesmente deve ter se sentido em casa para falar o que achou e do jeito que quis. Um papo informal entre amigos. Ou vai dizer que todos aqui escrevem em verso (ou haikai) o bilhete dizendo que foram até a padaria ou a lista de compras semanal do supermercado? Se ele pensou que estava entre amigos, pra quê regras, pra quê tanta formalidade?
Pelo que pude perceber as críticas mais ferrenhas vêm dos que já conhecem a escrita do Nelson. E exigem que ele escreva exatamente como eles querem que ele escreva! Esse não é o MEU Nelson de Oliveira! Deve ser um pseudo-Nelson, o verdadeiro foi pra Búzios.
Desculpem a brincadeira, é apenas uma tentativa de descontrair e acalmar alguns coraçõezinhos partidos. E quem sabe, mudar o foco do assunto para uma coisa diferente, talvez, tipo assim, qual de dois livros publicados lá em 2007 seria o melhor. Só talvez, pra quem sabe eu me decidir se vou ler algum deles.
1 abraço,
JLM
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[O comentário #12814 será citado aqui]
o comentário acima achei melhor que os dois romances. há muito não rio tanto, um primor.
Quanto a resenha concordamos, até mesmo o Nelson concorda, foi fraquinha mesmo.
O livro do Carrero não consegui ir até o fim. Coisa de louco, para louco, com ritmo louco, por louco, para louco – pulei fora.
Do Bernardo li até o final, mas que coisinha chata, cheinho de coisas gastas. E ainda deixa a impressão de que você não entendeu porque não conhece o escritor japones tal, nem o outro tal.
É, talvez, se eu conhecesse-os teria aproveitado melhor o livro. Talvez lancem os prolegômenos para uma melhor leitura de o Sol ………
de qualquer maneira,
Abraços.
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[O comentário #12860 será citado aqui]
Fellini, se você tá se referindo à oração “Um dos romances de Bernardo Carvalho que mais me agradaram foram ‘As iniciais’”, a concordância verbal está certíssima. Como estão certos “‘Os três mosqueteiros’ são de Alexandre Dumas”, “‘Os lusíadas’ foram escritos no século XVI”, “‘Os Maias’ são o principal romance de Eça” etc. Tem algum professor de português aí, que poderia confirmar isso?
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Não li o romance de Raimundo Carrero e a não-resenha de NdO definitivamente não me fez querer ler. Mas tive uma impressão parecida com a de julinhobalinha. Parece mesmo que Bernardo Carvalho estrutura O Sol Se Põe Em São Paulo de maneira a fazer uma citação à obra daqueles escritores japoneses.
Existe uma estória dentro da estória dentro da estória, e o narrador é um sujeito que não escreve muito bem (publicitário medíocre etc.). Aliás, quem não leu o livro pode ficar sabendo desde já que quem está narrando não é um narrador a quem Bernardo Carvalho poderia emprestar o melhor de seu estilo; quem está narrando é um sujeito que não é grande escritor e que de certa maneira só está narrando porque não é grande escritor. Por isso que a estória é cheia de frases fáceis, acho; mas é claro que há espaço para você discutir se essa não foi apenas uma maneira fácil que o autor encontrou para executar o livro. (Só te peço uma coisa: argumente.)
Tem muita potência desperdiçada. Não lembro direito, mas há um personagem muito bom que é injustamente descartado, e a sensação que eu tinha durante a maior parte do tempo era a de que poderia estar lendo um grande épico–sensação que só aumentou quando cheguei à parte final, que não me agradou. O recurso que se utilizou no afã de explicar tudo, de fechar a maioria das pontas, não funcionou. Não funcionou para mim; pode ter funcionado pra alguém, ressalvo. (E eu precisaria de mais espaço e paciência para desenvolver o que estou pensando aqui, sendo até embaraçoso acabar falando disso tudo num parêntese, mas posso adiantar que acho que ninguém escreve aquilo daquele jeito; ninguém explica tanto; um amigo falou em deus ex machina, e eu balancei a cabeça para cima e para baixo várias vezes comunicando que concordava plenamente e repito o gesto agora, veja:).
Só que, olha só, vou dizer mais uma vez: desconfio que até isso pode ser uma citação à obra dos japoneses. Pode ser. Eu não sei. O que eu sei é que depois que terminei de ler, estava convicto de que se eu fosse escrever a sério sobre o livro, teria que ler algumas coisas dos japoneses pra ver até que ponto o que me parece defeito não é apenas paródia/citação, i. e., mais uma forma de homenagear os escritores que inspiraram o livro, tal e coisa, coisa e tal. Uma coisa porém é certa: Bernardo Carvalho estava envolvido com esse livro há muito tempo e pesquisou muito para escrevê-lo. Será que ele desperdiçaria todo esse trabalho? Será que ele queria ter escrito o livro que eu queria ter lido e até começou a escrevê-lo, só que aí encheu o saco e acertou as contas no que resultou em O Sol Se Põe Em São Paulo? Ou será que essa foi a estória que ele queria contar desde sempre? Não sei. Tudo o que posso dizer é que pelo menos um de seus leitores lamenta que o material não tenha sido aproveitado de uma forma que estivesse à sua altura. Aquilo dava um grande romance grande (sei que você entendeu, mas sempre é bom explicar o que se quer dizer: o primeiro “grande” deve ser tomado no sentido de “muito melhor do que foi”; o segundo, no sentido de “com muitas páginas”). Foi o primeiro livro que li dele e aquele meu amigo lá de cima me disse que esse não é um livro bom de Bernardo Carvalho. Fiquei com vontade de ler os outros, sim, amém.
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AM, eu repetidamente me desautorizei. E, aliás, compartilho do seu ponto de vista. Só quis fazer uma ressalva no final do meu texto. O irônico é levar pedrada justo na ressalva.
Acho a sua crítica útil ao seu colega jornalista. Não a mim. Eu disse que artistas não gostam de fazer crítica. Fazem pra viver de literatura (alheia). Talvez o Nelson adore o formato, mas como o JLM disse, prefira uma agradável conversa de bar. E, repito, não conheço o juiz pra fazer juízo. Então de duas uma: ou você não me entendeu ou fingiu que não entendeu. E comentou por quê?
Mas como você foi muito claro na sua defesa (apesar das patinadas “na USP!” – e daí que é na USP? Nós que amamos a FFLCH, choramos a decadência [quem sabe foi uma ironia fina?]), eu vou ser claro na minha explicação: eu leio crítica e aprecio. Tenho verdadeira fascinação até. Só não peça pra escrever crítica (fora de hora). Ou você pede aos críticos pra escrever histórias? Era só isso o que eu queria dizer.
E sobre o Nelson fazer mestrado, é “razoável” usar informação nova pra rebater uma mera suposição? Vale a tentativa. Se ele é da Academia, não quer dizer que ele morra de amores pelo discurso crítico. Pode, p.e., gostar de ganhar a vida entre os livros e isso é compreensível.
Sobre o final do seu comentário, “falar do livro dos outros” pode ser legal: o chato é ser obrigado a ser sempre o mesmo Nelson crítico, o mesmo acadêmico. Ou as pessoas são personagens-tipo?
Mas, a minha crítica, repare por favor, vai de encontro à sua: há quem viva no Olimpo e dispense discorrer profundamente com os reles mortais. Eu só quis levantar a dúvida, não levar pedrada. Não hoje. Não agora. Então perceba que concordamos que a distância, o palco, não cabe neste aconchegante espaço.
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Taí, Tiago, uma opção válida na Copa: se a resenha não satisfaz, resenha-se nos comentários. Ótimo trabalho.
Sobre o estilo do narrador de “O sol se põe em São Paulo”, concordo que ele não poderia escrever de forma exuberantemente boa. Mas a limitação do narrador não deveria servir de desculpa para as limitações do texto: há muitos exemplos de livros narrados por personagens estilisticamente limitados e ainda assim gostosos de ler. O que me vem à cabeça agoa é o exemplo extremo de “The curious incident of the dog in the night-time”, de Mark Haddon, narrado por um autista. Alguém pode me dizer que um autista não poderia jamais escrever um livro como aquele, mas entre a verossimilhança e o prazer da leitura eu fico com o prazer da leitura.
Um amigo (será o mesmo?) também mencionou a questão da carta deus ex machina. Eu teria que ler o livro de novo para lembrar os detalhes, mas na hora isso não me incomodou. Mas acho que, em relação a “Nove noites”, os dois livros seguintes de Carvalho (“Mongólia” e “O sol se põe em São Paulo”) resolvem pior a questão de revelar os detalhes de uma história que permaneceu obscura ao longo de quase todo o livro. E o interessante é que a solução de “Nove noites” é justamente não revelar todos os detalhes: nos outros dois livros Carvalho explica demais.
A questão da citação aos japoneses é válida, mas como no caso do estilo: se você precisa ler o escritor X antes de poder apreciar a obra Y, a obra Y não é tão boa assim. Quem viveu em Dublin no começo do século XX provavelmente entende “Ulisses” melhor do que nós, habitantes de um país tropical no século XXI, mas isso não impede que a gente goste do livro de Joyce. Ou, para não ser acusado de esnobismo: quem não é francês também pode gostar de Asterix.
Abraços,
Lucas
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sol amor constrói
se o jurado faz catimba
vem o povo e pimba!
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No caso do Bernardo Carvalho, isso que o Tiago menciona é bastante evidente em Nove Noites, com aquelas cartas que intercalam a história, quem as escreve é propositalmente pomposo, dum modo que destoa de todo o restante do texto. “Isso é pra quando você vier”, etc. e tals. Talvez se houvesse um contraste de vozes no texto ficaria mais evidente se o modo que se escreve é proposital ou não. Pessoalmente acho que sim.
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Entre pauladas e pedradas de amor e ódio, o nível da discussão melhorou bastante. Seja bem-vindo, bom senso! “Não li o romance de Raimundo Carrero e a não-resenha de NdO definitivamente não me fez querer ler.” Tiago, espero que ao menos este passional minidebate-papo tenha feito você querer ler. Só assim você vai poder comparar os romances. Do contrário, fica essa história do Pierre Bayard, “Como falar dos livros que não lemos?”, livro que não li, mas sobre o qual eu gosto de falar (rs).
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meu deus, meu deus, MEU DEUS!!! o que é essa resenha desse nasi? porque não fazemos uma copadacríticaliteráriabrasileira?? só não vale homem com homem, mulher com mulher, e critico escritor com escritor jornalista.
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Atenção: Nelson de Oliveira tem rusgas pessoais com Bernardo Carvalho… O resto é óbvio.
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Eu não achei que O Sol Se Põe Em São Paulo não fosse gostoso de ler, Lucas. Eu só disse o que disse por causa de comentários como este. Você achou o texto limitado? Poderia falar mais disso?
Eu também adoro “The curious incident of the dog in the night-time”, de Mark Haddon. É excelente mesmo. Quem não leu deve ler. É massa.
O amigo que mencionou a questão da carta deus ex machina deve ser o mesmo, sim. E vocês elogiam tanto esse 9N que ele será o próximo livro de BC que lerei, decidi. Também penso que em O Sol Se Põe Em São Paulo, “Carvalho explica demais”.
Agora, acho que você confunde duas coisas no último trecho de seu último comentário. Uma coisa é dizer que o sujeito conterrâneo e contemporâneo de um autor está numa posição melhor para fruir de sua obra. Concordo com você: isso é bobagem. Outra coisa é afirmar que “se você precisa ler o escritor X antes de poder apreciar a obra Y, a obra Y não é tão boa assim”. Aqui eu discordo de você com veemência. É possível fazer uma leitura mais qualificada de uma obra depois de conhecer uma obra que ela cita ou toma como base: como exemplo, podemos falar aqui da relação entre o próprio Ulisses lembrado por você e a Odisséia de Homero. E se você não se convencer com esse exemplo, tento um outro: se isso que você defende fosse verdade, como explicaríamos a qualidade de livros como este, por exemplo? Ulisses, Odisséia, The Sea and the Mirror, The Tempest…que venham as acusações de esnobismo! Vamos continuar a conversa.
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[O comentário #12914 será citado aqui]
Pois é, sempre suspeitei disso – Borges, como sempre na mosca, falando que o primeiro que se nota numa lista são as omissões cabe aqui: pq o Nelson não antologizou o BC em seus compêndios geracionais? Perguntei isso aí embaixo e ele me ignorou.
Ao repudiar essa oportunidade de publicizar sua criteriologia – que poderia incluir, sim, um “é um cara assim, assado, discordo dele quanto a x, tivemos um quiprocó qto a y e por isso não gosto do que ele faz” – o Nelson perde uma boa chance de tornar a crítica de literatura aqui parte de uma esfera pública mais plural e diversificada – e efetivamente pública.
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a mulher de césar não deve ser honesta– ELA TEM DE PARECER HONESTA. o mesmo deveria valer para a crítica de arte. PORQ
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Putaquipariu, esnobismo é pouco! Outro comentário bocejante como esse e eu zzzzzz… É muito divertido ver neguinho tentando ser o Wilson Martins dos botecos de Botafogo. Citando em inglês zzzzzz… Carrerão e Bernardinho empatam, sim, mas é na alta dose de soporífero zzzzzz que seuzzz livros oferecem…
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curioso é que o resultado parcial dá enquete está bem apertado, mas nos comentários o Nelson só toma porrada. Apesar dele ter aparecido e reconhecido alguma coisa, não respondeu qualquer das indagações, o que é grave quando se disse que ele escolheu o Carrerro por que não gosta do Carvalho. O q
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Tiago,
a intertextualidade é legal quando flui naturalmente, quando não é um artifício para afirmar um lugar “nobre” decorrente da erudição, como se determinado livro valesse a pena porque remete a muitos outros.
Aliás, muito bacana sua interpretação do livro do BC (um escritor muito competente que me aborrece exatamente quando quer ser refinado demais, erudito demais, inteligente demais).
AM,
na teoria, concordo com essa sua proposta de explicitação dos motivos do crítico, dos seus percursos, de suas restrições, etc. Mas tendo a achar essa crítica um tanto chata, por muitas vezes deslocar a atenção do livro para o próprio crítico. Quando se chega a um justo meio, vale a pena. Mas isso é raro. Então fico com o “old criticism”.
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[...] Esta semana ela finalmente começou e já tem 2 jogos apitados. [...]
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Tiago, de minha parte eu disse o que eu disse por causa do que você disse. Não achei “O sol se põe em São Paulo” ruim, embora esperasse mais do livro. Meu argumento era apenas uma resposta à sua idéia sobre o estilo do texto: quem reclama continua podendo ter razão, ainda que o estilo esteja bem adaptado ao narrador.
Sobre o meu último comentário, ele estava mal formulado – em parte porque bobeei e não usei justamente o exemplo que você usou, ligando “Ulisses” à “Odisséia”. Quando li o livro do Joyce, não conhecia o texto de Homero (na verdade, fiz o caminho inverso e li a “Odisséia” por causa de “Ulisses”), e por isso certamente não peguei muitas das referências que Joyce colocou no seu texto. Mas isso não me impediu de gostar muito de “Ulisses”. E é esse o meu ponto: não vejo nada de errado numa obra que pode ser lida mais profundamente caso o leitor tenha um conhecimento prévio sobre determinado assunto, mas acho que se a leitura da obra depende desse conhecimento prévio isso é um defeito. Por isso, aliás, tenho certa birra com boa parte das artes plásticas contemporâneas, que funciona como uma piada interna que você pode mandar para os seus amigos por email mas não teria a menor graça para um estranho.
Isso, de novo, eu digo só for the sake of the argument: não li o japa que está no centro de “O sol se põe em São Paulo” (é o Tanizaki, né?) e gostei do livro mesmo assim. Mas se não fosse o caso acho que o problema seria do livro e não meu.
E leia “Nove noites” sim, é bom às pampas. É o segundo melhor romance brasileiro contemporâneo que já li, meio focinho atrás de “Aqueles cães malditos de Arquelau”, do Isaías Pessotti.
Abraços,
Lucas
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[O comentário #12914 será citado aqui]
Eu conheço pessoalmente os dois, por isso posso corrigir essa afirmação, revelando que Bernardo Carvalho tem rusgas pessoais com Nelson de Oliveira… O resto é óbvio. Mas, Romano, não perca seu sono. Eu tenho a solução Tabajara para o seu problema: na próxima copa o Bernardo apita uma partida entre o novo romance do Nelson e o novo do Carrero. Pronto.
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Atenção, é muito fácil achar na internet a razão de Oliveira ter ressentimento contra Bernardo Carvalho. Além de tudo, comparem o currículo dos dois.
Por fim, essa partida deveria ser cancelada por conta do problema com a arbitragem. Acontece em muitos eventos esportivos. Simplesmente creio que deve ser feita outra, com outro árbitro. A razão é tão óbvia, meu Deus… Só podia sair um textinho desses…
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[O comentário #12962 será citado aqui]
Opa, virada de mesa não: o juiz apitou, tá apitado. Pode xingar à vontade – e xingar também o organizador, que não sabia da suposta rusga entre os dois. Mas o resultado do jogo é esse.
E por que esse pisar em ovos para se referir à briga entre Nelson de Oliveira e Bernardo Carvalho? Não é melhor discutir o assunto às claras? O que encontrei no Google foi um texto do Nelson respondendo a uma crítica que o Bernardo teria feito à “geração 90″, é isso?
Abraços,
Lucas
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Lucas, fica sossegado. Pequenos confrontos são muito comuns na vida social literária paulistana. Mas, da mesma maneira que as “rusgas” vêm, elas também vão, na boa. Hoje não há mais a menor indisposição entre mim e o Bernardo. A gente tem mais o que fazer. Ficar perdendo tempo alimentando “rusgas” é bobagem, a cidade é grande e há espaço pra muito escritor. Mais do que ficar pentelhando, o Romamo precisa dizer por que o romance do Carrero não mereceu a vitória. Será que ele tem “rusgas” com o gajo.
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HAHAHAHAHAHAHA
essa rusga dos caras! pois eu não falei? a mulher de césar tem de PARECER HONESTA pelo menos (já que ser honesta parece cada vez mais ser impossivel).
agora me digam: porque tanto escritor se mete a critico de colega? e porque tanto jornalista/escritor se mete a critico de colega (escritor)? ESSA EH A PRAGA DA LITERATURA BRASILEIRA (mundial?)
aqui não dá outra. vc ve blogueiro comentando livros alheios, todo supimpa — e vai ver o cara eh escritor. vc ve jornalista super severo com os contemporaneos– e vai ver o cara eh escritor.
CARAMBA! nunca vi tantos ESPIRITOS ELEVADOS!!
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Eu li o Sol se põe em SP e concordo com Lucas o problema dele é segurar o enredo encoberto até a metade do livro e depois soltá-lo com um turbilhão de minúcias e revezamentos que tornam a coisa toda muito chata e acaba com tensão narrativa criada na primeira metade. É esse o ponto fraco do livro, muito mais do que tratamento sóbrio e analítico, estilo do autor. Quanto aos personagens, o adjetivo chato só vale para o pseudo-narrador do livro, pois a verdadeira personagem que protagoniza toda a história, é uma personagem interessante.
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Nossa, essa Copa de literatura reserva mesmo surpresas. A primeira: ainda tem gente que dá crédito para o Nelson Baboseira! Senhores, ele baba. De inveja, de ressentimento mas sobretudo de burrice. Vocês não se lembram dos transgressores??!! Foi ele que inventou!
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Sinceramente? A quantidade de chatos por metro quadrado tá cada vez maior no mundo literário. Ô povo xarope. Conseguem transformar uma boa diversão em algo semelhante a um debate político entre perdedores: só metem o pau, patinam e no fim não disseram nada capaz de mudar o panorama da situação. Ou seja, continuam perdedores.
Não sei se me fiz entender, mas a resenha é essa e pronto. É desnecessário ficar julgando e apontando 1001 fatores pelos quais o resultado foi “influenciado”. O resultado é subjetivo e thank god pela diversidade de opiniões.
Sério, me bate mó vergonha alheia ver tanta gente “entendida” do assunto argumentando (se é que dá pra chamar assim) como se tivesse ganhado meias no dia das crianças ao invés de brinquedo.
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[O comentário #12938 será citado aqui]
Obrigado,
Lucas, no seu segundo parágrafo, você colocou exatamente o que acho. E creio que falta ao romance do Bernardo, este valer-se por si próprio e não por referendar outro e outro.
Também, achei fraco o texto – muitos clichês – e mal lapidado.
Quanto o do Carrero, já que teve alguém nesta copa colocando-o como obra prima universal, e eu não consegui ir até o fim. Falta minha. Mas o defeito que encontro, no pouco que li, é esquecer do leitor. O cara vai naquela ruminância sem nexo até o ponto que desisti, tava muito chato.
Aviso, contudo, se me convencerem do contrário, que o livro é maravilhoso e etc., pego e lei tudo, o problema pode ser meu.
Para os leitores, essa copa vale muito mesmo.
Valeu!!!
abçs.
tchau!
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Eu discordo: o Nelson de Oliveira é um gênio e quem o critica faz isso porque tem inveja do sucesso e do reconhecimento dele.
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O amor não tem bons sentimentos é um livro primordial,os que dizem que não conseguiram ir até o final tenho uma explicação lógica:O livro do Carrero é um livro para quem é LEITOR e não é para o leitor comum,os livros do Carrero é para o leitor que pensa.Pelo o que estou vendo aqui quem vai acabar ganhando essa copa é Toni Belloto com o seu “Maravilhoso”Os insones…rsrsrs.
Jurados prestem atenção nessa obra do Carrero hem,não coloquem esse maravilhoso livro de lado.
Atc
Ney Anderson.
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¿O q é “livro primordial”?
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Dr. Ney, uma perguntinha, se me permite, mas você não teria melhores argumentos para defesa do livro do Carrero?
Exortar-nos a aceitá-lo como “primordial” não me levou a mudar minha primeira impressão e lê-lo.
É sua chance – quando o juiz não faz. Sobra para os torcedores apontar os erros e virtudes. Lembra joguinho, peladinha, quando não tinha nem juíz, porque nós mesmos resolviamos, nada profissional, por prazer, amadores mesmos.
Valeu!
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Olá para todos que estão nessa discussão maravilhosa!
Fiquei sabendo da COPA, e não posso deixar de dar minha opinião sincera.
É quanto ao “Amor não tem bons sentimentos”, do escritor Raimundo Carrero (“O sol se põe em São Paulo” de Bernardo Carvalho, ainda não li, mas pretendo fazer isso logo que eu possa).
Penso que o livro de Carrero desafia o leitor. E estou aqui como uma leitora que adora desafios!
O personagem Mateus me enternece e assusta ao mesmo tempo. Narrar do ponto de vista desse rapaz achei fantástico porque ele expõe o amor (mesmo que por demais impuro em alguns dos momentos mais fortes do romance) que desenvolve pelas figuras da mãe e irmã.
Esse amor que, realmente, não tem “bons sentimentos” me parece ser a angústia do personagem que faz o bem para si quando as estupra, e ao mesmo tempo para elas, já que é a maneira que encontra (e em muitos momentos me pareceu que era o que ele podia dar a ambas) para demonstrar afeto.
Ora, a mente de um menino que nasceu sem pai nem mãe, e com uma tia divinamente sedutora, que lhe dava banhos nua, encaixa com a referência que é apresentada do amor através dos devaneios que circulam pela narrativa, ao menos é como penso esse personagem de Carrero, que me inquietou desde a primeira leitura que fiz desse livro.
A mente de Mateus é turbulenta sim, mas é musical e soa como uma melodia que não queremos ouvir, diz verdades que procuramos não aceitar, mostra intenções que desejamos encobrir, não sei, às vezes penso que é por medo do humano que dizemos que Mateus é louco, mas a verdade é que não sei até que ponto essa é a verdade.
Espero que quem não leu ainda, leia! (e sinta, talvez, essa dorzinha de reconhecimento..)
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[O comentário #13162 será citado aqui]
hum, comentários como esse deixam a certeza de que preciso NÃO ler o livro do Carrero.
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[O comentário #13169 será citado aqui]
Depois deste comentário, eu também abdico do meu direito de ler este livro.
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A maioria dos comentários deixados neste espaço é a prova de que as vanguardas ainda não acabaram: o dadaísmo vive!
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[O comentário #13187 será citado aqui]
Despertado pelo niilismo da resenha.
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Narra do ponto de vista de um louco é tarefa para poucos.Matheus é um personagem que nos faz sentir um série de sentimentos,amor,ódio,ternura,pena..etc.Não irei fazer aqui uma tese de mestrado sobre a obra do Carrero,acho sinceramente que vocês precisam ler esse livro,até para ser conhecer como pessoas no mundo moderno,a loucura está ai e nós precisamos entender.O amor não tem bons sentimentos nos ajuda nesse sentido.
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A resenha menos atrativa até agora desta edição da Copa. Ainda não li nenhum dos livros. E, poxa, é uma pena quando nos deparamos com tietagem barata aqui. Daqui uns dias vão criar fã-clube pra escritor, caso ainda não exista e eu não esteja sabendo.
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Resenhas longas e cheias de digressões não são resenhas, são ensaios. A de Nelson de Oliveira é excelente: direta e objetiva, sem enveredar pela crônica, pela anedota ou por um matagal de metáforas subjetivas. Trata-se de um voto objetivamente justificado.
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O mais engraçado nessa COPA é que a maioria dos comentários não passa de uma justificativa do porquê de não ter lido os livros. É a primeira vez que vejo um grupo tentando discutir algo que não leu. E isto me faz pensar no que leva alguém a falar mal de autores que talvez só conheçam por fotos!
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“Como falar dos livros que não lemos”, do profeta Pierre Bayard, é a Bíblia deste milênio. Não percam o volume dois: “Como falar dos filmes que não vimos”… O que a Camila está dizendo é que a maioria dos comentários serve de exemplo para o livro “Como falar das resenhas dos livros que não lemos”, volume nove da saga bayardiana.
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[O comentário #13606 será citado aqui]
Mais engraçado ainda são os comentários de comentários. Não é insano isto?
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o cartum que o lucas indicou, com dois internautas brigando, é genial. o conforto do anonimato só faz aflorar o rancor e a grosseria.
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[O comentário #13644 será citado aqui]
Pior são os comentários dos comentários dos comentários.
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[O comentário #13668 será citado aqui]
Bom é que as pessoas têm autocrítica.
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Os dois romances são mesmo muito bons, mas perece que, entre os leitores, a disputa está sendo entre duas ideologias: a de São Paulo e a de Pernambuco. O pessoal do sudeste se identifica mais com a prosa do Bernardo, ao passo que o pessoal do nordeste prefere a do Carrero.
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[O comentário #13691 será citado aqui]
Desculpa, mas não sei de onde você tirou isso. Sou do Nordeste e não me “identifico” nem um pouco com a linguagem do Carrero, e se entendo o que você quis dizer, não me “identifico” com a do Bernardo Carvalho também, apesar de, em geral preferir os livros do último.
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Essa história de identificação faz sentido num determinado contexto. Claro que há narrativas com as quais nos identificamos mais, penso que é uma questão de pulso mesmo, um texto que toca mais nossa sensibilidade.
Mas no caso de uma divisão entre os leitores do Nordeste e os do Sudeste, acho que não chega a tanto.
O Carrero me faz ver um lado que está cada vez mais aflorado no homem de nossa sociedade, a perversão, o descontrole sexual, ou uma nova fase do homem, tão ambígua pra mim, e ao mesmo tempo tão assustadora..
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[O comentário #13180 será citado aqui]
coitada da priscila. foi defender e chamar os leitores para o livro e se deu mal. eu também não quero mais ler esse livro.
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Na verdade não é uma questão de chamar leitores, não sou vendedora de livros. Mas de comentar o texto que li. O que me parece ser a proposta desta Copa!
Ao contrário da maioria , que comenta os comentários dos que leram, como disse Camila.
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