Jogo 6

No sexto jogo da Copa da Literatura Brasileira, Acenos e afagos, de João Gilberto Noll, e O ponto da partida, de Fernando Molica, travaram um duelo bastante disputado, pois ambos os livros apresentaram virtudes que sobrepuseram seus eventuais vícios. A princípio, a obra de João Gilberto Noll levava certa vantagem, sobretudo porque o autor é daqueles que se pode considerar adepto de uma literatura vistosa, dessas que conseguem encantar o leitor e o amante dos romances tanto pelo lirismo como pelo estilo bem acabado, extremamente calculado, que sabe exatamente onde quer chegar. De sua parte, Fernando Molica é um autor com repertório literário mais modesto, sem esbanjar tantos recursos estilísticos; em contrapartida, é detentor de uma narrativa bastante envolvente, dessas que conquistam o leitor já no primeiro parágrafo. É como se fossem escolas diferentes, o que só poderia produzir um grande jogo. E nessa disputa, contrariando os prognósticos, O ponto da partida, de Fernando Molica, foi o vencedor.
A chave para a vitória, para utilizar o jargão dos comentaristas de futebol, está justamente na maneira como Molica conduziu sua história, tratando de um tema aparentemente banal: a crise de meia-idade de um jornalista carioca, apaixonado por Nelson Cavaquinho, que durante um plantão na madrugada revisita sua trajetória profissional, sua vida afetiva e seu relacionamento com os filhos. Nessa jornada rígida e ordinária, o protagonista Ricardo Menezes consegue cativar o leitor porque, homem desprovido de qualidades, mostra-se demasiadamente humano. Assim, mesmo sendo um personagem um tanto amargurado e vivendo (a suspeita é deste juiz) uma espécie de depressão silenciosa, escondida apenas pelos picos de euforia, Menezes não deixa de encarar seus problemas, numa postura divertidamente iconoclasta.
Até aí, alguém pode dizer, isso não sustenta a supremacia de um livro. De fato, não. Todavia, é necessário ressaltar que o autor constrói uma galeria de personagens à altura do protagonista. O sucesso da caracterização é tamanho que em determinado momento o leitor pode crer que as histórias do livro são desses casos fortuitos do cotidiano, algo como uma seleção do que não coube nos jornais. Que fique claro: a despeito da verossimilhança, trata-se de uma obra de ficção, obviamente arrematada por um autor experiente no ofício de articular boas histórias e que não deixa o leitor perder o interesse pela sequência dos acontecimentos. Assim, seja nos diálogos, seja no encadeamento dos capítulos, Fernando Molica é hábil em construir um relato bastante conciso e objetivo, mas, principalmente, um romance que cumpre seu papel de fazer o leitor desfrutar o texto. Assim, se é verdade que em determinados momentos o autor faz com que o leitor reflita sobre as escolhas que os homens, e mulheres, fazem em sua vida para ter mais status, qualidade de vida e dinheiro, também é verdade que ele propõe isso de forma suave e lúdica, deixando sedimentadas as impressões para o leitor. É nesse quesito de, digamos, cumprimento de proposta autoral que o livro de Molica bate o de João Gilberto Noll.
Para quem não sabe, João Gilberto Noll é um dos grandes romancistas brasileiros, mencionado em antologias da literatura brasileira, e um dos autores de prosa vivos mais traduzidos para fora do país. A celebração em torno de João Gilberto Noll se dá porque ele é um autor que se propõe a elaborar uma literatura decididamente mais sofisticada, com um projeto literário a ser seguido. No caso da obra em questão, Acenos e afagos se destaca (a começar pelo título) por ser um romance dotado de uma voz poética bastante peculiar, que pode ser identificada já na maneira como o narrador se dispõe a contar sua história para o leitor.
Esse narrador, protagonista de inúmeras aventuras e desventuras eróticas, a todos relata sobre seus desejos, sua volúpia e sua busca quase incessante pelo prazer carnal. Para ele, nada é mais importante do que agradar seu parceiro: ao mesmo tempo em que se torna a mulher de um engenheiro cuja conduta é misteriosa, ele também assume o papel de homem na intimidade homoerótica. Essa ambivalência causa um nó na cabeça do protagonista, que se vê envolto em inúmeros dilemas morais e existenciais, a ponto de sua fala ser absolutamente errática, caótica, muito embora a organização das ideias seja absolutamente bem feita.
Nessa perspectiva, há de se notar um elemento, a meu ver desnecessário, que compõe a obra de Noll. Trata-se do apelo ao grotesco, um recurso utilizado em demasia pelo autor, que, de forma consciente, arremata o estilo desse livro com uma linguagem chula que usa e abusa dos palavrões para dar cor ao personagem. A mensagem é clara. Experiente no domínio da palavra, JGN tem como objetivo chocar e causar espécie junto ao leitor. A esse respeito, não é descabido lembrar de que Nelson Rodrigues qualificava tal estratagema como a doença infantil do palavrão. Eis um ponto bastante curioso: em Acenos e afagos a verve poética é apimentada por um memorial erótico que em dados momentos, pela riqueza de detalhes, se assemelha aos blogs de garotas de programa que tanto fizeram sucesso na internet neste início de século XXI. Ora, se é verdade que a boa literatura não se faz com bons sentimentos, também é certo que nem tudo é literatura. Assim, quando o narrador revela que, torturado, tinha seu desejo sexual fora de controle, a ponto de deixar a companhia do filho para buscar prazeres proibidos, o leitor tem a impressão de que esse tipo de enredo está mais para filmes de gosto duvidoso nas altas horas da madrugada do que para narrativa ficcional de qualidade.
Esse elemento, no entanto, é acessório. Em verdade, o ponto que faz de Acenos e afagos um livro inferior em relação à obra de Molica é precisamente a condução da narrativa, que no caso da obra de JGN se assume como sofisticada, mas não consegue trazer o leitor comum para seu livro. Quer dizer, o autor até tenta isso com as descrições sexuais em série, mas logo essa arte de causar efeito torna-se estéril. Em outras palavras, Noll acaba por estimular, aguçar e apimentar a imaginação do público, mas, comparado ao texto de Molica, suas inventivas são inócuas e sem sentido.
Se se comparar os textos, há de se notar que ambos os protagonistas passam por experiências extenuantes em sua trajetória. Sim, leitor, são argumentos e histórias totalmente distintos um do outro. Todavia, constata-se que tanto o narrador-protagonista de JGN quanto o herói de Fernando Molica atravessam momentos de tensão ao resgatar suas escolhas, tomar novas decisões e enfrentar novos desafios. Como num jogo em que as duas equipes têm atletas de alto rendimento em ótimas condições, a peleja fica bem interessante ao leitor. Mesmo nesse ponto, contudo, a vantagem é para a obra de Molica, porque a distribuição das personagens ajuda a compor um painel mais rico para a história, enquanto o protagonista de JGN torna-se um contínuo de si mesmo, enredado em suas próprias angústias, e o livro parece claramente tomar a opção da parte em detrimento do todo. No conjunto, o romance de Molica é mais coeso e, sim, mais elaborado.
Entre o estilo vistoso de Noll e a prosa objetiva de Molica, neste embate, O ponto da partida vence Acenos e afagos. De um modo geral, é evidente que nem todos os confrontos entre essas duas escolas teriam esse mesmo resultado. Mas num jogo como esse os detalhes importam mais do que o favoritismo inicial.
Vencedor




Fábio Cardoso fez uma avaliação lúcida e com um desenvolvimento tal que nem tenho palavras para comentar. Foi tudo dito.
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Muito bom! A CLB está mantendo o alto nível das resenhas. Agora, não sei se a metáfora é bola alta ou bola no chão.
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Mais uma boa resenha, consistente e argumentada. Agora, Fábio, vou te contar: não li o Molica, mas li o Noll. Achei o Noll muito chato, e só minha educação calvinista pra explicar porque mais uma vez me forcei a chegar ao final do livro. Seu uso do adjetivo “vistoso” é um bom eufemismo pra esse tipo de literatura, que está longe de minhas preferências.
No entanto, e principalmente depois de ler vários outros títulos na disputa aqui na Copa, chego à conclusão de que, apesar de não ter gostado do Acenos e Afagos, o livro é bom pacas (paradoxo? digam aí vcs). O Noll tem um campo de problemas – um pouco como apareceu em uma conversa que tive com o Leandro por email outro dia: parece que é o mesmo problema do A Fúria do Corpo, mas agora revisitado, com mais força e mais pra fora do armário. E os problemas são: o que é escrever “queer”? há uma dicção “gay”? o que é escrever como, ou para, GLBTT? e por aí vai.
Não é mesmo meu negócio – assim como, no caso do livro da Saavedra, não é meu negócio aquela sensibilidade enfática da narradora das cartas, aquele mimimi de sou poeta, sou sensível, sou sofrida: isso me torra o saco. Mas, no caso do Noll, pô, dá gosto ver como o sujeito encara o problema de frente e tenta descascar o próprio abacaxi.
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Já que fui citado, vou dar meu pitaco. Também não gostei do livro do Noll e reconheço o que você diz em relação ao esforço do Noll em produzir uma literatura homoerótica com desdobramentos na linguagem. O problema, a meu ver, não é o projeto, mas sua realização. É tudo muito estilizado, parece um esforço para dizer coisas inócuas de uma maneira complicada. Sinceramente, prefiro alguém dizendo de maneira simples aquilo que é complicado, o que está abaixo dessa superfície de carga sexual.
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Talvez, entre os escritos de “autores respeitáveis” lançados ano passado, Acenos e Afagos seja parte do que houve de mais subestimado.
O que a maioria dos resenhistas pareceu ignorar é a força da jornada a qual o romance convida: investigar um homem por dentro, pelas entranhas, pela via do baixo ventre, dos hormônios em revolução. Partir do animalesco do sexo pra levantar a questão do que é ser gente. Colocando o foco no grotesco dos impulsos e nas “baixezas” do corpo, JGN consegue, como poucos, investigar o coração humano, especular sobre nossa própria humidade – e fazer isso é fazer muito, como Faulkner já dizia.
Se é assim, tendo lido essa boa resenha e tendo gostado tanto de Aceno e Afagos, só me resta ir atrás do livro do Molica, pra saber se ele de fato merce a vitória ou se JG Noll foi chutado pra escanteio apressadamente, como já aconteceu bastante ao longo do ano. No mais, boa CBL pra todo mundo.
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AM, mas uma vez concordo contigo: ler o livro do Noll não foi uma experiência lá muito prazerosa (o narrador certamente se divertiu bem mais do que eu), mas ainda assim achei o livro muito bom. É uma leitura difícil, tanto pelos caminhos inesperados da narrativa quanto pelo malabarismo estilístico ou, mais prosaicamente, pela falta de parágrafos para o leitor respirar. Eu raramente conseguia ler mais de dez páginas de uma vez: depois precisava respirar um pouco. Mas a luta exposta do Noll com as regras e metas que ele mesmo se impôe é bonita de se assistir.
A resenha do Fabio está excelente e o caso que ele montou para avançar O ponto da partida está muito bem explicado, mas ainda assim lamento que Acenos e afagos saia tão cedo da peleja. Acho que há muito a dizer sobre o livro, e muito a admirar também.
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bem, como somos convidados a comentar mesmo sem ter lido os romances em questão aqui vai o meu pitaco: esta é uma boa resenha, mas é a mais fraca até o momento. senti falta de citações de trechos que de alguns dos “momentos de tensão” pelos quais os protagonistas passam.
citações q, além de que dar uma boa dimensão das diferenças de estilo dos autores, poderiam ajudar a compreender melhor seu argumento decisivo sobre como a galeria de personagens do molica enriquece seu romance em contraposição ao foco no personagem “contínuo-de-si-mesmo” do gilberto noll.
no mais: despertou minha vontade de ler o vencedor.
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As citações eu acho que sempre ajudam, te dá um gostinho e, bom, é o mais perto que a gente pode chegar de ter alguma evidência empírica em crítica literária.
Agora, outra coisa que apareceu na resenha do Fábio é o papel do “grotesco” no texto do Noll. Se tem uma coisa que eu posso dizer que achei inequivocamente bom nesse livro foi o uso abundante do, digamos, campo semântico do cu. Disso eu gostei. Outro dia tava lendo um conto o Rubem Fonseca, Força Humana, e pensando nisso: como aquilo me parece passé hj, como há um descompasso entre aquela linguagem e aquele personagem. Essa medida de truculência verbal, esse meter o pé na jaca da putaria, disso eu gostei no Noll e acho que gostaria ainda mais se fosse ainda mais chulo, mais hardcore, acho que pedia isso.
E quem diria que algum dia eu me veria defendendo o Noll. O mundo dá voltas. Ainda bem.
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AM,
Essa não deu pra passar.
É um ponto romântico
tabu
que o céu tão gigântico
e azul
não tenha em seu cântico
mais cru
o campo semântico
do cu.
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Escritor fru-fru
O campo semântico
Do cu
Tem nada do atlântico
Azul
Nem mesmo gigântico
Guru
Tem um nada sântico
Piru
Que só gosta o tântrico
Frufru
(perdão, foi politicamente incorreto, mas não aguentei)
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Excelente resenha crítica. Tão bem fundamentada que dispensa a inclusão de trechos de ambas as obras. Li “O ponto de partida” e gostei bastante do livro. Recomendo a todos, é uma história muito boa.
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Taí: dessa eu discordo mesmo. Por melhor que seja a resenha, por mais consistente que seja o argumento do resenhista, podendo citar, o negócio é citar. E pelas razões que, acho, já expressei antes; é o mais perto que a gente chega de evidência empírica na crítica literária. É o jeito que encontro, enquanto comentador de literatura, de dizer pro leitor “Duvida? Então olha aí, ó!”. Claro: ainda assim o negócio continua sendo interpretação, um trecho não pode ser confundido com o todo, o autor tem suas razões e mais um monte de etcs. Mas, considerando tudo isso, ainda acho que a citação tem valor pra confirmar o argumento e fornecer ao leitor da crítica uma certa dimensão de aferição do valor e da plausibilidade do que diz o resenhista.
Claro: isso de nenhuma maneira tira o mérito do Fábio. É um caso de poéticas da crítica distintas, digamos.
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OI CLICA NO MEU NOME VLW ABS
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PS Aos poetas do forévis, que me propiciaram abundantes (ops!) gargalhadas, só posso agradecer e lamentar que o Noll não esteja lendo essas produções tão incandescentes, que emergiram como um efeito colateral de uma leitura de Acenos e Afagos.
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momento ad hominem – o updike disse:
2. Transcreva trechos da prosa do livro em extensão suficiente – pelo menos uma passagem mais longa – para que o leitor da resenha possa formar sua própria impressão.
torço q os próximos resenhistas sejam generosos nesse quesito. e para q não citem apenas trechos bons dos livros q gostaram e trechos desgraçadamente ruins dos que não gostaram.
ah! e esta frase é simplesmente linda:
“A comunhão entre o resenhista e seu público se baseia na presunção de certos prazeres possíveis da leitura, e todos os nossos juízos devem se curvar a esse fim.”
valeu, tiago a. [13]
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deu zebra?
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bem, eqto o juiz não aparece com os trechos q gostou [devo manter minhas esperanças?], na página do autor vitorioso há uma trecho razoavelmente extenso com a história do joão carniça:
http://www.fernandomolica.com.br/livros/opontodepartida/trecho.htm
hilário!
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não posso deixar passar também!
“que só gos(T)a o tÂntrico
fru fru”
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luizgusmao,
Com essa do Updike, não concordei. Depende do foco da resenha. Ultimamente, tem-se falado demais de formaformaforma estiloestiloestilo como se fossem o q de mais importante há num livro, aquilo sobre o qual não se pode calar; se a resenha é sobre isso, então cabe sim uma citação (e acho q nessa do F.Cardoso, cabia). Já eu, prefiro uma resenha q fale do q o autor tá DIZENDO, pq não nasci ontem e sei q alguma coisa ele tá empurrando (como todo o mundo) e quero saber o q é. Esta resenha tbm fala dessa outra coisa, q julgo mais importante.
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De qualquer forma, gostei da resenha porque ressalta a diferença entre um bom projeto de livro de um livro levado à efeito. Sei não, mas acho que a maior parte dos livros da Copa tem sido escolhida mais pelo que poderia ser que pelo que é de fato, em razão da arguta penetração dos analistas que conseguem enxergar as menores pretensões estéticas dos autores… No entanto, o buraco (ops) é mais embaixo e concretização de obra não é projeto. Realmente não sei, que o afirme quem leu a maioria dos livros.
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será q citações só se prestam para ilustrar análises de estilo e estrutura, dr. plausível? sei não…
para mim, um punhado de sentenças bem escolhidas podem revelar mto bem oq o autor está dizendo e se o que ele diz contraria/corrobora a mensagem que quer passar, se ajuda/atrapalha a desenvolver a história, se é propício a criar o clima apropriado ou fracassa em nos seduzir. como diz am [12], é o mais perto que a gente chega de evidência empírica na crítica literária.
pelo menos, concordamos q a resenha é boa, mas q algumas citações lhe fariam mto bem.
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É uma caixa de comentários de camaradas?
A resenha é rasa demais. Li o Noll e não consegui entender o ponto da crítica do rapaz. Não há uma linha sobre o fato de Acenos e afagos ser um livro que faz uma aposta alta (e incomum) no humor. Talvez isso tivesse feito o resenhista entender o porquê dos palavrões que tanto o incomodaram. Entendo que não é um livro para qualquer leitor. Nem todo livro é e isso não é demérito do leitor. Mas é muito menos demérito do livro. Mas daí a fazer um texto tão apressado e fraquinho assim… Tive vergonha alheia.
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