Copa de Literatura Brasileira

Jogo 2

Antes de iniciar a leitura dos livros que me foram designados tentei estabelecer alguma relação entre os dois autores. Enquanto Paulo Coelho é uma celebridade midiática, autor de diversos livros traduzidos em diversas línguas, Xerxenesky é autor de primeira viagem, jovem, estudante de letras. Mas, apesar de parecerem absolutamente diversos, existe uma semelhança: são os dois autores mais livres da Copa de Literatura.

O Mago, diante dos seus resultados pregressos, já não precisa provar nada a ninguém: é um grande sucesso de vendas e, apesar de não ter conquistado os críticos, já dispõe de títulos, entre eles o de imortal da Academia Brasileira de Letras. Seu desafiante é sócio da editora que publicou seu livro e tem a vida toda pela frente: um escorregão em sua primeira obra será perdoado se as seguintes forem melhores, o que lhe permite tomar certos riscos e fazer certos experimentos que outros autores talvez não tivessem feito.

O resultado dessa liberdade foram excessos de ambas as partes — cada qual à sua maneira.

***

Areia nos dentes é um faroeste com zumbis. Sabemos disso porque, além de estar escrito na orelha do livro (assinada por Daniel Galera, outro concorrente da Copa), o fato é pincelado ao longo da narrativa antes das criaturas aparecerem (e elas demoram). A presença dos zumbis nem é tão importante assim, mas é parte do espírito que rege o livro.

A história, resumidamente, é a de um velho mexicano solitário e alcoólatra que escreve a história de Mavrak, cidade do Oeste selvagem onde viveram seus antepassados. Mavrak é dividida por uma guerra entre duas famílias: os Marlowe e os Ramirez. Por conta do assassinato de um dos Ramirez, é designado um xerife para a cidade antes sem lei. Outros personagens típicos dos antigos westerns, como a cafetina e o dono do saloon, completam a história.

Existe uma clara diferença de estilos entre os momentos atual e passado na narrativa. No plano de Mavrak, simula-se o digitar de um bêbado, muda-se a fonte e cria-se um simulacro de estilo, pertencente ao personagem que no romance escreve a narrativa de Mavrak; como resultado, tem-se a sensação de que não é o próprio autor que redige aquelas páginas, mas seu personagem. A história do velho em seu apartamento é contada em prosa limpa, fluida, mais próxima da de outros textos de Xerxenesky; arrisco dizer que é esse seu estilo natural, em oposição àquele simulado.

Porém, o autor tem bom humor e senso de autocrítica suficientes para brincar com a própria metalinguagem, o que mostra que o rapaz não se leva a sério — qualidade que pouquíssimos escritores possuem. Isso está expresso num trecho da página 88, derramado de ironia:

“Que idéia péssima! Por que alguém escreveria sobre alguém escrevendo?”

“Eu também acho horrível. Teve algum crítico que resumiu exatamente o que eu sinto. Ele disse: ‘Metalinguagem é uma doença juvenil’. Enfim.”

Essas abstrações intelectualoides ele deve ter aprendido na faculdade. De algumas coisas que ele me ensinou na vida eu até gosto, mas tudo tem limite. Para mim o último grande livro foi Ulisses.

Por outro lado, parece que ao escrever Areia nos dentes o autor teve a intenção de demonstrar tudo o que sabia sobre as técnicas e o referencial cultural da literatura e do cinema. Como se fosse essa a sua única oportunidade de mostrar o que sabe. No fim, por excesso de vontade, acaba-se perdendo o impacto de uma prosa mais limpa e coerente.

Esse excesso é mais patente na primeira metade do romance, em que a quantidade de referências e o tipo de humor, semelhante às piadas internas de um grupo de amigos, revelam uma prosa imatura. A segunda metade é mais séria, com um desenvolvimento de temas literários clássicos como, por exemplo, o aprofundamento das questões entre pai e filho. Os zumbis surgem, então, para revelar a complexidade dos personagens do romance. Quanto mais nos aproximamos do desfecho, mais vemos qualidades no autor que Antônio Xerxenesky pode se tornar em seus próximos livros.

***

Falar dos clichês e lugares-comuns de O vencedor está só, de Paulo Coelho, é uma tentação que procuro evitar enquanto escrevo esta resenha, porque isso já foi feito à exaustão para cada livro que o autor publicou e por críticos muito mais talentosos do que eu. Por outro lado, esse tipo de resenha não seria mais que um exercício de perseguição a um autor já bastante malhado. Além disso, seria injusto, pois muitos autores de que gosto e que recomendo, como Nick Hornby, escrevem textos cheios de clichês e lugares-comuns, sem deixar de entreter.

O clichê, por si, não é algo abominável. E entretenimento não é sinônimo de falta de qualidade. No cinema, Chaplin utilizou diversos clichês do teatro e compôs personagens caricaturais, mas entreteve as massas. Sua qualidade é inquestionável, sua visão crítica da sociedade americana da primeira metade do século XX é feroz e, acima de tudo, ele é divertidíssimo. Na literatura não é diferente.

Por outro lado, quero ressaltar alguns pontos sobre os quais escolhi refletir depois de ler o prefácio de O vencedor está só, escrito pelo próprio autor e reproduzido abaixo:

O retrato

No momento em que termino de escrever estas páginas, existem vários ditadores no poder. Um país do Oriente Médio foi invadido pela única superpotência mundial. Os terroristas estão ganhando cada vez mais adeptos. Os fundamentalistas cristãos são capazes de eleger presidentes. A busca espiritual é manipulada por várias seitas que alegam deter o “conhecimento absoluto”. Cidades inteiras são riscadas do mapa pela fúria da natureza. O poder do mundo inteiro está concentrado nas mãos de seis mil pessoas, segundo pesquisa de um reputado intelectual americano.

Existem milhares de prisioneiros de consciência em todos os continentes. A tortura volta a ser tolerada como um método de interrogatório. Os países ricos fecham suas fronteiras. Os países pobres assistem a um êxodo sem precedentes de seus habitantes em busca do Eldorado. Os genocídios continuam em pelo menos dois países africanos. O sistema econômico dá mostras de exaustão, e grandes fortunas começam a ruir. O trabalho escravo infantil tornou-se uma constante. Centenas de milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza absoluta. A proliferação nuclear é aceita como irreversível. Surgem novas doenças. Antigas doenças ainda não foram controladas.

Mas é este o retrato do mundo em que vivo?

Claro que não. Quando resolvi fotografar minha época, escrevi este livro.

A ideia de fotografia, de instante, permeia O vencedor está só: além dessa menção no fim do prefácio, fotógrafos ilustram a capa do livro e os títulos dos capítulos se referem a horários específicos do dia em que se passa a história. Vale lembrar que uma fotografia é a captura da luz de um quadro num instante. Em todos os capítulos do romance, porém, há descrições de ações e memórias dos personagens que escapam ao horário que o capítulo pretende narrar. Fica a sensação de que a prosa do livro nada tem de fotográfico. Outros autores trabalharam propostas semelhantes de maneira mais coerente. (Gosto de pensar em Conversa na Sicília, de Elio Vittorini, como um excelente exemplo de “romance enquanto retrato”.)

No mesmo sentido, as digressões constantes do autor não apenas afetam a ideia formal de retrato mas também atrapalham o fluxo de informação. E existe um excesso de informação no texto: ficamos sabendo da trajetória de cada personagem até o dia narrado, o que além de cansativo deixa a sensação de sabermos demais — principalmente quando voltamos à ideia de fotografia, pois saber menos sobre a história pregressa das personagens poderia tornar mais atraente a imagem daquele instante. O excesso de informação acaba tornando excessivamente didáticas as críticas (na minha opinião rasas) acerca dos valores da sociedade de consumo representada pelos personagens inseridos no Festival de Cannes. Muitas conclusões às quais o leitor poderia chegar a partir da narrativa são explicitadas nas palavras e julgamentos do narrador; e, quando o narrador não nos diz o que pensar sobre a situação, os personagens o fazem.

Talvez o sucesso de Paulo Coelho esteja exatamente nesse ponto que critico com tanta veemência: não há necessidade do leitor pensar ou interpretar o romance, a interpretação já está dada. Mas para fazer isso O vencedor está só precisa de quatrocentas páginas, quando a história poderia ser contada de forma muito mais atraente em pouco mais de cem.

Numa fotografia, o quadro que escolhemos pode ser menos importante e dizer menos sobre a imagem retratada do que o que deixamos de enquadrar. Da mesma forma, O vencedor está só é um retrato não da época em que vive o autor mas do mundo que o autor é incapaz de sublimar para ver essa época. Rodeado por celebridades e pela sua própria celebridade, o autor só enxerga o ponto de vista do “vencedor”, do excesso. O retrato que pretende fazer, e que a princípio parece uma crítica sobre um objeto do qual ele quer se afastar, acaba por se tornar um reflexo do próprio autor.

Incomoda-me inclusive a forma como a escolha do título, O vencedor está só, referindo-se aos personagens que de alguma forma “venceram” dentro da concepção em que estão inseridos (acúmulo de fama, dinheiro ou poder), marca a ótica burguesa do romance. Por sinal, a escolha de retratar o seu tempo a partir da história dos vencedores remonta a uma ótica superada sobre o entendimento da sociedade, e famosamente criticada por Brecht:

O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Conquistou sozinho?
César bateu os gálicos.
Não tinha ao menos um cozinheiro consigo?
Felipe da Espanha chorou a perda da sua Esquadra.
Só ele chorou?
Frederico II ganhou a guerra dos Sete Anos.
Quem mais ganhou a guerra?

O vencedor está só não é um atentado à literatura nem é pior do que a maioria dos livros que se publica. Mas, sem ser um livro inteiramente ruim, não atingiu as expectativas que eu tenho ao iniciar uma leitura; assim, tampouco posso me referir a ele como um bom livro.

***

No fim das contas, O vencedor está só e Areia nos dentes têm bastante em comum. São dois livros que parecem romances de autores iniciantes, com pretensões de demonstrar mais do que é possível ou adequado dadas as características das histórias contadas. Areia nos dentes, porém, leva vantagem em dois fatores: Xerxenesky é realmente um autor iniciante, e tecnicamente seu romance é mais coerente.

Vencedor

Areia nos dentes

Post scriptum: Passado um mês de eu ter escrito essa crítica, Xerxenesky postou em seu blog a história de um capítulo perdido. Um capítulo meramente explicativo. Pensando bem, e relendo meu artigo, o capitulo era essencial. Mas tão somente necessário para ser cortado. Se foi acaso, se foi ato terrorista do Daniel Galera, se foi mancada do diagramador… foi muito bom. Aquele capítulo, de apenas um parágrafo, talvez igualasse Areia nos dentes a O vencedor está só na minha leitura. Esse “talvez” não existe e não sou afeito à crítica genética, o importante é o texto que foi publicado. Enfim, o privilegiado pelo inexplicável, quiçá chamemos de magia, foi Antônio Xerxenesky, o vencedor do jogo 2 da Copa de Literatura Brasileira de 2009. Que se cuide seu próximo adversário, quem sabe zumbis apareçam antes do próximo jogo.

Você concorda com o resultado do Jogo 2?

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34 comentários

    [...] This post was mentioned on Twitter by Antônio Xerxenesky and Fabio Moraes, Delfin. Delfin said: RT @xerxenesky: ZUMBIS VENCEM MAGO. Onde? Copa de Literatura: http://is.gd/4uQz9 — Parabéns, Antonio. Até vou lá ver isso no site da CBL! [...]

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  • Eu já sabia! \o/

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  • Fernando,
    Resultado justo.

    Achei oVeS presunçoso demais. A começar por esse preâmbulo inflado terminando com:

    Mas é este o retrato do mundo em que EU vivo?
    Claaaro que não. ¿Tá me estranhando? Quando resolvi fotografar MINHA época, escrevi sobre mulheres lindas, futilidades, toneladas de dinheiro e possíveis compradores dos direitos cinematográficos de meus livros.

    Pra mim, já começou mal na epígrafe, com um trecho de Whitman mal traduzido e pior entendido. Por outro lado, lendo oVeS, cogitei q ele faz tanto sucesso lá fora pq os tradutores devem dar um jeito de arredondar suas frases tronchas.

    Na verdade, não tenho como comentar sobre os outros livros do P.Coelho. Um amigo meu fala bem deles. Mas segundo o q ouço por aí de gente q gosta de PC, esse último deixa bastante a desejar.

    Apesar de tudo isso, acho q vc foi injusto com o lance da “fotografia da época”. Essa expressão está dois degraus metafóricos acima do sentido comum. Vc só subiu um degrau.

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  • Resenha muito boa. Objetiva. Sem metaliguagem.
    O PC pode ganhar o Nobel que vai continuar sendo o PC do primeiro livro. Um eterno iniciante.

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  • Dr. Plausível,

    A sua teoria sobre os tradutores é a mesma que a minha. Dizem que o tradutor para o francês merece prêmio literário!

    A

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  • Doutor, creio que tradutor nenhum precisa arredondar frases tronchas das obras de Paulo Coelho. Comercialmente, as frases tronchas tem um público muito maior do que as bem elaboradas. Quanto mais troncha, melhor.

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  • Bravo!

    Não lembro de ter gostado mais de alguma outra resenha de qualquer edição da Copa.

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  • Há um erro de ortografia no final do texto.
    Grafou-se “privelegiado” em lugar de “privilegiado”.
    Espero que seja corrigido.

    Não é necessário manter esta comentário publicado.
    Apaguem após a devida correção.

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  • Rodrigo,
    Deve se tratar de um processo alérgico ao PC, pois aqui passaram resenhas de alta qualidade. O Dr. Plausível ai escreveu resenhas ótimas.

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  • Por motivos óbvios, estava na torcida pelo Areia nos Dentes. Boa resenha, Fernando! Vamos ver os os nossos zumbis seguram a cordilheira.

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  • [...] Copa de Literatura 2009 – Areia nos Dentes vs. O Vencedor Está SóPor Fernando Torres, 21.10.09 [...]

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  • Marco, não me parece que ao elogiar a resenha do Fernando Torres eu tenha desmerecido a de quaisquer outros resenhistas.

    Concordo que houveram muitas outras boas resenhas. Apenas me reservei o direito de louvar uma em especial.

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  • Só pra constar, ficou ótima mesmo. Abss! Eric.

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  • Acho um problema, nesta Copa, as pelejas entre autores muito desnivelados do ponto de vista de maturidade/experiência/número de livros publicados. Isso faz diferença.

    Não é justo, e é difícil para o juiz, avaliar novatos jogando contra veteranos.

    Seria melhor ver veteranos contra veteranos e novatos contra novatos.

    Por exemplo: devia ser Paulo Coelho X Rodrigo Lacerda e Alexandre Xerxenesky X Vanessa Barbara + Emilio Fraia, e não PC X AX e RL X VB + EF.

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  • Comentário 8: erro corrigido. Obrigado.

    Comentários 4, 7, 9, 10, 12 e 13: Quando vocês descem o malho também é bacana, claro, mas um elogiozinho de vez em quando é muito bem-vindo. Obrigado de novo.

    Comentário 14: PW, o emparelhamento de livros é por sorteio, porque acho que definir os jogos de antemão poderia ser visto como favorecimento. Mas o sorteio desta Copa deu umas coincidências bem interessantes: dois livros sobre a infância/adolescência no jogo 3; dois livros com forte inspiração bíblica no jogo 4; dois livros sobre loucura e paranoia no jogo 7; dois livros sobre segredos de família e amores proibidos no jogo 8. Mas juro que foi puro acaso.

    Abraços,

    Lucas

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  • Chutar cachorro no chão anima todo mundo.

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  • Pôxa, dei meu exemplar de O vencedor está só prum fino colega literato, esperando q ele, com sua cultura abrangente e inteligência generosa, encontrasse algo de bom pra dizer sobre o livro aqui, e até agora não se manifestou. Ou ainda não leu, ou não gostou.

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  • Olá
    “Ao vencedor as batatas”.
    Dr Plausível, posso tentar adivinhar qual foi a do seu “fino colega literato”?……………….acho que foi uma mistura das 3 coisas: ele não leu o livro por que desconfiou que, talvez, quem sabe?!, não iria gostar e por isso resolveu não se manifestar, deixando-lhe o beneficio da dúvida.

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  • Existe uma espécie que consegue ser ainda pior que o fã médio de Paulo Coelho: o crítico de Paulo Coelho.

    Impressionante como aqueles que enxergam e atacam os clichês nas obras do PC conseguiram criar o que talvez seja um dos piores clichês da Literatura Brasileira: falar mal do Paulo Coelho. Por implicância infantil contra seu sucesso (e aqui, só pra manter a coerência, não vou usar a frase de Tom Jobim que já virou clichê) em críticas rancorosas travestidas de análises técnicas isentas.

    E essa crítica pedestre ainda é capaz de gerar um filhote ainda mais nocivo, o Ninguém-crítico.

    O Ninguém-crítico que, por ninguém, não tem nada a mostrar, vem aqui e vomita um comentário subletrado corroborando a tese do crítico. E vai embora com a sensação de dever cumprido pela pedra arremessada.

    Como o bom senso é mudo, não posso recorrer a seu testemunho para dizer, de uma vez por todas, que se Paulo Coelho não é o melhor escritor do Brasil, também está longe de ser o pior.

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  • Patrícia,
    hahaha
    Até poderia ter sido isso. Mas,por coincidência, assim q escrevi aquilo, recebi uma mensagem dele. Na verdade, o q aconteceu foi q enviei o livro pra seu endereço antigo, e ele só pegou o livro lá ontem.
    A verdade é uma coivara.

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  • Danilo, acho que faltou atenção na sua leitura da resenha. O Fernando faz uma defesa explícita dos clichês (que não provocou a discussão que achei que ia provocar), faz uma análise do livro com base no que ele identificou como a proposta do autor (o romance enquanto retrato) e no fim diz exatamente o que você disse: “‘O vencedor está só’ não é um atentado à literatura nem é pior do que a maioria dos livros que se publica”. O julgamento foi duro, mas a análise foi séria.

    Abraços,

    Lucas

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  • Danilo,
    Não acho q seja uma “implicância infantil contra o sucesso” do P.Coelho. A qualidade intrínseca dele como autor não é a questão: tem lugar pra todo tipo de escritor no mundo; o problema é justamente a popularidade: se PC não vendesse tanto, seria justamente ignorado. Toda crítica q desfaz dele tá no fundo criticando/lamentando o pouco discernimento literário e/ou lingüístico e/ou intelectual do PÚBLICO. Enquanto eu lia O vencedor está só, senti nitidamente meu cérebro atrofiar. É um desfile monótono de frases tronchas, raciocínios tronchos, filosofias tronchas, inserções tronchas de informações tronchas, etcéteras troncos. Nesse livro, PC não soube se controlar; quis escrever um livro longo, com enredo complexo e contemporâneo, e ficou enchendo lingüíça. PC achou q precisava explicar prà plebe rude aquilo q ele considera “sofisticado”. Sem a fatuidade do novo-rico deslumbrado, teria cabido tudo em 100 páginas, como disse o F.Torres. O consolo é q esse livro tem sido rejeitado até por muitos coelhetes.

    Foi interessante ter esse livro na Copa; mas, exagerando um pouco, foi como incluir um filme do Zé do Caixão no Festival de Cannes.

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  • Ótima resenha!

    Não foi chutar cachorro morto (quem vende tanto não pode estar morto), nem partiu de premissas preconceituosas acerca dos autores.

    Parabéns!

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  • A indústria de armas é o que mais vende no mundo. engraçado, né? o que mais mais vende é uma industria de morte.

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  • Caro Danilo Maia,

    Eu defendi, durante a organização da Copa de Literatura, a inclusão do da obra de Paulo Coelho. Minhas palavra à época, foram no sentido de que não podemos nos furtar de ler e pensar sobre a obra do escritor brasileiro de maior sucesso de vendas em todo mundo. Mais que isso o autor é membro da Academia Brasileira de Letras e recebeu uma longa lista de honrarias pelo mundo. E cabe a mim, com a devida vênia, combater a idéia de que “Chutei cachorro morto”, eu encarei o desafio de criticar om gigante do mecado editorial, sobre quem já foram escritos inúmeras resenhas, livros, teses…

    Não lí nenhum de seus muitos livros, “O Vencedor está Só” foi o primeiro. Não posso falar do conjunto, mas tão somente deste obra específica, que não me agradou. Faltou ao livro atenção a certos detalhes que eu pessoalmente dou valor. Essa é a proposta da Copa, e minha proposta foi sempre escrever uma crítica técnica e justa, repelindo as já conhecidas críticas sobre o autor. Cabe dizer que tenho muito orgulho de saber que o proprio autor leu o texto e me enviou mensagem dizendo que minha crítica não é agressiva, portanto não a considera ruim, mas apenas a minha opinião pessoal sobre o livro. Creio eu que ele entendeu que eu o respeitei como autor, da mesma forma que respeitei Antônio Xerxenesky.

    Minha questão é, Danilo, você leu minha crítica ao Livro de Antônio Xerxenesky? O que acho dela? Justa ou injusta? Você entendeu o que eu valorizei ou critiquei no livro dele?

    Aliás o que os nobres comentadores têm a dizer sobre minha resenha sobre “Areia nos Dentes”?

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  • Acho excelentes suas críticas, Fernando Torres, tanto de um livro quanto de outro. Além do mais, você teve a simplicidade de criticá-los, perdendo com isso o carisma idiossincrático decorrente de quem se dispensa de explicar só porque deu o veredicto. Só acho impressionante alguém com seu nível cultural dizer que pertencer a Academia Brasileira de Letras significa alguma coisa (Coelho Neto, José Sarney, Pitanguy e outros medalhões do status fó também são). Agora, quanto a PC, a mim me parece ridícula a discussão. Ele é um mestre apenas num ponto da carpintaria romanesca: a capacidade de enredador. Não deveria ser conceituado como escritor lato sensu, ou como folhetista ou novelista de tv (sem que eu considere isto um demérito, ao contrário, é preciso saber fazer folhetim ou novela de tv e poucos sabem). Mas são categorias diferentes. O problema é que o próprio PC não se conforma com seus limites estéticos e quer se fazer um literata, coisa que jamais será (no sentido completo). O fato de tentar está tudo bem – devemos tentar ser um Tolstói até. Mas sua gabolice de ir para a academia, de se revoltar contra os críticos, de fazer um exposição na França junto encontro de escritores pelo qual não foi convidado etc.. o traem. Vejam o caso do escritor Márcio Souza que escreveu Galvez, o imperador do acre. Ele foi mais humilde e admitiu que é um contador de histórias. Pronto, foi simples, direto, ninguém pega no pé dele literariamente como fazem com PC. E, coisa engraçada, por não querer invadir terreno alheio, muitos acabaram por incluí-lo.

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  • Sobre esse último comentário de Fernando Torres, gostaria que soubesse da minha tréplica, esclarecendo que não me dirigia especificamente à sua resenha.

    Tréplica essa que foi censurada, sem maiores explicações. Se o mantenedor do site não quiser publicar a minha opinião poderia ao menos me dizer por email os motivos.

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  • Danilo,

    Enviei para você um email, que não deve ter chegado. O comentário anterior foi bloqueado por estar escrito num tom que julguei inadequado ao site. No email cheguei a informar que, com o tom modificado, o comentário seria aceito sem problemas.

    Abraços,

    Lucas

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  • Caro Rodrigo, queria poder contar com tantas certezas como você.

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  • O problema não é ter certezas, Fernando. É se prender nelas. As certezas são típicas de homens assumidos e dizer-se incerto mostra, muitas vezes, enorme presunção de quem quer se mostrar simples, modesto e, numa palavra, evoluído. Não digo isto sobre você, meu caro, por favor, me entenda bem. Espero que seja sincero de coração. Porém, não se deixe iludir pela retórica falsa da falsa humildade. Homens que crescem passam de uma convicção a outra.

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  • Já que os próprios autores estão comentando os outros jogos, vou dar meus pitacos aqui, i.e., apontar aonde concordo com o Fernando:

    a) O Areia é um romance de iniciante que peca, de fato, por excessos, e por querer mostrar todas as referências de música e cinema. Esses dias folheei o livro e me deparei com uma referência totalmente gratuita a Terry Gilliam. Escrevi o Areia dos 22 aos 23 anos. Idade do autor nunca é critério para julgar um livro. Mas, de qualquer forma, se algum dia existir uma segunda edição do livro, com certeza mudarei um par de coisas, pois, por mais ridículo que pareça, mudei bastante de lá pra cá. Tudo o que posso dizer é que o romance é o melhor que fui capaz de escrever naquela época. Publicar é parar de alterar, não é o que dizem? Um livro nunca chega ao fim, de fato.

    b) O Fernando captou tri bem a diferença estilística entre os dois eixos narrativos, não tinha visto isso em nenhuma outra resenha ainda.

    c) Ele concorda comigo que a Parte 2 é bem melhor/mais trabalhada que a Parte 1. Como é agradável concordar com um crítico.

    Quanto ao Vencedor Está Só, juro que tentei ler, mas não passei da página 50. Como não me pagaram para ler/criticar, dei preferência para outros concorrentes da Copa que me pareceram mais interessantes.

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  • Também acho complicado fazer afirmações tão assertivas sobre o que é bom ou ruim em literatura. Há tantoas variáveis a serem consideradas! Além do mais, para cada livro há um leitor. Respeito tanto que ama Paulo Coelho quanto quem adora Umberto Eco ou Le Clezio.

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  • Caro J. Peçanha. Eu acho bastante fácil fazer assertivas sobre o que é bom e o que é ruim. O difícil é sustentá-las. Não é uma questão apenas de respeito ao leitor de uma obra ou outra, mas de respeito ao autor da obra.

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  • [...] foi Pó de Parede, de Carol Bensimon. Depois seguiram-se: Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky (leia minha resenha aqui e o que o autor disse sobre ela aqui), A virgem que não conhecia Picasso, de Rodrigo Rosp, Raiva [...]

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