Copa de Literatura Brasileira

Jogo 12

Duas novelas justinhas em seu formato, sem sobras ou faltas (não anotei qualquer passagem inutilmente obscura, qualquer lance meramente decorativo, nas duas obras), bem editadas, conduzidas com segurança pelos autores; as duas com linguagem adequada aos propósitos de cada relato e aos limites do ambiente social envolvido; nas duas, três figuras reiteradas — um homem adulto, seu pai e uma mulher —, o que implica algumas tensões de presença semelhante em ambas (a relação pai-filho, a relação entre o protagonista e uma mulher), ainda que com abismais diferenças de enredo. Duas novelas, enfim, que fariam bom papel em qualquer mercado, em qualquer língua. Como escolher entre elas?

Naturalmente se poderia partir para a averiguação das diferenças marcantes entre as duas. Contardo Calligaris, já por sua experiência pessoal, faz as ações ocorrerem num mundo glamuroso, que se poderia chamar de “jet-set” já que de fato os personagens dependem de jatos para se encontrar, entre Nova York e a Itália, com direito a paragens outras, tudo muito limpo e educado, em que os protagonistas não apenas pertencem às classes confortáveis (o protagonista é psicanalista) mas também são cultos, irônicos, sensíveis ao mundo da arte e informados da mais requintada tinta intelectual do Ocidente; seus conflitos radicarão na vida interna de cada um, na sempre difícil lida do indivíduo com as heranças e as conquistas pessoais (e com surpresas do destino, que não cabe mencionar para não roubar o encanto dos futuros leitores). Lourenço Mutarelli, também evocando sua experiência pessoal — os dois são sim representantes dessa onda austeriana que alguns têm chamado de “autoficção”, elaboração narrativa algo fantasiada mas tendo por base a empiria da vida dos autores —, dá protagonismo a um zé-ninguém, um sujeito de classe média baixa que deixa o emprego numa revenda de autopeças mas mantém na cabeça números e nomes do catálogo que havia decorado, para voltar a viver com seu pai, habitante de um lamentável apartamento, tudo muito acanhado, muito apertado, sem horizonte, sem grana, gerando um efeito de enclausuramento consistente com o andamento do enredo (o qual vai-se revelando pouco a pouco, quando vamos tendo notícia de que aquela saída da revenda tem a ver com o fim de seu casamento, em mais um momento que não cabe explicitar aqui, em nome do gozo dos candidatos a leitor).

Mas é claro que diferenças de enredo, de mundo social e de geografia não podem decidir a qualidade, que estará sempre em outra parte, não no enredo. Meu critério, então, foi o de superioridade artística, que poderia ser chamado de radicalidade artística: enquanto a sensível, inteligente e psicanaliticamente ousada narrativa de Contardo Calligaris poderia ser traduzida filmicamente quase sem nenhum problema, dada a sua natureza visual (há uma engenhosa trama envolvendo afrescos pintados em uma capela interiorana da Itália, que além de tudo oferece uma interessante eletricidade à leitura, na linha de uma narrativa de suspense) e sua linguagem relativamente transparente, a novela de Lourenço Mutarelli depende de uma linguagem em muitos sentidos poética, espessa de significação (o protagonista vai progressivamente perdendo a capacidade de linguagem, e essa perda é enunciada no plano narrativo de modo icônico, num jogo de grande habilidade e eficiência), que compõe a novela em nível talvez mais importante do que o próprio enredo, de forma que sua obra, para poder falar na língua do cinema, precisaria alterar-se muito, perdendo parte substantiva de sua natureza estritamente literária. Quer dizer: Mutarelli é mais literário do que Caligaris.

Não é pouco o resultado que Mutarelli obtém nessa que é uma obra de sua maturidade literária (para dar um exemplo apenas, esta novela é em muitos pontos superior a O natimorto, novela que era já bastante boa); creio mesmo que se trata de autor com força para permanecer no repertório de leituras válidas e representativas de nosso tempo. Calligaris, de sua parte, está estreando na ficção, e com um acerto que faz prever muita coisa boa. Mas enfim, aí está o voto: Mutarelli segue adiante, Calligaris fica para outra.

Vencedor

A arte de produzir efeito sem causa

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26 comentários

    Gostei da resenha. Acho que ela explicita o que eu, leitora pouco propensa a reflexões sobre o que leio, não tinha conseguido formular.
    Gosto mesmo é de historinhas e não ligo pra estilo. Mais que isso, em geral se percebo que há estilo, é porque não estou gostando do livro: se o noto, é porque o estilo está se sobrepondo à história o que pra mim é… #fail total.
    Mas a resenha mostra bem que o estilo é um dos pontos altos nesse livro do Mutarelli, que adorei. Só que ali ele não atrapalha o desenrolar da história, pelo contrário, ajuda a contá-la. Ou seja, melhor dos mundos.

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  • PS: até agora só consegui votar em 2 dos jogos… Em geral já aparece o placar direto, como se eu tivesse votado. Mais alguém com esse problema?

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  • Resenha perfeita, além de eu concordar com o resultado.
    Adoro o Calligaris cronista, na Folha, mas o romance achei apenas bem intencionado. Nem senti tanta eletricidade assim na trama, que aliás considerei previsível.
    Já o livro do Mutarelli me viciou, me pegou de jeito e eu me deslumbrei com a força de sua linguagem. Compreendo o porquê, em outra resenha, tenha sido dito que em alguns momentos algo sobra, algo é desnecessariamente claro demais (embora ache que os exemplos usados não fossem os melhores), porém essa ocasional perda da mão de maneira nenhuma atrapalha o impacto final dessa força, aliás até confere, na minha opinião uma certo pé no chão, uma sutilíssima brecha que se abre para nos lembrar de que há humanidade no escritor, falibilidade, etc, e de que estamos apenas diante de uma novela, calma, não se desespere (fui mesmo levada, agoniada, para o ralo da doença de Júnior).
    Agora eu espero ansiosamente pelo embate do jogo 14… torcendo para o A Arte…, claro.

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  • puxa… lá se vai mais um pelo qual eu estava torcendo [o único q li deste jogo]. não q não tenha gostado da resenha. gostei mto: acho q as duas obras foram devidamente apreciadas e saio com a impressão dq venceu quem era realmente melhor.
    o critério para aferir a natureza literária [predominância da linguagem sobre o enredo] é mto apropriado e sugestivo. o melhor e mais objetivo até agora. obrigado, fischer.

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  • Adorei a resenha do Fischer ( não esperaria outra coisa dele).Justa no sentido de descrever e adjetivar as obras.O Calligaris é bom como cronista, mas Às vezes isso realmente acontece na literatura: o autor é bom num gênero e não no outro, como o Luís Fernando Veríssimo ,por exemplo, que como romancista é um fracasso. Só o título já acho original e me prende: A arte de produzir efeito sem causa. Vou ler.

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  • Fischer,
    Resenha muito boa. Só podia ganhar um livro em q a progressiva perda de linguagem do narrador se articula com o enredo.

    Só uma curiosidade minha: ¿qual é teu critério pra chamar os dois livros de ‘novelas’?

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  • 4: Luiz, o critério usado pelo Fischer também chamou a minha atenção, especialmente pela comparação explícita com o cinema. Sendo chato, vejo um pouco de preconceito ali, como se a linguagem cinematográfica fosse uma mera tentativa de reprodução da realidade visual enquanto a linguagem literária é capz de ganhar em “espessura de significação”. Mas é picuinha.

    O que acho curioso, embora ululantemente óbvio, é que esse é um critério que só começa a existir a partir do momento em que existe o cinema, e mais, a partir do momento em que o cinema se firma como a arte narrativa por excelência. A visão positiva é que a chegada do cinema libera a literatura (e o teatro) da camisa-de-força da história: quem quer historinha que vá ao cineminha, nós estamos fazendo arte. Mas contar uma história é o objetivo primário de toda arte narrativa, e é triste para a literatura ter pedido a primazia nesse sentido. No fim das contas, é a perda de importância, sei lá, social da literatura que a torna mais livre. Como uma antiga celebridade que agora pode fazer o que quiser da vida porque o público deixou de se importar com o que ela faz.

    Mas divago. Ótima resenha.

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  • Lucas,
    Não acho q seja o cinema tenha tido esse efeito sobre a literatura. A experimentação com a “espessura de significação” começou antes de o cinema se espalhar como forma de arte relevante. No começo do século XX, tinha muita gente de saco cheio com as formas clássicas, com a narrativa “transparente” (tal como colocou o Fischer), em todas as artes. Ulysses é de 1922. Só pra falar de musga, q conheço melhor, as “Três peças em forma de pera” (Trois morceaux en forme de poire) do Erik Satie é de 1903. Debussy morreu em 1918. &c &c Lembro tbm q o cinema sempre foi buscar histórias “transparentes” na literatura impressa e na teatral.

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  • Nossa Lucas, seu comentário está parecendo aquele texto retrô do Benjamin sobre o narrador. “contar uma história é o objetivo primário de toda arte narrativa”? Discordo. Aliás, creio que uma das maiores conquistas do romance no século XX foi se livrar dessa obrigação de contar uma história. Salve, salve “Finnegans Wake”, “O Inominável” e todos os grandes romances onde contar uma história é algo completamente sem sentido.

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  • 8: Doutor, também acho que a vontade de espessurar não surgiu depois do cinema. Mas o cinema torna a literatura (e o teatro) mais livre para espessurar à vontade. E a visão do cinema como arte relativamente menor acaba tendo o efeito colateral de diminuir a importância da narrativa. O livro que “só conta uma história” se torna pobre, insuficiente, não só por conta do saco cheio de alguns mas também porque na cabeça de outros alguns só contar uma história é o objetivo de outra arte.

    9: Leandro, também não gostei dessa frase, porque ela é tautológica. Na arte narrativa, por definição, narra-se algo. Donde talvez Finnegans Wake não seja arte narrativa, embora certamente seja literatura. E a ideia, que tenho dificuldades em transmitir porque ela ainda está confusa até mesmo para mim, é essa: a literatura deixou de ser o lugar onde as pessoas se reúnem para ouvir histórias. E acho, sem saber exatamente por quê, que isso é ruim para ela.

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  • Leandro, por que o texto do Benjamin sobre o narrador é retrô?

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  • Felipe, tenho grandes restrições em relação ao texto O Narrador, de Walter Benjamin. Creio que não dá pra explanar todos os pontos numa caixa de comentários, mas o que o Lucas parece se referir, é o que Benjamin disse: a extinção da arte de narrar. E isso, pra mim, é só nostalgia, nada mais. Além das coisas sem nenhum sentido (“Aconselhar é menos responder a uma pergunta que fazer uma sugestão sobre a continuação de uma história que está sendo narrada.” WTF?), Benjamin defende uma tradição de narrativa oral da literatura, em detrimento ao romance moderno. O ponto fundamental para mim é que Benjamin não consegue ver que aquilo que ele diz ter se perdido na verdade continua aí, mas de outro modo. A tradição oral das histórias foi substituída pela tradição literária de escrever tendo em mente o que já foi escrito. Por isso, quando ele diz que “a origem do romance é o indíviduo isolado”, eu acho que na verdade ele está sendo muito conservador, sem ver que o “indivíduo isolado” está fundado na tradição literária.

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  • Só para deixar claro: acho Benjamin um pensador fantástico. No entanto, em relação ao tema, seu texto “Experiência e Pobreza” parece ser muito mais lúcido que “O Narrador”.

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  • 12: Leandro, não acho que a arte de narrar esteja extinta: acho que a literatura deixou de ser a arte narrativa de referência, tendo passado o cargo para o cinema. Muitos leitores acham que isso é algo bom, porque a literatura que se preocupa menos com a narrativa pode se preocupar mais com, digamos, a espessura da significação. Eu acho que, para a literatura, deixar de ter sido a arte narrativa de referência foi algo ruim, porque a tornou menos, embora a palavra tenha que ser usada com cuidado, relevante, ou talvez seja mais correto dizer que ela se tornou menos atraente para boa parte do público.

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  • bem, já q o debate enveredou por esse rumo, vou dar aqui meu pitaco: gosto de uma boa e velha historiazinha bem contada. nada como um bom enredo seja em livros, telas de cinema ou revistas em quadrinhos para instruir, comover e deleitar.

    minha visão particular éq, com o desenvolvimento do cinema, muitos autores passaram a se preocupar mais com o refinamento da linguagem e deixaram o enredo de lado. mta coisa boa foi produzida assim. mta coisa ruim tb. por outro lado, mtos autores brilhantes preferiram/preferem/preferirão seguir no caminho da contação de histórias. isso não significa literatura inferior, apenas diferente, oq diversifica e enriquece a arte de escrever.

    pelo q entendi da resenha do fischer, o mutareli ganhou pq conjugou essas duas vertentes de forma q o trabalho d elaboração linguística suplementa o enredo e faz a história se movimentar. nesse sentido, é mais sofisticado e esteticamente bem acado doq o calligaris e “apenas” conta bem uma história interessante.

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  • Leandro, eu gosto bastante desse texto, mas entendo suas restrições. E entendi o seu ponto. Eu leio esse texto menos como uma condenação do aspecto narrativo do romance que como diagnóstico de uma transformação brutal na arte de narrar com o advento do romance, fundamentalmente porque o romance não moraliza, enquanto a narrativa épica moraliza. Talvez o grande campo das narrativas, no XIX e no XX, tenha sido o pensamento social, com as narrativas nacionais, sociais, etc. Mas é claro que, tecnicamente, a narrativa é uma dimensão da escrita ficcional. Só que a análise do Benjamin não é técnica. Mas entendo seu ponto.

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  • Muito boa resenha, Luis Augusto, e suscitou algumas das melhores e mais interessantes discussões que já li aqui, desde a relação literatura/cinema, até a ‘literariedade’ da literatura, com os tópicos do espessamento da narração e do significante, que é uma discussão antiga e sempre atual e vem aqui sem as radicalizações que soem acompanhá-la.

    Para mim, não há literatura sem algum forte trabalho de linguagem, não me interesso só pela história, por isso vou ler o Mutarelli acho que com prazer, e penso que o cinema se apropria das boas histórias, não há como transpor as técnicas narrativas e/ou de linguagem para a tela, acho, e quando ele (o cinema) tenta, a literatura sempre sai ganhando (penso aqui, aleatoriamente, em A hora da estrela, da Suzana Amaral – o livro continua a anos-luz do filme, para mim).

    Quanto ao Benjamin, Leandro (9), ainda bem que vc retificou em (13), porque acho que todos que lidamos com cultura amamos os textos de Benjamin, e quase todo professor de literatura já trabalhou com esse texto dele. Até pode haver uma certa nostalgia, mas vc certamente conhece o excelente prefácio da Jeanne Marie Gagnebin ao Magia e técnica, arte e política, em que ela reconhece essa possível nostalgia, mas aponta o risco de tomar a teoria dele sobre a experiênica e reduzi-la (cito) “à sua dimensão nostálgica e romântica, dimensão essa presente, sem dúvida, no grande ensaio sobre O narrador, mas não exclusiva”. (p.10).
    Desculpe a citação, mas é que Benjamin é meio como o Mario de Andrade: ele escreve tão bem, é tão apaixonante tudo que discute, que será preciso sempre contextualizar e situar historicamente mesmo um certo e relativo conservadorismo (no caso de Mario) ou nostalgia (no caso de Benjamin) que possam compor seu pensamento e obra.
    um abraço,
    clara lopez

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  • Olha, eu também concordo com o Lucas, existe, para mim, uma perda evidente quando a literatura atual menospreza a narrativa e entroniza a espessura da significação. Acho que o problemas está na radicalização do ponto. O pensamento dominante literário decreta a falência ou não de uma obra pelo fato de ela contar boa história, como se isto apagasse a espessura da significação necessariamente.
    Outra coisa. Quando Lucas diz “livrou a literatura para a expessura de significação” entendo que ele sente que o enredo limita a criatividade dos autores em direção à significação. Isto não implica em que os artistas só conseguem ser expessos quando se livram da narrativa? E, portanto, implica em seu limite? Isto é, não é mais genial quem consegue os dois, narrativa e significação (lembrando que enredo é significação)? Escrevam um livro sem enredo e verão como é fácil colocar significados por todo o lado. Mas façam com enredo. Não está aí o desafio? Tenho a forte sensação de que muitos escritores refutam a narrativa porque não sabem escrever com ela. Como em artes plásticas, a literatura corre o risco de se tornar uma arte hermenêutica, de pura masturbação mental e com os sentimentos indo para o espaço.
    Por fim, acho Finnegans o livro mais chato e presunçoso que já li, afe! Para mim, não serve como referência a nada. A não ser como laboratório, que, neste caso, é fruitivo.

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  • Por gentileza, leiam espessos com “s”, tá?

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  • não há como transpor as técnicas narrativas e/ou de linguagem para a tela, acho, e quando ele (o cinema) tenta, a literatura sempre sai ganhando (penso aqui, aleatoriamente, em A hora da estrela, da Suzana Amaral – o livro continua a anos-luz do filme, para mim).

    tem certeza, clara [17]? vc já viu dr. jivago? para mim dá um belo empate.

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  • “(penso aqui, aleatoriamente, em A hora da estrela, da Suzana Amaral – o livro continua a anos-luz do filme, para mim)” (clara, [17])

    Curioso, porque eu acho o filme da Suzana Amaral muito superior ao livro da Clarice…

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  • (20)
    Eu vi o filme Dr. Jivago há muitos anos atrás, sofri e chorei com aquela saga amorosa toda, mas nunca li o livro, então não posso saber se há no livro questões de forma que tenham sido trazidas para o filme. De todo modo, não vejo no filme questões técnicas que possam ter vindo da literatura, mas já faz muito tempo que vi o filme.

    (21)
    Na verdade, Dina, com todos os prêmios que o filme recebeu, eu o acho chatíssimo, mas o livro de Clarice eu continuo a ler e ter sempre uma emoção renovada.
    Penso que a Hora da estrela é uma síntese brilhante da obra literária dela.
    um abraço,
    clara

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  • Hm, O Iluminado?

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  • Gente, vamos voltar a comentar os livros da Copa e a resenha ótima do Luis Augusto? Eu juro que não faço mais qualquer observação fora do tema :)
    um abraço,
    clara

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  • Hoje pensei que quem domina a narrativa hoje nem é mais o cinema, é a série de TV.

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  • Ainda sobre O Narrador de Benjamin, tem um texto muito interessante de Jack Goody, chamado Da Oralidade à Escrita, que está no A Cultura do Romance da Cosac Naify.

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