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	<title>Comentários sobre: Jogo 14</title>
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		<title>Por: Danilo Maia</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2009/jogo14/#comment-7026</link>
		<dc:creator>Danilo Maia</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 22:06:21 +0000</pubDate>
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		<description>Gosto muito da ideia da Copa, que nos permite falar e ouvir sobre livros, especialmente aqueles que não tive a oportunidade de ler e que por diversos motivos não figuram nas prateleiras mais proeminentes das livrarias. 

Mas algo me incomoda aqui, que é essa preocupação excessiva com o resultado. O sujeito torce pra um livro, este livro perde o duelo e o resenhista logo vira um canalha.

Me parece que a metáfora futebolística vem se expandindo para além dos limites do razoável nesses campos.

Chega a soar infantil levar a sério a vitória de um livro sobre outro quando o critério é o gosto pessoal de um único árbitro.

Livros jogam juntos, não um contra o outro. Mesmo porque você só torce por um time de futebol, ao passo que pode gostar de diversas obras e diversos autores. Eu mesmo já me interessei por alguns perdedores por aqui. A &quot;Arte..&quot; foi só mais um exemplo.

Só existem dois julgamentos possíveis para um livro. O íntimo, que é pessoal e intransferível. E o do tempo, que fará com que os irrelevantes sejam devidamente esquecidos.

A brincadeira fica bem mais leve e prazerosa se for encarada como tal: uma brincadeira. Experimentem.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gosto muito da ideia da Copa, que nos permite falar e ouvir sobre livros, especialmente aqueles que não tive a oportunidade de ler e que por diversos motivos não figuram nas prateleiras mais proeminentes das livrarias. </p>
<p>Mas algo me incomoda aqui, que é essa preocupação excessiva com o resultado. O sujeito torce pra um livro, este livro perde o duelo e o resenhista logo vira um canalha.</p>
<p>Me parece que a metáfora futebolística vem se expandindo para além dos limites do razoável nesses campos.</p>
<p>Chega a soar infantil levar a sério a vitória de um livro sobre outro quando o critério é o gosto pessoal de um único árbitro.</p>
<p>Livros jogam juntos, não um contra o outro. Mesmo porque você só torce por um time de futebol, ao passo que pode gostar de diversas obras e diversos autores. Eu mesmo já me interessei por alguns perdedores por aqui. A &#8220;Arte..&#8221; foi só mais um exemplo.</p>
<p>Só existem dois julgamentos possíveis para um livro. O íntimo, que é pessoal e intransferível. E o do tempo, que fará com que os irrelevantes sejam devidamente esquecidos.</p>
<p>A brincadeira fica bem mais leve e prazerosa se for encarada como tal: uma brincadeira. Experimentem.</p>
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	<item>
		<title>Por: Gerana Damulakis</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2009/jogo14/#comment-7019</link>
		<dc:creator>Gerana Damulakis</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 02:07:44 +0000</pubDate>
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		<description>Poucas vezes encontrei uma resenha no jogo - e talvez seja justamente por conta do jogo, livro x livro - que tenha mantido a coerência e a lucidez do começo ao final. 
Houve textos com avaliações claras, argumentando com alicerces justos, mas a resenha de AM foi simplesmente irretocável.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Poucas vezes encontrei uma resenha no jogo &#8211; e talvez seja justamente por conta do jogo, livro x livro &#8211; que tenha mantido a coerência e a lucidez do começo ao final.<br />
Houve textos com avaliações claras, argumentando com alicerces justos, mas a resenha de AM foi simplesmente irretocável.</p>
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	<item>
		<title>Por: bruna</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2009/jogo14/#comment-7017</link>
		<dc:creator>bruna</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 22:40:32 +0000</pubDate>
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		<description>juro que queria ser curta...
aproveitando: nao acho que Flores seja só forma, apesar do que possa parecer acima.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>juro que queria ser curta&#8230;<br />
aproveitando: nao acho que Flores seja só forma, apesar do que possa parecer acima.</p>
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		<title>Por: bruna</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2009/jogo14/#comment-7016</link>
		<dc:creator>bruna</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 21:55:20 +0000</pubDate>
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		<description>Antes de mais nada, obrigada ao Lucas pela compreensão e camaradagem espontâneas e ao AM pela atenção (apenas não poderei responder agora).
Segundo, vou ter de ser breve, econômica neste comentário - entao lá vai.
Somente gostaria de adicionar algo ao que Lucas em 9 inicia: o grande mistério de Flores está longe de ser a identidade da autora das cartas: o grande mistério é que efeitos terá sobre o rapaz. E a tese da metalinguagem efetivamente teria sentido se Marcos se transformasse (como quer A para seu leitor) ao se deparar com a intimidade de uma desconhecida, quando não conseguia estabelecer relações íntimas nem com a filha de 3 anos. Pois ele apenas ficou um pouco mais confuso do que o habitual; mal houve questionamentos. Sua reviravolta, seu fazer foi tão somente buscar o verdadeiro destinatário para que não ficasse a em posse do que não era seu. Nada mais equivocado (e frustro)! O que queríamos era um real envolvimento dele com A, e isto faltou... Como pode um livro querer falar sobre a relação entre autor e leitor e ter o leitor praticamente inerte e tomando decisões equivocadas e vazias como desfecho de seu tema e enredo? Para mim, não é porque A &#039;e a letra inicial da palavra &quot;autor&quot; ou porque o texto na pág. 148 evoque explicitamente a metalinguagem que se pode concluir que esta é a força do livro. Esta é sua clara intenção - teria sido mais sutil e feliz se a segunda metade da p&#039;ag. 148 fosse cortada e apenas acompanhássemos a evolução de Marcos (e teria ampliado o sentido para muito além do &quot;nicho&quot; de leitores em que alguns aqui se incluem).
Porém a idéia é maravilhosa e Carola escreve bem demais; talvez tenha sido uma questão de timing, de maturar mais o como executar a intenção. Acompanharei seus próximos livros com certeza.
Outros comentários: também sei pouco sobre Burroughs; sou uma leitora que busca apenas prazer em ler; para mim o prazer vem de uma satisfação intelectual e emocional; AMO a bela forma de um texto bem escrito, mas só forma não funciona; agradeço a prsença da Clarice nestes comentários pois é com quem mais me identifico do ponto de vista das relações com os livros e a literatura.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de mais nada, obrigada ao Lucas pela compreensão e camaradagem espontâneas e ao AM pela atenção (apenas não poderei responder agora).<br />
Segundo, vou ter de ser breve, econômica neste comentário &#8211; entao lá vai.<br />
Somente gostaria de adicionar algo ao que Lucas em 9 inicia: o grande mistério de Flores está longe de ser a identidade da autora das cartas: o grande mistério é que efeitos terá sobre o rapaz. E a tese da metalinguagem efetivamente teria sentido se Marcos se transformasse (como quer A para seu leitor) ao se deparar com a intimidade de uma desconhecida, quando não conseguia estabelecer relações íntimas nem com a filha de 3 anos. Pois ele apenas ficou um pouco mais confuso do que o habitual; mal houve questionamentos. Sua reviravolta, seu fazer foi tão somente buscar o verdadeiro destinatário para que não ficasse a em posse do que não era seu. Nada mais equivocado (e frustro)! O que queríamos era um real envolvimento dele com A, e isto faltou&#8230; Como pode um livro querer falar sobre a relação entre autor e leitor e ter o leitor praticamente inerte e tomando decisões equivocadas e vazias como desfecho de seu tema e enredo? Para mim, não é porque A &#8216;e a letra inicial da palavra &#8220;autor&#8221; ou porque o texto na pág. 148 evoque explicitamente a metalinguagem que se pode concluir que esta é a força do livro. Esta é sua clara intenção &#8211; teria sido mais sutil e feliz se a segunda metade da p&#8217;ag. 148 fosse cortada e apenas acompanhássemos a evolução de Marcos (e teria ampliado o sentido para muito além do &#8220;nicho&#8221; de leitores em que alguns aqui se incluem).<br />
Porém a idéia é maravilhosa e Carola escreve bem demais; talvez tenha sido uma questão de timing, de maturar mais o como executar a intenção. Acompanharei seus próximos livros com certeza.<br />
Outros comentários: também sei pouco sobre Burroughs; sou uma leitora que busca apenas prazer em ler; para mim o prazer vem de uma satisfação intelectual e emocional; AMO a bela forma de um texto bem escrito, mas só forma não funciona; agradeço a prsença da Clarice nestes comentários pois é com quem mais me identifico do ponto de vista das relações com os livros e a literatura.</p>
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	<item>
		<title>Por: Lucas Murtinho</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2009/jogo14/#comment-7015</link>
		<dc:creator>Lucas Murtinho</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 17:16:18 +0000</pubDate>
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		<description>[26]: AM, talvez tenha sido importante para eu gostar de &lt;em&gt;A arte...&lt;/em&gt; o fato de eu saber muito pouco sobre o Burroughs.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[26]: AM, talvez tenha sido importante para eu gostar de <em>A arte&#8230;</em> o fato de eu saber muito pouco sobre o Burroughs.</p>
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	<item>
		<title>Por: Felipe</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2009/jogo14/#comment-7014</link>
		<dc:creator>Felipe</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 16:28:06 +0000</pubDate>
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		<description>A Arte foi, de longe,o livro que mais me agradou nessa copa. Muito superior, na minha opinião, a Flores Azuis e Galiléia, que vão fazer uma final bem morna. Li A Arte em dois dias; não conseguia largar o livro. A história do Jr. me lembrou um pouco a do Mané de O Paraíso é bem Bacana (os dois melhores livros que li nas três edições da Copa.O terceiro seria Mãos de Cavalo). Talvez porque haja aí aquilo que o Steiner chama de uma certa metafísica do autor, uma espécie de visão de mundo, um posicionamento diante de Deus, etc. A Arte, pra mim, tem isso. O livro também poderia se chamar &quot;A arte de se foder&quot;, ou &quot;Deus existe mas está bem longe daqui&quot;. Isso não tem nada de original. Ele não quer ser original, quer dizer alguma coisa. E diz. O fato de o livro não apresentar solução para os seus &quot;mistérios&quot; não me pareceu um problema. Existem perguntas sobre as causas dosproblemas de Jr.,mas elas não são conclusivas. Chega-se a falar em espíritos, e esse, pra mim, é o link com o Burroughs: a idéia de ser possuído por algo misterioso, por uma causa que não se apresenta como tal. Existem muitas formas de dizer a tópica, hoje clássica, &quot;Deus nos abandonou&quot;. O Mutarelli diz isso de forma muito convincente, num livro triste mas divertido, com personagens quase visíveis (pouco se fala dele, mas o Sênior é um grande personagem).

Sobre as citações, vou concordar com o Lucas. Existem trechos brilhantes em A Arte. Não estou com o livro aqui, mas poderia mencionar várias.

E vamos nós a mais uma final medíocre...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A Arte foi, de longe,o livro que mais me agradou nessa copa. Muito superior, na minha opinião, a Flores Azuis e Galiléia, que vão fazer uma final bem morna. Li A Arte em dois dias; não conseguia largar o livro. A história do Jr. me lembrou um pouco a do Mané de O Paraíso é bem Bacana (os dois melhores livros que li nas três edições da Copa.O terceiro seria Mãos de Cavalo). Talvez porque haja aí aquilo que o Steiner chama de uma certa metafísica do autor, uma espécie de visão de mundo, um posicionamento diante de Deus, etc. A Arte, pra mim, tem isso. O livro também poderia se chamar &#8220;A arte de se foder&#8221;, ou &#8220;Deus existe mas está bem longe daqui&#8221;. Isso não tem nada de original. Ele não quer ser original, quer dizer alguma coisa. E diz. O fato de o livro não apresentar solução para os seus &#8220;mistérios&#8221; não me pareceu um problema. Existem perguntas sobre as causas dosproblemas de Jr.,mas elas não são conclusivas. Chega-se a falar em espíritos, e esse, pra mim, é o link com o Burroughs: a idéia de ser possuído por algo misterioso, por uma causa que não se apresenta como tal. Existem muitas formas de dizer a tópica, hoje clássica, &#8220;Deus nos abandonou&#8221;. O Mutarelli diz isso de forma muito convincente, num livro triste mas divertido, com personagens quase visíveis (pouco se fala dele, mas o Sênior é um grande personagem).</p>
<p>Sobre as citações, vou concordar com o Lucas. Existem trechos brilhantes em A Arte. Não estou com o livro aqui, mas poderia mencionar várias.</p>
<p>E vamos nós a mais uma final medíocre&#8230;</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Alexandre</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2009/jogo14/#comment-7013</link>
		<dc:creator>Alexandre</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 15:49:14 +0000</pubDate>
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		<description>Saudações a todos,

Gostaria de, nesta minha primeira (ainda que tardia) participação neste espaço, discutir um pouco mais a respeito do livro do Mutarelli, que afinal foi eliminado e está sendo pela última vez comentado nesta Copa. Acredito que a intertextualidade seja um recurso interessante, desde que como um elemento a mais para a leitura de uma peça de ficção. A minha fé cega nessa forma que se chama romance me obriga a crer que qualquer obra que carregue essa classificação deva oferecer pelo menos uma leitura (no sentido de interpretação) possível baseada apenas em si mesma. Digo isso, naturalmente, por causa do “ruído Burroughs”, sobre o qual desejo oferecer aqui a minha hipótese (vejam bem, hipótese). Na leitura que fiz (primária, utilizando apenas os elementos apresentados no próprio livro), o “ruído Burroughs” se apresenta como uma interferência autoral explícita e arbitrária, por extrapolar a capacidade de elaboração tanto do protagonista como do “dispositivo de mediação” proposto, ou seja, o narrador. (Isso a meu ver fica claro na pág. 185, quando o pressuposto do “dispositivo de mediação” muda, e o narrador deixa de se limitar às ações e ao ponto de vista de Júnior e passa a seguir também Bruna, e para quê? – apenas para fornecer mais elementos sobre Burroughs.)

Na minha leitura (mais uma vez, sujeita a toda espécie de equívocos e descomposturas), o “ruído Burroughs” se configura como uma contaminação, um elemento alheio que se imiscua em uma narrativa que tomava um caminho, por assim dizer, convencional, e a corrompe. Para ilustrar isso, uso parte da epígrafe do assim chamado Livro 2: “A palavra escrita é, literalmente, um vírus, uma forma maligna e letal”. Ora, como agem os vírus? Em termos leigos, fazem com que seu DNA se misture com o DNA das células infectadas, fazendo com que elas produzam proteína viral. Creio que é isso que acontece na narrativa. Uma vez contaminada, ela passa a produzir elementos alheios a aquilo que até então trazia em seu DNA – a trama se descola de uma história até-certo-ponto-banal (“trash”, nas palavras como sempre deselegantes de Alcir Pécora) para narrar o efeito do “ruído Burroughs” sobre Júnior e depois a tentativa de Bruna (que arrasta consigo o “dispositivo de mediação”, quebrando seu pressuposto – a meu ver, uma falha, ainda que explicável pela contaminação da narrativa) de decifrar o enigma, emulando a ação de um anticorpo.

Sobre a doença de Júnior? Acredito que, como personagem composto de palavras, ele se torna presa fácil para o tal “vírus da palavra escrita”, já que teria como mecanismo de proteção apenas o seu autor, que nesse caso decidiu contaminá-lo propositalmente. Evidência dessa contaminação, acredito, [*alerta de spoiler*] está justamente na já citada cena da sugestão do assassinato (pág. 200), em que Júnior cita uma entidade (Pazuzu) presente em um trecho escrito por Burroughs lido por Bruna.

Assim, na minha visão, o livro se resume a um experimento baseado nesse artifício da contaminação – a história de Júnior serve apenas como pano de fundo. Acredito que Mutarelli tenha uma capacidade ilimitada de produzir enredos até-certo-ponto-banais como o desse seu protagonista a qualquer tempo, e por isso pode dar-se ao luxo de desfigurá-los sem maiores dilemas. Isso me leva a pensar também na razão do título da obra. O “ruído Burroughs” (ou o tal “vírus da palavra”) certamente exerce um efeito devastador sobre a narrativa. Mas sem causa? Aparentemente não. 

Minha interpretação é totalmente delirante? Talvez. Mas eu prefiro me ater a ela a aceitar a tese da gratuidade proposta pelo Antônio Marcos, que aliás é um cara que merece o maior respeito pela lucidez e a inteligência que demonstrou em todas as suas participações nesta Copa.

Abraços!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Saudações a todos,</p>
<p>Gostaria de, nesta minha primeira (ainda que tardia) participação neste espaço, discutir um pouco mais a respeito do livro do Mutarelli, que afinal foi eliminado e está sendo pela última vez comentado nesta Copa. Acredito que a intertextualidade seja um recurso interessante, desde que como um elemento a mais para a leitura de uma peça de ficção. A minha fé cega nessa forma que se chama romance me obriga a crer que qualquer obra que carregue essa classificação deva oferecer pelo menos uma leitura (no sentido de interpretação) possível baseada apenas em si mesma. Digo isso, naturalmente, por causa do “ruído Burroughs”, sobre o qual desejo oferecer aqui a minha hipótese (vejam bem, hipótese). Na leitura que fiz (primária, utilizando apenas os elementos apresentados no próprio livro), o “ruído Burroughs” se apresenta como uma interferência autoral explícita e arbitrária, por extrapolar a capacidade de elaboração tanto do protagonista como do “dispositivo de mediação” proposto, ou seja, o narrador. (Isso a meu ver fica claro na pág. 185, quando o pressuposto do “dispositivo de mediação” muda, e o narrador deixa de se limitar às ações e ao ponto de vista de Júnior e passa a seguir também Bruna, e para quê? – apenas para fornecer mais elementos sobre Burroughs.)</p>
<p>Na minha leitura (mais uma vez, sujeita a toda espécie de equívocos e descomposturas), o “ruído Burroughs” se configura como uma contaminação, um elemento alheio que se imiscua em uma narrativa que tomava um caminho, por assim dizer, convencional, e a corrompe. Para ilustrar isso, uso parte da epígrafe do assim chamado Livro 2: “A palavra escrita é, literalmente, um vírus, uma forma maligna e letal”. Ora, como agem os vírus? Em termos leigos, fazem com que seu DNA se misture com o DNA das células infectadas, fazendo com que elas produzam proteína viral. Creio que é isso que acontece na narrativa. Uma vez contaminada, ela passa a produzir elementos alheios a aquilo que até então trazia em seu DNA – a trama se descola de uma história até-certo-ponto-banal (“trash”, nas palavras como sempre deselegantes de Alcir Pécora) para narrar o efeito do “ruído Burroughs” sobre Júnior e depois a tentativa de Bruna (que arrasta consigo o “dispositivo de mediação”, quebrando seu pressuposto – a meu ver, uma falha, ainda que explicável pela contaminação da narrativa) de decifrar o enigma, emulando a ação de um anticorpo.</p>
<p>Sobre a doença de Júnior? Acredito que, como personagem composto de palavras, ele se torna presa fácil para o tal “vírus da palavra escrita”, já que teria como mecanismo de proteção apenas o seu autor, que nesse caso decidiu contaminá-lo propositalmente. Evidência dessa contaminação, acredito, [*alerta de spoiler*] está justamente na já citada cena da sugestão do assassinato (pág. 200), em que Júnior cita uma entidade (Pazuzu) presente em um trecho escrito por Burroughs lido por Bruna.</p>
<p>Assim, na minha visão, o livro se resume a um experimento baseado nesse artifício da contaminação – a história de Júnior serve apenas como pano de fundo. Acredito que Mutarelli tenha uma capacidade ilimitada de produzir enredos até-certo-ponto-banais como o desse seu protagonista a qualquer tempo, e por isso pode dar-se ao luxo de desfigurá-los sem maiores dilemas. Isso me leva a pensar também na razão do título da obra. O “ruído Burroughs” (ou o tal “vírus da palavra”) certamente exerce um efeito devastador sobre a narrativa. Mas sem causa? Aparentemente não. </p>
<p>Minha interpretação é totalmente delirante? Talvez. Mas eu prefiro me ater a ela a aceitar a tese da gratuidade proposta pelo Antônio Marcos, que aliás é um cara que merece o maior respeito pela lucidez e a inteligência que demonstrou em todas as suas participações nesta Copa.</p>
<p>Abraços!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: AM</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2009/jogo14/#comment-7011</link>
		<dc:creator>AM</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 13:32:12 +0000</pubDate>
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		<description>Pessoal, só passei aqui porque sou fominha e queria muito ver o que estava acontecendo - mas já estou saindo e devo ficar uns dias sem acesso; prometo me esforçar pra pegar a coisa qdo voltar. Agradeço os comentários do Lucas e da Clarice, que espero poder comentar depois.

Só um minicomentário sobre uma coisa que a Clarice mencionou aí: tem rolado aqui um peso muito grande no fator metaliterário em Flores Azuis, mas me salta aos olhos que quem ostenta o desejo de ser metaliterário é o A Arte... Ou não? :)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Pessoal, só passei aqui porque sou fominha e queria muito ver o que estava acontecendo &#8211; mas já estou saindo e devo ficar uns dias sem acesso; prometo me esforçar pra pegar a coisa qdo voltar. Agradeço os comentários do Lucas e da Clarice, que espero poder comentar depois.</p>
<p>Só um minicomentário sobre uma coisa que a Clarice mencionou aí: tem rolado aqui um peso muito grande no fator metaliterário em Flores Azuis, mas me salta aos olhos que quem ostenta o desejo de ser metaliterário é o A Arte&#8230; Ou não? <img src='http://copadeliteratura.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Clarice</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2009/jogo14/#comment-7010</link>
		<dc:creator>Clarice</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 13:18:14 +0000</pubDate>
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		<description>AM, a verdade é que não sei nada sobre Burroughs, Almoço Nu, filme do Cronenberg... (Se sei já esqueci. Algum dia já li Burroughs mas sinceramente, &quot;ma mémoire est une passoire&quot;). 
Acho que com isso, essas referências todas apenas criaram um clima estranho e me colocaram ainda mais do lado de Júnior, que como eu, não estava entendendo patavinas. 
Mas acredito se você diz que para quem entendeu as referências ficou faltando. Uma pena.
O paralelo com o Flores Azuis, já que é todo o objetivo do jogo, não deixa de ser engraçado: pelo visto gostei mais de A arte de Produzir por não ter entendido certas referências, enquanto a leitura de Flores Azuis, no meu caso, ficou totalmente prejudicada por não pescar paralelos e alusões...
(e assim me retiro, me sentindo uma besta por não pescar referências em livro algum, rs)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>AM, a verdade é que não sei nada sobre Burroughs, Almoço Nu, filme do Cronenberg&#8230; (Se sei já esqueci. Algum dia já li Burroughs mas sinceramente, &#8220;ma mémoire est une passoire&#8221;).<br />
Acho que com isso, essas referências todas apenas criaram um clima estranho e me colocaram ainda mais do lado de Júnior, que como eu, não estava entendendo patavinas.<br />
Mas acredito se você diz que para quem entendeu as referências ficou faltando. Uma pena.<br />
O paralelo com o Flores Azuis, já que é todo o objetivo do jogo, não deixa de ser engraçado: pelo visto gostei mais de A arte de Produzir por não ter entendido certas referências, enquanto a leitura de Flores Azuis, no meu caso, ficou totalmente prejudicada por não pescar paralelos e alusões&#8230;<br />
(e assim me retiro, me sentindo uma besta por não pescar referências em livro algum, rs)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Lucas Murtinho</title>
		<link>http://copadeliteratura.com/2009/jogo14/#comment-7009</link>
		<dc:creator>Lucas Murtinho</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 11:26:05 +0000</pubDate>
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		<description>AM,

Pena que você vai estar distante da Internet nesses próximos dias - espero que a conversa tenha fôlego para continuar quando você voltar. E vamos a ela.

[20].1: Acho que concordamos sobre as citações: como respondi ao Leandro em [14], não sou contra citações, mas acho que nesta resenha elas foram mal utilizadas. E você parece concordar, pelo menos em parte, comigo.

Ontem procurei o livro lá em casa para dar uma folheada e ver se achava alguns trechos que julguei bons - ou ver se, como você e o Luciano sugerem, ele está mesmo repleto de frases insuportáveis. Mas, por conta da mudança, o livro está afogado em alguma caixa. Então reproduzo o trecho que está na resenha do L. F. Carvalho Filho para o jogo 7:

&quot;Júnior acorda tamanho é o silêncio. Sente-se bem. O relógio do vídeo não marca a hora. Todos dormem. Não há café na garrafa. Júnior lava o rosto, escova os dentes com o dedo e penteia o cabelo com as mãos. Não muda de roupa porque as suas roupas estão guardadas no quarto do pai. Procura não fazer barulho ao sair. Chama o elevador. Enquanto espera, percebe uma rachadura no piso. Uma linha sinuosa que parte de uma coluna e avança quase até as escadas. O elevador demora. Júnior desce de escada. Percebe que a rachadura se repete a cada piso. Uma discreta ameaça. O porteiro não está na guarita para abrir o portão. Júnior espera. Ansioso por um café e pelo primeiro cigarro, anda até o portão. Passa o braço pela grade e aperta o interfone preso do lado de fora. Está dentro e fora. Em poucos segundos o porteiro surge correndo. Abotoando as calças.

— Vai sair?

— Eu só toquei porque não tinha você.

— Então não vai sair?

— Não, quer dizer, vou. Só estou falando isso para você não pensar que estou do lado de lá chegando. Para não pensar que toquei para entrar. Entendeu?

— O senhor já está dentro. Por que eu ia pensar isso?

— Não é isso. É que eu toquei de fora, entendeu?

— O senhor vai ou não vai sair?

— Vou.&quot;

No primeiro parágrafo do trecho, o cenário e o clima (que, é verdade, o leitor do livro já conhece a essa altura) são definidos em frases de uma economia admirável (&quot;escova os dentes com os dedos e penteia o cabelo com as mãos&quot;, &quot;Não há café na garrafa&quot;). E esse surrealismo mundano do diálogo é ótimo. Quando lembro do livro, é esse tipo de trecho que me vem à mente. As tentativas de soar profundo ou espertinho se perderam no meio do caminho, ou por complacência minha ou porque elas não me pareceram numerosas.

Sobre a surra em quem não pode revidar, desisto momentaneamente de explicar o que quis dizer. Vou ver se encontro outra forma de apresentar a ideia.

[23].2: Não sei de onde você tirou a ideia de que alguém aqui equaciona a classe social dos personagens com presença ou ausência de enredo. A Bruna, em [3], fala do aspecto social do livro de Mutarelli como um algo a mais do livro, não como algo obrigatório que &lt;em&gt;Flores azuis&lt;/em&gt; peca por não ter. Alem disso, não acho e acho que nunca escrevi que o livro de Saavedra só tenha forma: acho que o principal conteúdo do livro é o alegórico, a discussão sobre autoria e anonimato e leitura que, repito, é interessante para um público pequeno, do qual eu poderia fazer parte mas não faço. O conteúdo narrativo, que no começo se sustenta nos capítulos sobre Marcos, vai sendo deixado de lado à medida que as cartas ganham importância para ele. Se &quot;plot is character&quot;, &lt;em&gt;Flores azuis&lt;/em&gt; deixa a plot de lado no meio do caminho, em nome do meaning. Enquanto o meaning de &lt;em&gt;A arte de produzir efeito sem causa&lt;/em&gt;, embora menos facilmente identificável, está intrinsecamente ligado ao character, portanto ao plot. &quot;Plot is meaning, meaning is plot&quot;?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>AM,</p>
<p>Pena que você vai estar distante da Internet nesses próximos dias &#8211; espero que a conversa tenha fôlego para continuar quando você voltar. E vamos a ela.</p>
<p>[20].1: Acho que concordamos sobre as citações: como respondi ao Leandro em [14], não sou contra citações, mas acho que nesta resenha elas foram mal utilizadas. E você parece concordar, pelo menos em parte, comigo.</p>
<p>Ontem procurei o livro lá em casa para dar uma folheada e ver se achava alguns trechos que julguei bons &#8211; ou ver se, como você e o Luciano sugerem, ele está mesmo repleto de frases insuportáveis. Mas, por conta da mudança, o livro está afogado em alguma caixa. Então reproduzo o trecho que está na resenha do L. F. Carvalho Filho para o jogo 7:</p>
<p>&#8220;Júnior acorda tamanho é o silêncio. Sente-se bem. O relógio do vídeo não marca a hora. Todos dormem. Não há café na garrafa. Júnior lava o rosto, escova os dentes com o dedo e penteia o cabelo com as mãos. Não muda de roupa porque as suas roupas estão guardadas no quarto do pai. Procura não fazer barulho ao sair. Chama o elevador. Enquanto espera, percebe uma rachadura no piso. Uma linha sinuosa que parte de uma coluna e avança quase até as escadas. O elevador demora. Júnior desce de escada. Percebe que a rachadura se repete a cada piso. Uma discreta ameaça. O porteiro não está na guarita para abrir o portão. Júnior espera. Ansioso por um café e pelo primeiro cigarro, anda até o portão. Passa o braço pela grade e aperta o interfone preso do lado de fora. Está dentro e fora. Em poucos segundos o porteiro surge correndo. Abotoando as calças.</p>
<p>— Vai sair?</p>
<p>— Eu só toquei porque não tinha você.</p>
<p>— Então não vai sair?</p>
<p>— Não, quer dizer, vou. Só estou falando isso para você não pensar que estou do lado de lá chegando. Para não pensar que toquei para entrar. Entendeu?</p>
<p>— O senhor já está dentro. Por que eu ia pensar isso?</p>
<p>— Não é isso. É que eu toquei de fora, entendeu?</p>
<p>— O senhor vai ou não vai sair?</p>
<p>— Vou.&#8221;</p>
<p>No primeiro parágrafo do trecho, o cenário e o clima (que, é verdade, o leitor do livro já conhece a essa altura) são definidos em frases de uma economia admirável (&#8220;escova os dentes com os dedos e penteia o cabelo com as mãos&#8221;, &#8220;Não há café na garrafa&#8221;). E esse surrealismo mundano do diálogo é ótimo. Quando lembro do livro, é esse tipo de trecho que me vem à mente. As tentativas de soar profundo ou espertinho se perderam no meio do caminho, ou por complacência minha ou porque elas não me pareceram numerosas.</p>
<p>Sobre a surra em quem não pode revidar, desisto momentaneamente de explicar o que quis dizer. Vou ver se encontro outra forma de apresentar a ideia.</p>
<p>[23].2: Não sei de onde você tirou a ideia de que alguém aqui equaciona a classe social dos personagens com presença ou ausência de enredo. A Bruna, em [3], fala do aspecto social do livro de Mutarelli como um algo a mais do livro, não como algo obrigatório que <em>Flores azuis</em> peca por não ter. Alem disso, não acho e acho que nunca escrevi que o livro de Saavedra só tenha forma: acho que o principal conteúdo do livro é o alegórico, a discussão sobre autoria e anonimato e leitura que, repito, é interessante para um público pequeno, do qual eu poderia fazer parte mas não faço. O conteúdo narrativo, que no começo se sustenta nos capítulos sobre Marcos, vai sendo deixado de lado à medida que as cartas ganham importância para ele. Se &#8220;plot is character&#8221;, <em>Flores azuis</em> deixa a plot de lado no meio do caminho, em nome do meaning. Enquanto o meaning de <em>A arte de produzir efeito sem causa</em>, embora menos facilmente identificável, está intrinsecamente ligado ao character, portanto ao plot. &#8220;Plot is meaning, meaning is plot&#8221;?</p>
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