Jogo 1

1.
Nunca entendi a figura do juiz de futebol. Por que alguém, afinal, se sujeita a correr de um lado para o outro durante uma hora e meia, ser insultado e ter todas as suas decisões contestadas pelos dois times? Que tipo de motivação masoquista é essa? Dinheiro, podem pensar alguns. Duvido. Vaidade, prazer, sugerem outros. Ou simplesmente a vontade de preencher um lugar que deve ser ocupado — é algo que me ocorre agora, enquanto escrevo este texto.
O destino do juiz é ter seu trabalho contestado. No direito, isso ocorre de maneira mais ou menos civilizada: petição, contestação e até impugnação. (Se bem que de vez em quando um criminoso que se sente injustiçado resolve a desavença à bala). Já no futebol as coisas se resolvem no grito. É filhodaputa pra cá, atomanocu pra lá — estas coisas. De vez em quando um juiz leva um soco ou uma cusparada, que revida com o patético cartão vermelho, mas só depois de feito o estrago.
No das artes, por assim dizer, contesta-se qualquer decisão do juiz/crítico com o velho e bom artifício de duvidar da inteligência, sensibilidade e bom senso dele. Se bem que, assim como no futebol, há também ocasiões em que se xinga, cospe ou bate.
Escrevo isso porque hoje, ao me sentar para escrever sobre Cordilheira, de Daniel Galera, e O livro dos nomes, de Maria Esther Maciel, fiz esta pergunta a mim mesmo: o que me levou a aceitar a incumbência de ser o juiz desses dois livros? Não foi dinheiro, até porque Lucas Murtinho me pagou por este texto com um cheque sem fundos; já passei da idade de achar que literatura traz fama ou, pior, amor; e nem tampouco acho que haja alguma justiça a ser feita. Só me restam, pois, as hipóteses do prazer puro e simples e da estupidez.
Mas, ora, que prazer há em ser xingado de burro na arena vazia e desolada da literatura? O que me obriga a aceitar minha própria estupidez: aceitei escrever sobre esses dois livros porque gosto — estupidamente — do espetáculo estupidamente inocente e honesto da experiência literária compartilhada.
Agora é tarde para voltar atrás.
2.
Por mais que eu tente, é praticamente impossível ler o livro de um autor contemporâneo sem me contaminar, para o bem e para o mal, antes mesmo de abrir a primeira página. Com Cordilheira, de Daniel Galera, não foi diferente. Da polêmica do próprio projeto que deu origem ao romance até comparações feitas por amigos entre ele e o elogiado Mãos de Cavalo, vários elementos se juntaram para que eu tivesse uma pré-impressão do livro — sinal dos tempos.
Foi consciente meu esforço para impedir que todas as informações de que dispunha contaminassem demais minha leitura. Respirei fundo e comecei a ler a história para terminá-la dois dias mais tarde, feliz por não ter desperdiçado algumas horas do meu escasso tempo livre.
Porque Cordilheira é bom. Mais do que isso, é um romance maduro e, para minha surpresa, bastante ambicioso, não só por tratar de um tema simples e difícil com um olhar deliciosamente moderno, como também por esconder o tema no meio de um labirinto cheio de becos sem saída capaz de me confundir algumas vezes. Até que encontrei o Minotauro. Mas não na metaliteratura, na própria Buenos Aires ou no desejo pela gravidez, e sim na questão da imagem e autoimagem da protagonista, Anita.
(E aqui sou obrigado a pedir desculpas se estrago o prazer da literatura descontaminada aos possíveis leitores de Cordilheira. Talvez seja necessário dizer que escrevo este texto para os que já leram o romance. Portanto, continue a leitura por sua própria conta e risco.)
Desconcertante, no romance, é a utilização de vários pontos de fuga que parecem insistir em desviar a atenção do leitor. Apesar de onipresente, temos a impressão de que Anita é uma protagonista à margem de uma narrativa maior: a do grupo de literatos portenhos com o qual ela se envolve. Ao longo de várias páginas percebi que meu olhar havia caído na armadilha magistral do romance. Eu olhava para Anita sem vê-la, ou pior: eu a via pelo olhar daqueles personagens excêntricos que a rodeavam.
Eis a pergunta que norteia Cordilheira: o que somos se não personagens definidos, muitas vezes, por aqueles com os quais nos envolvemos? E ao fim de uma narrativa o que resta de nós além da imagem que transmitimos aos outros, sem que tenhamos nenhum controle sobre isso?
A trama é um amontoado de deliciosas contradições não só da própria narrativa mas também da relação entre leitor e romance. Afinal, ao lermos tentamos compor uma imagem finita e simplificada sobre um ser (personagem) que parece lutar, a todo instante, para fugir à simplificação grosseira do não menos grosseiro leitor. Anita, como protagonista, consegue escapar a esse destino. Mas não os demais. E aqui vale perguntar de quem seria a culpa: do escritor ou do leitor? Seria mesmo possível criar um romance no qual os personagens criassem uma imagem real (o que quer que isso signifique) para si? Ou seriam os personagens todos, mesmo os criados com mais brilhantismo, produtos da imagem simples que os leitores criam para eles?
Penso em Anita, claro, porque o objeto deste texto é Cordilheira. Mas também penso em tantos personagens clássicos que reduzimos a um adjetivo: a infiel Capitu, o enlouquecido Hamlet, o ciumento Iago, a idiotinha Macabéia.
É no último capítulo que Cordilheira revela toda sua profundidade e também o talento do seu autor. Depois de atravessarmos mais de uma centena de páginas entre aventuras mais ou menos ao acaso, em primeira pessoa, e depois de termos criado uma imagem mental de Anita, de acordo com nossos valores, preconceitos e até mesmo referências reais (eu, por exemplo, passei boa parte do romance ligando Anita a uma escritora de verdade), eis que somos presenteados com um capítulo que, a princípio, parece despropositado, mas que na verdade é a conclusão perfeita para um livro enganosamente fácil.
Nesse capítulo o autor muda o foco narrativo para se deter em Danilo, namorido que, no começo do romance, Anita abandona para viajar a Buenos Aires e tentar engravidar. E em poucas páginas somos apresentados a uma nova Anita: aquela vista pelos olhos de Danilo. Igual e diferente, ela não é melhor nem pior, mas tão-somente outra imagem. A mesma e outra Anita. Ao leitor resta a sensação de que a Anita que ele conheceu durante o romance tampouco é o que parecia ser; por outra, é o que ele, leitor, compôs. Uma imagem que jamais será a retratação perfeita da realidade. Uma Anita que para mim é uma; para você, outra.
O que nos leva a questionar, no romance, a imagem que a própria Anita constrói de todas as coisas e pessoas com as quais se depara. E, para quem acredita que literatura tem alguma implicação na vida, isso também nos leva, claro, a questionar a imagem que fazemos de todos ao nosso redor, mesmo das pessoas que conhecemos tão bem e que, não raro, reduzimos a meia dúzia de adjetivos fáceis.
Diante de uma narrativa tão avassaladora, sinto-me incomodado em falar de estilo, estrutura ou qualquer outro aspecto formal tão valorizado por leitores qualificados, em detrimento do mergulho necessário nesse que é, seguramente, um dos melhores romances brasileiros que tive a oportunidade de ler nos últimos tempos. Mas talvez valha a pena mencionar que a prosa de Daniel Galera em Cordilheira é moderna, sem ser contemporânea — se é que me faço entendido. Seu texto absorve com naturalidade toda uma linguagem própria do século XXI, mas não se deixa seduzir pela invencionice estéril própria dessas formas. A rigor, poderia até dizer que seu estilo é deliciosamente conservador: com os pretéritos mais-que-perfeitos e os pronomes oblíquos nos seus lugares devidos.
3.
É Holden, um dos personagens de Cordilheira, quem diz que “mesmo os livros ruins nascem de uma necessidade muito íntima”. Confesso que, antigamente, fui obcecado pela dissecação de tal “necessidade íntima” que motiva o nascimento dos livros — quaisquer livros, bons ou ruins. Hoje, contudo, acredito que esta investigação não compete a quem quer que escreva sobre livros, seja ele um crítico ou simplesmente um leitor compartilhando a experiência da leitura.
Eis que, abdicando de discutir aspectos exteriores à obra, me percebo num assustador e perturbador vácuo. No qual, aliás, estou há duas semanas, desde que terminei de ler O livro dos nomes, de Maria Esther Maciel, com a obrigação de escrever sobre ele. Sendo honesto, não tenho nada a dizer sobre o livro. Nada. E esse é o máximo de crítica que posso fazer.
Foi como ter lido um livro em branco. Fechei O livro dos nomes com várias sensações incômodas. Mas, repito, nenhuma delas causada pela leitura. São questionamentos sobre a tal “necessidade íntima” que me faço simplesmente porque em algum momento da minha vida me envolvi com essa “seita” chamada literatura, seção Brasil, mas que não dizem respeito à obra.
Conversando com amigos, não escondo que fiquei surpreso ao perceber que não tenho nada de negativo para dizer sobre O livro dos nomes. Tenho a impressão de que antigamente era bem mais fácil encontrar fragilidades nas fundações e, assim, demolir os livros. Eu também diria que não tenho nada de bom para falar sobre o livro, mas seria uma mentira. Ele é, vá lá, bem escrito. Vírgulas e pontos nos lugares certos. Mas, fora isso, o que sobra? Um amontoado de histórias que eu tenho a impressão de já ter lido antes, numa estrutura que me parece antiquada. Parece alguma coisa, eu sei. Mas insisto: é nada vezes nada.
E aqui vale a pena fazer, novamente, referência a Cordilheira, de Daniel Galera. Porque afirmar que não há nada para dizer sobre O livro dos nomes é, sem dúvida, projetar uma imagem minha sobre os leitores deste texto. Imagem da qual não tenho nenhum controle, bem sei. Correndo o risco de parecer covarde para uns, preguiçoso para outros e tão-somente burro para alguém, prefiro repisar esse fato que não deixa de ser atordoante: não há absolutamente nada para ser dito sobre O livro dos nomes, de Maria Esther Maciel.
Vencedor




Pelo que entendi foi meio que um W.O., ou foi um daqueles jogos que o time só entra em campo de corpo presente, mas a cabeça está em outro lugar?
Belíssima crítica ao Daniel Galera, acho que você mostrou para que o livro veio nessa Copa. Mas deixar de comentar o O livro de Maria Esther? Acho que poderia ir mais fundo, buscar onde ela podia ter dado o “pulo do gato” e não deu.
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[...] há absolutamente nada para ser dito sobre O livro dos nomes, de Maria Esther Maciel”. Leiam as razões disso no próprio site da copa. E claro, Cordilheira, de Daniel Galera, foi escolhido para a próxima fase. Este romance já se [...]
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Olá,
Gostei da crítica e do resultado. O livro do galera é de fato muito bom e a Anita é bem cativante. Achei apenas que ele carregou de mais nos estereótipos de Buenos Aires, mas o resto eu gostei muito.
Acho que não falar sobre o Livro dos nomes, se essa é a reação gerada pelo livro é mais honesto que escrever com adjetivos somente para ter dito algo.
A
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Gostei da crítica. Nem mais. Nem menos. Gostei.
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Galera mereceu, sem dúvida alguma.
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Gostei muito do seu texto Paulo. Aliás, quero reler o tal capítulo, porque reconheço que estou entre os leitores que acho o tal capítulo “despropositado”. Quanto ao livro da Esther, é um livro que eu gosto muito, achei um livro bem diferente em sua estrutura e muito bem escrito.
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Podia ter dissertado mais sobre o livro de Maria Esther Maciel.
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Acho simplesmente incrível que alguém do nível do Polzonoff se dispense de comentar um livro. Ora, qual o problema? Será que seria se rebaixar demais, no sentido intelectual, ao falar de coisas simples como estrutura dos capítulos, se as personagens são bem desenvolvidas, se passam credibilidade, se o enredo é bom, se há narrativas contrapondo-se, se o estilo é bem desenvolvido, se está coerente com ambientação, se ambientação é convincente, cativante… Ora, não entendi!!! Sei que o pessoal aqui tem muita envergadura mental, mas dá pra falar baiano pra gente entender?
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Olá
Muito boa crítica sobre ‘Cordilheira’.O livro é bom. Só não concordo com a impressão do último capitulo ser despropositado;acho que é “o” capítulo para encerrar este romance. Tinha planos para ler ‘O Livro Dos Nomes’ e a não necessidade do jurado de apontar os “erros” deste livro aumentou minha curiosidade e vontade de tirar minha propria conclusão. Como leitor que gosta “estupidamente do espetaculo inocente e honesto da experiência literária compartilhada” Paulo Z.foi honesto….apesar de termos ficado com a impressão de ‘tá faltando um pedaço da crítica?’
Um abraço
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Fernando, Rodrigo e Rafael: não acho que o Paulo deixou de comentar o livro da Esther, muito pelo contrário. Na resenha dele há uma crítica bem dura a “O livro dos nomes” e, de forma mais geral, a livros que não acrescentam nada ao leitor. “Foi como ter lido um livro em branco”: não sei se é possível fazer um julgamento mais severo do que esse.
O que eu achei curioso foi como o Paulo leu “Cordilheira” de forma muito diferente da minha. Também gostei muito do livro, mas não achei que a Anita era “uma protagonista à margem de uma narrativa maior”: pelo contrário, enxerguei ela como o centro do livro o tempo todo. O grupo de literatos portenhos, interessante na sua peculiaridade, serve na narrativa para fazer a Anita se confrontar com uma forma de pensar a literatura que não é a dela – e, também, para levantar questões sobre a diferença entre personagem e autor, e sobre a redução de personagens e pessoas a adjetivos de que fala o Paulo na resenha. Mas o que importou pra mim foi a forma como a Anita digeriu aquela história. Os literatos portenhos eram um enfeite.
Também gostei muito do último capítulo do livro, mas por outros motivos: para mim ele relativiza a importância de tudo o que acabamos de ler, e mostra que o que nos é apresentado como uma história fechada – um romance com início, meio e fim – foi só um interlúdio algo bizarro na vida de Anita, uma passagem talvez crucial mas ainda assim pequena numa vida que de repente deixamos de acompanhar. É mais uma forma de falar sobre a relação desigual entre vida e literatura, sobra a forma como as narrativas terminam enquanto a vida precisa continuar.
Abraços,
Lucas
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Gostei muito da crítica ao Cordilheira.
Li o livro apenas curtindo a narrativa, sem me preocupar com perguntas que o norteassem etc. A resenha conseguiu amarrar a história e seus temas de forma bacana, me fez perceber questões novas no livro e deixou saudades da história (mais uma prova do quanto ela é boa).
Quanto ao Livro dos Nomes, apesar da insistência (por causa da insistência) em afirmar que não está dizendo nada sobre ele, a opinião do jurado fica muito clara. E colocada do jeito que foi colocada incomoda mais do que se ele tivesse dito com simplicidade o que achou… O que parece uma não-crítica na verdade é uma crítica contundente, porém uma crítica pobre porque apenas deixa transparecer o que o jurado achou do livro, sem a parte boa, a do recheio.
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Não concordo nem com Lucas nem com Clarice. A contundência de uma crítica negativa fica clara, sim, pelo fato de o sujeito dizer que nada tem a dizer. É óbvio que o resenhista não gostou do livro. Mas um juiz (vejamos nos tribunais) é sempre obrigado a justificar suas sentenças. Por que? Por um motivo que está no senso comum. Não precisa explicar. No entanto, a questão que me fica é: pode uma analista que se propõe a escolher dois livros em uma contenda tomar atitude que beira o desprezo? Tipo: fui escolhido como juiz, mas, sabe, gostei e pronto? Por outra, não está trabalhando com a reputação de uma escritora? Os escritores já não são bastante reduzidos pela política sócio-cultural brasileira para receberem esta ajudinha? Poder claro que o resenhista pode tudo, inclusive não se manifestar. Mas é sensível? É, ao menos, razoável essa atitude vinda de formadores de opinião num país onde cultura é tudo a que todos almejamos, reclamamos, reinvidicamos? Como não estamos na França, podemos nos dar o luxo de perder um espaço para zerar um autor, sem explicar por que, ensinando as pessoas a separar o joio do trigo na literatura? Ou todas estas questões são impertinentes para a Copa? Por último, não teria Lucas certo gosto para escolher juízes idiossincráticos? Ou idiossincrasia é o molho?
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Lucas, eu teimo em discordar. Talvez por que me incomode de morte esse desprezo que ele teve pela obra. Acho que se esforçar para dissecar uma obra é um ato de amor à literatura.
Talvez seja mais fácil falar de leituras essencialmente ruins ou daquelas inegavelmente boas, sendo as obras medíocres (como entendi pela não resenha do Paulo) difíceis de se criticar. Diz muito sobre a obra? com certeza, mas muito menos do que eu queria saber. mas isso provavelmente é uma questão pessoal minha.
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Cordeilheira é muito bem escrito, sim é um fato.
MAs isso que esse crítico literário disse, de quê serve?
Aliás, uma coisa que fica evidente no Cordilheira, é o caráter dualista da narrativa. Não atingiu a contradição, como afirmou o crítico. O livro não consegue atingir a levaza de uma contradição sequer.
Anita é dualista, está separada cartesianamente entre dois mundos. Sem contradição.
Platonismo puro.
Outro erro sério que o livro tem, é que o foco femino não convence, exceto pelos diálogos. Mas quando Galera enche a boca dos personagens de teses, fica ridículo.
Quando a isso de olhares eu-outro? Bom, forçou a barra.
O livro é excelente sim, mas por nenhum dos motivos apresentados aqui.
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Excelentes colocações, uma avaliação muito lúcida e inclusive prazerosa no toca à leitura.
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Rodrigo e Fernando, acho que vocês se deixaram levar pelo “não tenho nada a dizer” do Paulo. Porque, dizendo não dizer nada, ele diz muito. Diz que “O livro dos nomes” tem uma estrutura antiquada. Diz que teve a impressão de já ter lido todas aquelas histórias antes. Diz que o livro o fez pensar sobre as razões que levaram a autora a escrevê-lo. Diz, como já citei acima, que “foi como ter lido um livro em branco”. Isso tudo é opinião do Paulo, ainda que ele diga que não tem nada a dizer.
Quanto à segunda parte do comentário do Rodrigo: não acho que o Polzonoff precise se preocupar com a reputação da Maria Esther Maciel. Minha teoria é que todo escritor precisa aceitar que, a partir do momento em que a sua obra é publicada, qualquer um pode dizer qualquer coisa (com pouquíssimas exceções de cunho legal) sobre ela. O crítico precisa ser sensível àquilo que a obra provocou nele, e à forma de transmitir isso para o leitor da crítica, e só. Enquanto a gente achar que os escritores precisam de uma “ajudinha” da crítica, a crítica literária estará a perigo no Brasil, e a literatura não vai ser ajudada em nada.
Posso estar sendo mais contundente que o costume, mas nas poucas vezes em que vejo novos escritores brasileiros falando sobre qualquer coisa eles quase sempre estão reclamando de como a crítica não os entende. Está na hora de os escritores brasileiros entenderem que nem todo mundo vai gostar do que eles escrevem, e que nem todo mundo vai ser gentil ao exprimir esse descontentamento. Quem não consegue aceitar isso não deveria publicar nada. Ou, como o pessoal do Rio gosta de dizer: não sabe brincar, não desce pro play.
Abraços,
Lucas
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Marcos Vinícius, somos dois aqui em casa – uma mulher e um homem – que discordamos da sua análise: achamos que o foco feminino do Galera convence sim. Mas concedo que esse debate e estéril: nem eu vou conseguir convencer você, nem você vai conseguir me convencer.
Sobre os “olhares eu-outro”, não acho que tenha sido forçação de barra do Paulo. Esse ponto também não chamou a minha atenção quando li o livro, mas as leituras variam. A do Paulo só enriqueceu a minha.
Abraços,
Lucas
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Talvez por uma questão de geração, internética inclusive, tive sempre muita afinidade com os escritos do Daniel Galera. Por isso, de maneira bem pessoal e subjetiva, minha torcida nesta Copa 2009 vai inapelavelmente pro Cordilheira.
Não caí de amores pelo livro, no entanto. Acho “Mãos de Cavalo” muito superior, obra de outro patamar mesmo, apesar de curiosamente ter caído fora logo na primeira fase da Copa 2007. Coisas de torneio mata-mata.
Com o Cordilheira minha relação foi bem oscilante. Me cativei mesmo por Anita e pelos dramas da garota. O Galera tem essa sensibilidade de construir personagens queridos e consistentes. Mas a parte de Buenos Aires foi meio over pra mim. Um tanto maçantes aqueles sujeitos. Pretensiosos, não sei. E a história se perdeu um pouco, creio.
Gosto do final, talvez por retomar a veia realista e íntima do ínício, ainda (ou por isso mesmo) que sob uma outra perspectiva. Meu saldo é o sentimento de um bom livro, merecedor de indicação aos amigos, mas devedor de um encantamento que era esperado a priori.
Quanto ao Polzonoff, outro sujeito com o qual tenho boas afinidades geracionais internéticas, só reclama dele quem não o conhece. Não se poderia esperar outra coisa de um texto seu – novas perspectivas, ótimos insights e, ao mesmo tempo, essa sinceridade cortante que diverte e espanta. Também senti falta de algo mais extenso sobre o livro da Maria Esther. Mas, enfim, não vai faltar lugar na internet pra ir atrás disso.
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Lucas. Metade de seu raciocínio, entendo. Até a hora em que tentou mostrar as subjetivas explicações críticas de Polzonoff que você elencou e que soube pegar com uma ligeireza impressionante. Tá, vá lá. Acho muito pouco para se condenar um livro, mas é uma opinião (pelo menos). Mas, depois, na história do brinquedo e play e tal, acho que o que quis dizer foi, se concodarem que Polzonoff explicou, como eu acho que explicou, daí então play e brinquedo. Mas e quem não acha que ele explicou?
E se eu lhe respondesse: sabe, Lucas, não tem nada a ver o que me disse, mas vou responder apenas por alto sua posição, por que você não me passou nada?
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Como leitora gostei muito de conhecer a “Copa de Literatura Brasileira”, mas achei que a crítica deste primeiro jogo da edição de 2009 ficou capenga quando deixou a critério do leitor a interpretação da mesma através do “não tenho nada a dizer” em relação o “O livro dos nomes” …
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Marcos,
Engraçado, essa é para mim a melhora característica do livro. Me impressionou o ponto de vista feminino, muitas vezes eu me esquecia que era um autor!
A
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Lucas. Vou usar uma metáfora futebolística: Quando vemos nosso time jogar contra um time fraco, sempre queremos que nosso time ganhe, com placar largo, jogue bonito e ainda mais que o outro time demonstre resistência para ressaltar o mérito. É um pouco essa resistência que eu estou sentindo falta.
Eu sei, faltou combinar com os russos…
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Ops…Pelo que eu me lembre, um dos motivos da Copa era chamar atenção para as publicações e, quem sabe, incentivar a leitura.
Talvez um pouco de informações sobre o livro antes do “não tenho nada a dizer”, já fosse suficiente, já mostrasse um esforço para cumprir com a tarefa.
Eu concordo com o autor, pra mim pareceu preguiça. Mas a primeira parte da resenha, sobre o Cordilheira, foi bacana.
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“E aqui vale a pena fazer, novamente, referência a Cordilheira, de Daniel Galera. Porque afirmar que não há nada para dizer sobre O livro dos nomes é, sem dúvida, projetar uma imagem minha sobre os leitores deste texto. Imagem da qual não tenho nenhum controle, bem sei. Correndo o risco de parecer covarde para uns, preguiçoso para outros e tão-somente burro para alguém (…)”
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Como eu disse: eu concordo com o autor. Pelo lado positivo, ele não me pareceu covarde e nem burro.rsrs
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“escrevo este texto para os que já leram o romance”
É isso aí, Polzonoff. É assim q escrevo minhas resenhas tbm. Não tamos aqui pra divulgar livros, mesmo pq eles foram lançados em 2008 e seu ciclo de divulgação já terminou. Até acho q a boa resenha é aquela q não trata o leitor como comprador em potencial mas como interlocutor de opiniões. Talvez tejamos usando ‘resenha’ pq soa melhor do q ‘análise ligeira opinatória’.
Tudo q vc falou de Cordilheira procede, embora, pra mim, o q pegou nesse livro foi mais o clima meio penumbra, meio nublado. Tirando as partes q parecem ter sido financiadas pela Secretaria de Turismo de Bs.As., várias coisas me impressionaram, especialmente o modo como os personagens vão sendo criados junto com o enredo – não é, tipo, “taqui o personagem, vamos ver o q ele faz”.
Alguns leitores questionam se o texto convence como sendo feminino, mas essa é uma questão nula. Cada um é cada um: não dá pra dizer “vc é mulher, portanto deve usar estas e estas palavras”. Anita escreve como Anita, e pelo trecho do “romance” da própria Anita, dá pra ver q o Galera sabe o q tá fazendo.
O q não gosto muito em Cordilheira é essa coisa da literatura rodando em volta do próprio umbigo, livro falando de livros. Tá, é uma metáfora do mundo, all the world’s a stage, &c, mas cansa um pouco. Talvez o próprio Galera tenha tentado fugir disso, fazendo Anita renegar sua carreira literária, mas… ela acabou não tendo o filho e supostamente foi ela q escreveu Cordilheira…
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Sabe, Lucas, não que eu esteja querendo pegar no seu pé, mas, cara, seria difícil se você chegasse ao seus futuros juízes e lhes impussesse a seguinte regra, antes de eles aceitarem: sujeito, se quiser julgar, precisa julgar mesmo, elencar todas as suas razões pró e contra a respeito de tal livro; caso contrário, você é livre, não precisa aceitar participar da Copa. Ou você acha, Lucas, que não pode dar compromisso para os resenhistas? Ou acha que regras quebram a liberdade de alguém. Todo jogo tem regra, pô! Se não gosta delas, o resenhista não entra no jogo. Se entra, segue. Se não seguirem mesmo depois de terem aceito, você simplesmente reserva juízes de reserva, os quais os substituirão de pronto. Não tem nada a ver com cerceamento da liberdade de ninguém. Vamos ser maduros, uai. Um que resolve criticar com displicência, outro com cansaço, outro ainda que resolve na moedinha, um quarto com prevenção a um dos autores, um quinto que não comparece, um último que faz ótima crítica do vencedor e se dispensa de criticar o perdedor… A organização está devendo, não acha? Seja duro com estes caras, meu amigo, que estão se dando muito importância!
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[...] Esther Maciel. O juiz da partida foi o tradutor e jornalista Paulo Polzonoff Jr. Visite o site da Copa para ver quem venceu o jogo e a justificativa do juiz para o [...]
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Nesse caso, os únicos leitores para quem foi escrita a resenha são os de Cordilheira, já que os do O Livro dos nomes decerto não são bons interlocutores, ou não também não têm nada a dizer, enfim…por aí não creio que se justifique.
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Rodrigo S., sendo bem sincero: falta tempo e organização para arranjar jurados substitutos e me dar ao luxo de recusar resenhas. O máximo que posso fazer no momento é torcer para o jurado levar a Copa a sério o bastante para escrever um texto bacana. No futuro, quem sabe?
Mas que fique claro: ainda que houvesse um jurado reserva, eu não teria substituído o Polzonoff – pelo contrário, acho que ele bateu um bolão. Ele dedicou mais tempo ao livro do Galera, mas se tinha mais coisa pra dizer sobre esse livro, como condená-lo? E, insisto novamente, o Polzonoff falou sim sobre o livro da Esther Maciel. Tem muita coisa dita no “não tenho nada a dizer.”
Abraços,
Lucas
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Doutor P., verdade que o papo sobre literatura também me incomodou um pouco no Cordilheira. Mas foi um pouco mesmo – e foi mais quando o assunto começou a aparecer: “putz, lá vem metalinguagem”. Depois fiquei satisfeito com a forma como o Galera abordou o assunto, sem tomar um partido muito claro de nenhum dos lados.
E sobre o trecho do romance da Anita: mais alguém achou, digamos, legalzinho? Não muito, mas só um pouco.
Abraços,
Lucas
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Será que, como sugeriu o Rodrigo no comentário 39, a resenha só atraiu mesmo os leitores de “Cordilheira”? Ninguém tem nada a dizer sobre “O livro dos nomes”? O Leandro, no comentário 6, defendeu o livro, mas muito de leve.
Ah, sim: colocamos números nos comentários pra facilitar a localização. Funciona?
Abraços,
Lucas
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Ok, Lucas. Embora eu discorde, respeito sua posição. Somente critico pessoas como você, que não é incapaz nem muito menos obtuso. Assim, a crítica leva a alguma coisa.
Abraço
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Não li nenhum dos livros, mas gostei dessa copa.Gostei demais também da crítica e fiquei com vontade de ler o cordilheira. Nesse caso cumpriu-se o própósito de despertar a curiosadade no leitor. Quanto ao livro dos nomes, dizer ” não tenho nada a dizer” pra mim fala mais alto. Acho que não lerei. As críticas servem pra isso.
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Ah, estou acompanhando a discussão entre Lucas e Rodrigo, quase tão boa quanto a própria crítica…rs
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“Era um vez um alfaiate que teceu uma roupa com tecido invisível e só os inteligentes podiam ver…” Evocar o argumento do alfaiate não me parece uma boa solução, senhores.
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Epa, essa rouopa eu não tô conseguindo ver. Explica aí, Marcos Vinícius.
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A questão é ver com os olhos dos outros.
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Eu acho que as críticas servem para isso mesmo que a Adriana escreveu no comentário 34
Engraçado que esse “não ter nada a dizer” foi uma sensação que eu tive quando acabei o “Mãos de cavalo” e também quando terminei o “Cordilheira”. Acho que o texto do Galera flui, ele escreveu dois bons romances, mas no final das leituras fiquei sempre com a impressão de que eram apenas “bons romances”. E acho que, em literatura, o que não é imprescindível é dispensável. Achei os textos parnasianos, no limite.
Mas a minha leitura do “Cordilheira” foi parecida com a do Lucas, no comentário 10. Não tive nem um pouco a impressão que o Polzonoff teve. Vou guardar a consideração pra dar mais uma chance pro Galera no futuro.
Quanto ao texto da rodada, acho que a gente não tem que ter medo de dizer as coisas que precisam ser ditas. Inclusive de não dizê-las, quando elas são desnecessárias. É bom que, na crítica, também seja dispensável tudo o que não for imprescindível.
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Ah, e Fernando: “dissecar” é amor de necrófilo. Eu prefiro os sapos de laboratório pulando brejeiros de alegria. Falando dos livros, melhor é apontar pro passarinho lá em cima e dizer “olha que bonito!!!”. A gente tantas vezes perde o momento do passarinho…
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Eu só vejo um rei pelado. E esse tecido que o crítico costurou aqui não faz sentindo pra mim.
Eu-outro;
Na minha leitura, idependente da intenção do autor, o livro não trata disso. mesmo porque, seria chover no molhado – Dom Quixote já estoga esse tema por si só.
“Entre Quatro Paredes” e outros livros de “tese” dos Sartre posterior os contos do Muro.
Então, não vejo porque um tema mastigado como esse sirva para o Cordilheira.
Ponto forte do texto: descrições, fluxo da narrativa, contar uma boa história; o livro tem um valor por si mesmo e isso vai para além das intenções do autor, críticos e leitores.
Coisas que não gostei: os personagens da seita são Dom Quixotes “pós-modernos”, amalucados por novelas de cavalaria; isso da vida ser uma ficção, uma narrativa… sei lá, essas teses não convencem. Psicanálise de buteco?
Achei que a voz feminina não convenceu, exceto nos diálogos, nesse ponto sim, ficou parecendo mulher.
Não gostei das teses nas bocas dos personagens, fica igual ator da globo fazendo jabá na novela das oito.
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Nada a comentar a respeito da crítica a”O Livro dos Nomes”.
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Gostei da resenha. Acho que resenhar um livro que não acrescenta nada é obrigação da academia. Com certeza não é o objetivo da Copa.
Com tantos livros bons por aí, não perco tempo com os ruins. Nesse sentido, mesmo não dizendo nada, Polzonoff diz muito sobre O livro dos nomes. Para mim bastou. E há que se dar o crédito: ele ainda é mestre em criar polêmicas. Melhor uma resenha polêmica do que uma morna.
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Concordo entusiasmadamente com Marcos Vinicius Almeida!! É exatamente esta a leitura que faço do livro do Galera. Gente, este tema, como disse o Marcos, se esgotou há quatro séculos com o Quixote. E foi visto em mil perspectivas novas, como em Borges, ao longo de todo este tempo. Muito me surpreende que um cara lido como o Polzonoff ainda se anime com a surrada estética. Além do mais, este intelectualismo frio, este formalismo oco que domina a literatura atual, este exagero das “histórias de narrativas”, está fazendo com que os autores tirem toda a emoção dos livros. Com medo de que a emoção denuncie o sentimentalismo. Vamos arriscar, escritores. Tanto que muita gente aqui, na Copa, que leu o livro e, ainda que o admirando, mostrou muito pouco entusiasmo com ele, esqueceu-se rápido dele.
Lu Thomé, quem gosta de polêmica por polêmica para não ficar morno e esquecido são as mulheres-fruta.
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Confesso que desconheço a filosofia do universo da fruteira, Rodrigo. Ignorância minha.
Mas eu não falei em polêmica por polêmica. Falei em não perder tempo resenhando livros ruins e em, sim, apimentar as coisas. De morno, já é suficiente as resenhas publicadas na mídia tradicional.
E errando ou não na avaliação, o mérito dessa resenha foi ter movimentado o debate. Esse foi meu ponto.
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Li Cordilheira logo que foi lançado, e realmente achei bem inferior ao Mãos de Cavalo. Há um diálogo com Bolaño, com a coisa de trazer a literatura para a vida, mas não há aquela clima farsesco que torna o autor chileno único. No mais, lembro pouco do livro. Não registrei muita coisa, o que costuma ser significativo.
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Felipe, de fato, tinha bons motivos pra lembrar de Bolaño. Mas confesso que não gosto muito do chileno, então só pensei nisso agora que você falou. Sei que é heresia, mas acho até que, nessa questão de vida e/contra literatura, prefiro o tratamento do Galera ao do Bolaño. A obsessão biográfica do Bolaño me afasta um pouco dos seus livros.
Marcos Vinícius e Rodrigo S.: não acho que existam temas esgotados na literatura. Claro que se pode dizer que o que o Galera fez Cervantes fez melhor, mas aí fica covardia. “Você diz que esse cara sabe jogar bola, mas quem é ele comparado com o Pelé?”
Abraços,
Lucas
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Lucas, é pra nivelar por baixo?
Por isso eu acho que crítica literária é uma coisa melindrosa.
Não acho que Galera seja inferior ao Cervantes; o que eu acho inútil é enfiar temas num livro – um livro bom tem um valor nele mesmo, esse é ponto forte do Cordilheira.
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Marcos Vinícius, não acho que dizer que uma comparação com Cervantes é injusta seja nivelar por baixo. É só dizer que existem bons escritores e escritores geniais, e não ser genial não quer dizer que o cara não seja bom.
Sobre o “enfiar temas num livro”, suponho que você esteja se referindo à análise do Polzonoff sobre a questão de identidade. Eu também não tinha reparado nessa questão durante o livro, e ela não em marcou, mas entendi por que o Polzonoff a viu. Por que você acha que ela simplesmente não está lá?
Abraços,
Lucas
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Porque papel aceita qualquer coisa.
Eu por exemplo, posso dizer que Anita compensa a depressão pós-parto com seu romance através do desejo de engravidar, e que esse desejo, por sua vez, é fruto de uma redenção com corpo que mostra o dualismo do distanciamento da alma, referenciado pela criação artística.
E de que isso vale?
Marcos Vinícius Almeida
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Marcos Vinícius, point taken. Mas você há de convir que também não vale muita coisa eu responder “Isso aí que você falou está completamente errado”.
A exemplo do Polzonoff, gostei muito do último capítulo do livro, por um motivo que é tão parecido com o dele que talvez seja o mesmo. A diferença está na leitura do que veio antes: enquanto o Polzonoff enxerga Anita como “uma protagonista à margem de uma narrativa maior”, para mim ela está sempre no centro das atenções, e o romance parece se empenhar em esmiuçar a personalidade dela para o leitor. Aí, no último capítulo, o esmiuçamento se transforma no relato de um período curtíssimo da vida dela, umas férias um pouco estranhas que serviram para ela finalmente encerrar um relacionamento de muitos anos – e quase só. E é nesse ponto que concordo com o Polzonoff: ali percebi como a Anita que eu achava que conhecia era só a Anita daquele momento e daquele lugar, e a verdadeira personalidade dela (que, aliás, não existe) está vedada ao meu entendimento.
Abraços,
Lucas
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O maior problema da nossa geração, e falta de verdade. Somos um bando de sofistas respeitosos e bem educados. rs
O último capítulo realmente impressiona, mas pela fala de Anita… da palavra que não existe para dizer aquilo que ela tem que dizer. Eu até arrepiei com aquele final. É isso que acho válido num livro…. Enfim.
Eu nao tenho véia de crítico literário. mas estarei por aqui atazanando. rs
De beque de roça, dando balão pra cima, se me permite, senhor Ricardo Teixeira
abraços.
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O cara é convidado a ser jurado em uma Copa de Literatura, lê os dois livros, escolhe um deles… e diz que não há comentários a ser feito sobre o outro.
Ah!… a necessidade de ser “muderno”, impactante, diferente, polêmico…
Mas no final das contas o que sobressai é outra coisa mesmo.
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Li Cordilheira, de Daniel Galera quando saiu, e o crítico acertou em cheio ao descrevê-lo(sendo muito simpático em sua introdução).
O fato de nada dizer ao livro de Maria Esther Maciel, aguçou a curiosidade, e ao contrário do que se poderia pensar, tenho certeza que as vendas aumentaram.
Tiro certo, Paulo Polzonoff Jr.!
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Polzonoff se propôs a fazer uma comparação que termina não sendo feita. Esse, a meu ver, é o grande defeito da análise.
Independentemente disso, a análise de Cordilheira, livro que li há menos de um mês e que está, portanto, bem fresco, foi surpreendente. Digo surpreendente pois achei o livro, no geral, fraco. Simplesmente não gostei. No entanto, depois de ler Polzonoff, mudei um pouco de ideia.
Não tinha me dado conta do quão interessante é vermo personagens encarnando vestes de autores de outro personagem, conforme ocorre com a turma de escritores argentinos. Ou daquele último capítulo, ingenuamente considerado um corpo estranho no romance, por mim.
Grato, Polzonoff. Mas pense que afastar o Livro dos Nomes por WO não é justo. Algo devia ser dito a respeito da obra.
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Gostei muito do seu olhar para Cordilheira. E sobre o livro dos nomes, achei que foste muito honesto e até gentil explicando que a necessidade intima de antes não existe mais. Por isso, o mais correto a fazer é não comentar.. já que não se há nada a dizer.. (o que não isenta ninguém das reclamações dos mais afoitos, hehe)..
Creio que há leitores com desejo de comparações. Quiça, por isso alguns tenham se frustrado com “nada a dizer”. Mesmo que nada a dizer, não raro, diga muito. O que não é o caso aqui.
Pra mim não há interpretações certas ou erradas. Algumas idéias são abstratas, como as emoções. E arte é subjetividade pura.
Há braços,
Vanessa de Borba
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