Copa de Literatura Brasileira

Jogo 10

O que me chamou a atenção de chofre foi o tanto que O verão do Chibo e Galiléia têm em comum: são ambos livros rurais, usam narradores não-confiáveis, fragmentam a narrativa e… são do selo Alfaguara. Apesar disso, não podiam ser mais diferentes.

Tem muita coisa certa com O verão do Chibo, muita coisa mesmo — como não ser mais um romance de jovem autor em área urbana com narrador blasé —, mas falta brilho.

Seu narrador tem o vocabulário e as referências literárias de um paulistano de vinte e tantos anos, mas brande acessórios de infância idílica rural — figurinhas, amigos imaginários e insetos amestrados. Entendi. O narrador não é uma criança literal. Na literatura, quase nenhuma é. Penso em Senhor das moscas (William Golding), em João Carlos Marinho e sua Turma do Gordo e em Ranxerox (HQ de Liberatore). Penso também em Escola para bobos (Sokolov). E pensando neles concluo que, em O verão do Chibo, o encaixe ficou forçado.

O verão de Chibo foi escrito por dois autores, Emilio Fraia e Vanessa Barbara. Para mim, a costura do texto é aparente. Vejo duas personalidades distintas escrevendo, personalidades essas que talvez nem correspondam a cada autor. Isso não me incomoda, exceto por ter gostado muito mais de uma delas. Parece que uma está tecendo um sentido que a outra destece meio atabalhoadamente.

Gosto de audácia, mas falta recompensar o leitor para seguir aturando a experiência. Faltam pepitas pelo caminho. O livro é chato… No penúltimo capítulo melhora um pouco. No começo, longas descrições de brincadeiras, com contradições e invenções enxertadas pelo narrador para tentar tornar aquilo mais interessante (ele sabe que está sendo ouvido e julgado). Um milharal, ingrediente de filme de terror, com uma área proibida. Não dá medo, nem entretém: não transcende a página.

Os ingredientes estão todos no lugar. Eu os vejo em seu lugar. Mas escrever um bom livro talvez não seja receita de bolo. Ou talvez seja exatamente que nem bolo: fica ruim sem o ingrediente secreto.

Sobre este ingrediente secreto, suspeito que ele nem possa ser captado por termos como “ter o que dizer” ou “experiência de vida”. O ingrediente secreto está nas entrelinhas; é ele que faz um livro ser melhor ou mais querido que o outro. Há muitos livros importantes sem o ingrediente secreto, mas esses livros não são queridos nem necessariamente bons.

Não quero com isso dar na cabeça do cozinheiro e cozinheira, só dizer que, como nerd, encafifei: então não basta cumprir tudo o que o livro de receitas manda? Não basta ser esforçado e aplicado? Ainda tem que ter mão boa pra massa? Pois é, oficinas literárias, pois é…

Juro que estou decepcionada com este insight e que queria muito que Chibo fosse ótimo e me arrebatasse.

Leio a sinopse de Galiléia: “três primos atravessam o sertão cearense para visitar o avô, patriarca que definha na sede da fazenda Galiléia”. Penso que aquele livro vai me matar de tédio. Quem quer saber de velório no meio do mato? Eu não.

Mas Galiléia se passa mais na cabeça e nos corações dos homens do que no mato. É bom não ser chauvinista de rejeitar (ou aprovar) um romance pela sinopse ou ambientação — aprendi isso quando li Ruffato (quem quer saber de migrantes?, etc.). Leia pelo menos uma página, aí desista.

Li a primeira página e fui até a 45. Da 45 fui à 65. Da 65 à 117, e da 117 quase ao final. E não, não estava fácil, o livro exigia de mim, eu voltava atrás e conferia coisas — como quem era o narrador daquela vez, e se o que ele falou batia com o que o outro tinha falado. Às vezes, simplesmente pra saborear de novo alguma passagem. Ainda assim, debelei Galiléia em poucas sentadas — ao contrário de Chibo, livro de 115 páginas que me tomou quase o tempo do maisquememória (400 pg.) para ser lido.

Galiléia é dois em um: romanção e romancinho. É romanção porque tem um clã — com questões mal-resolvidas que talvez venham de séculos. É romancinho porque é curto (236 pg.) e espiamos esse clã pelo buraco da fechadura, conforme as vozes dos personagens vão se alternando. Formamos nossa própria imagem bullet-time.

Certos filmes antigos nos parecem hoje muito lentos, pois quanto mais nos fomos acostumando à linguagem do cinema, mais as elipses foram sendo toleradas. Hoje, via de regra, um homem não precisa mais ser visto dando um beijo na família, descendo de elevador, entrando no carro, dirigindo, estacionando e trancando o veículo para sabermos que ele foi para o trabalho. Não estamos fascinados com o mero movimento das imagens; exigimos mais. O mesmo aconteceu, talvez por influência, com a literatura: as descrições caudalosas tendem a ser substituídas por símbolos evocativos e/ou referências a um repertório compartilhado. Daí haver tanta Bíblia (e sociologia) no livro.

Atribuo a isso o fato de muitas das cenas de Galiléia — não só as cenas-chave — serem arrebatadoras. Foi nitidamente escrito com paixão, mas Ronaldo Correia de Brito não cometeu o erro de muitos apaixonados com algo a dizer: se empolgar com o próprio virtuosismo e empastelar a execução. Se há algum senão, foi ter pesado um pouco a mão nas referências bíblicas — mas talvez o problema seja comigo, pois na época da leitura estava traduzindo um comentário bíblico.

No momento preciso em que li o final, ele me soou abrupto: e a resolução? Mas no momento seguinte eu já estava revendo toda a forma como tinha lido o livro. Aquilo era a resolução. Adonias não tinha ido à fazenda Galiléia se achar, mas se perder. E, por que não dizer?, me soou de alguma forma um final feliz. Missão cumprida. Galiléia tem o ingrediente secreto.

Vencedor

Galiléia

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41 comentários

    Primeira resenha realmente boa.
    Me deu vontade de ler a ficção da moça.

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  • A leitura do VdC é bastante cansativa; numa autoria compartilhada, imagino que seja mais difícil “saber a hora de parar”; continuo achando que daria um belo conto de 30 páginas.

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  • Li os dois livros e discordei do resultado final. Inclusive, de todos os livros que li da Copa, Chibo ainda é meu favorito. De qualquer forma, acho que a jurada justificou muito bem sua escolha.

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  • A resenha tá excelente, mas desaprovei o placar final. Embora seja bastante convincente, acho q convence pq partiu da percepção (ou da atribuição) de pontos comuns entre os dois livros (ruralidade, narrativa não-confiável e fragmentada), e se ESSES são pontos salientáveis n’O verão do Chibo, então é claro q ele sofre. Pra mim, foi um erro. Galiléia tá imerso na tradição da causalidade como motor subjacente do “contar uma história”, mesmo q muitas vezes esconda as causas (¿o efeito “ingrediente secreto”?). Já OVdC não tem causalidade: o adulto q lê OVdC se frustra ao procurar uma coisa q o livro não tem nem se propõe a ter, ou tem apenas como proto-causalidade – um ensaio ou encenação tosca da causalidade adulta. OVdC não tentou enternecer o leitor adulto ou diverti-lo com visões idealizadas da infância: colocou a criança como seriamente imersa em seu mundo, assim como o adulto tá seriamente imerso no seu. O q o leitor adulto percebe como fragmentação n’OVcC é um elemento constitutivo do mundo retradado nele; já a fragmentação em Gal. é problema DO livro, parecendo denunciar uma intenção inicial de escrever não um romance mas uma série de contos. Seja como for, OVdC foi melhor sucedido em concretizar suas premissas do q Gal. em concretizar as suas. Pra mim, deu zebra.

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  • Pois é, essa foi uma das resenhas mais difíceis de escrever. Sinal de que os livros nacionais andam melhorando (i.e.: não vêm cometendo erros óbvios)?
    Dr. Plausível, a história de serem parecidos foi uma das últimas coisas que coloquei na resenha – para amarrar o texto. E não consegui me imergir na história de Chibo de jeito nenhum – criança, adulta, jovem… o que eu lamento já na resenha.

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  • bela resenha, simone. concordo plenamente com o resultado. ao contrário do xerxenensky e do dr plausível, achei o verão mto ruim: chato, enfadonho e presunçoso. até entendo [e aplaudo] a intenção dos autores em não reproduzir um éramos seis ou um meu pé de laranja lima “atualizado”, mas aquele narrador em momento algum me parece ser uma criança de sete anos. o mistério do sumiço do chibo, intrigante no comecinho, fica mais desinteressante a cada página.

    e oq diabos é aquele capítulo de um parágrafo só q surge e desaparece sem quê nem pra quê? o pior momento é o final, qdo, d uma hora para a outra, assim sem mais nem menos, ele adquire consciência sobre oq se passa ao seu redor e entramos na sua casa, vemos os outros parentes e ficam-se elucidados os supostos “mistérios” q há muito já tinha cansado de tentar entender. fica a nítida sensação dq a obra é um exercício mal-feito, desenvolvido a náusea, para exibicionismo d uma técnica narrativa modernosa.

    o galiléia, ao contrário: é abrir a capa e botar no leitor automático. flui q é beleza. ele realiza plenamente oq o verão do chibo fracassa em reproduzir, aquilo q dá a impressão d, como vc mesma diz, se passar mais na cabeça do personagem doq no ambiente q o cerca.

    agora q o cordilheira saiu do páreo, é o meu preferido para o final.

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  • “quanto mais nos fomos acostumando à linguagem do cinema, mais as elipses foram sendo toleradas.”

    Só essa observação valeu toda a resenha. E muitas outras tb valeram.

    A melhor até aqui na Copa.

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  • Gostei do “impressionismo justificado” da Simone. Ela não finge que é possível fazer uma resenha sem opinião subjetiva, mas parte da impresão de leitura para vôos mais altos. Boa resenha, mesmo.

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  • Exatamente. Toda avaliação tem que partir da impressão de leitura. Literatura é arte.
    Excelente a resenha.

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  • Posso gostar da resenha e desgostar do resultado da partida? Realmente fiquei chateada com a saída de OVdC da Copa. Era meu favorito. Mas o campeonato continua, bola pra frente!

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  • Então, eu não sabia explicar o que exatamente o Galiléia tinha de especial. Bem escrito, sem dúvida. Narrativa bem conduzida, personagens bem construídos… sim, tudo isso. Mas tem algo a mais. E tá aí, é isso: o ‘ingrediente secreto’. Bela resenha.

    E o jogo 13 vai ser muito bom.

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  • A resenha do Felipe Charbel tinha me deixado bastante hesitante, mas agora fiquei mesmo a fim de ler o Galiléia. Belo texto, Simone.

    Posso estar sendo injusto com os autores, o Verão de Chibo me dá a impressão de exercício de oficina literária. Falo de orelhada, fique claro, pois não li o livro. Mas confesso ter ainda um certo pé-atrás com essas experiências colaborativas na literatura.

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  • Drex, para quem tem pé atras com experiências colaborativas na literatura recomendo Good omens, de Neil Gaiman e Terry Pratchett. Dá gosto.

    Mas a Simone tocou num ponto que eu também senti lendo o livro: dava pra perceber as costuras, as diferenças entre certos trechos. O que não é necessariamente ruim, mas acho que não era a intenção dos autores. Na minha cabeça até criei uma teoria sobre quais partes foram escritas por quem, mas agora já esqueci.

    Abraços,

    Lucas

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  • Eu não sei como está a visitação do site da copa de literatura, mas tenho a impressão que os comentários estão escassos. E mornos.

    Tirando a tentativa do Alex de fazer um pouco de polêmica, pouco se discutiu por aqui. As pessoas discordam dos resultados mas elogiam as resenhas. A Simone escreveveu muito bem, não posso discordar disso, mas ninguem achou demais a exautação do virtuosismo de um ou a crítica às costuras dos outros? Galiléia não é tão formulário quanto o Chibo?

    Está tudo morno. Não só essa resenha. Por favor leitores…

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  • sobre costuras aparentes em narrativas de ficção: para mim, o[s] autor[es] deve[m] sumir diante da história; ela deve subsistir apenas pela[s] voz[es] do[s] personagem[ens]. caso contrário, vira exibicionismo no melhor estilo “olha-mãe-sem-os-dentes”.

    sim, esse é o caso d’o verão do chibo.

    não, não é o caso do galileia.

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  • Fernando Torres, os comentários estão tranquilos porque: ou as pessoas concordam e na concordância o tom é aparentemente mais morno, ou discordam, mas reconhecem a coerência dos argumentos da resenha. Quer coisa mais inteligente que isto? Meu amigo, ninguém que entre aqui e que oponha qualquer apontamento chegará a tal refinamento de raciocínio. Se você está falando do Alex Castro, ele não quis polemizar. Quis deixar todos pasmos com seu brilho (o que é legítimo), porém apenas foi infeliz na exposição de seus argumentos e por isto criou celeuma (coisa bem diferente de polêmica). Se ele tivesse escrito coisa com coisa, não teria dado sound and fury. Eu, de minha parte, tenho gostado (e aprendido) muito com os comentários…

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  • Mas aposto q se 10 leitores compararem suas impressões de quem escreveu o quê no VdC, elas não vão coincidir. Tem expressões ali q conheço de *minha* infância, q deve ter sido um bom quarto de século antes da dos autores. (Devem ter usado o Mom&Dad DataBase da Family Systems.)

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  • Isso do autor não aparecer é complicado. A princípio discordo de ti, Luiz G., tua visão de bom romance me lembra o realismo mais tradicional, que finge que a realidade pode ser vista ignorando o observador.

    Penso em Coetzee: ele se mostra (muitas vezes transformado em personagem) como autor o tempo todo, e nem por isso deixa de ser brilhante.

    Penso em McCarthy, que acho mais adequado na comparação: tem muito virtuosismo ali. A mão do autor se nota, as costuras também (a não-linearidade do “Onde os velhos…”)

    Hm. Tenho medo de estar falando bobagem. Na verdade não tenho certeza se entendi tua afirmação. Pode desenvolver um pouco mais?

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  • Simone, gostei muito de sua resenha, feita em tom bem pessoal e ainda assim compartilhando com o leitor o desejo de ler o livro escolhido, dizendo como e por que ele é bom. Ao Galiléia, então.
    um abraço,
    clara

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  • Obrigado pela dica, Lucas. E, sem dúvida, ter Neil Gaimain em uma experiência colaborativa é um belo credencial.

    Quanto à necessidade de polêmica, ou da suposta mansidão da atual Copa, prefiro ver isso como sinal de maturidade deste espaço. E, convenhamos, muito do barulho nas polêmicas das outras edições se deu por besteirinhas, com muito foco nas resenhas e pouca atenção aos livros propriamente ditos.

    Tem visto mais respeito e fundamento nas discussões desta edição. O que dá impressão de placidez, claro. Mas neste jogo, por exemplo, foram levantadas críticas fundamentais ao Verão de Chibo, um livro que tinha me passado a impressão de bem-quisto pela massa no jogo anterior.

    Enfim, polêmicas e polemistas são divertidos, mas muitas vezes não passam muito disso.

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  • Sobre o dever do autor de “sumir diante da história”, independentemente se é possível ou não, acho q Galiléia fez o oposto: o autor tá presente em tudo, embora disfarçado. Mais detalhes, no jogo 13. No caso d’OVdC, a leitura se ressente do fato de q o leitor SABE q foi escrito por duas pessoas. Se os autores tivessem usado um pseudônimo, ¿será q a irregularidade no texto teria sido notada como problema de modus operandi em vez de intencional e, portanto, significadora?

    Por outro lado, achei interessante q tanto OVdC qto G são criticados pela inverosimilhança do texto – no primeiro, pela idade do narrador; no segundo, pelos diálogos normaculta no sertão. A princípio, eu tbm criticava G por isso, mas ler OVdC me fez ver q a crítica contra o não-verbatim não procede: são traduções de uma mente a outra (OVdC) e de um português a outro (G). Se o taverneiro diz “Tscupaê, num deu pa fazê mió qui isso.”, é perfeitamente plausível q Adonias reporte como “Desculpem, foi o melhor que pôde sair!”, embora seja de se lamentar q ele não tenha gosto pelo vernáculo popular.

    As duas versões da frase do taverneiro não contam a mesma história, e o Brito, em vez de “sumir diante da história”, certamente deu sumiço na “verdadeira”.

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  • xxnsk [18] e dr plausível [21]: oq eu quero dizer com “o autor deve sumir diante da história” é q, para mim, os melhores escritores conseguem dar a nítida impressão dq as histórias são narradas sob o ponto de vista das personagens ou ainda, “projetadas” a partir de sua consciência. arrisco dizer q isso é válido mesmo nos romanções do século XIX [vide, p. ex., o começo de daniel deronda, narrado em terceira pessoa].

    nos caso em questão, o ronaldo criou um narrador-personagem com mtos traços pessoais [adonias é médico, cearense, intelectualizado, vive na capital, faz análise], mas pode-se mesmo dizer que ele se sobrepõe ao personagem na narrativa? acho q não: a liguagem do adonias é perfeitamente apropriada para ele. principalmente naquilo q ele, adonias, filtra, seleciona, ignora ou insinua.

    no caso do verão do chibo, os autores fracassam em dar a impressão dq estamos vendo oq se passa na consciência daquela criança. eu acho mto esquisito atribuir aquele menininho confuso frases como: “[...] os planos de sua Majestade estavam criptografados” [logo na p. 1] ou “Um dia, enfim, parou de segurá-lo, pela pata e fez dele o coleóptero[!!!] mais rápido do milharal” [p. 30].

    é nesses momentos q percebemos a desastrada mão dos autores: um menino de sete anos dotado d um liguajar tão correto, lógico e sofisticado seria bem capaz de especular e articular conjecturas sobre o “sumiço” de seu irmão. e não precisaria recorrer a onomatopeias ou neologismos infantis q recheiam o livro e colidem frontalmente com o palavreado mais bonito.

    estou curioso para ver seu julgamento no próximo jogo.

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  • 20: Concordo com a sua análise da maturidade da Copa, Drex. Aliás, já fiz para alguém (talvez até em outra caixa de comentários) a comparação: a CLB 2007 foi a Copa criança, meio sem rumo, zanzando e se divertindo; a CLB 2008 foi a Copa adolescente, cheia de som e fúria sem muito propósito; e a CLB 2009 parece ser a primeira Copa adulta. É um pouco chato perder aquele fogo inicial, mas no fim das contas também prefiro esse debate mais civilizado.

    18 e 22: Não ligo para ver a figura do autor acenando por trás do texto, desde que eu também consiga ver um motivo para ele estar ali. Nos livros do Coetzee que li e nos quais a presença do autor era forte, isso servia para dar às ideias discutidas uma importância no mínimo igual à da história narrada. E, para ficar no âmbito da Copa mesmo, em O dia Mastroianni a metalinguagem também tem uma função bem evidente de debochar da própria narrativa, e das possíveis críticas que poderiam ser feitas sobre ela. No caso de O verão de Chibo, não consegui achar razão para aquelas frases perfeitas e termos relativamente complicados que o Luiz Gusmão citou no [22] e eu já tinha mencionado na caixa de comentários do jogo 3.

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  • 18, 22 e 23: É uma ilusão dizer que o autor deve sumir diante da história. Quem faz a história e marca ela com seus trejeitos de contar, seus maneirismos, opiniões, ideologias é o autor. O autor está lá, sempre. Porém o autor não deve aparecer mais que a própria obra, caso contrário se torna culto à personalidade.

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  • Concordo com o Fernando (24). É ilusão e é ingenuidade, pois autor nenhum consegue sumir diante da história. Sendo até um tanto mais rude, acho que, quando não é ingenuidade nem ilusão, é falta de caráter, porque muitos autores estão é dissimulando sua ética de molusco ou sua política em cima do muro, se fazendo passar por sábios, na pele de arauto do “não julgueis” (como o idiota do Kundera). Ora, que hipocrisia! Abriu a boca para falar, emitiu conceitos críticos. Bem entendido que certos comentadores daqui se referiram ao efeito de mimese, por assim dizer, quando embarcamos na história de tal modo que nos esquecemos de que há autor atrás dela…
    E, Lucas (20), tenho sido um pouco crítico à Copa e, na posição de mero observador (que pouco acrescenta às análises literárias), me vejo na obrigação de apontar para a sensível evolução do certame ano a ano. Parabéns a todos os organizadores e comentadores.

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  • No Verão do Chibo, uma vez entendido q um menino de 8 anos não escreveria sequer a primeira frase (“Lá estão os meninos no corredor de milho onde o tiroteio começa;” – notem o ponto-e-vírgula…), fica evidente q a história tá sendo “escrita” em 1ª pessoa por um supra-narrador q traduz e interpreta os pensamentos do menino, e não por um escritor q apenas normatiza sua gramática, ortografia e pontuação. A questão, então, não é se o menino usaria palavras como ‘criptografado’ ou ‘coleóptero’, mas se ele tem pensamentos q podem ser expressos por aquelas palavras – ou seja, se é capaz de conceber um processo pra codificar mensagens escritas, se é capaz agrupar certos tipos de insetos como pertencentes a uma classe. Eu diria q sim, no q concordo com os autores. No caso do coleóptero, o q o supra-narrador fez é constatar q o menino classificou mentalmente o besouro numa certa classe de insetos, e aí traduziu o pensamento do menino pràquela palavra.

    No mais, concordo q é a precisão do supra-narrador é um pouco excessiva e torna difícil “entrar” nesse livro. É tipo “música pra músicos”.

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  • 26: Doutor, não sei a comparação é por aí. “Música para músicos” me faz pensar em Joyce ou, pelo que o Xerxenesky falou dele no 18 e pelo que já ouvi falar alhures, Cormac McCarthy: o escritor que busca o difícil quase que só pelo gosto da superação da dificuldade, que sente prazer em resolver um problema teórico do seu artístico como um matemático sente prazer em provar um teorema difícil.

    No caso de O verão do Chibo, pelo contrário, acho que o tom do supra-narrador é a solução fácil. Os autores, afinal de contas, sabem os nomes de ordens de insetos: é mais fácil escrever “coleóptero” do que tentar buscar o termo ou a expressão que o menino usaria para classificar um besouro. E abdicar dessa busca afasta alguns leitores – o Luiz Gusmão, a Simone Campos e eu, por exemplo – do personagem, da história e, no fim das contas, do livro.

    Mas concordo com o que você disse no [21]: talvez eu tenha ficado com a impressão de sentir diferenças em partes do texto do livro porque sabia que eram dois autores e estava esperando essas diferenças aparecerem.

    25: Rodrigo, tanto as críticas são bem-vindas quanto o elogio é alentador. Obrigado.

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  • Lucas,
    Entendi a objeção melhor agora. Não quero forçar muito esse ponto, mas acho q essa objeção descarta (1) o senso de humor na atribuição dessas palavras a um moleque e (2) a possibilidade de q ele realmente saiba o q é um coleóptero, ou até q não saiba exatamente mas use o termo como sinônimo de ‘inseto’. Mesmo q se faça uma pesquisa q demonstre q 99,99% dos meninos de 8 anos não saibam o q é ‘psicografar’, ‘coleóptero’ &c, OVdC pode justamente ser sobre um dos meninos no 0,01%.

    Houve uma objeção parecida sobre o Cordilheira – de q mulher “não fala assim” ou “não diz essas coisas”. Acho essa uma objeção espúria, pois (1) esse pode justamente ser um livro sobre uma mulher q fala assim, e (2) parece estreitar a gama do q “pode” ou “deve” ser incluído num livro – como se nunca se pudesse ir muito longe da média. Claro, não tou criticando o gosto pessoal de ninguém.

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  • “Houve uma objeção parecida sobre o Cordilheira – de q mulher “não fala assim” ou “não diz essas coisas”.”

    Quem diz isso nunca conviveu com gaúchas.

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  • Nossa! Quando utilizamos “criptografar” e “coleóptero” – e tem uns momentos em que ele fala umas coisas de “cápsulas de betacaroteno” que eu não lembro mais, ou quando ele usa construções pomposas -, são opções propositalmente deslocadas, como uma criança faria ao aprender uma palavra difícil. Eu usava “coleóptero”, em vez de besouro, e “betacaroteno” era a minha palavra preferida (acho que fui uma criança chata). É coisa de criança, e muitas vezes ele usa com um sentido nada-a-ver, pq não sabe exatamente o que as palavras querem dizer. Além disso, a linguagem certinha é uma tentativa de emular uma criança imaginativa não na linguagem e no vocabulário, o que seria francamente idiota, mas no jeito de contar a história, na visão do narrador, nessas viagens com palavras difíceis e tramas bizarras etc. Mas concordo com as críticas às ênclises: desculpem aí.

    Em resumo: pq é que, na literatura, uma criança teria que narrar necessariamente com a linguagem de uma criança? Pq não podemos usar outros expedientes menos óbvios para dizer que aquilo ali falando é, sim, uma criança, embora ela não use “tipo assim” e “né”?

    Fiquei chateada com a eliminação do Chibo. A torcida organizada do Olaria pede humildemente permissão para jogar latas no juiz, embora de forma amistosa, sem xingar a mãe de ninguém.

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  • Também devo ter sido uma criança chatérrima, Vanessa. Não entendi essas críticas ao vocabulário dos personagens, achei tudo muito normal para a idade.

    Quando tinha uns sete, oito anos eu adorava pesquisar termos científicos e ficar chamando dor de cabeça de “cefaléia”, por exemplo. E meu verbo predileto era “obnubilar”, especialmente porque ninguém entendia.

    E esse passatempo de inchaço vocabular não era tão incomum, muito menos exclusividade minha (como indica o betacaroteno). Isso me fez achar a linguagem perfeitamente verossímil.

    Mas não posso falar o mesmo das ênclises. Só que aí o problema vai além: acho estranho e inverossímil na “boca” de praticamente qualquer personagem, se é um diálogo.

    Quem usa ênclise ao falar é no mínimo duzentas vezes mais babaca do que eu era ao reclamar de “lombalgia” para tentar convencer minha mãe de que não, eu não precisava ir à aula naquele dia.

    Sei lá.

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  • 30: Vanessa, para mim basta saber que as palavras que me pareceram deslocadas não estão ali por acaso. Que eu não tenha concordado com o efeito delas é questão de gosto, do meu humor no momento da leitura, da posição do Flamengo no Campeonato naquela rodada. Você e o Emilio pensaram sobre o assunto e decidiram que seria assim, e muitos leitores entenderam da mesma forma: isso é o que vale. (Menos as ênclises. Ênclise não vale.)

    Sobre as ideias de que O verão do Chibo pode ser sobre uma das talvez raras crianças que usam termos difíceis [28] e de que uma criança não precisa narrar necessariamente com linguagem de criança [30], concordo com as observações. Mas pergunto do meu lado da quadra: se a criança narradora não vai narrar como uma criança, por que colocar uma criança como narradora? The curious incident of the dog in the night-time poderia ser um livro sobre o único indivíduo com síndrome de Asperger no mundo capaz de exprimir sentimentos como uma pessoa saudável, o que facilitaria muito o trabalho do Mark Haddon e tornaria o livro bem menos interessante para mim.

    Claro que reproduzir exatamente a forma como uma criança encadeia suas ideias pode ser sacal. Mas para mim o grande desafio é justamente fazer o leitor sentir que o narrador é uma criança ainda que uma análise ponderada mostre que não pode ser o caso. Ou, se a criança não for escrever como uma criança, que haja um bom motivo para isso (meu único exemplo no momento é o Stewie de Family Guy). Foi desse motivo que senti falta em O verão do Chibo.

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  • Ah, esqueci: a torcida do Olaria pode tacar latas em quem quiser, Vanessa. Só não vale ficar chateada pela eliminação num torneio tão pouco preocupado com o resultado dos jogos.

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  • Vanessa, fico aliviado que não paitei seu jogo. Não quero receber latadas de autor nenhum (olha o risco que corri, o Paulo Coelho anda com espada e adora atirar com arco!).

    Não fique chateada com o resultado do Jogo, mesmo! O interessante da Copa de Literatura para mim é existir esse espaço de reflexão de literatura.

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  • vanessa [30]: “a todos é legítimo recorrer ao ius esperniandi, principalmente em se tratando de autores, justa ou injustamente, criticados ou incompreendidos.”

    d resto, endosso completamente a resposta o lucas.

    mais sorte na próxima, vanessa.

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  • Ei, com as latas que me atirarem construirei meu trailer.
    Se prestarem atenção, não ataquei o vocabulário em si, mas a forma como a mistura entre vocabulário avançado/infância idílica não deu liga (e dou exemplos de obras onde isso aconteceu). Os comentários à crítica já são outra história.

    Lucas, concordo: o livro do Mark Haddon é mais um bom exemplo de obra ficcional em que uma criança não fala/age como criança – mas aquilo me entreteve e, se não dá pra dizer que “aprendi alguma coisa”, pelo menos senti que entrei em contato com um ser vivo (o menino, não o Haddon), não um amontoado de palavras. Em “Ranxerox”, HQ sobre um androide que tem uma menina de 12 anos como amante e em que grassam perigosas gangues de pirralhos de 2 a 4 anos, o buraco é mais embaixo: é um exercício evidentemente estilístico, que transporta o leitor pela sua bizarrice, perícia e coerência interna.

    Também sou autora e já recebi críticas de todos os tipos. Algumas são completamente tolas – o sujeito escreveu a crítica correndo, ou me atribuiu erroneamente características da “geração” a que “pertenço”… Mas as que mais me atingem são 1) as que falam bem mas são ferinas (“nem parece que foi ela quem escreveu”) e 2) as que têm razão. Não dá para agradar a todo mundo; e se o crítico não gostar das suas opções conscientes naquele livro, acho que o melhor a fazer é escrever outro. Não pelo crítico, claro; para ampliar nossas possibilidades, para ir em frente, tudo isso.

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  • Lucas, a gente justamente tentou fazer o leitor sentir que aquilo era uma criança, mesmo sem o vocabulário de uma. Tentamos usar outros expedientes que não esse aí, entende? Aparentemente não deu tão certo quanto a gente queria. Meu pai também reclamou. Ele é dolorosamente sincero e disse que não gostou mto do livro, achou confuso e não entendeu a coisa das galochas. A torcida vaiou.

    No próximo, vamos chutar canelas indiscriminadamente.

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  • Eu só queria que alguém fizesse uma intervenção agora dizendo que “o Emilio é gatinho”. Desmoralização total.

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  • Acho q gostei tanto de OVdC pq me lembrou de minha infância semi-rural. Vi alguém bem próximo ao q eu era. Curiosamente, a infância retratada no livro parece uma infância mais antiga, o tipo de infância q se tinha antes – antes da tv, dos super-heróis e do marketing.

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  • Povo do Jogo 10, câmbio.

    Puxa, quanta coisa. Não vou dar conta de comentar tudo, nem de desviar de todas latas, mas, hm, penso o seguinte: sobre as considerações mais subjetivas, não há o que discutir. Quando a Simone fala sobre falta de brilho e ausência de um certo ingrediente secreto, essa foi a experiência dela como leitora. É um terreno pouco palpável. Outro leitor pode ter uma experiência completamente diferente por um milhão de motivos. Respeito muito.

    Mas há as questões objetivas — e que às vezes (nem sempre) podem explicar o porquê gostamos ou não de um livro. Pra não me alongar muito, e correr risco de levar lata, o que parece mesmo causar desconforto no juiz e na arquibancada, desde o primeiro jogo, é o vocabulário do narrador, o “encaixe forçado”, a falta de verossimilhança do menorzinho.

    A Vanessa levantou um ponto que acho bem importante:

    “Pq é que, na literatura, uma criança teria que narrar necessariamente com a linguagem de uma criança? Pq não podemos usar outros expedientes menos óbvios para dizer que aquilo ali falando é, sim, uma criança, embora ela não use ‘tipo assim’ e ‘né’?”

    É o que eu acho. Do contrário, ficaríamos reféns de uma espécie de naturalismo rasteiro. O que sinto, às vezes, é que se faz uma separação radical entre realismo e artifício (entendido como série de procedimentos formais que o escritor usa). Acho que os dois não andam separados. Penso nos livros do Coetzee (podemos pensar em, hm, “Juventude”) que são cheios de invenções sintáticas e vocabulares que não estão em desacordo com o realismo, pelo contrário.

    Como é que uma criança com síndrome de Asperger fala?

    Nós não sabemos (eu, pelo menos, não sei). Mas o Mark Haddon, através de certos procedimentos, inventou uma forma. Gostei muito do livro, mas, sei lá, o pai de uma criança com a tal síndrome pode achar completamente absurdo aquilo tudo.

    O que acho é que pode-se discutir se a série de procedimentos usados no “Verão” (para dar a ideia da imaginação desenfreada desta criança muito específica) funciona ou não, claro. Para a Simone, o Lucas, o pai da Vanessa e o Gusmão não funcionaram. Mas pensamos nisso tudo, uma forma inventada de falar, que se conjuga a essa imaginação e a essa maneira enviesada de ver o mundo, está lá.

    Há uma série de procedimentos que criam esse narrador muito específico e criança e com uma lógica muito específica, que talvez até dificulte um pouco a leitura, no início. Nossa criança pensa como uma criança, mas como a criança que NÒS inventamos. Cada um pode fazer a sua. O que penso, e não tenho pretensão de que isso seja verdade (é a minha leitura), é que o livro começa turvo (o narrador é pequeno, não entende as coisas direito, ou como o Plausível falou: “coloca a criança como seriamente imersa em seu mundo, assim como o adulto tá seriamente imerso no seu”), depois, nos capítulos que a Simone gosta mais, o livro vai ficando mais claro (alguma coisa acontece com esse narrador, ele muda).

    Foi o que buscamos, se conseguimos ou não, se fracassamos ou não, isso, claro, é totalmente discutível.

    Sobre o autor sumir diante da história: eu não penso nem falo da maneira que o narrador menorzinho pensa e fala. Eu nunca usei a palavra “coleóptero” na vida, mas entendo que ela faça todo sentido, para mim pelo menos, na boca do narrador. (Escrevi um treco a esse respeito, sobre autor sumir, mas a reflexão continuar dentro do que é contado: http://emiliofraia.blogspot.com/2008/07/crupis-de-um-cassino-desonesto.html)

    E, Vanessa, já acionei minhas tias para inclusão de comentários elogiosos em geral (“gatinho” etc). Tem uma tia minha que te acha “bonita e muito joia”. Vou entrar em contato.

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  • Vanessa e Emilio,

    Sem muitas pretensões de acrescentar seriedade à discussão. Depois, um dia, quiçá, vou escrever algo sobre o as questões aqui tratadas sobre linguajar de personagens em contraposição à voz do autor. O tema é interessante, mas preciso pensar mais sobre ele.

    Mas acho importante ressaltar que se alguém aqui entrar para comentar que o “Emilio é gatinho” ou que a “Vanessa é bonita e muito jóia”, estarei finalmente convencido que o escritor é o novo rockstar.

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