Lucas Murtinho: Como não podia deixar de ser, a primeira Copa de Literatura Brasileira foi uma grande bagunça. O favorito foi eliminado na primeira rodada; um azarão chegou às semifinais; um árbitro decidiu o jogo no cara ou coroa. O ótimo livro de uma semana virou a porcaria de outra, ou vice-versa. O futebol que me perdoe, mas a verdadeira caixinha de surpresas é a literatura.
Entre opiniões conflituosas, decisões surpreendentes e discussões acaloradas, um tema apareceu com frequência: a relação entre a ambição de um romance e sua qualidade. Jonas Lopes, ao fechar sua resenha do jogo 12, escreveu que “[d]osar [a] pretensão é o grande desafio dessa geração de autores.” Eu acrescentaria que dosar a pretensão é um grande desafio para todo autor.
Há mais em comum entre Um defeito de cor e Música perdida do que parece à primeira vista. Ambos se passam na mesma época, da segunda à penúltima década do século XIX; ambos acompanham seus protagonistas da infância à morte; ambos se referem a eventos históricos e pessoas reais. E ambos têm um potencial épico inegável: personagens extraordinários, coincidências espantosas, reviravoltas, tragédias, superações. A grande diferença entre os dois é a forma como esse potencial foi tratado.
A espessura de Um defeito de cor basta para anunciar a pretensão da sua autora. Um livro de novecentas e cinquenta páginas não se justifica facilmente, mas Ana Maria Gonçalves tem argumentos de peso ao seu lado: há muito a dizer sobre a escravidão no Brasil e muito pouco foi dito pela nossa literatura até agora. A intenção de Gonçalves ao explorar com tanta minúcia um tema tão desprezado e tão importante não poderia ter sido melhor.
Seria a hora de recorrer ao ditado e dizer onde se pode encontrar boas intenções aos montes, mas Um defeito de cor não merece essa saída fácil. O romance não é perfeito, mas é bem sucedido em muitas das suas ambições. Sua principal qualidade é fugir do simbólico: Kehinde, protagonista e narradora, nunca deixa de ser um indivíduo para se transformar em mera representante de uma classe. Seus problemas, sucessos e fracassos são pessoais: o paralelo entre a sua vida e a realidade de todos os escravos brasileiros é feito naturalmente na cabeça do leitor e Gonçalves sabe que não precisa forçar a mão para mostrá-lo.
Mas ao terminar a leitura, apesar de tudo por que Kehinde passa, eu não sabia se sua vida merecia tanto. Poucos personagens merecem ocupar o centro das atenções de cada parágrafo de um romance de novecentas e cinquenta páginas, e admito que a vida de Kehinde é interessante o bastante para que ela se candidate a uma vaga nesse grupo de imaginários privilegiados. Mas quando o personagem central é também o narrador de um romance tão longo o risco de overdose se torna muito grande. O ponto de vista de Um defeito de cor é sempre o de Kehinde: em nenhum momento outra pessoa ganha uma voz própria, todos gravitam ao seu redor e só existem através dos seus olhos, e essa opção radical pela primeira pessoa é redutora. Outro entrave ao texto é a decisão de parafrasear os diálogos, um ponto a favor em termos de verossimilhança — pois Kehinde está narrando acontecimentos que ocorreram anos antes e não poderia se lembrar exatamente do que foi dito — mas um gol contra em termos de estilo literário. A narração em primeira pessoa e a paráfrase dos diálogos fazem Um defeito de cor perder fluidez, e seu tamanho agrava um problema que já seria sério em qualquer romance.
Pelo menos parte dessa fluidez perdida poderia ser recuperada se fossem cortados os numerosos trechos do romance que descrevem rituais religiosos e traços das culturas iorubá e brasileira. Numa Copa em que os jurados mostraram gostos e preferências tão variados, é revelador que as três resenhas sobre Um defeito de cor tenham destacado esse ponto: Gonçalves parece querer transmitir ao leitor tantos frutos da pesquisa que fez para o livro quanto for possível, mas, como Leandro Oliveira escreveu no jogo 9, as descrições são tantas que o leitor as confunde ou as ignora e no fim do romance não se lembra mais de nenhuma. O apego de Kehinde à cultura das suas terras natal e adotiva não basta para justificar esses doutos parênteses, que tornam o ritmo da história desnecessariamente lento.
O contraste com o romance de Luiz Antonio de Assis Brasil é grande: a Guerra dos Farrapos passa mais rápido em Música perdida do que a Lavagem do Bonfim em Um defeito de cor. Música perdida é composto de capítulos curtos e depende da concisão e do brilho de suas frases para ser bem sucedido. Na primeira parte do romance, Assis Brasil sustenta o ritmo: com um estilo quase agressivo tal seu distanciamento em relação aos acontecimentos narrados, o texto desenha com clareza as aspirações e dúvidas de Joaquim José Mendanha, jovem músico promissor, e os descaminhos que o fazem encontrar seu primeiro mentor, Bento Arruda Bulcão. A relação entre Mendanha e Bulcão, ao mesmo tempo idílica e atormentada, é apresentada em poucas linhas, mas tudo o que é preciso está dito. A harmonia entre tema e forma é perfeita.
O texto começa a desafinar quando Mendanha vai para o Rio de Janeiro estudar com outro músico, o padre-mestre José Maurício Nunes Garcia. O ritmo do romance, que já era rápido, acelera: há muito para contar e poucas páginas para fazê-lo. Com isso, os eventos de Música perdida perdem força. A descida aos infernos de Mendanha, que de futuro gênio da música passa a condutor de banda do exército e mais tarde compositor de hinos para associações de bairro, é narrada tão rapidamente que o leitor a assimila sem realmente senti-la; a trajetória que a cantata perdida de Mendanha percorre, do salão da Câmara de Vila Rica ao quarto de um criado de Rossini em Paris e enfim a uma pequena cidade do Sul do Brasil, é tão resumida que seu aspecto extraordinário quase passa desapercebido; o amor que une Mendanha e sua mulher é descrito sumariamente e muito pouco explorado. Os temas com que Assis Brasil trabalha são épicos, mas o tratamento que ele lhes dá é modesto.
Os finalistas da Copa são, para resumir, um romance que peca por querer ser épico a todo custo e outro que peca por querer a todo custo vestir o épico com roupas de tamanho médio. Qual dos dois escolher? A escolha seria fácil se eu tivesse gostado claramente mais de um do que de outro, mas não foi o caso: Música perdida e Um defeito de cor me foram igualmente agradáveis e seus problemas me pareceram igualmente sérios. Ao fim dos noventa minutos de jogo, deu empate. Faço como o Doutor Plausível no jogo 4 e apelo para o cara ou coroa?
Ainda não: resta uma alternativa, proposta pelo comentarista Rodrigo na mesa redonda pós-jogo 11. Rodrigo sugeriu que deixássemos a metáfora futebolística descansar e pensássemos em outro esporte: a ginástica olímpica. Nas competições de ginástica, cada atleta prepara uma série de movimentos para apresentar aos jurados e cada série tem um grau de dificuldade próprio. Quanto maior a dificuldade, maior a nota máxima que o atleta pode obter. Quem faz uma série muito difícil se arrisca a perder pontos por defeitos de execução; quem faz uma série muito fácil deve se contentar com uma nota máxima baixa. O bom ginasta, como o bom escritor, precisa saber “dosar a pretensão”. Quem soube fazê-lo nesta final?
Um defeito de cor é o ginasta ambicioso que busca uma nota máxima alta e tenta saltos de extrema dificuldade, mas vacila na hora de voltar ao solo e não corre rápido o bastante para atingir a altura pretendida. Mas Música perdida é o ginasta que anuncia uma nota máxima baixa sem perceber que alguns saltos da sua série são muito difíceis — e mesmo assim apresenta problemas na hora da execução. Ana Maria Gonçalves pode ter errado a mão, mas conhece o potencial da sua história; não sei se posso dizer o mesmo de Luiz Antonio de Assis Brasil. Por isso, e contra a minha própria expectativa, Um defeito de cor leva o meu voto.
Um defeito de cor 1 – 0 Música perdida
Luiz Biajoni: Não acabei de ler Um defeito de cor mas meu voto seria para ele, se eu fosse votar. Porém, vou deixar de votar por um motivo simples: sou amigo de Ana Maria Gonçalves, como muitos sabem. Poderiam achar que haveria no voto algum pendor pessoal. A Copa acabou muito bem, independente do resultado. Música perdida superou expectativas e Um defeito de cor mostrou que a enxurrada de críticas positivas que vem recebendo não são à toa. Todos os livros escolhidos montam o cenário da atual literatura brasileira que avança, felizmente. Parabéns ao Lucas Murtinho, a todos os juízes e especialmente aos leitores que prestigiaram.
Um defeito de cor 1 – 0 Música perdida
Simone Campos: Um defeito de cor e Música perdida têm suas similaridades: trajetórias de vida de brasileiros durante o século XIX. O primeiro tomou um ângulo politicamente agradável, empregando uma linguagem de “causo”; o segundo escolheu um viés erudito e uma forma de expressão elíptica. Cada um à sua maneira, ambos são bons livros; justo mesmo seria declarar empate. Nos pênaltis, a vitória foi de Música perdida, pela objetividade e pelas boas pensatas.
Um defeito de cor 1 – 1 Música perdida
Jonas Lopes: A coisa mais importante — e negativa — a se destacar sobre a partida entre Música perdida e Um defeito de cor é a ausência de grandes emoções. Tanto Luiz Antonio de Assis Brasil quanto Ana Maria Gonçalves escrevem suas histórias, curta (a dele) ou longa (a dela), em um tom monocórdio: sem grandes dramatizações, sem passagens intensas e memoráveis. O caso de Ana Maria é mais grave. A pesquisa que fez para o livro é assombrosa. Muita informação, no entanto, não faz necessariamente um grande livro, sobretudo quando despejada aos montes em cima do leitor, como acontece em Um defeito de cor. Num comentário sobre o jogo 9, o leitor Tiago A. fez referência a Amada, de Toni Morrison, que também versa sobre uma escrava. Pois falta no livro brasileiro a imersão na dor da personagem que Morrison perpetua tão bem. Um defeito de cor entedia não por seu tamanho ou por sua abundância de detalhes, mas por não arrebatar o leitor e não induzi-lo a sentir, nele próprio, a dor de Kehinde na busca por seu filho vendido. Daria um ótimo trabalho acadêmico, talvez uma boa reportagem. Como romance, deixa muito a desejar.
Música perdida é mais bem resolvido. A trajetória do maestro Joaquim José de Mendanha engaja o leitor. Como não acompanhar Mendanha em sua busca pela cantata perfeita que escreveu na juventude? A estrutura do livro, aliás, é enganosa. No começo dá impressão de ser esquemática demais: um capítulo que se passa no fim da vida de Mendanha, um retorno ao passado em alguns outros capítulos. Assim seguimos durante todo o livro. O que parece um recurso fácil pode ser visto também como a intenção de fortalecer a metáfora musical que permeia a obra: estamos diante de uma sonata (Um defeito de cor seria uma sinfonia?), com um motivo principal (a velhice de Mendanha) e outras partes (o resto de sua vida) rodeando o tema até desaguar no refrão novamente. Luiz Brasil escreve cenas interessantes no final, quando o maestro vê sua partitura mágica irromper quase que das cinzas para salvá-lo da mediocridade e também matá-lo como apenas uma obra-prima destrói um gênio. Infelizmente, Música perdida termina antes de passarmos por um momento que marque de verdade. A prosa do gaúcho é correta até demais; falta nela a malícia que entorta o texto, se revolta contra o autor e toma as rédeas do enredo. De toda forma, o curto romance merece a vitória, até como homenagem ao ótimo Bento Arruda Bulcão, mentor do maestro.
Uma decisão entre dois livros sem a pegada de um verdadeiro campeão. Efeito típico de campeonatos mata-mata, mais propensos a surpresas e em que os melhores nem sempre levam. Por essas e outras sou adepto dos pontos corridos.
Um defeito de cor 1 – 2 Música perdida
Rafael Rodrigues: Esta primeira Copa de Literatura Brasileira foi bastante proveitosa. As discussões geradas pelos textos foram, em sua maioria, boas. Vimos algumas discussões ridículas, claro, mas faz parte.
Meu voto para campeão do torneio vai para Música perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil, pelo fato de acreditar que seu romance é um clássico de nossa literatura (daqui a uns 30 anos, ou até menos, isso será confirmado; se não for, mudo meu nome). Fazia tempo que eu não lia um livro do nível de Música perdida. Outros títulos que participaram da Copa são muito bons, como Mãos de cavalo, As sementes de Flowerville e Bóris e Dóris, mas Música perdida conta com a experiência de Assis Brasil, um dos veteranos que participaram da Copa, e se diferencia pelo tema (um romance de formação), pela época (século XIX), pela história (de uma música), e pela linguagem (elegante e refinada, sem ser rebuscada). Mais elogios a Música perdida vocês podem ler no jogo 11.
Expliquei o motivo de votar no romance de Assis Brasil, agora preciso explicar o motivo de não ter escolhido Um defeito de cor. Nem precisaria explicar, aliás, mas me sinto no dever de fazê-lo, pois fiquei surpreso com o seu desempenho. Achei que Um defeito de cor não passaria da primeira partida.
Quando ficou decidido que o livro de Ana Maria Gonçalves participaria da Copa, eu fui contra. Não é fácil ler, com prazo (curto), um livro de quase mil páginas. Eu já pensava que teria de apitar um jogo tendo Um defeito de cor. E eu já sabia que não leria o livro, como de fato aconteceu (graças a Deus, só na final). Li algumas páginas e, pelo pouco que li, fiquei com uma excelente impressão do livro. Mas, para ser bem sincero, não me agrada ver uma obra como Um defeito de cor vencendo um prêmio como a Copa. Na verdade, não me agradaria ver o romance de Ana Maria Gonçalves vencendo qualquer prêmio. Podem dizer o que quiser, mas um leitor comum não vai querer lê-lo, a não ser que alguém insista muito. Quem leu Um defeito de cor o fez por ser um verdadeiro interessado em literatura, e um livro como ele merece ser apreciado por quem faz da literatura algo além de leituras rápidas e fáceis. A autora passou anos fazendo pesquisas para escrever o livro, que tem, se não me engano, cerca de 800 personagens; teve a coragem de dedicar bons anos de sua vida o escrevendo (eu me pergunto quantas páginas tinha o original do livro, antes de a autora fazer os cortes; e me pergunto também quantas páginas ela jogou fora). Vale a pena ver o resultado desse tipo de esforço, numa época em que autores “jovens” escrevem qualquer porcaria achando que estão fazendo literatura. Um defeito de cor é um livro ambicioso, um projeto admirável e, de verdade, eu queria muito que tivesse público para ele. Mas não tem. E nem a Copa nem prêmio nenhum daria a Um defeito de cor o público merecido. Se bem que, a essa altura, o livro deve ter um bom número de leitores, e com certeza ganhará mais alguns, após esta participação na Copa.
Não sei quem é o ganhador, mas acredito que ambos os livros têm seus méritos. E seja qual for o resultado, de uma coisa tenho certeza: Música perdida é o melhor livro do ano (para mim, é claro).
Um defeito de cor 1 – 3 Música perdida
Marco Polli: Uma coisa é saber que leituras individuais são inevitavelmente distintas, outra é observar isso em detalhe, semana após semana, como me foi proporcionado pela CLB. Agora na final, por exemplo, considero todos os outros livros participantes que li — Leda, Memorial de Buenos Aires, Mãos de cavalo, As sementes de Flowerville, Bóris e Dóris, O movimento pendular — superiores a Um defeito de cor e Música perdida. Essas diferenças me fazem perguntar se alguma obra poderia mesmo inspirar algum tipo maior de consenso. Para tanto, valerá observar as edições futuras da Copa.
Os problemas de Um defeito de cor foram bem identificados nas partidas anteriores. Simone Campos falou sobre o “excesso de didatismo”, Leandro Oliveira apontou um apego a detalhes que ocasionalmente serviam pouco à narrativa. Porém, enquanto os dois juízes não consideraram essas falhas graves o bastante para comprometer o prazer geral da leitura, no meu caso isso aconteceu. Um defeito de cor é um tour de force narrativo inegável, porém nele encontrei muito pouco das qualidades literárias que mais valorizo — neste aspecto, a minha opinião se aproxima mais da exposta por Bruno Garschagen.
Explicar por que não gostei de Música perdida já é mais complicado. Eu concordo com os juízes das partidas anteriores sobre o apuro técnico do texto, mas por alguma razão — que confesso não saber delinear bem — não fui envolvido por ele. Bem classificado como um romance de formação por Rafael Rodrigues, todos os capítulos de Música perdida apontam para a mesma direção e parece haver falta de algum tipo de contraponto. Dos dois finalistas, fico com Um defeito de cor porque há, no final das contas, um “efeito Sherazade” pela multiplicidade de histórias, embora elas não sejam contadas de um modo que eu considere instigante.
Um defeito de cor 2 – 3 Música perdida
Leandro Oliveira: Antes de falar sobre minha escolha é preciso dizer algo sobre minha disposição nas leituras que fiz. Parece que fui contaminado por certo clima de final de Copa do Mundo, ao invés de final de Copa de Literatura. Em meu subconsciente havia a preocupação de escolher o melhor de modo a mostrar como o ano foi significativo para a literatura nacional, com boas obras que merecem ser conhecidas pelos leitores. Já havia lido o livro da Ana por ocasião do jogo 9 em que Um defeito de cor eliminou Por que sou gorda, mamãe? e, sendo assim, apanhei Música perdida com uma expectativa elevada. Parecia ser uma final dificílima, com dois concorrentes excelentes. Mas, no fim da leitura do livro de Assis Brasil, senti que o livro estava longe de merecer o título de campeão. Música perdida é um livro simples, correto, bem escrito, mas de modo algum marcante. Daqueles livros que lemos, depois deixamos de lado na estante e nunca mais falamos dele. Os capítulos curtos prejudicam muito seu tom épico, fazendo com que o leitor às vezes tenha a sensação de que o narrador está com soluços, interrompendo a ação de modo a fazer com que o ritmo, ao invés de atraente, torne-se desestimulante. E o que Um defeito de cor tem de sobra é um ritmo adequado à história que conta. O leitor vai embora, embalado, insere-se na história, seguindo o imaginário, com a narradora fazendo o que todo bom escritor sabe fazer, que é contar bem sua história. No fim, não deu para Música perdida — falta muito para ser reconhecido como o melhor —, um livro que decepciona por sua simplicidade. Um defeito de cor leva mais uma vez o meu voto e creio ser ele o livro que merece o título de melhor do ano.
Um defeito de cor 3 – 3 Música perdida
Bruno Garschagen: Parece um metrônomo. Música perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil, parece seguir a marcação de um metrônomo. As frases duram o tempo preciso do andamento. Na maior parte do romance, com pêndulo acelerado. Faça o teste. Ligue um metrônomo e leia. Varie a velocidade do pêndulo entre 40 a 250 batidas por minuto e terá a medida dos parágrafos. Assis Brasil soube dosar a marcação com palavras curtas, que cabem na história e na música sem harmonia que compõe o livro.
Não há uma boa sonoridade no texto de Música perdida. A orquestra é desarmônica. Assis Brasil sabe escrever, mas não fez uma obra marcante. Tudo é marcado demais, direto, cru. O personagem principal é a música perdida ou o autor da obra? Cada leitor pode fazer sua escolha e mesmo assim não terá um personagem que prenda, que emocione, que fique reverberando após a leitura.
Sobre Um defeito de cor, já apontei aqui os muitos vícios, as poucas virtudes. Ana Maria Gonçalves não expõe em nenhum momento uma centelha que seja de talento literário, ao contrário de Assis Brasil, que mostrou, pelo menos, ser um escritor.
Apontei como qualidade no livro de Ana Maria o ambicioso projeto, mas que continha um problema técnico grave. Repito o que escrevi: sua personagem-narradora, Kehinde, se mostra a mesma tanto criança quando velha. A passagem do tempo só é percebida pelas datas, não pela maturidade do pensamento. O livro, além disso, vence o leitor pelo excesso, que se converte em chatice. Um defeito de cor, pelos defeitos conjugados com a extensão, se torna chato e penoso como a viagem de navio da África para o Brasil.
Não é, infelizmente, uma grande final — e ainda me pergunto por que diabos Memorial de Buenos Aires, de Antonio Fernando Borges, não está nesta final. Mas, pela centelha literária, Música perdida vence por 1 a 0.
Um defeito de cor 3 – 4 Música perdida
André Gazola: Cá estamos no final da Copa de Literatura Brasileira, amigos da Rede.
Para começar o jogo, vou admitir que não li totalmente um dos finalistas — vocês já devem imaginar qual —, mas pude ler o suficiente para dizer que o vencedor é, de goleada, Música perdida.
O livro de Assis Brasil é uma obra de arte falando de outras obras de arte: a música como protagonista, a narrativa requintada e emocionante, além de pequenos toques de erudição onde se fez necessário. A leitura evolui como num conto que nos embala delicadamente para o clímax, e quando chegamos lá descobrimos que, desde o início, sabíamos de tudo.
Ao colocar Música perdida e Um defeito de cor lado a lado, percebe-se claramente qual a nota dissonante entre os dois: a narração. No primeiro, um narrador em terceira pessoa encarrega-se de transmitir sensações tão íntimas e abstratas — derivadas da música — e que acompanham o maestro Mendanha durante toda sua vida. Já no segundo, no qual se deveria exigir muito mais de um narrador-protagonista, não se consegue perceber sensações tão humanas como esperaríamos de alguém que perdeu a família inteira e foi arrancada de seu país para virar escrava, como Kehinde. Uma narração assim para esse enredo soa como aquele contador de histórias que fracassa em dar a entonação certa conforme a passagem que narra.
Por isso, Um defeito de cor fracassou. Para mim, Música perdida é o grande vencedor. E sequer acredito que algum outro desta Copa poderia batê-lo.
Um defeito de cor 3 – 5 Música perdida
Eduardo Carvalho: Não consegui ler mais de cinco páginas de nenhum dos dois finalistas da Copa de Literatura Brasileira. Não foi falta de tempo. Foi falta de vontade. Não estou acostumado a ler por obrigação. Acho que esses dois livros têm defeitos fundamentais que são, para a divulgação que estão recebendo, imperdoáveis. E indisfarçáveis.
Talvez você precise ler pelo menos cem páginas para descobrir um problema no enredo ou na estrutura de um romance. Mas um estilo ruim é óbvio no primeiro parágrafo.
Em Música perdida, por exemplo: “A sombra do pai acompanha o filho, mesmo que esse tenha mais de oitenta anos. A morte do pai é inesquecível. Mesmo que o filho tenha, do pai, a mais remota lembrança”. Alguém me disse que Música perdida foi um livro escrito com cuidado: só não sei se Luiz Antonio de Assis Brasil teve também o cuidado de evitar clichês.
E Um defeito de cor me parece um bloco de gelo esculpido por um robô. O estilo é de uma frivolidade aflitiva: “Aparentemente, a sinhazinha não tinha mudado muito, e só quando estávamos a portas fechadas foi que mostrou que também não tinha mudado a amizade que um dia disse sentir por mim, comentando que eu estava muito bonita e que se sentia feliz por me ver novamente, o que demonstrou com um abraço.” Quase chorei.
Recebi os dois livros há aproximadamente um mês e agora, antes de justificar a minha escolha, achei Um defeito de cor na minha cabeceira, embaixo de O vermelho e o negro, e Música perdida embaixo de Pragmatism, na minha prateleira. Talvez as minhas impressões sobre Um defeito de cor e Música perdida sejam realmente precipitadas. Mas os livros de Stendhal e William James ficam bons antes da quinta página. Espero que este meu julgamento precipitado não atrapalhe muito a qualidade das minhas leituras.
Se precisar escolher, enfim, entre Um defeito de cor e Música perdida, prefiro Música perdida, que é mais curto. Se alguém depois se dedicar a ler o campeão desta Copa, que leia rápido. Aliás, infelizmente, e não entendi ainda por quê, tinha coisa boa que ficou para trás: Daniel Galera, Roberto Pompeu de Toledo, Michel Laub, Luiz Vilela, Sérgio Rodrigues, etc. Triste, mas, como diria o Bóris, do Luiz Vilela, que não precisa pedir licença pela expressão, “é a vida, amorzinho”.
Um defeito de cor 3 – 6 Música perdida
Antonio Marcos Pereira: Música perdida está longe de ser um livro que eu escolheria para ler: a orelha começa tristemente dizendo que o livro trata de “paixão e renúncia”, e que “o texto flui com a delicadeza e a emoção de uma cantata”: agrupamento eloqüente de significantes que apontam para a pieguice e a breguice que atravessam a narrativa — há uma cantata-personagem chamada Olhai, cidadãos do mundo — e fazem soar sua nota inefável até nas “Notas do Autor”, onde se agradece a um “homem universal”. Duvido que o século XIX tenha sido tão gloriosamente brega. Não duvido, entretanto, que a experiência humana tenha espaço abundante para o vazio travestido de “poético”: eis aqui uma evidência, neste Música perdida, livro repleto de pó-de-arroz verbal que me entediou severamente. Se esse é o projeto estético do autor, muito bem: leitor e autor estão em dissonância nessa resenha.
Um defeito de cor poderia ter sido uma tese interessante, explorando um capítulo particularmente espinhoso e incontornável de nossa narrativa nacional. Teria sido uma tese de ruptura, ao adotar o modo narrativo para reconstruir a subjetividade e dar perspectiva e fisionomia a um segmento invisibilizado por uma certa história oficial. Mas não é uma tese, nem quis ser isso: quer ser ficção, narrativa, um projeto artístico. E, como tal, falha por querer dizer tudo, por não saber dizer menos, por sufocar o leitor com referências e detalhes de “cor local” (sem trocadilho) e por ter carecido — grotescamente — de um leitor prévio, alguém que dissesse “Chega, Ana, a mão está pesada aqui, não é uma tese, menos” (um exemplo imediato da mão pesada é a introdução, com sua sugestão clichê de que o livro é de fato a reconstrução de um manuscrito encontrado pela autora). Chancelado pelo entusiasmo excessivo de um medalhão, é preciso pedir data venia às hipérboles do Millôr na orelha. E, no entanto, em que pesem todos os defeitos, há algo aqui: uma exploração do que pode ser uma experiência alheia, um empenho narrativo que foi eventualmente capaz de me magnetizar e, ora, há uma tentativa de dizer tudo. Que seja uma tentativa malograda é um mal menor: aqui, pelo menos, estamos longe da retórica embolorada de Música perdida. Um defeito de cor leva a melhor, e o meu voto, nessa Copa.
Reitero minha crença na força da narrativa de O paraíso é bem bacana, e lamento não estar aqui, na prestigiada final da primeira Copa de Literatura Brasileira, a elogiar seus muitos méritos. Mas assim é o futebol, e a vida e a literatura também.
Um defeito de cor 4 – 6 Música perdida
Doutor Plausível: O mitólogo Joseph Campbell, um dos consultores do primeiro Guerra nas estrelas, gostava em particular da cena no bar intergalático com fregueses de vários planetas diferentes. Ele dizia q as grandes histórias de aventura começam num ponto de encontro, um local cheio de potencial, onde cada freguês — e o herói em particular — quase q pode até escolher qual aventura seguir. Essa é a sensação q tenho ao ler Um defeito de cor. O livro, é verdade, tem mais defeitos q qualidades. É chato: abarrotado de descrições sem qqer relevância estrutural; obtuso: pretende conhecer a mente de uma escrava no século XIX partindo de categorias mentais estereotipadas e meia-boca do XXI; incoerente: numa frase a personagem-narradora é ingênua ou ignorante ou novata, na frase seguinte é maliciosa ou bem-informada ou experiente. E, convenhamos, romance não é lugar de descarregar pesquisa.
No entanto… Um defeito de cor é aquela cena do bar: é uma mostra do potencial de uma nova aventura na literatura brasileira, um aperitivo da q-u-a-n-t-i-d-a-d-e de veios ainda inexplorados pela literatura negra deste país. Interesse pela história brasileira não falta. É um nicho enorme de possibilidades, evidenciado pela avidez com q os livros de Eduardo Bueno foram e são consumidos.
Já Música perdida não me impressionou. Assis Brasil é obviamente um profissional experiente. Mas nesse livro a facilidade com q tece frases e parágrafos não se reflete no domínio do tema central, a música. Fala de música e músicos com o vago deslumbramento de quem não tem familiaridade com o tema. Além disso, mostra-se bastante leigo — parece confundir ‘cânon’ com ‘ostinato’; insere impossibilidades como um ‘acorde em uníssono’ e um fortissimo tocado num cravo; demonstra inatenção em frases como “O organista de São Francisco não descobrira a fuga“, ie, a escapadela, não o estilo musical.
Mesmo tirando seus lapsos, Música perdida ainda é bastante desigual. Tem belas passagens e frases q ressoam (”Eram coisas tão novas que pareciam mentiras”), mas também tem incontados despropósitos inaceitáveis numa final de copa (”O jovem fez as oito léguas a cavalo. Deslumbrou-se com as matas, os morros, os ribeiros e os campos. Possuía a experiência necessária para entender que aquilo eram paisagens.” ¿¡¿Quê?!? Outro exemplo é o capítulo XIV inteiro da parte 4).
De resto, a história do maestro Mendanha poderia ter sido imaginada pra comportar um interesse universal, mas foi escrita com apenas o campeonato gaúcho em mente. Há vários sinais de um gauderismo subentendido. Há sinais de q Assis Brasil ao escrever pisava em ovos e preferiu não se arriscar a especular ou a criar muito além do registro histórico.
Dou meu voto a Um defeito de cor.
É bem verdade q não deveria ganhar esta copa um livro q relata mais do q envolve e descreve (muito) mais do q raciocina. De fato, qualquer um dos dois livros q julguei na primeira fase me parece superior a Um defeito de cor. Mas meu voto por ele é um voto de confiança pela literatura histórica do Brasil em geral e a afro-brasileira em particular; um voto pra q se divulgue mais, e pra q surjam escritores mais… ãã… mais escritores mesmo. Espero q Um defeito de cor seja uma inspiração, embora ele mesmo, pesadamente assentado entre o registro histórico e os lugares-comuns narrativos, não seja muito inspirado.
Um defeito de cor 5 – 6 Música perdida
Olivia Maia: Um defeito de cor me derrubou pelo tamanho, não posso negar. Li o começo, li partes do meio, li o final. Ouvi por aí de que se tratava e não tive muita vontade de ir além disso, por mais que muitos dos juízes tivessem apontado a habilidade de Ana Maria Gonçalves de contar uma ótima história. E o livro é bem escrito, não há dúvidas de que Ana Maria sabe o que está fazendo. Mas essa narrativa toda cheia de detalhes, e ele disse isso e aquilo, e eu fui até ali, todo esse tanto de pormenores e voltas. Se são necessários? Não duvido. Parece mesmo que tudo ali faz parte da formação dessa personagem. Mas é tudo muito chato. O tempo todo é essa narrativazinha de “eu fiz isso” “ele fez aquilo” “eu fui ali” “ele respondeu aquilo”. E o tamanho limita, sim. 900 páginas de historinha jogada na sua cara, sem tempo para se tomar ar. O livro é todo aquilo ali, e o leitor se senta frente ao livro e desliga o cérebro. Que seja, uma ótima história? Historinha por historinha, para isso há o cinema, e o cinema dura menos tempo.
Minha preferência pelo Música perdida já havia sido apresentada quando apitei o jogo 3, estréia do Assis Brasil na copa. O texto do Assis Brasil é bem trabalhado e a passividade do protagonista pode não provocar de cara uma empatia, mas alguma coisa provoca. O personagem se deixa viajar, deixa-se fazer pelas coisas e pelo tempo. Ao leitor cabe acompanhar o que se pode fazer de um personagem como esse. Como tanto talento pode ser desperdiçado por caminhos tortos. Essa angústia emociona e acaba por criar a empatia que não havia sido criada de início. O livro me encantou. Assis Brasil é econômico e preciso no texto, e obriga o leitor a encontrar nas entrelinhas e nos silêncios os não-ditos, e aí está uma das maiores qualidades de Música perdida. Para mim, o grande campeão.
Um defeito de cor 5 – 7 Música perdida
Jefferson Maleski: Que tipo de leitor é você: daqueles que valorizam um livro pela história ou dos que apreciam o modo como ela é contada? Seria um dilema para você escolher entre o melhor escritor e a melhor história? Não para mim. E acredito ser justamente esse o diferencial dos dois finalistas da CLB. Música perdida nos revela Assis Brasil como um escritor habilidoso dotado de grande sensibilidade, escrevendo pela terceira vez sobre o que realmente entende: música. Em entrevista recente à Revista Malagueta admitiu seguir na contramão mercadológica quando disse não se importar com a notoriedade, antes que o texto lhe agrade: “Escrever um bom parágrafo pode levar uma semana, mas a satisfação é insuperável. Equivale a um prêmio.” Quão agradável é perceber que ele oferece esse prêmio a nós, leitores. Diferente de Um defeito de cor que traz uma narrativa jornalística estilo coluna policial exagerada em clichês, descrições, metáforas e mini-flashbacks que, apesar de não tirarem o mérito da história, atrapalham na degustação. Certamente dará um bom filme ou novela, porém conquistaria mais leitores não fosse desmedido nas imperfeições. Como o meu eu prefere (e anseia por) palavras bem escritas a uma longa história, meu voto vai para Música perdida.
Um defeito de cor 5 – 8 Música perdida
Renata Miloni: Antes de tudo: por falta de tempo e outros probleminhas, não consegui terminar de ler Um defeito de cor para a final.
Bom, além de admirar a pesquisa que Ana Maria Gonçalves fez, admiro igualmente sua ambição. É um trabalho louvável e considero uma leitura histórica essencial. Mas não só de ambição é feito um grande escritor. E não é com apenas uma boa história que se faz um grande livro. Ana Maria é inegavelmente uma ótima contadora de histórias, mas, pelo menos do que li em Um defeito de cor, não encontrei a escritora que ela pode ser. O livro não exige muito da imaginação do leitor, tanto pelo excesso de detalhes (que não me é um problema muito grave) quanto pela forma como é narrado. E por mais que seja repleto desses detalhes, não é possível saber o que Kehinde realmente pensava e sentia, por exemplo. É muito vago dizer “fiquei triste” ou “fiquei nervosa”. Há um mundo em mente quando uma pessoa se sente assim, mas é só assim que a personagem se sentia. Claro, isso não faz um livro ou um personagem, mas, entre tanta descrição, senti falta de certo desprendimento da história em alguns momentos — em nome do desenvolvimento da personagem.
Em Música perdida, o leitor precisa perceber quando o autor dá a pausa na narração para que a leitura vá além do óbvio e atinja o que não foi dito — o que me tem um valor criativo muito maior. Se o livro precisasse de complementos (para mim não precisa), ao leitor caberia somente ver as palavras — e ler é muito mais do que isso. Assis Brasil poupou explicações minuciosas sobre o que realmente se passava com Mendanha e outros personagens, especialmente o encantador e por mim saudoso Bento Arruda Bulcão. Mas foi permitido ao leitor se aproximar, saber e imaginar o que havia dentro e ao redor deles, ainda que a narração seja mais contida. E o mesmo foi feito até com a relação do personagem e sua esposa.
“Toda dissonância era uma preparação para a harmonia.” A bela frase descreve bem minha relação com Música perdida. No início, tive a impressão de que o livro não me emocionaria ou prenderia com facilidade, por mais que fosse sobre música. Um belo erro. Ele não se resume à procura de Mendanha por sua cantata. É também, e para mim muito mais, sobre a consciente necessidade de ele não negar mais sua música. As ótimas e precisas frases curtas (apesar de nunca ter gostado muito do tipo) não passaram a impressão de métrica, mas me fazem um enorme sentido caso tenha sido a intenção do autor: a vida de Mendanha é uma verdadeira cantata, uma harmonia perfeita.
Meu voto vai indiscutivelmente para Música perdida.
Um defeito de cor 5 – 9 Música perdida

Música perdida
de Luiz Antonio de Assis Brasil

O resultado final da primeira Copa foi justo?
Sim – 49 votos
Não – 15 votos

Comentários de Lucas Murtinho
Eu não disse? Uma bagunça. O ritmo de Um defeito de cor é lento ou adequado à história? Assis Brasil é leigo ou entende de música? Os livros, afinal de contas, são bons ou não?
Quem sabe? Cabe a cada leitor decidir e explicar — e, para quem quiser, a caixa de comentários é serventia da casa. Mas, analisando os votos, não há como discutir a vitória de Assis Brasil, não apenas pela ampla vantagem de quatro votos (três se a gente contar o voto-não-voto do Biajoni) mas também porque dos nove jurados que votaram por Música perdida cinco o fizeram com um entusiasmo que apenas Leandro Oliveira demonstrou ao votar por Um defeito de cor (embora Rafael Rodrigues também pareça entusiasmado com o livro). No papel o caminho do romance de Assis Brasil foi duro, mas ele ganhou seus quatro jogos com uma facilidade desconcertante. Acho que André Gazola tem razão ao escrever que nenhum concorrente poderia ter batido Música perdida.
Enfim, aqui termina a primeira Copa de Literatura Brasileira — e já estamos pensando no que fazer para que a segunda edição seja melhor e mais divertida, para vocês e para nós. Até o ano que vem.



























10/12/07 - 12:32 pm
Perfeito o que você disse, José.
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